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Fax(z) me rir

Analfabetismo funcional é a incapacidade que uma pessoa demonstra ao não compreender textos simples. Definição mais simples ainda acessível a qualquer um que digitar essa expressão no buscador da internet e que agora foi engedrada no vocabulário futebolístico.

Se você é um analfabeto funcional, por gentileza, aconselho encerrar aqui a leitura. Afinal, da última quarta-feira, dia 15 de novembro, para cá, quem não compra gambá por lebre, se tornou um ignorante.

Sim! Somos todos ignorantes ao rejeitar a condição de maior campeão nacional do Sport Club Corinthians Paulista goela abaixo, como se o futebol brasileiro se resumisse aos seus feitos e suas vontades, de acordo com segmentos da mídia e o próprio clube através das suas mídias sociais.

O complexo de inferioridade que o atual campeão da Série A assumiu oficialmente é algo patético. Que me desculpem meus queridos amigos alvinegros (tenho inúmeros que carrego no coração), mas usar suas conquistas para diminuir ou desqualificar as glórias alheias é no minímo indelicado.

Maior Campeão do Povo. Maior Campeão Estadual. Maior Campeão da Copa São Paulo de Juniores. Maior Campeão do Samba. Maior Campeão de uma edição da Libertadores. Bi-Campeão Mundial.

Olha quanta coisa bonita e verdadeira a ser exaltada por vocês! Com justiça! Com mérito! Com reconhecimento dos rivais!

Mas a geração “Faz me rir”, aquela que expulsou Rivelino do Parque São Jorge após a derrota de mais um título para o Palmeiras em 74 e que não ganhava do Santos de Pelé, resolveu bradar a plenos pulmões que “títulos são festejados em campo e não nos gabinetes”.

Então vejamos:

Taça Brasil. Idealizada em 1959 para apontar o campeão nacional pela Confederação Brasileira de Desportos (atual Confederação Brasileira de Futebol, entidade máxima do futebol em nossa terra), com todos os Estados da nação representados, de forma justa, democrática e igualitária, criando uma integração jamais vista até então.

Dia 28 de dezembro de 1960. O estádio do Pacaembu tinha um carpete verde lindo, mas que em nada lembrava um gabinete. Palmeiras 8 a 2 Fortaleza. Finalíssima. Título alviverde. Para disputar essa competição era necessário ser campeão estadual. O que de fato aconteceu em 1959. Na bola, revaldo, gramado e cancha, deu Palestra. Com direito a goleada por 3 a 0 no Corinthians, 2 a 0 no São Paulo e vitória sobre o Santos de Pelé por 2 a 1, entre outros. Dos Paulistas, só Palmeiras e Santos Futebol Clube tiveram tal privilégio de disputar e ganhar esse torneio, pela qualidade e competência em campo.

No caso alviverde, isso se repetiu em 1967 (por duas vezes, na Taça Brasil e no Robertão, versão estendida e ampliada do torneio nacional a partir dessa data) e em 1969. Curiosamente, num período em que o maior rival palestrino tinha mais alegrias nas competições de piscina, bocha, basquete, pedestrianismo, do que no esporte bretão. Mais curioso ainda é que em duas ocasiões Palmeiras e Corinthians estiveram diretamente envolvidos na luta pelo título. No campo, deu Palestra, como de costume!

Em 1967 e 1969, o time alvinegro liderou de ponta a ponta a competição. Mas no quadrangular final de ambas as disputas fracassou e entregou o título para o Palmeiras. A dor da derrota de 69 para o rival fez surgir até mesmo a formação da maior organizada alvinegra. Mas isso não vem ao caso. É outra história. O fax ainda não existia.

Seria exaustivo falar aqui das formas semânticas adotadas para definir um campeão brasileiro de futebol de 1902 para cá. Desde a Taça Ioduran (um analfabeto funcional não entenderia do que se trata) até hoje, são inúmeras as discussões a respeito. Torneio Rio-São Paulo de Clubes já foi parâmetro para apontar um campeão brasileiro nos anos 30, pelo seu prestígio e pioneirismo.

Revisionistas se arrepiam só de pensar numa discussão a respeito, afinal iriam reduzir o debate a um gabinete, ou a um fax. Ou então evocar anacronismo. Afinal, os arautos da opinião pública e da cátedra decretaram que o futebol  começou em 1971 e não conseguem medir com a régua da sua miopia o que lhes é estranho as suas paixões.

