Italianidade

Paulistinha, sim senhor!

O palmeirense tem sido tachado por alguns setores da crônica esportiva e também por dirigentes do futebol paulista como um clube “chorão”, justamente pelo fato dos esmeraldinos lutarem por aquilo que julgam ser o caminho mais correto. Um comportamento, no mínimo, infantilizado de quem tenta diminuir os reclames palestrinos e não aceita ser contestado, adotando um discurso subserviente.

De 2018 para cá, a má vontade (quero ainda não acreditar em má fé) e os sucessivos erros contra a Sociedade Esportiva Palmeiras protagonizados pela FPF são notórios, gerando um estado de espírito litigioso entre as partes.

Na história centenária Palestrina, o clube alviverde já protagonizou duas grandes cisões com a entidade máxima do futebol paulista, afastando-se das competições estaduais, por não concordar com a forma desrespeitosa que fora tratado.

A primeira delas aconteceu em 1918. Tendo início o Campeonato Paulista, o Palestra, com pouco mais de três anos de vida, já era apontado como uma potência do futebol paulista, dono de uma popularidade enorme e candidato a conquista do título.

Apesar de alguns tropeços diante da A.A. das Palmeiras e da A.A. São Bento, a equipe brigava pelas primeiras colocações. Foi quando no dia 30 de junho, no jogo entre Palestra Italia e Clube Atlético Paulistano, devido aos inúmeros erros cometidos pelo juiz da partida em favor do Paulistano, entre outras provocações feitas por dirigentes deste clube dias antes da partida nos veículos de imprensa, jogadores e torcedores alviverdes envolveram-se na maior briga já vista, até então, no esporte paulista.

As arquibancadas do estádio do Jardim América, sede do Paulistano, clube aristocrata onde se concentrava a burguesia da cidade, foram completamente destruídas pelos palestrinos. O árbitro apanhou feito gente grande. A guarda montada precisou intervir. Foi um verdadeiro caos!

Era o orgulho do Palestra que tinha sido ferido. Segmentos da imprensa e o próprio Paulistano haviam tocado na essência italiana daqueles imigrantes que viam no Palestra um elo que os uniam a sua terra natal, a Itália.

Provocações de todos os tipos contra os torcedores e jogadores palestrinos, a fim de desestabilizá-los foi o motivo maior que gerou um estado pleno de revolta, culminando com o mau resultado no campo de jogo, tornando uma simples partida, numa questão de vida ou morte para a coletividade palestrina.

Assim sendo, no dia 3 de julho de 1918, a gente palestrina, após uma histórica assembleia geral, que reuniu mais de 800 associados, decidiu o desligamento do Palestra Italia da APSA (Associação Paulista de Sports Atléticos), por unanimidade de votos, e automaticamente a criação de uma nova liga.

Surgia a Federação Olímpica Paulista – F.O.P. Formava-se, assim, a mais nova cisão no futebol paulista, composta pelas seguintes equipes: Palestra Italia, América-SP, Americano-SP, Campos Elyseos, Touring Club Paulistano e Luzitano.

Eis a transcrição da decisão palestrina veiculada nos jornais da época no dia 4 de julho de 1918, sob o título, “O Palestra desliga-se da APSA”:

“De acordo com a assembléia geral realizada no dia 03/07/1918, a Societa Sportiva Palestra Italia, por unanimidade de votos – o que representou mais de 800 votos – decidiu o desligamento dessa sociedade da APSA.

Os motivos dessa resolução são bastante conhecidos em São Paulo e devem-se aos deploráveis incidentes ocorridos no Jardim América em 30/06/1918.

Na mesma reunião foi aventada a idéia de construir um campo próprio, sendo aberta então uma subscrição entre os sócios presentes que imediatamente logrou o saldo de 60 contos de réis”.

Imaginava-se, aquela altura, um enfraquecimento do Palestra com a sua saída da APSA, entretanto, ocorreu justamente o contrário. O Palestra continuou forte, vencedor, deu início ao projeto de compra de sua praça esportiva, enquanto a APSA perdia um dos seus mais rentáveis integrantes.

A volta para a competição estadual veio no ano seguinte, após inúmeras reuniões conciliatórias, bem como a intervenção do presidente da Associação do Chronistas Sporitvos do Estado de São Paulo, Sr. Olival Costa.

