Esportes

O Derby que nunca existiu

De 1987 até essa data eu estive num Derby como mandante, visitante, torcida única, infiltrado, trabalhando e o que fosse. É um estilo de vida para nós torcedores viver intensamente esse clássico, o maior do Brasil! É a extensão das nossas almas. É a nossa própria existência!

Largamos tudo para estar lá nas arquibancadas. Nelas ajudamos a construir juntos a história. Os heróis não lutam sozinhos. Com eles existe uma legião que sofre junto, se emociona junto, coloca aquela bola improvável nas redes, salva aquele lance fatal contra nossa meta, se entregando com todas as nossas forças, credos e energias.

Hoje, dia 22 de julho, a volta do futebol na capital paulista, a volta num Derby em Itaquera, há um misto de angústia, expectativa, dor, alegria, ansiedade e inquietação.

Hoje, dia 22 de julho, um Derby vazio. Como nunca existiu em 103 anos de rivalidade. Um vazio como nunca existiu na história da humanidade!

Não quero esse “novo normal”. Desejo o “verdadeiro normal”. O único “normal” que faz sentido entre os seres humanos. Entre amigos, abraços, lágrimas, suores, sorrisos num emaranhado de corpos uníssonos bradando a plenos pulmões: PALMEIRAS MINHA VIDA É VOCÊ!!!

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FORZA VERDÃO!!!

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Esportes

Esperança Verde

A Grande São Paulo vai passar por um momento flexibilização da Quarentena a partir da próxima segunda-feira (15), segundo o anúncio do governador João Doria, visando a retomada gradual das atividades.

O futebol também deve seguir essa tendência. A Federação Paulista de Futebol e os clubes da Série A-1 do Campeonato Paulista se reuniram por meio de uma videoconferência na tarde desta quarta-feira (10) e definiram a intenção de retorno aos treinos também na segunda-feira, dia 15 de junho.

Hoje, quinta-feira (11), as autoridades da FPF se reúnem com o prefeito paulistano, Bruno Covas, e seus respectivos secretários, para referendar esse retorno das atividades desportivas, com as limitações determinadas, gradual e seguindo os protocolos.

Desde março vivemos intensamente o período de Quarentena e a Sociedade Esportiva Palmeiras e toda a sua coletividade lideraram uma série de medidas a fim de enfrentar esse momento de pandemia.

As principais ações promovidas pelo clube no período de enfrentamento ao COVID-19 foram:

– Fechamento do clube social e Centros de Treinamentos, adotando medidas preventivas de isolamento social;

– Acordo coletivo para a manutenção dos empregos de atletas de todas as áreas e modalidades e funcionários, sem depreciação de benefícios e garantias trabalhistas;

– Programa de retorno em benefícios a associados e sócios-torcedores pagantes de suas mensalidades durante a pandemia;

– Disponibilização da área do Allianz Parque para a campanha de vacinação contra a gripe influenza;

–  Consulados palmeirenses no Brasil e no mundo arrecadaram cerca de 10,4 toneladas de alimentos que foram distribuídas entre as comunidades onde eles estão inseridos, mil máscaras de proteção, 300 metros de tecidos para confecção e 39 litros de álcool, R$ 3.174 para aquisição de camas hospitalares, R$ 2.000 para ajuda de custo a profissionais de saúde, distribuição de 2.298 peças de roupa, 100 pares de sapato, centenas de produtos de higiene, além de 502 ovos de chocolate no domingo de Páscoa;

– Disponibilização da área do Allianz Parque para a campanha de doação de sangue;

– Crefisa, FAM e Puma garantem a manutenção do pagamento integral e cumprimento de seus acordos de parceria normalmente com o clube.

A Torcida Organizada e Escola de Samba Mancha Verde também cumpre uma função social fundamental e tem feito a diferença na vida das pessoas, a qual podemos citar:

– Mais de 100 toneladas de alimentos arrecadados;

– Ação direta na Cracolândia (Centro de SP) para moradores de rua e em vulnerabilidade;

– Ação direta nas regiões carentes da periferia de São Paulo e Grande São Paulo;

– Ação direta no território indígena Jaraguá, atendendo cerca de 200 famílias;

– Ação direta nas sub-sedes regionais, estaduais e internacionais;

– Campanha do agasalho e de cobertores;

– Live Social para arrecadações no Combate ao COVID-19;

– 500 óculos de proteção para o Hospital do Campo Limpo.

A Torcida Organizada Acadêmicos da Savoia também se mobilizou em ações sociais, as quais lembramos:

– Doação de marmitas, cestas básicas e alimentos na região de Itapecerica da Serra;

– Sub-sede da cidade de Hortolândia arrecadando agasalhos, cobertores e itens básicos de higiene para ajudar o Lar dos Velhinhos.

A Torcida Uniformizada do Palmeiras (TUP) se fez presente também com as seguintes ações:

– Projeto Lição em Casa, com doação de material escolar para as crianças da região do ABC;

– Sopão Beneficente e Campanha do Agasalho organizados pela sub-sede de São Carlos;

– Entrega de alimentos a moradores em situação de vulnerabilidade da região do ABC.

Essas e outras ações de toda a Família Palmeirense demonstra o sentido de solidariedade que norteia os alviverdes desde 26 de agosto de 1914. Ostentamos em nosso nome a palavra Sociedade e damos mostras com atitudes de todas as partes de que esse termo não é apenas uma letra fria num brasão, mas imprime e inspira a vontade de sermos o Maior Campeão do Brasil também fora de campo!