Dizer que quando convém evocam a FIFA para diminuir o Mundial de 1951 do Palmeiras é desnecessário. Mas para validar o que acreditam como verdade ignoram normativas da CBF, que com suas deficiências e qualidades, é o órgão que regula e determina os rumos e destinos do esporte das massas.

Dois pesos. Duas medidas. Dizer por aí que não há clubismo, que há isenção, é analfabetismo funcional dos mais agudos!

Parafraseando as linhas que li por aí, no mais eu teria vergonha de estar ao lado desses “vitoriosos”….

Que usurparam o dinheiro público para adquirir seu patrimônio na era da Lava Jato.
Que ostenta o maior jejum da história sem títulos entre os grandes clubes com 23 anos.
Que jamais repetiu os 8 a 0 sofridos pelo maior rival.
Que viu o seu maior rival sair da fila justamente com uma goleada por 4 a 0 num Derby.
Que não conseguiu ser Campeão do Século XX.
Que se vangloria de um título brasileiro no escândalo da máfia do apito em 2005.

No mais, o maior campeão do Brasil,  SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS, parabeniza o atual campeão nacional de 2017 pela sua conquista maiúscula e indiscutível, nos vencendo legitimamente em todos os confrontos diretos, dentro do campo!

Quem sabe um dia vocês chegam lá e nos superam nessa condição de líder. Tudo é plenamente possível e ninguém é imbatível. Mas até lá, continuaremos eternamente sendo o osso duro arremessado na janela de vocês!

luis pereira consola rivelino 1974

FORZA PALESTRA!!!

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Derby da liderança

Pela primeira vez na era dos pontos corridos do Campeonato Brasileiro (2003 em diante) Palmeiras e Corinthians fazem um clássico onde o confronto direto pode representar a liderança da competição, nesse domingo (12), no estádio Palestra Itália.

O time do Parque São Jorge está na ponta. Um empate ou uma vitória mantém o alvinegro nessa condição. Para o time palestrino, só a vitória interessa para que ele alcance a primeira colocação. Ambos torcem por tropeços dos gaúchos Internacional e Grêmio, que também podem assumir a dianteira.

Além de toda a mística e tensão natural que envolvem essas duas camisas, esse grande clássico fica ainda mais potencializado devido a data da partida. Ela remete a um dos Derbys mais marcantes da vida palmeirense: 12 de junho de 1993.

Mais que a celebração dos namorados, foi nesse dia mágico que os alviverdes renovaram a paixão pelo seu amor maior. A conquista histórica do Campeonato Paulista naquele ano pelo placar de 4 a 0 em cima do maior rival fez toda uma geração de palmeirenses soltar o grito de campeão da garganta pela primeira vez. Momento eterno. Momento inesquecível. Momento insuperável.

O fato de jogar em casa, onde conquistou 100% dos pontos disputados nesse Brasileirão até aqui, e a lembrança de um dos feitos mais marcantes de sua história, fazem com que o palestrino esteja otimista para o grande confronto.

Além disso, para os alviverdes o Derby tem outros aspectos especiais. A última vitória palestrina em seu estádio diante do rival aconteceu em 4 de abril de 1970, partida válida pela Taça São Paulo, pelo placar de 3 a 1, com três gols de César Maluco para o Palmeiras.

De lá para cá, houve mais cinco jogos no local, com uma vitória alvinegra e quatro empates. Desde a reforma do Palestra Itália e sua reabertura em 2014 foram duas partidas sem que o Verdão alcançasse a vitória perante o seu torcedor.

Se por um lado o Verdão tem a chance de quebrar esse incômodo tabu, ele também luta para manter o jejum de quatro jogos sem perder para o time do Parque São Jorge. Desde 19 de abril de 2015, semifinal do Campeonato Paulista, onde o Verdão eliminou o alvinegro em pleno Itaquerão, o Palmeiras permanece invicto contra o Timão. Foram quatro jogos, com duas vitórias palmeirenses e dois empates.

Por tudo isso, e por si só, o clássico do final de semana terá tudo para ser mais um grande jogo na vida de uma das maiores rivalidades do futebol mundial.