Nova cisão em 1924

Uma vez mais, como em 1918, o Palestra Italia sacrificou-se tecnicamente, tomando a decisão de abandonar o campeonato oficial da APSA, a fim de que prevalecesse o respeito que lhe era devido, bem como a honra e dignidade da família palestrina.

A entidade maior do futebol passava por uma reforma nas suas leis esportivas e disciplinares a pedido do Paulistano e apoiado pela maioria dos clubes filiados, inclusive pelo próprio clube de Parque Antártica.

Logo após a primeira partida da equipe no certame local contra o Paulistano, no dia 21 de abril de 1924, Nigro e Cassarini, atletas alvi-esmeraldinos, foram os primeiros alvos de tais reformas, sendo ambos acusados de praticarem jogo violento e de modo arbitrário suspensos por três jogos pela comissão de sindicância da Associação. O clube alviverde, a contragosto, recorreu a decisão, mas de nada adiantou.

A gota d’agua, no entanto, estava reservada para o dia 3 de maio de 1924. No tumultuado jogo contra o Braz Atlhetico, o Palestra, já desfalcado destes importantes jogadores, além de Picagli que fora suspenso pela APSA no final da temporada anterior, participou de uma grande confusão dentro de campo. Primo, goleiro alviverde, brigou com atletas da equipe adversária, Heitor sofreu uma grave contusão, devido à violência dos adversários, o juiz da partida abandonou o campo tendo que ser substituído, enfim houve de tudo, menos futebol.

No dia seguinte a partida, a decisão da APSA foi ágil e severa contra o Palestra, suspendendo Primo e Heitor, imediatamente. A diretoria palestrina reuniu-se e decidiu, por unanimidade, abandonar a competição citadina, deixando clara a sua posição de descontentamento com os modos como o clube vinha sendo tratado pela entidade que controlava o futebol paulista.

O clube ficou disputando amistosos durante todo o ano de 1924, retornando para as disputas oficiais no ano seguinte, após disputa de um jogo eliminatório contra o campeão da segunda divisão do Campeonato Paulista.

simbolo-original

FORZA VERDÃO!!!

Anúncios
Padrão
Esportes

Palmeiras e o VAR

A história recente do Palmeiras com o árbitro assistente de vídeo (VAR – Video Assistant Referee) já se constitui como uma das páginas efervescentes no futebol brasileiro.  O alviverde é um dos clubes brasileiros que mais batalhou pela introdução oficial dessa nova tecnologia nas competições. Entretanto, são os palestrinos que tem protagonizado os principais episódios desse novo método.

Confira uma breve cronologia do VAR na vida esportiva palmeirense:

Palmeiras x Corinthians – Campeonato Paulista 2018

O Palmeiras divulgou no dia 10 de abril um vídeo que comprova “de maneira inequívoca e irrefutável” que houve interferência externa na final do estadual contra o maior rival, no estádio Palestra Italia, dois dias antes.

Segundo o clube, pelas imagens feitas com câmeras de segurança uma pessoa que seria da FPF (Federação Paulista de Futebol), o diretor de arbitragem Dionísio Roberto Domingos, se aproxima de um dos bandeiras da partida para passar um recado.

De acordo ainda com o Palmeiras, as imagens mostram que houve violação das normas internacionais e do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva). Pelas regras, ninguém pode se comunicar com os membros da arbitragem.

Recentemente, em 2019, um caso parecido envolvendo as equipes de Ponte Preta e Aparecidense, em jogo válido pela Copa do Brasil, foi anulado pelo STJD, que determinou a realização de uma nova partida. O caso palmeirense foi arquivado.

Essa foi a primeira vez que o VAR (mesmo que extraoficialmente) foi utilizado no futebol brasileiro. Um ano depois, o recurso foi oficializado pela Federação Paulista de Futebol na fase final do Campeonato Paulista A-1.

Palmeiras x Bahia – Copa do Brasil 2018

Em 2 de agosto de 2018 o VAR virou uma realidade no futebol brasileiro. Depois de Anderson Daronco marcar pênalti de Gregore em Artur, em lance da partida entre Bahia e Palmeiras, e expulsar o volante do Bahia, o árbitro voltou atrás na marcação e anulou o cartão vermelho.

Foi a primeira vez na história da Copa do Brasil que o VAR ajudou o árbitro a alterar uma decisão tomada no campo.

Depois de seis minutos de análise e discussão do lance com Leandro Vuaden, escalado como árbitro de vídeo, Daronco substituiu a advertência para amarelo.