O futebol vai voltar. O Palestra vai voltar. A Esperança veste verde. O nosso verde. O verde de Todos!

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FORZA VERDÃO!!!

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Prece ao Santo

Quantas vezes eu, e tantos outros, rezamos no cimento frio da arquibancada, diante do radinho ou na frente da televisão, para que você fizesse um milagre e nos proporcionasse a alegria incontida que somente o futebol é capaz de produzir?

Quantas decisões entregamos a nossa sorte às suas abençoadas mãos?

Quantas vezes choramos, de alegria ou tristeza, nas suas intervenções ou falta delas?

Quantas vezes nesse século tivemos alguém tão Torcedor do Palmeiras envergando nossa gloriosa camisa e que nos representávamos dentro de campo?

Quantos optaram pelo clube de coração e o sonho de infância aos milhões de euros da Europa no pior momento da história de seu clube, rebaixado para a série B nacional, fragmentado nas brigas políticas, com deficiência financeira e com poucas perspectivas de dias melhores?

Raros são aqueles que envergam a sagrada camisa Palmeirense por tanto tempo.

De 1992 a 2011 você nos defendeu. Agora é nossa obrigação lhe defender. Não sei se teremos a sua competência, mas a gente se quebra todo. Quebra braço, perna, e até o pescoço se tiver que quebrar nessa porra!

Eu sei que muitos sofrem e estão sofrendo também com o mundo de cabeça pra baixo. Mas, como você falou um dia, São Marcos, não vou ter medo de errar. Se eu errar, foda-se, mas eu vou arriscar.

Eu sempre vou defender quem sempre me defendeu, ou quem defendeu quem ou que amo. São princípios de gratidão que me norteiam. O amor que sinto por certas pessoas, são maiores que ideologias que jogam homens contra homens, povo contra povo e escancaram a miséria humana do lado direito ao lado esquerdo.

Vou sempre lhe enxergar com o meu coração. Porque você sempre me enxergou também por ele. E aqui me permito contar uma confidencia pessoal nossa, que prometi nunca falar. Mas, você, Santo, por favor, me perdoe desde já por quebrar essa promessa. Era necessária. Você tem esse poder de interceder por nós.

Num dos momentos mais tristes e difíceis que já enfrentei até aqui em 40 anos de vida, você me estendeu a mão e o seu coração. Confiou em mim. Estava desempregado, com entes queridos em situação grave de enfermidade, mal tinha condições de comprar os medicamentos, dar continuidade ao tratamento deles, sustenta-los de maneira digna, afastado dos “amigos”, auto-estima baixa, vendo pouca ou quase nenhuma perspectiva para reverter esse quadro negativo, pedindo todos os dias a Deus forças para seguir em frente e me dar entendimento sobre essas provações que recaíram sobre mim.

Eis que toca o meu telefone: “Galuppo, tudo bem? Você pode vir aqui no meu escritório na Barra Funda amanhã na parte da tarde?”, me indaga uma voz familiar e caipira.

Quem está falando? Respondo. É o Marcão, pô. Vem pra cá tomar um café (nossa paixão, além do Palmeiras). Tremia. Respondi que iria, anotei o endereço e desliguei o telefone. Estava ao lado do leito de internação que minha querida e saudosa mãe ocupava no hospital vivendo um processo de coma em decorrência de uma grave doença que a levou do nosso convívio meses depois. Escorreu uma lágrima no meu rosto. Falei no ouvido dela o que havia acontecido. As preces ao Santo foram respondidas. Sai do meu horário de visita direto para a Igreja Santa Cruz das Almas dos Enforcados, no bairro da Liberdade. Acendi uma vela e me preparei para o encontro.

Lá encontrei os amigos Juan, Fernando, Bruno e o Marcos. Eles contaram seu projeto de uma marca de cerveja. E confiaram em mim na produção de algumas ações. O resto é história!

Esse é o Marcos. Um dos raros jogadores do meio do futebol em que convivo e posso chamar de amigo. Qualquer um pode exalta-lo pelas suas mais diferentes facetas. Do homem caipira e suas histórias engraçadas. Do ídolo dentro de campo e suas conquistas. Do comentarista político nas redes sociais. É um direito de cada um.

Eu me permito olhá-lo pelo lado humano que ele sempre me demonstrou, nos anos de convívio que trabalhamos juntos na Sociedade Esportiva Palmeiras e fora dele.

Tive o privilégio e honra de participar do processo de elaboração o do seu filme “Santo Marcos”, listei todos os seus feitos como atleta e ídolos em dezenas de publicações, registrei com pesar todas as suas contusões, com alegria vivenciei todos os pênaltis que defendeu, participei como colaborador nos seus três livros biográficos, fui um dos idealizadores da épica procissão de São Marcos em 2011, por tudo isso e muito mais, peço licença para cometer a heresia de colocar o Marcão no banco de reservas, envergar a sua sagrada camisa 12 e ir a campo em sua defesa contra toda e qualquer maledicência que ousam imputa-lo.

Para essa árdua tarefa, evoco a prece de São Marcos do Palestra Itália, seus 12 mandamentos, e suas palavras na despedida de carreira, para que aqueles de pouca fé possam encontrar, num tempo obscuro e intolerante, um pouco mais de Amor em suas jornadas.