Confira os números gerais do Derby ao longo dos tempos:

Jogos: 359
Vitórias Palmeiras: 127
Empates: 110
Vitórias Corinthians: 122
*** Inclui os jogos do Torneio Início do Campeonato Paulista

Maior Goleada a favor do Palmeiras: 05/11/1933 Palestra 8 x 0 Corinthians – Campeonato Paulista / Rio São Paulo

Maior Goleada a favor do Corinthians: 01/08/1982 Palmeiras 1 x 5 Corinthians – Campeonato Paulista e Taça Derby; 27/08/1952 Palmeiras 1 x 5 Corinthians – Taça Cidade de São Paulo

Quem mais jogou o Derby: Ademir da Guia – 57 jogos

Quem mais marcou gols pelo Palmeiras no clássico: Heitor – 15 gols marcados

Derbys no estádio Palestra Itália: 43 jogos
Vitórias Palmeiras: 22
Empates: 9
Vitórias Corinthians: 12

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FORZA VERDÃO!!!

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Vira-casacas

Matéria do jornalista e amigo Bruno Alexandre Elias, que tivemos o prazer em colaborar, publicada em 29/12/2015 no portal da Band.com.br. Confira :

Ao anunciar o zagueiro Edu Dracena na última terça-feira (23) como um dos reforços para 2016, o Palmeiras engordou a lista de jogadores que se transferiram do Parque São Jorge para o Parque Antártica e vice-versa.

De acordo com os dados do jornalista e historiador Fernando Razzo Galuppo, esta é a primeira vez em quase três anos que o fato se repete, já que em 2013 o lateral Weldinho foi o último jogador a se transferir de um clube ao outro (deixou o Alvinegro para defender o Verdão).

Luís Pereira, Edmundo, Luizão, Rincón, Paulo Nunes, Vagner Love e tantos outros. São incontáveis os jogadores em comum que Palmeiras e Corinthians já tiveram ao longo da história. No entanto, “apenas” 46 jogadores – incluindo Edu Dracena – se transferiram diretamente de um clube ao outro.

A primeira troca de Parque aconteceu há mais de 100 anos, durante os primórdios do futebol no Brasil: o zagueiro Bianco Gambini saiu do Timão, em 1915, para realizar o primeiro jogo da história do Palmeiras – à época, Palestra. E por lá ficou.

Dentre os casos mais emblemáticos de jogadores que trocaram de Parque, se destaca o goleiro Leão, que durante os tempos de Academia (anos 60 e 70) ganhou tudo com o Palmeiras. Em 1983, Leão se sagrou Campeão Paulista pelo Timão durante a Democracia Corintiana e, em seguida (1984), voltou a defender o Alviverde.

Ídolo do Alvinegro, Neto é outro destaque da lista. Só chegou ao Corinthians depois de ter passado pelo Palmeiras: as diretorias dos dois clubes entraram em um acordo mútuo e, em 1989, trocaram atacante por atacante e lateral. Ribamar e Dida por Neto. No Palmeiras, o atacante Ribamar e o lateral Dida não renderam o esperado; enquanto Neto, no Corinthians, se consagrou.

Para Galuppo, pai da pesquisa que resultou na lista de jogadores que se transferiram diretamente do Palmeiras ao Corinthians (e vice-versa), um dos personagens mais aclamados nestas trocas de Parque foi o ponta-direita Filó, que vestiu a camisa da Seleção Italiana e se tornou o primeiro jogador brasileiro a conquistar uma Copa do Mundo – ele se transferiu do Corinthians ao Palmeiras em 1938.

“Houve personagens emblemáticos que vieram (do Corinthians) para o Palmeiras, como – por exemplo – o Filó, um craque consagrado que encerrou a carreira no Palestra e foi campeão. Ele vestiu a camisa da Seleção Italiana e foi um jogador de grande qualidade”, exaltou Fernando Galuppo.

No total, 24 jogadores deixaram o Corinthians para, imediatamente, defender o Palmeiras, enquanto 22 jogadores saíram do Palmeiras para defender as cores alvinegras: Edu Dracena é o mais novo jogador a sair do Parque São Jorge e migrar para Parque Antártica. E do Parque Antártica ao Parque São Jorge, o último foi o lateral Amaral, em 2007.

Aos 34 anos, Edu Dracena firmou contrato válido com a equipe paulista por dois anos, até o final de 2017. O defensor, que antes vestia as cores do rival, é o 4º reforço do Palmeiras para a temporada de 2016.