Minutos depois, o VAR entrou em ação mais uma vez após cotovelada de Deyverson em Mena. Daronco pediu calma aos jogadores para ouvir o que o árbitro de vídeo tinha a dizer e, na sequência, deu cartão vermelho ao atacante do Palmeiras, que deixou o campo chorando.

Palmeiras x Cruzeiro – Copa do Brasil 2018

Em 12 de setembro de 2018 o Palmeiras fez reclamações em relação à derrota por 1 a 0 para o Cruzeiro pelo duelo de ida das semifinais da Copa do Brasil no estádio Palestra Italia. Tudo por um gol anulado já aos 52 minutos do segundo tempo.

No lance, Fábio saiu mal do gol e dividiu a bola com o cruzeirense Léo e com o palmeirense Edu Dracena. O juiz Wagner Reway marcou falta, mas, enquanto apitava, viu Antônio Carlos chutar para o gol vazio e empatar a partida. O Palmeiras pediu que o árbitro revisse o lance pelo VAR, mas ele mandou a partida continuar.

Palmeiras x Boca Juniors – Copa Libertadores da América 2018

Em 31 de outubro a atuação do árbitro de vídeo roubou a cena no primeiro tempo do jogo entre Palmeiras e Boca Juniors, na arena do Verdão, pelas semifinais da Libertadores. Com o recurso, o árbitro colombiano Wilmar Roldán anulou um gol de Bruno Henrique no início do jogo, por impedimento de Deyverson.

A reclamação contra o árbitro Wilmar Roldán foi toda no primeiro tempo. Já nos acréscimos, os jogadores do Palmeiras reclamaram a não marcação de um pênalti num lance em que a bola teria batido na mão de Pablo Pérez. Roldán não chegou a parar o jogo para ver o replay do lance na tela do VAR ao lado do gramado.

Palmeiras x Novorizontino – Campeonato Paulista 2019

No dia 23 de março  na partida contra o Novorizontino, pelas quartas de final do Campeonato Paulista, o Palmeiras mostrou descontentamento pelo gol do time do interior paulista não ter sido anulado com o VAR. No início da jogada, a bola bateu na mão de Murilo Henrique, mas a equipe de arbitragem confirmou o lance, mesmo após análise no vídeo.

O jogo foi o primeiro da história do Campeonato Paulista com o uso oficial do árbitro de vídeo. Thiago Duarte Peixoto foi o juiz responsável pelo VAR, e depois de confirmar o gol do Novorizontino, ainda marcou um pênalti para a equipe do interior, por toque de mão de Antônio Carlos dentro da área. Fernando Prass fez a defesa na cobrança de Murilo Henrique.

simbolo-original

FORZA VERDÃO!!!

Padrão
Artes, Esportes

Bola e batucada

Nada mais brasileiro que samba e futebol. Expressões da cultura popular que estão na alma de nossa terra e nossa gente. Quase três meses após ser decacampeão nacional de futebol e se consolidar como o maior campeão do Brasil, o palmeirense também tem orgulho de pela primeira vez conquistar o Carnaval paulistano.

O Grêmio Recreativo e Cultural Escola de Samba Mancha Verde, formado por membros da maior torcida organizada da Sociedade Esportiva Palmeiras, escreveu seu nome no panteão sagrado das escolas campeãs do Grupo Especial.

O carnavalesco Jorge Freitas desenvolveu o enredo “Oxalá, Salve a Princesa! A Saga de uma Guerreira Negra!”, interpretado por Freddy Vianna, que destacou a força da mulher e sua luta por igualdade, a escravidão, direitos dos negros e intolerância religiosa, em desfile realizado na noite de sexta-feira (1).

A apuração das notas aconteceu na tarde de terça-feira (5) no sambódromo do Anhembi. Não deu outra. Vitória alviverde justa e merecida. Um desejo ambicionado desde 1996, quando a Mancha Verde realizou o seu primeiro desfile, ainda como um bloco carnavalesco. O melhor desempenho da escola, até então, havia sido um terceiro lugar no ano passado, com o enredo “A amizade. A Mancha agradece do fundo do nosso quintal”, do carnavalesco Pedro Alexandre “Magoo”.

Paulo Serdan, presidente da Mancha Verde, mostrou mais uma vez a sua competência e liderança. Conduziu a entidade a um título histórico e inédito. Ele é o símbolo maior dessa conquista e será lembrado para sempre.