Oração de São Marcos:

“São Marcos de Palestra Itália. Santificadas sejam suas mãos. No gramado e em nosso coração. O gol honrou a cada dia. Como o manto que ama e veste. Perdoe os rivais pecadores. Agora e na hora dos pênaltis. Amém.”

Os 12 mandamentos do Santo São Marcos:

Não serás desleal com teu adversário;

Jamais se curvarás e lutarás, por toda sua vida, contra os malefícios dos Corinthios Gambáticos da Marginal Sem Número;

Não te sentirás melhor do que ninguém;

Honrarás teu manto alviverde, como a ti mesmo;

Amarás o Palmeiras sobre todas as coisas;

Carregarás em suas mãos os corações de milhões de torcedores palmeirenses;

Não trocarás teu amado clube por trinta dinheiros;

Despertarás o respeito da torcida alviverde;

Elogiarás teu próximo sem esperar retribuição;

Liderarás teu grupo mantendo a amizade e o respeito de todos;

Não vestirás outra camisa que não seja o manto sagrado esmeraldino do Palmeiras e da seleção brasileira;

Defenderás a meta palmeirense com todo o fervor de sua alma palestrina!

Trecho das palavras de Marcos no dia 12/12/2012 no seu jogo de despedida, no estádio do Pacaembu:

“Eu queria falar algo especial para a torcida: quando saí de casa, meu sonho era ter sucesso, claro, mas o mais importante era conquistar o torcedor do meu time de criança, que é o Palmeiras. Eu queria que vocês tivessem orgulho de mim, porque eu estava em campo defendendo vocês. Saio de campo realizado e com sensação de dever cumprido. Para mim, foi uma honra vestir a camisa da seleção brasileira e, principalmente, da Sociedade Esportiva Palmeiras. Peço que vocês nunca se esqueçam de mim, porque eu nunca vou me esquecer de vocês. Muito obrigado”.

Marcos Roberto Silveira Reis, somos gratos, devotos e lhe amamos profundamente.

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FORZA VERDÃO!!!

 

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Esportes, Italianidade

Ítalo-Palestrino

Avanti – Jornal em São Paulo em língua italiana que lutava pelo POVO no início do Século XX.

Fanfulla – Herói popular italiano que lutava pelo POVO e que deu nome ao maior jornal do início do século XX em São Paulo.

Italianos propunham desde a sua chegada a São Paulo a divisão de renda através do trabalho para o POVO.

Mutuo Soccorso – criada pelos ítalo-paulistas as primeiras organizações sociais para ajuda ao POVO.

Os princípios dos primeiros ítalo-paulistas eram: trabalho, comida e bibliotecas para o POVO crescer e se desenvolver.

Italianos lutaram em São Paulo pela consolidação de direitos e melhores condições de trabalho nas fábricas e nas lavouras para o POVO.

Italianos serviam sopas e pães para o POVO em São Paulo durante a primeira grande recessão vivida pela economia paulista em 1917.

Na Gripe Espanhola de 1918 ítalo-paulistas transformaram as suas instituições em hospitais para o POVO.

Ítalo-paulistas operários das fábricas de São Paulo fundaram para o POVO a SOCIETÀ SPORTIVA PALESTRA ITALIA.

Os primeiros italianos aqui em São Paulo nos ensinaram a sermos homens livres, cultos, generosos, fraternos, solidários e PALESTRINOS!

Dia 2 de junho de 2020. Comemoramos 74 anos da República Italiana! Orgulho em fazer parte dessa coletividade.

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FORZA VERDÃO 💚💚💚🇮🇹🇮🇹🇮🇹

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Esportes

In Memorian Alviverde

Vivemos um tempo de pandemia onde o número de perdas de vida humana são representadas em gráficos tristes e frios diariamente nos quatro cantos do mundo. Uma estatística funesta que machuca e anestesia ao mesmo tempo.

Muitos dos que partem não tem nem mesmo a chance de velar e se despedir dignamente de seus entes queridos, como manda nossa tradição e ritos de passagem.

A morte é um processo natural e inevitável da nossa jornada, e nessa caminhada o que nos mantem pela eternidade são as nossas marcas no coração daqueles (ou daquilo) que amamos. A memória e as lembranças são os fios condutores que nos unem entre o conhecido e o desconhecido.

Oton Roberto Fagundes era um palmeirense fanático como tantos que existem, existiram e existirão. Viveu a sua paixão pelo alviverde intensamente nos anos 80. Conciliava a sua paixão pelo Verdão com o trabalho de auxiliar de enfermagem no Hospital Universitário, localizado na Zona Oeste de São Paulo, no bairro do Butantã.

Negro, forte, morador do Rio Pequeno, era o símbolo da resistência alviverde em sua quebrada, onde a maioria era alvinegra. Era um gentleman, trabalhador e bom amigo. Peladeiro no time do Hospital, sua paixão pelo futebol, e em particular pelo alviverde, o fez ingressar na Torcida Uniformizada do Palmeiras (TUP). Sorridente e de bem com a vida, ninguém tirava o seu bom astral, a não ser quem o provocasse com as coisas do Palmeiras.