Confira a lista completa de jogadores que trocaram de Parque:

Do Corinthians ao Palmeiras
1915: Bianco Gambini e Fabbi II
1924: Amílcar Barbuy
1938: Filó
1942: Joane
1943: Lima IV e Jesus
1971: Paulo Borges
1979: Romeu Cambalhota
1982: Caçapava
1984: Emerson Leão
1985: Paulinho Albuquerque
1989: Ribamar e Dida (lateral), ambos trocados por Neto; Paulinho Carioca (trocado por Mauro) e Edson Boaro;
1990: Dida (lateral) e João Paulo
1993: Ricardo
1994: Rivaldo
1996: Elivélton e Leonardo
2011: Thiago Heleno
2013: Weldinho
2015: Edu Dracena

Do Palmeiras ao Corinthians
1936: Elyseo
1942: Nelson e Capellozzi
1943: Begliomini
1965: Geraldo José
1968: Servílio
1969: Luis Carlos Feijão
1971: Baldochi
1974: César Maluco
1976: Veira
1986: Edmar Bernardes
1987: Jorginho Putinatti
1989: Neto (trocado por Ribamar e pelo lateral Dida), Mauro (trocado por Paulinho Carioca) e Denys
1990: Guina
1991: Mirandinha
1997: Fernando Diniz
2000: Rogério
2003: Leandro Amaral e Cesar
2007: Amaral (lateral)

http://esporte.band.uol.com.br/futebol/times/palmeiras/noticias/?id=100000787569&t=dracena-%C3%A9-o-47%C2%BA-jogador-a-trocar-de-parque

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Palestra reverte vantagem e quebra tabu na decisão

A fórmula de disputa do atual Campeonato Paulista foi implementada a partir de 2007. De lá para cá essa é a nona decisão de título onde um jogo de ida e de volta determina o Campeão Estadual. Em seis oportunidades o time que venceu o primeiro jogo ficou com o título. Apenas uma vez uma equipe reverteu o resultado da primeira partida da final. E em apenas uma única vez o primeiro encontro da decisão terminou empatado.

Isso posto, não quer dizer que o Palmeiras já pode ser apontado como o Campeão Paulista da atual temporada, após ter vencido a primeira partida da decisão contra o Santos, pelo placar de 1 a 0, nesse domingo (26), no estádio Palestra Itália. Pelo contrário.

O fato é que, ao fim da partida, a crônica esportiva de forma massacrante ignorou a magnitude da vitória palestrina, que reverteu a vantagem santista, e já aponta o Santos Futebol Clube como o franco favorito para se tornar o campeão do Estado pelo fato do clube praiano jogar em seus domínios na partida de volta.

Tudo por que o Palmeiras perdeu uma penalidade máxima e não venceu por mais gols de diferença (!?). Creio que isso é uma análise bem superficial, que distorce os fatos e subjulga a força das duas camisas.

Palmeiras e Santos sempre fizeram jogos duros e equilibrados ao longo dos tempos. Qualquer vantagem, por menor que ela seja, em um clássico dessa grandeza e em se tratando de uma decisão de campeonato deveria ser mais respeitado.

É natural que o Santos se fortaleça jogando na Vila Belmiro. Sempre foi assim. Mas isso não é o bastante para diminuir a vitória palmeirense e a vantagem construída.

Um torcedor mais desatento ao ouvir o pós-jogo das rádios e televisões ficou com a impressão de que o Palmeiras havia perdido por goleada e que iria para a Vila Belmiro jogar o segundo jogo precisando vencer por cinco gols de diferença.

Se o Palmeiras teve o pênalti perdido pelo Dudu, o Peixe teve um gol certo na pequena área desperdiçado pelo artilheiro do campeonato Ricardo Oliveira. Até nos erros capitais de jogadores decisivos houve equilíbrio entre as equipes. Tudo natural e dentro da normalidade de um grande jogo como foi Palmeiras e Santos.

O Palmeiras fez um jogo inteligente. Jogou com equilíbrio e não correu riscos para construir a sua vitória. O Santos é um time bem montado. Tem muita velocidade, técnica e juventude. Soube se defender e sofreu o gol num lance fortuito.

Ambos estão qualificados a serem campeões. E será justo o título ficar nas mãos de qualquer uma das equipes, que iniciaram novos projetos no início da temporada, cheios de incertezas e fizeram por merecer alcançarem os primeiros postos.

