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Urubu Alviverde

O Palmeiras não tem mundial. Foi com esse coro que a torcida flamenguista se despediu da delegação rubro-negra nas ruas do Rio de Janeiro na véspera da final da Copa Libertadores da América de 2019, diante do River Plate, em Lima no Peru, no sábado (23).

Qualquer torcida no mundo pode entoar esse cântico jocoso (e inócuo) contra os palmeirenses. Menos os rubro-negros! Isso se explica ao revisitarmos a história. Voltamos no tempo, mais especificamente, na semifinal do Mundial Interclubes de 1951. No Maracanã recém-inaugurado se enfrentavam Palmeiras e Vasco da Gama em busca de uma vaga na grande decisão contra os italianos da Juventus de Turim.

Desnecessário dizer da rivalidade histórica entre vascaínos e urubus. O Vasco era o atual bi-campeão carioca e o Flamengo estava sem vencer um título desde 1944. O cruzmaltino era a base da seleção brasileira que capitulou em 1950 perante o Uruguai e o grande esquadrão do futebol brasileiro.

Jaime de Carvalho, lendário e folclórico chefe da torcida flamenguista nesse período, responsável por organizar a festa nas arquibancadas do Rio de Janeiro com a sua charanga, se incumbiu de formar um bloco “anti-vasco” e apoiar efusivamente os palmeirenses, afinal ele não podia ficar por baixo ao ver o chefe da torcida vascaína, o também histórico João de Lucca, triunfar e tripudiar mais uma vez no Maraca.

Na manhã do dia 11 de julho, veio a convocação para todos os rubro-negros da torcida uniformizada se concentrarem na rua Alcindo Guanabara, número 21, sexto andar, sala 611, sede de Jaime. O destino seria o Maraca. Dessa vez, o apoio não era ao rubro-negro… Mas ao alviverde de Palestra Itália! Palmeiras e Vasco fariam a primeira partida da semifinal naquele dia. Entre as músicas tradicionais da charanga, uma seria entoada pela primeira vez em homenagem aos palmeirenses: Periquitinho Verde, da carioquíssima Dircinha Batista, sucesso no Carnaval de 1937.

Contra todos os prognósticos, o Verdão venceu o esquadrão da Colina Histórica por 2 a 1, gols de Richard e Liminha, no primeiro confronto. O apoio de Jaime de Carvalho e a charanga flamenguista ao Palmeiras deu certo e se repetiu no segundo da semifinal, no dia 15 de julho, quando o alviverde garantiu um empate em 0 a 0 e a vaga na finalíssima.

Nas partidas da final do Torneio Internacional de Clubes Campeões, nome oficial consagrado pela FIFA organizadora da competição, contra a Juventus da Itália, nos dias 18 e 22 de julho, com públicos de cerca de 90 mil pessoas presentes em cada uma das partidas, a grande maioria dos cariocas presentes que se juntaram aos alviverdes no estádio municipal apoiando o Palmeiras na conquista histórica foi de flamenguistas, segundo os registros e relatos da época, que aplaudiram a conquista alviverde, entre eles Jaime de Carvalho, chefe da torcida rubro-negra, e sua charanga.

O jornalista Mario Filho, torcedor flamenguista doente, na sua obra “O negro no futebol brasileiro”, em sua segunda edição publicada em 1964, assim descreveu esse momento:

“O carioca apoiou tanto o Palmeiras no primeiro jogo (…) que no domingo da finalíssima quem quisesse guiar-se pelas placas dos carros não saberia se estava no Rio ou em São Paulo. Milhares e milhares de carros vieram para o Rio. E ônibus fretados. E caminhões. Não havia um lugar num trem ou num avião.

O paulista compreendeu que não era o Palmeiras que estava em jogo.  Que era o futebol brasileiro. Não quis ficar atrás do carioca. E o Maracanã parecia que recuava no tempo. Voltava a 50, ao campeonato do mundo.”

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Revista oficial do Palmeiras, Periquito 70, homenageando o apoio flamenguista em 1951

Gratidão ao Povo Carioca

Das muitas estátuas, placas, medalhas e monumentos espalhados pelas alamedas da Sociedade Esportiva Palmeiras há um que merece destaque muito especial de carinho e atenção. É o obelisco ao torcedor carioca.

Ele é um marco de reconhecimento do Palmeiras e de toda a sua gente pelo apoio e incentivo dado pela torcida carioca nas partidas decisivas do Mundial Interclubes conquistado pelo alviverde, diminuindo um pouco a dor e o sofrimento da torcida brasileira pela perda, naquele mesmo palco, o Maracanã, da Copa do Mundo de 1950.

Os cariocas, com orgulho, vestiram a camisa palmeirense. Vibraram, cantaram, torceram e sofreram todas as emoções  daquela conquista.  Jogaram como o 12º jogador.  Por isso, os palmeirenses repartem com toda a gente da Cidade Maravilhosa essa grande vitória do futebol brasileiro, imortalizado numa grande pedra de mármore num gesto de homenagem a todos os flamenguistas, botafoguenses, americanos, vascaínos, tricolores e banguenses que se irmanaram sob o manto esmeraldino.

No majestoso dia 22 de julho, mais de 90 mil torcedores afluíram ao estádio do Maracanã e celebraram uma das páginas mais bonitas  da história do mais importante palco do futebol mundial.

O jornal A Gazeta Esportiva, de 19 de julho, produziu um editorial exaltando a participação da torcida carioca na vitória do Palmeiras na primeira partida da final contra a Juventus, intitulado “Obrigado, torcida carioca”, com os seguintes dizeres:

“Num momento crítico para o futebol brasileiro, que poderá ver repetido o 16 de julho de 1950, cariocas e paulistas irmanaram-se a fim de que uma nova infelicidade não viesse a sacrificar o nosso prestígio universal. Assim, ontem à noite no Maracanã, aquela multidão de guanabarianos que produziu um milhão e trezentos mil cruzeiros de renda, soube dar o seu apoio ao Palmeiras, que no momento representa o futebol do Brasil na Taça Rio.