Nutria uma natural vaidade e na ausência de um primeiro pré-molar, possuía uma “jaqueta”, que não fora bem aplicada, e era motivo de galhofa entre os amigos que se divertiam com ele. Não se irritava por isso. Levava numa boa e tirava onda com isso. Dizia que era seu charme com as garotas.

Era líder sindical de sua categoria no HU. Era ele que segurava a bronca nas greves gerais junto aos policiais, mediando as tensões entre autoridades e manifestantes. Gozava de respeito de ambos e sempre resolvia a parada em favor dos seus colegas.

Frequentador assíduo das arquibancadas e da TUP, esteve presente em diversas situações acompanhando o alviverde. Algumas boas, como os carnavais que ajudou a organizar na torcida ao lado dos amigos Bicudo e Marcelo, em especial a conquista do título de blocos carnavalescos em 1992 na Avenida Tiradentes, a confecção das bandeiras em dias de clássicos, chegando por muitas vezes deixar seu filho dormir na quadra entre os panos das bandeiras.

Outras nem tanto. Numa dessas, o nosso amigo Aquiles Carvalho em seu Facebook, no dia 27 de maio, relatou detalhes de uma confusão no estádio do Canindé, entre palmeirenses e corintianos, sob o título “Tem Porco aí?”, que mudou a história de toda a torcida do Palmeiras.

Nele existe o seguinte trecho que pedimos licença para reproduzi-lo:

“De repente tomei um susto, percebi uma correria atrás de mim. Quando virei vi um negrão sentando o braço e derrubando todo mundo, pensei que era gavião, mas era nosso amigo Oton da TUP.

O cara era terrível, abriu a arquibancada soltando o braço. Derrubou vários e meteu pânico na hora que mais precisávamos. A polícia chegou e espalhou borrachada e separou tudo…. Fui acusado de agressão ao gambá pela cabeçada no nariz, o cara tava sagrando e com olho roxo.
Fiquei espantado pelo estrago na cara do cara, mas tenho certeza que foi o Oton que fez o estrago no olho dele, pois a minha cabeçada foi no nariz. O nosso salvador Oton faleceu anos mais tarde. Nosso herói!”.

Oton era de paz. Mas na treta, e pelo seu Palmeiras, ele virava o bicho, como descrito pelo nosso amigo Aquiles. Oton virou nosso herói, como outros bravos que lá estiveram naquele dia no estádio do Canindé. Por um desencontro do destino, veio a falecer cedo, no dia 17 de agosto de 1995, com pouco mais de 40 anos de vida. Ficou 60 dias numa UTI e sob cuidados de amigos do hospital que ele trabalhou por toda a sua existência. Lutou muito, como lutava pelo nosso Palmeiras, mas não resistiu.

Nesse momento de dor, sofrimento e transição que o universo atravessa, me permito contar essa história, com consentimento dos citados e familiares do Oton. Nela a nossa reverencia e respeito a todos que tiveram uma perda em suas vidas.

Para nós, a história de Oton é uma forma de homenagear alguém que amava a vida, os amigos e o Palmeiras. Nos identificamos com ela. Há um Oton em cada um de nós e que muitas vezes são esquecidos pela fugacidade do tempo.

Que sigamos os exemplos desses palestrinos e tenhamos a consciência que ao ostentarmos um “P” esmeraldino no lado esquerdo do peito saibamos que esses e tantos outros que já partiram vivem pela eternidade junto de nós.

Oton deixou três filhos. Um que carrega o seu nome, Lucas Robert e Matheus Renan. Esposa, Marisa Viana de Oliveira, que no tempo em que ele ficou internado estava grávida de Matheus e ficou o tempo todo ao lado dele. Além de três netos: Miguel, Agata e Ayumi. Todos palmeirenses. Seu corpo está sepultado no Cemitério da Vila Formosa.

In Memorian a todos os alviverdes que por aqui passaram e que já nos deixaram. Nosso respeito e gratidão!

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Esportes

Futebol e Basquete

As duas primeiras modalidades esportivas coletivas da história da Sociedade Esportiva Palmeiras foram, pela ordem, o Futebol e o Basquete. Essa tradição secular do alviverde é um orgulho para todos os palmeirenses que vibraram com inúmeras glórias e ídolos dentro dos gramados e dos ginásios.

Uma expressão do passado cantada pelos palestrinos nas vitórias simboliza essa simbiose : “É com o pé, é com a mão, o Palestra é o Campeão!”.

Essa ligação entre as modalidades fica ainda mais viva quando notamos que consagrados atletas do futebol jogaram partidas oficiais de basquete pelo alviverde, bem como craques das cestas também atuaram pelo esporte bretão palestrino.

Listamos esses casos únicos na vida esportiva esmeraldina:

Oscar Paolillo

Em 1925 atuou pela equipe de futebol do Segundo Quadro do Palestra Italia. Há relatos que também atuava como goleiro, mas é na linha, jogando no meio campo, que aparece os registros de sua participação na equipe esmeraldina naquela temporada.

Craque do basquete, Oscar é o primeiro ídolo nacional desse esporte. Responsável por disseminar a modalidade pelo interior paulista, principalmente, organizando excursões e levando as regras do jogo para as pessoas e praticantes.

Defendeu o Palestra, a seleção paulista e brasileira, conquistando títulos por onde passou. Conciliava a função de jogador e técnico da equipe, cargo esse que ocupou por 24 anos, com pequenos intervalos, até 1949. Um dos seus tantos recordes!