Sobre a arbitragem, Vinicius Furlan esteve nervoso e atrapalhado. Seu erro capital foi a não marcação de uma penalidade máxima escandalosa na primeira etapa a favor do Palmeiras, quando Rafael Marques foi calçado por trás na hora do chute.

O resultado positivo em favor do Palmeiras serviu também para por fim a um incômodo tabu. O Verdão não vencia o Peixe há oito partidas, o que torna ainda mais significativa a vitória palestrina.

Agora o desfecho dessa decisão será na Vila Belmiro na próxima semana. Os críticos já decidiram que o “patinho feio” da semana pré-final será o Verdão. E assim, como um qualquer, o Verdão vai à Santos como foi à Itaquera enfrentar o seu arquirival Corinthians. Desacreditado por todos, menos por nós palestrinos de alma.

Abaixo segue todas as finais do Paulista de 2007 até hoje, com os vencedores da primeira partida e os seus campeões:

2007 São Caetano venceu o primeiro jogo contra o Santos. Santos reverteu e foi campeão.

2008 Palmeiras venceu o primeiro jogo contra a Ponte Preta. Palmeiras campeão.

2009 Corinthians venceu o primeiro jogo contra o Santos. Corinthians campeão.

2010 Santos venceu o  primeiro jogo contra o Santo André. Santos campeão.

2011 Empate no primeiro jogo entre Santos e Corinthians. Santos campeão.

2012 Santos venceu o primeiro jogo contra o Guarani. Santos campeão.

2013 Corinthians venceu o primeiro jogo contra o Santos. Corinthians campeão.

2014 Ituano venceu o primeiro jogo contra o Santos. Ituano campeão.
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Palmeiras x Santos

Apesar de Palmeiras e Santos se encontrarem apenas pela segunda vez  em uma decisão de Campeonato Paulista em toda a história – a primeira foi em 1959 com vitória alviverde –, as equipes já tiveram confrontos diretos que definiram o campeão estadual em outras cinco oportunidades.

Como o sistema de disputa dessas competições do passado eram os pontos corridos, os embates entre o Verdão e o Peixe representaram verdadeiras decisões durante o próprio torneio. Por três vezes o Palmeiras saiu vencedor e o alvinegro praiano levantou a taça em outras duas ocasiões.

Confira os cinco confrontos diretos que valeram o título da competição estadual:

1927  Palestra Itália Campeão

4/3/1928 Palestra Itália 3×2 Santos
Estádio Vila Belmiro
Gols: Tedesco, Lara, Perillo (PAL);  Evangelista, Camarão (SAN)
PAL:  Perth (G), Bianco,  Miguel Pascoarelli, Xingo, Gogliardo, Serafini, Tedesco, Heitor, Armandinho, Lara, Perillo. Técnico: Amílcar Barbuy
SAN: Athie (G), Bilu, Meira, Hugo, Julio, Alfredo, Omar, Camarão, Siriri, Araken Patuska, Evangelista. Técnico: não identificado

Os dois times lutaram palmo a palmo na liderança da competição. O Palestra era a melhor defesa da competição. O Santos era o melhor ataque com 100 gols marcados. Na penúltima rodada, o Santos jogava em sua casa e precisava vencer o alviverde para entrar na última rodada com chances de título, já que o Palestra liderava por um ponto de diferença sobre o rival. A vitória na Vila Belmiro, num jogo épico, garantiu o título ao Verdão com uma rodada de antecedência.

1947 Palmeiras Campeão

28/12/1947 Palmeiras 2×1 Santos
Estádio Vila Belmiro
Gols: Arturzinho, Turcão (PAL); Odair (SAN)
PAL: Oberdan (G), Caieira, Turcão, Zezé Procópio, Túllio, Waldemar Fiume, Lula, Arturzinho, Oswaldinho II, Lima, Canhotinho. Técnico: Osvaldo Brandão
SAN: Rene (G), Dinho, Expedito, Nene, Dacunto, Alfredo, Odair, Zeferino, Adolfrizes, Antoninho, Leonaldo. Técnico: não identificado

A tabela do Campeonato Paulista de 1947 previa para a última rodada um confronto entre Palmeiras e Santos, na casa santista. O Peixe não tinha mais chances de título. O Verdão lutava pelo caneco diretamente com o Corinthians. A vitória palmeirense foi construída no primeiro tempo e garantiu mais uma taça ao Verdão.

