Esportes

O direito de se calar

As torcidas organizadas do Palmeiras simplesmente ficaram mudas na primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Foram “civilizadas” e criaram uma atmosfera à europeia no novo coliseu palestrino, prenunciando o que num futuro próximo será o ambiente idealizado em um estádio de futebol, de acordo com a evolução do processo de elitização que caminha à passos largos em nossas praças esportivas.

Uma manifestação justa, legítima, inteligente e pacífica contra os preços abusivos dos ingressos e a majoração de mais de 60% do programa de sócio-torcedor.

Alguns, mal informados, tentam distorcer o ato das organizadas com o discurso vazio de que eles “ganhavam” regalias para incentivar a sua paixão e frequentar os estádios e que o manifesto era inoportuno, imputando-a até o mal resultado em campo. Pura miopia.

Pensam e julgam que as organizadas são uma massa alienada. Um bando de baderneiros. Uma gente sem classe. Um povinho sem nível. Uma claque barulhenta, feia e indigesta. Outro engano.

Os homens que criaram esse estado de espírito tem nome e sobrenome e respondem pelos destinos do Campeão do Século XX. São higienistas. Puristas. Gente que não se mistura. Que tem ódio do povo. Que não gosta da alegria alheia. Que se aborrecem com quem não compreendem. Que não tem flexibilidade mental para lidar com o contraditório. Espiritos sem luz. Fracos. Perdedores. Amargos. Cagões.

Esquecem-se que são os representantes de uma coletividade, agindo de modo arbitrário e personalista. Colocam-se em pedestais. Transvestem-se de reis. São déspotas de uma causa vazia e sem sentido. Usam todas as suas forças e energias para com os seus, mas são verdadeiros cordeirinhos com os nossos rivais em defesa dos nossos interesses comuns.

Infelizmente, essa desarmonia é causada por falsos líderes. Homens sem capacidade de conduzir a paixão e os interesses de um povo com um pingo de sensibilidade e diplomacia. Usam gravatas e ternos para encobrir os farrapos humanos que são em sua profunda essencia.

Pois do mundo que eles vieram, o povo é apenas um número de RG e um cifrão. Serve apenas para pagar a conta. Não tem alma, personalidade, feição e gosto. Acham que somos um engodo. Um rebanho a ser conduzido. Que nos fazem um favor.

Uma pena subjulgarem as organizadas palestrinas dessa forma, criando um ambiente de cisão entre iguais.

Uma pena criarem muros contra o sentimento de um povo.

Uma pena não termos homens no comando.

Uma pena a falta de sensibilidade em lidar com o diferente.

No meio desse fogo cruzado de tamanha desinteligência, quem paga a conta sempre será a Sociedade Esportiva Palmeiras.

TODOS NÓS PERDEREMOS! NÃO HÁ VENCEDOR, NEM VITORIOSOS NESSA LUTA OCA!

SOBRE A ESTREIA NO BR-15

O Palmeiras apresentou um futebol pobre em sua estreia no Campeonato Brasileiro diante do Atlético-MG, no Palestra Itália. O Galo, com um time formado por reservas e desentrosado, dominou as ações e parecia ser o dono da casa. O time palmeirense ficou bem abaixo de qualquer expectativa.

O Verdão apresentou os mesmos erros da final do Campeonato Paulista. Um buraco no meio campo e falhas no sistema defensivo. Além do fraco aproveitamento ofensivo. Sem poder de fogo.

Individualmente, algumas observações. Robinho não pode atuar como volante. Foi uma figura nula. Zé Roberto na lateral-esquerda foi presa fácil. Gabriel Jesus enfiado entre os zagueiros não rende. Vitor Hugo na zaga é uma temeridade.

Prass foi o melhor em campo, com grandes defesas. Salvou-nos de uma vergonha ainda maior.

Para a sequência da temporada, tem que melhorar e evoluir muito para não termos um final melancólico como em outros anos. O time precisa, no minímo, de mais um zagueiro e um camisa 9 de qualidades inquestionáveis. Jogador para vestir a camisa de titular. Não é com “Fellypes Gabrieis”  da vida que vamos ter sucesso.

Como constatação final, no time reserva do Galo, o camisa 9 deles tinha atuado na última Copa do Mundo. O que demonstra que o nosso elenco precisa de peças mais qualificadas se quiser lutar pelas primeiras posições.

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