Continuou a servir o clube como o primeiro gerente de futebol da história do futebol brasileiro, ainda nos anos 50. É o funcionário mais antigo até hoje que se tem registro no Palmeiras, com mais de 60 anos de serviços prestados, vindo a falecer nos anos 90.

Renato Paolillo

Assim como seu irmão Oscar, Renato também defendeu a equipe de futebol do Segundo Quadro do Palestra Italia em 1925, atuando no meio campo.

Mas, certamente, sua passagem pelo clube alviverde foi justamente dentro de quadra, vestindo a camisa do basquete palestrino. Enquanto Oscar se encarregava de encestar, Renato era o responsável por guardar a cesta palestrina e evitar os ataques dos adversários.

Se dedicou a vida associativa do clube alviverde, sendo representante oficial da instituição em Federações e Confederações.

Heitor

Figura conhecida nos círculos esportivos por causa de suas qualidades como grande centroavante nos primeiros tempos do futebol paulista, Heitor participou da partida inaugural do basquete alvivede na função de “guarda” em 1924. Sua tarefa era bloquear o ataque adversário, muitas vezes com o uso da força, já que a dinâmica do basquete naquela época era totalmente diferente dos tempos atuais. Seu porte físico e estatura privilegiada – há informações da própria família que sua altura era por volta de 1,90 m – fizeram de Heitor um exímio jogador de defesa militando como cestobolista do Palestra.

Em 1928 participou da campanha do título paulista de basquete do alviverde. Esta equipe foi  batizada carinhosamente pela crônica esportiva como “Os Invencíveis”. Heitor, junto com os irmãos Paolillo – Renato e Oscar – foram os grandes ícones palestrinos que contribuíram para o basquete se tornar o segundo esporte mais popular do Estado de São Paulo e do país, naquela década.

Suas virtudes futebolísticas, são desnecessárias apresentações. Trata-se do maior artilheiro da história palestrina, clube que defendeu de 1916 a 1931, com títulos e glórias.

Nascimento

Um dos maiores goleiros do futebol brasileiro nos anos 20 e 30, Oscar Francisco Nascimento, também deixou sua marca no basquete alviverde. Incorporado a equipe em 1929, foi peça fundamental, ao lado de Heitor, Oscar e Renato para a conquista do bi-campeonato paulista de basquete, sendo pivô do quinteto esmeraldino até o ano de 1932.

Nesse mesmo período, atuando pelo futebol do Verdão conquistou três títulos paulistas e um Torneio Rio-São Paulo com a nossa camisa, mantendo a tradição de grandes goleiros de nossa história.

Vivaldo

Uma lenda do basquete esmeraldino nas décadas de 30 e 40, Vivaldo Biagioni estreou nas quadras e nos gramados no ano de 1935. No futebol palestrino, participou da equipe de Segundo Quadros que ficou com o título de Vice-Campeão Paulista em 35.

Nas quadras, entretanto, teve ainda mais sucesso, defendendo o basquete alviverde por 20 anos! Depois de encerrada a carreira de jogador, foi diretor das categorias de base do basquete do Palmeiras e conselheiro. Em 1949 Vivaldo Biagioni foi eleito o melhor esportista do ano pelo DEFE e recebeu título de benemerência da Federação Paulista de Basquete.

Foi Campeão Paulista e Campeão Estadual em 1935, entre outros torneios.

Índio

O goleiro Índio, reserva do lendário Oberdan Cattani na década de 40, também dividia seu tempo entre o campo e as quadras. Atuando como pivô, ele participou da equipe palestrina de basquete entre 1943 e 1946.

Ulysses de Almeida Pupo, seu verdadeiro nome, participou da campanha do título alviverde do Torneio de Preparação da FPB em 1943, derrotando o quinteto do São Paulo F.C. na final pelo placar de 41 a 34.

Eurides Gianinni, Vendrame e Arnaldo, entre outros craques, foram seus companheiros de equipe nas quadras.

Como goleiro do Verdão, fez seis partidas oficiais pela equipe principal em 1946, sendo o titular na campanha do título do Torneio Início do Campeonato Paulista daquela temporada. Pela equipe aspirantes, foi vice-campeão paulista em 1943.

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Equipe palestrina anos 20. Da esquerda para a direita: Heitor Marcelino Domingues (segundo jogador), Oscar Paolillo (terceiro jogador) e Renato Paolillo (quinto jogador)

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Tem Porco aí? Tem sim, a Mancha!

Nem melhor nem pior, apenas diferente. Esse lema da Torcida Mancha Verde, maior organizada da Sociedade Esportiva Palmeiras, sempre me chamou a atenção desde sempre. Garoto, lia e ouvia isso nas arquibancadas e não tinha a total compreensão da profundidade do que representava essa expressão em sua essência. Fui entendendo com o passar do tempo.

Nos anos 80, tínhamos poucos ou nenhum ídolo dentro de campo representando nossas amadas cores. Nessa década, amargamos um jejum de títulos e a qualidade técnica dos nossos times era risível, salvo algumas exceções. Éramos motivos de gozações e piadas dos rivais.