1960 Santos Campeão

16/12/1960 Palmeiras 1×2 Santos
Estádio Vila Belmiro
Gols:  Chinesinho (PAL); Zito, Pelé (SAN)
PAL: Valdir de Moraes (G), Djalma Santos, Valdemar Carabina, Jorge, Zequinha, Aldemar, Julinho Botelho, Humberto Tozzi (Nardo), Romeiro, Chinesinho, Cruz. Técnico: Oswaldo Brandão
SAN: Laercio (G), Dalmo, Mauro, Zé Carlos, Calvet, Zito, Sormani (Dorval), Mengalvio, Coutinho, Pelé,  Pepe. Técnico: Lula

O Santos lutava pelo título palmo a palmo com a Portuguesa de Desportos. O Verdão já estava fora da disputa pelo caneco. Na última rodada, o Peixe venceu o alviverde em seus domínios e passou a Lusa na tabela de classificação, garantindo mais um título para o time da Vila Belmiro.

1968 Santos Campeão

19/5/1968 Palmeiras 1×3 Santos
Estádio Palestra Itália
Gols:  China (PAL); Edu, Pelé, Toninho Guerreiro (SAN)
PAL: Maidana (G), Djalma Santos, Baldocchi, Minuca, Jorge, Julio Amaral, Zequinha, Swing, China, Cabralzinho (Morais), Gildo. Técnico: Alfredo Gonzalez
SAN: Claudio (G), Carlos Alberto, Ramos Delgado, Joel, Rildo, Clodoaldo, Lima, Toninho Guerreiro, Douglas, Pelé, Edu. Técnico: Antoninho

O Santos não teve rival no Campeonato Paulista de 1968. Dominou a competição com extrema facilidade e foi campeão por antecedência justamente na partida diante do Palmeiras no Palestra Itália. O Verdão atuou nesse jogo com um time reserva, pois três dias antes havia disputado a terceira partida da final da Taça Libertadores da América contra o Estudiantes de La Plata.

Veja o vídeo da partida: https://www.youtube.com/watch?v=C6ln6mmB-NU

1996 Palmeiras Campeão

2/6/1996 Palmeiras 2×0 Santos
Estádio Palestra Itália
Gols: Luizão, Cleber (PAL)
PAL:  Velloso (G), Cafu, Sandro, Cleber,  Junior (Elivelton), Galeano, Amaral (Marquinhos), Rivaldo, Djalminha, Muller,  Luizão. Técnico: Vanderlei Luxemburgo
SAN: Edinho (G), Claudio, Sandro, Narciso, Marcos Adriano, Gallo, Baiano, Jamelli, Robert (Camanducaia), Macedo (Nando), Giovanni. Técnico: Orlando Pereira

Campeão do primeiro turno de forma invicta, o Verdão foi um rolo compressor no Paulistão de 1996 registrando a melhor campanha da história do profissionalismo. Para garantir o caneco de forma direta, bastava ao alviverde vencer o segundo turno. E isso aconteceu justamente no confronto direto diante do Santos, que ficou na segunda colocação no segundo turno.

Veja o vídeo da partida: https://www.youtube.com/watch?v=Jbs39kSUibw

Tabu alviverde

O Palmeiras não vence o Santos há oito jogos. A útlima vitória do time palmeirense sobre o rival praiano aconteceu no dia 5 de fevereiro de 2012, Palmeiras 2 x 1 Santos,  gols marcados por Fernandão e Juninho para o Verdão e Neymar para o Peixe, em confronto válido pelo Campeonato Paulista,  realizado em Presidente Prudente.

De lá para cá foram seis vitórias santistas e dois empates. Os últimos quatro confrontos entre as equipes foram todos vencidos pelo alvinegro da Baixada Santista.

A  última vitória do Palmeiras no estádio da Vila Belmiro, palco da grande decisão, aconteceu em 3 de abril de 2011, por 1 a 0, gol marcado por Kleber, pelo Campeonato Paulista.

Veja o vídeo da última vitória palmeirense sobre os santistas: https://www.youtube.com/watch?v=v39BkIUg7NY

Clássico no Palestra Itália

No Palestra Itália, estádio do primeiro jogo da finalíssima, a última vitória palmeirense foi em  8 de fevereiro de 2009, pelo Campeonato Paulista. O Verdão goleou o alvinegro praiano pelo placar de 4 a 1, gols marcados por Edmilson, Lenny e Keirrison (2).