É inevitável também nesse momento de festa e alegria a lembrança de tantos amigos manchistas. Em especial o saudoso Moacir Bianchi, que sonhou e trabalhou arduamente por esse momento. Ele e o patrono Cléo certamente festejaram como nunca no plano eterno a conquista de sua coletividade.

Mancha Verde é samba, é raça, é raiz
Manto que me envolve e que me faz feliz
Quanta emoção, meu coração sente ao ver meu pavilhão
Ah, Mancha Verde eu sou
União glórias e dignidades
Traz o verde da felicidade
Mostrando que na realidade
Minha escola é religião
Mancha Verde é religião

Pavilhão_Mancha-Verde-02

PARABÉNS MANCHA VERDE, DIGNA CAMPEÃ DO CARNAVAL PAULISTANO 2019

Com a bola nos pés e o batuque nas mãos, o Palestra é o cazzo do campeão!

FORZA VERDÃO!!!

 

 

Padrão
Esportes

Adeus, Avallone

Primeiro bloco PALESTRA… Segundo bloco mais PALESTRA… Terceiro bloco muito mais PALESTRA… Era assim que o amante de futebol terminava o seu domingo nos anos 80/90, acompanhando o inigualável programa Mesa Redonda Futebol Debate, na TV Gazeta, capitaneado pelo âncora Roberto Avallone.

Com seu jeitão italiano e palestrino, ele conduzia os debates como poucos. Sempre com uma retórica apaixonada e acalorada, era o termômetro do sentimento do torcedor palmeirense na mídia naquele período.

Figura ímpar com suas expressões marcantes. No Pique. Interrogação. Exclamação. Correndinho. Um efusivo abraço…

Além do personagem em frente as câmeras, era uma figura humana especial. Tive o prazer do seu convívio. Foi uma referência para mim na profissão que abracei, além de compartilharmos da mesma paixão alviverde.

Na manhã dessa segunda-feira (25), o grande juiz que rege a humanidade soou o apito final para a sua passagem nesse plano. Avallone segue a sua jornada para escalar as Academias de Futebol nas hierarquias superiores.

Obrigado meu querido amigo e irmão palestrino por tudo. Na medida do possível, tentaremos seguir o seu legado e aprendizados.

Siga em paz! (Exclamação)

363200.jff

FORZA VERDÃO!!!

Padrão
Esportes

Freguês Fiel

Nem todos os apaixonados pelo futebol possuem conhecimento de algumas importantes vantagens palestrinas no Derby ao longo dos mais de 100 anos de disputa desse clássico e eterno confronto.

Se faz necessário algumas lembranças, as quais elencamos:

Quem mais marcou em Derbys: 522 gols alviverdes contra 483 alvinegros

Maior Goleada em Derbys pelo Paulista: Palestra Itália 8×0 Corinthians (1933)

Maior Goleada em Derbys pelo Brasileiro: Palmeiras 4×0 Corinthians (2004)

Maior Goleada em Derbys por qualquer competição: Palestra Itália 8×0 Corinthians (1933)

Confrontos Diretos em Campeonatos Nacionais:  Palmeiras 21 vitórias contra 17 vitórias alvinegras

Confrontos Eliminatórios em Libertadores da América: Palmeiras duas eliminações a seu favor (1999 e 2000) contra nenhuma do rival

Derbys realizados em estádios fora da capital: 15 jogos, 6 vitórias do Palmeiras, 1 vitória do Corinthians, 8 empates
(Barretão, Barretos-SP, Benedito Teixeira, São José do Rio Preto-SP, Eduardo José Farah, Presidente Prudente-SP, Fonte Nova, Salvador-BA, Martins Pereira, São José dos Campos-SP, Morenão, Campo Grande-MS, Santa Cruz, Ribeirão Preto-SP)

Decisões de títulos em competições oficiais em confrontos diretos:

Palmeiras: 8 conquistas

  1. 1935 – Torneio Início
  2. 1936 – Campeonato Paulista
  3. 1938 – Campeonato Paulista Extra
  4. 1951 – Torneio Rio São Paulo
  5. 1974 – Campeonato Paulista
  6. 1993 – Campeonato Paulista
  7. 1993 – Torneio Rio São Paulo
  8. 1994 – Campeonato Brasileiro

Corinthians: 3 conquistas

  1. 1995 – Campeonato Paulista
  2. 1999 – Campeonato Paulista
  3. 2018 – Campeonato Paulista

NÚMEROS GERAIS DO DERBY

Jogos: 370
Vitórias Palmeiras: 131
Empates: 110
Vitórias Corinthians: 129
Gols marcados Palmeiras: 522
Gols marcados Corinthians: 483

simbolo-original

FORZA VERDÃO!!!