Cresci como torcedor nesse ambiente. Tinha a noção histórica do gigantismo palestrino e palmeirense fruto da amizade com grandes alviverdes que conviviam com minha família e meus próprios familiares que transmitiam esse sentimento para mim. Mas, na prática, o que víamos durante aquele período era um time perdedor. Com baixa estima. Com vergonha. Com um peso e um estigma sombrio. A história que me contavam do Grande Palestra não se conectava com aquela realidade.

Nesse contexto, ser palmeirense naquele período era para os fortes. Foi nesse cenário de “vacas-magras” e a partir dessa geração de torcedores que surgiu na arquibancada um movimento que resgatou o sentimento dos palmeirenses em ANDAR com suas camisas pelas ruas e pelos estádios. Nascia a Mancha Verde.

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Moleque apaixonado pelo Palmeiras, me fascinava ver aquela “mancha branca” no meio dos verdes na arquibancada central do Palestra Italia ou do Pacaembu. Era uma rapaziada que entrava no estádio com uma energia diferente. Seja num Derby, ou num jogo contra o Xv de Jaú. Pouco importava. Vibravam pela camisa que estava em campo, do primeiro ao último momento: “Sou, da Mancha Verde eu sou. Vou dar porrada, eu vou. E ninguém vai me segurar!”, esse é o grito que me vem à mente quando fecho os olhos e volto ao passado.

A entrada do Porco dentro de campo no pré-jogo. As fumaças coloridas. Os rostos pintados. Os plásticos verdes. E o bandeirão em 1992? Que loucura foi aquilo na final do Paulistão contra o São Paulo em 1992, no estádio deles. Foi a primeira vez que vi a torcida rival ficar em completo silêncio e das arquibancadas deles espocar flashes das máquinas fotográficas em direção a nossa torcida. E nós, boquiabertos com algo totalmente fora do comum. Magnífico. Tudo na Mancha sempre foi diferente!

Lembro de um final de semana de sol no estádio Palestra Itália. Jogo com arquibancadas vazias. A Mancha e a TUP presentes na faixa central. E atrás do gol se situava a Mancha Verde Mirim e a Ira Verde. Eu, garoto, assisti ao jogo entre os “manchas mirins”, porque nas outras torcidas estavam os “grandões” e não tinha espaço para um pirralho entre eles. Fiquei o tempo todo ostentando e agitando uma bandeira com o logo da Mancha. Ao fim da partida, não me lembro nada do jogo em si, se ganhamos ou se perdemos, mas provavelmente foi uma derrota, porque o clima era de um profundo silêncio na saída, diferente de outras ocasiões em que havia mais festa.

Recordo apenas que era a hora de entregar a bandeira que agitei durante toda a partida. Quem a veio buscar das minhas mãos era o Moacir Bianchi. Não sabia quem era, soube depois. Trocou algumas palavras comigo sobre o Palmeiras e me deu um chaveiro da torcida (que guardo até hoje). Falou que seu eu gostava da torcida que era para eu ir até a sede na Rua Padre Antônio Thomaz me filiar.

Tempos depois, segui o seu conselho. Tenho até hoje a camisa regata e o juramento de manchista que veio junto com ela. A carteirinha ficaria pronta depois. Li de cabo a rabo os valores da torcida, que versava sobre o amor à camisa e a honra de vesti-la, entre outros. Pensei comigo mesmo: é isso aí!

Moacir e outros gigantes da torcida eram as referências de Palmeiras para mim. Era comum ver a sua cabeleira nas páginas dos jornais, principalmente quando o pau quebrava nas arquibancadas. Era ele ali na linha de frente. Lutando pela Mancha. Lutando pelo Palmeiras. Colocando em prática o que estava escrito no juramento manchista. Era um ídolo. Com o tempo, passou a ser um amigo, como tantos outros manchistas que convivi e convivo. Saudades dele, que nos deixou tão cedo.

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Faço esse longo e memorialista relato para dizer que hoje a Mancha Verde, assim como o Palmeiras, são exemplos nesse momento tão triste da humanidade. Nem melhor nem pior, apenas diferentes.

Estamos vivendo a terrível Pandemia que já ceifou milhares de vidas. O Brasil bloqueado por mais de dois meses (e sabe se lá quanto tempo mais). A Mancha Verde, como sempre fez desde a sua fundação, orgulha a torcida da Sociedade Esportiva Palmeiras com a sua postura e, acima de tudo, atitude. Aqui listamos algumas das suas ações, até então:

– Mais de 70 toneladas de alimentos arrecadados;
– Ação direta na Cracolândia (Centro de SP) para moradores de rua e em vulnerabilidade;
– Ação direta nas regiões carentes da periferia de São Paulo e  Grande São Paulo;
– Ação direta nas sub-sedes regionais, estaduais e internacionais;
– Live Social para arrecadações no Combate ao Covid-19.

Tem Porco aí? Tem sim, a Mancha! Essa frase célebre mudou a forma dos rivais enxergarem a torcida do Palmeiras e a partir dela todo o resgate do orgulho dos palmeirenses da minha geração ao vestir as cores alviverdes.

Hoje, ela é tão atual e importante quanto foi nos anos 80. Quando perguntam: Tem Porco aí? A resposta é um sonoro sim, de solidariedade e justiça social na prática, sem bravatas e politicagem barata. Ela traz esperança onde há o abandono. Ela traz fé em dias melhores onde as estatísticas não se aprofundam ou ignoram. Ela traz calor humano onde os gestores da nossa nação enxergam um problema.