Já o último clássico entre as equipes no Palestra Itália aconteceu no dia 28 de junho de 2009. Na ocasião, o houve empate pelo placar de 1 a 1, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro. Obina marcou o gol palmeirense, enquanto Robson (que trata-se do Robinho que hoje atua pelo Palmeiras) marcou o gol santista.

Ao longo de toda a história, Palmeiras e Santos já jogaram 70 partidas no estádio palmeirense. Foram 36 vitórias palestrinas, 14 vitórias santistas e 20 empates. O Verdão marcou 137 gols e sofreu 75 dos santistas.

Veja o vídeo da última vitória palmeirense no Palestra Itália: https://www.youtube.com/watch?v=SQsAQzFsbdU

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A festa da minoria

Cresci ouvindo dos palestrinos mais velhos muitas histórias da final do Campeonato Paulista de 1974. O Palmeiras tinha a Academia e um time acostumado com decisões. O rival amargava uma longa fila de títulos.

O clima criado para aquela decisão era a favor do time alvinegro. A torcida corintiana lotou o Morumbi com 100 mil torcedores. Mas foram os poucos palmeirenses presentes no estádio quem comandaram a festa, após o gol de Ronaldo, dando mais um título ao Verdão e deixando os corintianos por mais um ano sem conquistas.

Guardada as devidas proporções, o jogo válido pela semifinal do Campeonato Paulista entre Palmeiras e Corinthians na Arena Itaquera nesse domingo (19) trouxe aspectos bem similares aos vividos em 74.

Lá como cá, a torcida alvinegra lotou o estádio. E novamente quem festejou foram os bravos palestrinos em minoria no palco do jogo. Não era uma decisão de título. Nem o Palmeiras é um time como aquela Academia. Tão pouco o Corinthians vive um jejum de troféus. Mas a história, com seus vilões e heróis, estava lá. Pairando no ar e permeando o inconsciente coletivo.

Atualmente, o Verdão precisava de um jogo decisivo para a sua afirmação dentro e fora de campo. O torcedor da nova geração palestrina não tinha vivido na pele uma partida como a de hoje para reafirmar o que a história palestrina é pródiga em nos ensinar.

O dia 19 de abril de 2015 será para uma geração de palestrinos o que foi 12 de junho de 1993 para a minha geração e o que o dia 22 de dezembro de 1974 foi para os alviverdes mais antigos.

Particularmente, vivi todos esses momentos de forma diferente e intensa. O jogo de 1974 esteve presente no meu imaginário durante anos na infância e juventude. O jogo de 1993 eu senti na pele e carrego essa marca profunda dentro de mim pela eternidade. O jogo de hoje representa o passar de um bastão para os mais jovens palestrinos.

A vitória palestrina nas penalidades diante do seu maior rival, na casa do adversário, que detém uma longa invencibilidade, para mim se resume numa cena:

O pai dizendo para o filho entre lágrimas e abraços: “Tá vendo, meu filho, isso é o Palmeiras. Obrigado por confiar em mim. Essa vitória é para você”. O filho, emocionado, responde nos braços do pai: “Obrigado meu pai por ter me tornado palmeirense. Valeu cada segundo, de alegria e tristeza, ter confiado em você .”

Eu vivi isso com meu pai em 93. Ele viveu com seu pai em outros momentos. Outros filhos e pais viveram isso em outras oportunidades. Outros tantos ainda viverão esse sentimento.

O futebol em sua essência é um pouco disso também. Uma prova de amor e uma renovação constante da fé e da esperança nas cores do nosso querido clube.

VIVA A SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS!

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Derby dos Tabus

O clássico entre Palmeiras e Corinthians no próximo domingo na Arena de Itaquera vale muito mais que uma vaga à final do Campeonato Paulista de 2015.  Além de toda a rivalidade natural entre alviverdes e alvinegros, o confronto de número 356 da história leva a campo algumas marcas e tabus a serem quebrados, a saber:

– A última vitória do Palmeiras sobre o Corinthians na capital paulista aconteceu em 2/3/2008 quando o Verdão bateu o seu rival pelo placar de 1 a 0, gol de Valdivia, no estádio do Morumbi, válida pelo Campeonato Paulista;