Padrão
Esportes

Números do Derby

O Torneio Início foi uma competição criada puramente pelos brasileiros. O primeiro registro desse modelo de torneio de tiro curto, congregando diversas agremiações em um mesmo dia e local, com caráter beneficente, aconteceu justamente nos primeiros anos do século passado.

Pode se dizer que o Rio de Janeiro foi o berço do Torneio Início, já que a competição foi criada em 1916 pela Associação de Cronistas Desportivos do Rio de Janeiro (entidade atualmente denominada Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro – ACERJ). A primeira edição do Torneio Início do Rio de Janeiro, cuja final fora disputada entre Fluminense e América e que teve o Tricolor Carioca como o grande vencedor, jogando em casa, contou com cerca de cinco mil espectadores e teve a renda destinada em benefício da instituição denominada Patronato de Menores.

Três anos mais tarde, em 1919, a Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo (ACEESP), junto com a Associação Atlética das Palmeiras, extinto clube da capital paulista, introduziram a competição no calendário esportivo bandeirante.

Sua fórmula popular foi reproduzida nas principais praças esportivas do Brasil: os estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, por exemplo, já haviam aderido à competição a partir de 1917, enquanto, no Paraná, o Torneio Início foi implantado em 1918. Já em Pernambuco e na Bahia, a competição começou a ser disputada em 1919 – assim como em São Paulo. E no Ceará, no Rio Grande do Sul e em Alagoas, o certame fora disputado pela primeira vez, respectivamente, em 1920, 1921 e 1927.

A partir dos anos 50, por conta de questões financeiras e do aumento dos clubes nas divisões principais, a competição perdeu a sua importância, sendo descontinuada, tendo algumas edições esporádicas e esparsas, mas sem o mesmo prestígio.

O livro oficial da Federação Paulista de Futebol, escrito pelo jornalista Rubens Ribeiro, denominado “O Caminho da Bola”, que remonta a trajetória de mais de cem anos de futebol em São Paulo, retrata todas as edições da competição, com detalhes e resultados dos jogos.

PALMEIRAS NO TORNEIO INÍCIO

De 1919 a 1996, a Sociedade Esportiva Palmeiras disputou 87 partidas válidas pelo Torneio Início do Campeonato Paulista em toda a história da competição, contra as mais diversas agremiações, sagrando-se campeão nas seguintes edições: 1927, 1930, 1935, 1939, 1942, 1946 e 1969.

Independente do adversário, todas essas partidas são consideradas válidas pelo clube devido os seguintes critérios:

(1) Competição oficial organizada e chancelada pela entidade máxima do futebol estadual;

(2) Competição com regulamento definido;

(3) Competição com premiação estabelecida (troféu e bonificação em dinheiro aos participantes);

(4) Competição com arbitragem oficial;

(5) Competição com ampla difusão da mídia;

(6) Competição com bilheteria, renda e público;

(7) Competição com tradição e continuidade por cerca de quatro décadas consecutivas;

(8) Competição congregando todos os filiados da Divisão Principal;

(9) Competição em que as equipes utilizam seus uniformes oficiais;

(10) Competição em que os atletas deveriam estar devidamente filiados e registrados de acordo com as normas vigentes;

(11) Competição com súmula oficial.

Posto isso, a Sociedade Esportiva Palmeiras entende que há mais elementos que fazem a competição ter um pertencimento histórico relevante em vez de simplesmente eliminá-la de sua vida esportiva, como algo que nunca existiu, por puro anacronismo.

QUEM TAMBÉM CONSIDERA

O Clube de Regatas do Flamengo, por exemplo, que congrega um grupo de reconhecidos historiadores do clube na difusão e resgate histórico da agremiação carioca, por meio do site Fla-Estatísticas, tem o seguinte entendimento sobre a validação do Torneio Início como jogo oficial, o qual transcrevemos:

“JOGOS OFICIAIS: Consideramos na estatística oficial de jogos, aqueles em que o time do Flamengo entrou em campo obedecendo os critérios da FIFA. Mesmo quando há uma das restrições citadas abaixo, consideramos como jogo oficial do clube.