A Mancha Verde leva o Palmeiras onde, por vezes, ele é incapaz de chegar e se fazer presente. Sempre pensei isso.

Tem Porco aí? Tem sim, e é a Mancha Verde da Sociedade Esportiva Palmeiras!

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Dona Luzia, luz alviverde

Luzia Ancelotti faleceu no início do mês de maio, na capital paulista. Dona Luzia, como todos a chamavam, junto com João Gaveta (Giovanni Capalbo), era a torcedora símbolo da Sociedade Esportiva Palmeiras. Entre as suas atribuições, ela era a guardiã de Nossa Senhora Aparecida que existia no antigo Salão de Troféus do Palestra Italia. Era comum vê-la atravessar as alamedas do clube da Pompeia com um ramalhete de flores, as mais bonitas, para saudar a nossa padroeira.

É pioneira entre as mulheres palestrinas de arquibancada, acompanhando os jogos do clube, dentro e fora da capital paulista, desde o final dos anos 50.

Foi uma honra conviver e aprender com ela. Sempre com um sorriso no rosto, uma palavra amiga e carinhosa, ajudando os torcedores mais humildes nas portas dos estádios, oferecendo um lanche, um sorvete, uma marmita, ou qualquer outro tipo de auxílio. A todos sempre que pode deu um conselho contra a violência nos estádios.

Era figura muito querida por todas as diretorias do Verdão. Tinha trânsito livre entre os jogadores e comissões técnicas, que a tratavam como mais uma integrante. Sua paixão não era apenas pelo futebol do Palmeiras, mas pela a instituição em si. Acompanhava em caravanas o futsal e o basquete do alviverde em seus jogos no interior e participava ativamente dos eventos sociais.

Por algumas vezes, após os jogos do nosso amor maior, o Palmeiras, a levei para o seu apartamento localizado ao lado do metrô Marechal Deodoro, no centro da cidade. Sempre com muitas histórias e muitos papos, claro, sobre o nosso Verdão querido!

Parte da história alviverde vai embora.

Nossos sentimentos aos amigos e familiares.

Obrigado por tudo querida amiga de Alma Verde. Até o reencontro, luz alviverde!

dona luzia

FORZA VERDÃO!!!

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Bandeira Alviverde

Minha primeira imagem de um estádio de futebol é justamente essa da foto que ilustra essas linhas. Quando a recebi do querido amigo palmeirense Marcelo, presidente da Torcida Uniformizada do Palmeiras (TUP), na tarde desse domingo dia 10 de maio, uma lágrima desceu pelo meu rosto e muitas recordações surgiram.

Carregado pela mão do meu querido e saudoso pai Francisco Galuppo, entrei pela primeira vez num jogo de futebol da Sociedade Esportiva Palmeiras nos anos 80. Partida no estádio municipal do Pacaembu. O Verdão encarava a Ponte Preta naquela tarde, pelo Campeonato Paulista. O prélio em si valia a consolidação da vaga ao alviverde para as semifinais do torneio e para os campineiros a manutenção na elite do estadual. A vitória do Palmeiras por 1 a 0, gol do atacante Marcelino, foi o bastante para marcar a minha vitoriosa estreia no cimento armado.

Mas o que mais me lembro e me marcou para toda minha vida nesse dia mágico não foi o placar da partida. Irrelevante até, eu diria. Mas sim o momento exato quando atravessei as catracas do portão principal do estádio municipal. A minha frente numa roda de samba verde a batucada da TUP agitava o pré-jogo. O som da pancada do surdo que ecoava para todos os cantos explodiu no meu coração como uma bomba atômica. Aquilo foi um choque inesquecível. O chocalho e a mistura dos sons dos demais instrumentos davam ainda mais beleza àquela festa alviverde. Olhava admirado tudo aquilo. Novidade para um garoto que fazia o seu debut na vida esportiva.

Quando já estava fascinado e hipnotizado por todo aquele ritual sagrado e agitação que aconteciam tradicionalmente antes das partidas, desviei o meu olhar por alguns segundos para atrás de mim e fiquei paralisado. Eu, um pirralho de um metro e meio, via admirado aquelas bandeiras de 2 a 3 metros adentrarem no estádio. Uma a uma chegavam, eram sacudidas no ritmo dos tambores e com uma leveza incrível repousavam no alambrado, esperando a grande hora de tomarem seus postos. Todas enfileiradas, organizadamente. Enfeitadas na ponta. Umas com fitilhos laminados. Outras verdes. Algumas com bexigas infláveis. Que coisa mais linda!

Senti, pela primeira vez, que estava no lugar certo e que não queria jamais sair de perto daquilo tudo. Ali, com aquelas bandeiras, ao som do batuque e no meio da torcida, era o meu lugar!

O que, até então, era fantástico para mim, ficou ainda mais marcante. Faltando poucos minutos para iniciar a partida, eu tomando meu guaraná num como de papelão ao lado do meu pai, nas cadeiras verdes, junto com meu tio Victor e irmão Fábio, logo acima dos portões principais do Pacaembu, percebo uma mobilização.