– Essa partida de 2/3/2008 também foi a última vitória alviverde em Campeonato Paulista sobre o time do Parque São Jorge. De lá para cá, foram jogadas oito partidas pelo estadual com quatro empates e quatro vitórias do  time alvinegro;

– No confronto geral, a última vitória do Palmeiras sobre o seu rival aconteceu em 28/8/2011 pelo placar de 2 a1, gols marcados por Luan e Fernandão, pelo Campeonato Brasileiro, em Presidente Prudente. De lá para cá, foram jogadas nove partidas com quatro empates e cinco vitórias alvinegras;

– O Corinthians defende uma longa invencibilidade em seu novo estádio;

– A maior série de jogos que o Corinthians ficou sem perder para o Palmeiras em toda a história foram 10 partidas. O Timão pode igualar essa marca, já que sustenta uma invencibilidade de nove partidas sem derrotas para o rival;

– Será essa a primeira semifinal de uma competição disputada entre as equipes com o mando real de uma das equipes. Todos os outros confrontos se deram em campos neutros (Morumbi e Pacaembu);

– A última vitória do Palmeiras em um campo de propriedade do Corinthians, no Parque São Jorge, acaonteceu no dia 7/9/1938, pelo Campeonato Paulista. O Verdão venceu por 2 a 1.

Outro ingrediente em particular que apimenta ainda mais o clássico de domingo é a presença de Vagner Love, hoje defendendo as cores do Corinthians. O atacante formado nas categorias de base do Verdão é o maior artilheiro do Palmeiras no Século XXI com 54 gols marcados e pela primeira vez enfrenta o seu ex-clube com a camisa do maior rival.

Entendendo os números

Algumas correntes e segmentos da mídia divulgam que se caso o time alvinegro vença, ele empataria com o Palmeiras em números totais de vitórias em toda a história dos confrontos.

Isso não é verdade. Vamos explicar o por quê:

Analisando os dados oficiais divulgados pela assessoria do clube alvinegro, eles não consideram os jogos do torneio início do campeonato paulista, da taça henrique mundel e contabiliza um jogo entre segundos  quadros de 1929.

Já os dados oficiais do Palmeiras considera os jogos do torneio início do campeonato paulista, da taça henrique mundel e não contabiliza o jogo de segundos quadros de 1929.

Com isso os números ficam assim dispostos:

Para o Corinthians: 345 jogos, 121 vitórias Palmeiras, 104 empates e 120 vitórias Corinthians

Para o Palmeiras: 355 jogos, 125 vitórias Palmeiras, 108 empates e 122 vitórias Corinthians

Comentário

O trabalho elaborado pela Sociedade Esportiva Palmeiras é o mais fidedigno aos fatos da história do Derby, pois engloba todos os confrontos oficiais entre as equipes principais dos dois tradicionais clubes na história, sem distinção, respeitando e preservando a história puramente factual, frio, sem análises, interpretações personalistas ou julgamentos.

O trabalho elaborado pelo Sport Club Corinthians Paulista distorce os números, alegando que os Torneio Inícios e a Taça Henrique Mundel não eram competições jogadas em 90 minutos, apesar da competição ser oficial, ter súmula, juiz, valer taça, ter público, bilheteria e registros nas federações e imprensa.

Aqui contestamos o trabalho do clube de Parque São Jorge com veemência, pois nem sempre na história do futebol as partidas eram jogadas em 90 minutos. No início dos tempos, por exemplo, as partidas eram divididas em dois tempos de 40.

Indo além, as partidas disputadas em 1918 e início de 1919 foram limitadas em seu tempo de jogo ainda mais, baixando as partidas do Campeonato Paulista para dois tempos de 35 minutos, devido a epidemia da Gripe Espanhola.

Ora, partindo da análise dos corinthianos, teria então que ser deconsiderado quase três anos de história do Derby, pois a regra utilizada por eles para formatação de seus conceitos históricos não atende aos parâmetros de análise por eles criados.

Lembramos a regra número 1 de quando se trabalha com história e memória: Não se mede o passado com a régua do presente, e vice-versa. Deve-se respeitar os fatos de acordo com o seu tempo e o seu espírito.

No entanto, cabe a cada um julgar por si só os metódos adotados pelas duas instituições na preservação da história de um dos maiores confrontos do futebol mundial e utilizar qual melhor lhe convém.

O que não se pode compactuar é com distorções e conjecturas parciais, sem uma reflexão, opinião e esclarecimento mais amplo.

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