1ª Restrição: Jogos disputados em torneios que tinham jogos com duração menor que 90 minutos. Como exemplo, temos o Torneio Início e alguns torneios disputados na Europa e América do Sul. Mesmo não seguindo as determinações oficiais da FIFA, consideramos estes jogos oficiais, pois faziam parte de torneios realizados por Federações, Confederações e Entidades locais oficiais e quando o C. R. Flamengo se sagrava campeão, o título era considerado na lista oficial de títulos do clube.”

Veja mais aqui: www.flaestatistica.com/criterios

DIVERGÊNCIAS

Há divergências nos números dos confrontos entre Palmeiras e Corinthians justamente por conta dos critérios utilizados pelos clubes no tratamento de sua história: o Alviverde considera as partidas válidas por Torneios Inícios para fins de estatísticas, enquanto o Alvinegro suprime estes resultados quando contabilizam seu retrospecto.

Desde a implementação estatutária do Departamento de Acervo Histórico da Sociedade Esportiva Palmeiras, em 2005, o grupo de trabalho alviverde segue a mesma metodologia e princípios, e sempre considerando as partidas válidas pelo Torneio Início, a exemplo do que fez o Almanaque do Palmeiras, de autoria de Celso Dario Unzelte e Mário Sergio Venditti, publicado em 2004 pela Editora Abril, que contempla jogos de Torneio Início e outras competições similares contra todas as equipes do futebol paulista, sem distinção e revisionismo.

O Sport Club Corinthians Paulista, conforme a sua posição oficial e pública, utiliza como números oficiais os dados fornecidos pelo jornalista Celso Dario Unzelte.

De 2000 até os dias atuais, Unzelte já apresentou as seguintes posições nos mais diversos trabalhos por ele elaborado:

Almanaque do Timão – Volume 1 – (autor: Celso Dario Unzelte) publicado em 2000 pela Editora Abril.

Todo o almanaque considera as dezenas de jogos do Corinthians pelo Torneio Início de 1919 a 1996, além do Torneio Henrique Mündel, o qual a agremiação corintiana jogou com o time titular.

Esse mesmo Almanaque foi reeditado em 2005, porém, desta vez, sem os jogos do Torneio Início e do Torneio Henrique Mündel.

Corinthians x Palmeiras – Uma história de Rivalidade (autor: Antônio Carlos Napoleão), publicado em 2001 pela editora Mauad, com colaboração de Celso Dario Unzelte.

O trabalho distingue o Torneio Início separadamente, mas traz como jogo válido o Torneio Henrique Mündel.

Revista Placar – Os Grandes Clássicos (maio de 2005). Com colaboração de Celso Dario Unzelte

A edição não considera os Torneios Inícios, mas traz como jogo válido o Torneio Henrique Mündel.

Site – Meu Timão

Um dos portais mais importantes de difusão de conteúdo sobre o Sport Club Corinthians Paulista, o Meu Timão apresentou matéria especial sobre a conquista do Torneio Início, em 17 de novembro de 2017, às 16h43, assinada por Celso Dario Unzelte.

Site Oficial – SCCP

O site oficial do Sport Club Corinthians Paulista também faz referências à competição, tanto em algumas matérias do site quanto na sua relação de conquistas e cronologia histórica.

Revista O Mundo do Futebol publicada em 2003 pela Editora On Line, com colaboração e consultoria de Celso Dario Unzelte.

A obra traz os jogos do Torneio Início e do Torneio Henrique Mündel na contagem geral dos números do confronto.

CONCLUSÃO

O trabalho elaborado pela Sociedade Esportiva Palmeiras engloba todos os confrontos oficiais entre as equipes principais dos dois tradicionais clubes na história, sem distinção, respeitando e preservando a história puramente factual, de forma fria, sem análises, interpretações personalistas, critérios próprios ou julgamentos.

O trabalho elaborado pelo Sport Club Corinthians Paulista apresenta os números, alegando que os Torneios Inícios e a Taça Henrique Mündel não eram competições jogadas em 90 minutos, apesar de a competição ser oficial organizada pela entidade máxima do futebol bandeirante, ter súmula, juiz, valer taça, ter público, bilheteria e registros nas federações e imprensa.

Vale lembrar que, nem sempre na história do futebol, as partidas eram jogadas em 90 minutos. No início dos tempos, por exemplo, as partidas eram divididas em dois tempos de 40.