As bandeiras e a batucada começam a rumar para o centro das arquibancadas. Um desfile verde e branco começa. Lindo! Meu coração acelerava ainda mais. Meus olhos brilhavam. Uma bandeira mais bonita que a outra me atraíram mais que o jogo. A que mais me chamava atenção era de um “boina verde”, onde nela continha um traço de um rosto de um homem com bigode grande, lenço no pescoço com a inscrição TUP e uma boina verde típica do exército.

Isso, sem dúvida alguma, me forjou em minha trajetória como torcedor e tenho certeza que a partir dessa experiência é que dediquei (e dedico) minha vida por essa paixão. Aquilo me marcou tanto que de maneira recorrente essas lembranças e imagens me veem a mente constantemente.

De 87 a 95 tive o privilégio de em cada jogo que eu fui do Palmeiras sacudir uma bandeira no estádio. Depois, elas foram proibidas aqui no Estado de São Paulo. Inúmeras vezes viajei para outras praças esportivas em que essa estúpida proibição não existe, menos para assistir ao jogo e apenas para me reencontrar com essa paixão juvenil.

Tenho o meu bambu guardado até hoje. Tenho as bandeiras que minha avó costurou a mão até hoje. Tenho uma sacola de fitilhos laminados que simbolizam cada bandeira que sacudi nos estádios como troféus até hoje. Tenho uma carta escrita à mão pelo meu querido e saudoso pai contando sobre a primeira vez que me levou ao estádio de futebol, a qual no último parágrafo ele escreve o seguinte:

“Não dá para precisar o que se passava pela sua cabeça, e não entendia, de como nós palmeirenses, estávamos passando um terrível jejum sem títulos. Porém, o tempo o preservou, e quando entendeu, hoje é, um dos ferrenhos torcedores, com paixão e defensor das cores alvi-verdes. Assinado: Seu pai”.

Não tive a oportunidade em vida de falar para o senhor o que se passava pela minha cabeça naquele dia, pai. Uma pena. Me desculpe. Ao ler sua carta, ver essa foto e estar próximo do nosso querido Palmeiras, tenho certeza que é uma forma de viver para sempre aquele e tantos outros momentos que passamos juntos e que hoje é apenas uma saudade particular e eterna na minha alma.

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FORZA VERDÃO!!!

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Verde que Cura

Nas ciências da saúde, a cor verde foi introduzida pela primeira vez em 1914, em hospital na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, pelo cirurgião Harry Sherman, que indicava ser ela a cor ideal para o ambiente cirúrgico tendo em vista ser o extremo oposto do vermelho, cor do sangue humano, segundo artigo da revista Physical Sciences and Medicine, do Canada Science and Technology Museum, em Ottawa (Ontario), no Canada, denominado “The colour of medicine” e pulicado em setembro de 2009. No Brasil o anel de médico é representado por uma pedra verde-esmeralda.

Como os profissionais da medicina, também ostentamos o manto alviverde há mais de um século. Por ele alentamos e nutrimos uma paixão incondicional. Derramamos nosso suor e transpiração no gramado em que a luta nos aguarda. Fora das quatro linhas, o nosso verde é sinônimo de honra, glórias e orgulho. Quem o veste transforma a lealdade em padrão e como num passe de mágica se torna membro indivisível de uma família infinita, que se renova a cada geração dando continuidade a essa tradição ancestral.

O Verde que amamos carrega em si a esperança de novos tempos. O Verde que nos cobre a cada batalha é a espada e o escudo de gladiadores anônimos que buscam incansavelmente a cura das aflições mundanas que nos assola e amedronta.

Nesse jogo da vida, jornadas complexas e incertas se apresentam durante mais de 90 minutos para aqueles que vestem verde e decidem os destinos de milhares de vidas humanas. O adversário parece ser invencível, até então. Possui um esquema tático indecifrável. Parece ser indestrutível e incapaz de ser derrotado. Possui um ataque rápido e sufocante.

Talvez a retranca de nossas casas e o contragolpe com higiene total seja a estratégia mais eficaz a ser adotada. Jogadores mascarados tem lugar nesse time. Não são essas as únicas soluções, mas um caminho assertivo para superar um temível adversário que se alastra pelo mundo.

Alguns sucumbem durante essa jornada inglória e devastadora. Mas a mística que o nosso Verde carrega nunca nos abandona. E isso sabemos bem como funciona. A torcida unida se redobra de força e fé. Os ventos começam a mudar. O gol da vitória começa a nascer, até explodir diante de nossas retinas. Um eco ensurdecedor irrompe o silêncio. Todos se abraçam. Festa. Alegria. Vencemos novamente. Assim será, mais uma vez!

Nosso verde não está em isolamento. Nosso verde não está com atividades parcialmente interrompidas. Nosso verde não se curva, não teme o que vem pela frente e não retrocede jamais. O Verde que cremos e unge nossas almas é a mesma cor que cobre o juramento daqueles que serão capazes de curar o mundo.

Que Jesus Cristo renasça em nossos corações e guie, com sua infinita bondade e sabedoria, nossos médicos na luta contra todos os males.

Feliz e abençoada Páscoa!

cristo redentor verde

FORZA VERDÃO!!!

*** Texto dedicado a todos os profissionais da saúde, em especial na figura do meu querido amigo e irmão palestrino, Dr. Luis Marcelo Inaco Cirino.
*** Agradeço a colaboração de Erinalva Batista, bibliotecária da Faculdade de Medicina da USP, que gentilmente nos atendeu e colaborou com informações.

 

 

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