Indo além, as partidas disputadas em 1918 e no começo de 1919 foram limitadas em seu tempo de jogo ainda mais, baixando as partidas do Campeonato Paulista para dois tempos de 35 minutos, devido à epidemia da Gripe Espanhola, por exemplo.

Segundo a ótica alvinegra, como ficam os jogos que houveram prorrogação? Afinal, segundo eles, o critério para estabelecer o que é ou não jogo válido são apenas os 90 minutos. Partindo disso, a semifinal do campeonato paulista de 1986 e as finais do paulista de 1993 e 1995 deverão ser riscadas da história do Derby?

Partindo da análise dos corintianos, teriam então que ser deconsiderados inúmeros jogos da história do Derby, pois a regra utilizada por eles para formatação de seus conceitos históricos não atende aos parâmetros de análise por eles mesmos criados e entendidos como ponto de fé e verdade absoluta, aos quais apontamos acima.

O trabalho do Palmeiras tem como a regra número 1 o seguinte parâmetro: não se mede o passado com a régua do presente e vice-versa. Deve-se respeitar os fatos de acordo com o seu tempo e o seu espírito.

No entanto, cabe a cada um julgar por si só os metódos adotados pelas duas instituições na preservação da história de um dos maiores confrontos do futebol mundial e utilizar a métrica que melhor lhe convém. A Sociedade Esportiva Palmeiras trabalha com fatos. E, aos fatos, respondemos.

Se o Corinthians entende que os jogos do Torneio Início contra o Palmeiras devam ser descartados e não valem nada, entendemos que eles prestam um desserviço à memória de seu próprio clube. Afinal, o time alvinegro possui oito títulos da competição, sendo o maior campeão do torneio, e por conta de não reconhecê-lo, segundo o que foi exposto no trabalho alvinegro, tem por si só essas conquistas descartadas de sua rica galeria de campeões. Já nós, do Palmeiras, damos muito valor a tudo aquilo que conquistamos, com suor e fibra, no gramado em que a luta sempre nos aguarda. Principalmente a todas as vitórias sobre o nosso maior rival.

NÚMEROS DO DERBY

Jogos: 369
Vitórias Palmeiras: 131
Empates: 110
Vitórias Corinthians: 128
Gols marcados Palmeiras: 522
Gols marcados Corinthians: 482

luis pereira consola rivelino 1974

FORZA VERDÃO!!!

Padrão
Esportes

Hiena da Fiel

Você sabia que na era do “Fax”, entre 1967 e 1970 o Corinthians não venceu nenhum Derby contra o Palmeiras em competições nacionais?

Foram 7 jogos entre as equipes, com 4 vitórias do Palmeiras, 3 empates, 9 gols pró Palmeiras e 4 gols pró Corinthians.

Os dois times disputaram o quadrangular final do campeonato nacional de 1967 e 1969. Em ambas ocasiões, o Palmeiras saiu com o título de campeão brasileiro.

Na era do “Fax”, o Timão nunca deu volta olímpica e a criançada alvinegra tinha o hábito de curar as suas amarguras com as deliciosas balas Juquinha. Um confeito mastigável que se tornou uma expressão de algo pueril. Um prêmio de consolação. Um troco.

No programa de televisão infantil Bozo, que fez muito sucesso nos anos 80, o garoto Juca (que estampava as embalagens da bala) voltou a fazer sucesso ao trabalhar no circo como um ajudante do palhaço.

Nesse período, outro Juca também brilhava com sua pena nas mãos e sua fantasia acima da média, ao associar o seu clube de coração, junto com alguns marqueteiros de mesmo matiz, a um movimento civil de reivindicação por eleições presidenciais diretas no Brasil. Pura demagogia.

De lá para cá, parece que o nome inspira Juquinhas a servirem como bobos da corte da Fiel, ao entretê-la com suas palhaçadas e imaginação no picadeiro da crônica esportiva. Não tem mundial. Fax. Embaixadinha. Arena é um pneu. Selo ou não selo.

A geração que viveu 23 anos sem conquistar títulos e que mandou embora seu maior ídolo Rivelino como um cachorro vira-latas para fora de seu clube adquiriu o hábito das hienas sempre que se sentem ameaçadas. Um complexo de inferioridade de dar pena e que só demonstra o quanto nós palestrinos estamos no caminho correto.

Quem tem mais, tem dez. Quem não tem, Faz-me-Rir!

balas juquinha

FORZA VERDÃO!!!

Padrão