Souberam os cariocas, na falta da massa bandeirante, dar todo o seu apoio ao alviverde, souberam incentivar os companheiros de Jair, para que o triunfo sorrisse às cores nacionais. Peleja difícil, isto porque, com toda a superioridade, não conseguiu o Palmeiras ir além da contagem mínima. Mas o que interessa é deixar patenteado o nosso muito obrigado à torcida guanabariana que soube apoiar o nosso quadro e que tal se repita no próximo domingo, quando então, para o Brasil, poderá ser conquistado o título de campeão dos campeões mundiais.

Afinal de contas, para a melhoria do futebol brasileiro, chegamos ao ponto que não havíamos conseguido em 1950, quando não se verificava esta união entre paulistas e cariocas e, enfim, brasileiros.

Ontem, felizmente, viu-se que todos os recalques internos que jamais devem por em jogo a soberania do futebol brasileiro, foram colocados à margem. Os nossos irmãos cariocas compreenderam que se não foi possível ao Vasco da Gama defender o futebol brasileiro, e cabendo ao Palmeiras tal proeza, este merecia todo o apoio de nossa gente.

Via-se, em Maracanã, a unidade do futebol brasileiro. Uma só alma, um espírito uno, muito embora no Maracanã não estivesse a camiseta da seleção nacional. Mas, se era do Palmeiras, era também do Brasil, que soube trabalhar com sangue, alma e técnica, para realizar uma partida sem cochilos, procurando uma recuperação que, em suas conseqüências, poderá também se constituir na recuperação do futebol brasileiro, tragicamente perdido no ano passado.

É necessário que este espírito de união, entre todos os brasileiros, permaneça. Não nos importa sejamos paulistas, cariocas, mineiros ou gaúchos. Importa, isto sim, que somos brasileiros e precisamos nos fortalecer mais e mais diante do futebol universal.”

Em 1951 o urubu se vestiu de periquito. Rubro-negro trocou a sua camisa pela verde e branca. A tradicional charanga flamenguista apoiou o Palmeiras e gritou a plenos pulmões Campeão Mundial, junto com todo o Maracanã! O Verdão reestabelecia o orgulho ferido do povo brasileiro com sua mágica conquista.

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Placa em homenagem ao apoio da torcida carioca ao Palmeiras na conquista do Mundial de  1951

FORZA VERDÃO!!!

 

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Academia pragmática

Estádio do Maracanã. Rio de Janeiro. Dia 7 de março de 1965. Torneio Rio São Paulo. Palmeiras contra o Vasco da Gama-RJ. O juiz Ethel Rodrigues apita o início da partida. O Palmeiras dá a saída. Djalma Santos lança uma bola longa para Gildo na ponta-direita. Em velocidade ele dispara e em apenas sete segundos abre o placar para o Palmeiras.

Bola longa treinada pelo técnico argentino Filpo Nuñez era um expediente fatal da primeira Academia da década de 60, que levou o alviverde ao título do Torneio Rio São-Paulo.

Estádio Centenário. Montevideo. Uruguai. Dia 11 de fevereiro de 1972. Torneio de Mar del Plata. Palmeiras contra o Peñarol-URU. O juiz apita o início da partida. O Palmeiras dá a saída. Lançamento para Fedato. Em velocidade ele dispara e em apenas 30 segundos abre o placar para o Palmeiras.

Bola longa treinada pelo técnico Oswaldo Brandão era um expediente fatal da segunda Academia da década de 70, que levou o alviverde a ganhar todos os títulos que disputou.

Estádio do Pacaembu. Dia 3 de setembro de 1972. Campeonato Paulista. Palmeiras contra o São Paulo. Por 90 minutos, o alviverde joga defensivamente para garantir o resultado de empate em 0 a 0, que lhe dava o título de campeão paulista invicto. Expediente comum utilizado pelo técnico Oswaldo Brandão, comandante da segunda Academia e o técnico mais vitorioso da história do Verdão.

Estádio do Morumbi. Dia 23 de dezembro de 1972. Campeonato Brasileiro. Palmeiras contra o Botafogo-RJ. Por 90 minutos, o alviverde joga defensivamente para garantir o resultado de empate em 0 a 0, que lhe dava o título de campeão brasileiro. Expediente comum utilizado pelo técnico Oswaldo Brandão, comandante da segunda Academia e o técnico mais vitorioso da história do Verdão.

Estádio do Morumbi. Dia 20 de fevereiro de 1974. Campeonato Brasileiro. Palmeiras contra o São Paulo. Por 90 minutos, o alviverde joga defensivamente para garantir o resultado de empate em 0 a 0, que lhe dava o título de campeão brasileiro. Expediente comum utilizado pelo técnico Oswaldo Brandão, comandante da segunda Academia e o técnico mais vitorioso da história do Verdão.

Aqui, alguns recortes da história dos maiores times do Palmeiras. As duas Academias dos anos 60 e 70. Times clássicos e super-campeões. Exaltados pelo seu jogo técnico e eficente. Jogavam com brilho durante toda a competição. Mas, inúmeras vezes, na hora da decisão, a técnica e o refinamento davam lugar a raça, a bola longa e aos cuidados defensivos.

Cada jogo e situação pedem uma estratégia e mobilização especiais. Os grandes times do Palmeiras sempre souberam disso. A maior parte da torcida do Palmeiras sempre soube disso. Felipão, como tantos outros grandes técnicos da vida palestrina, sabe disso.

Quem não conhece a nossa história (ou parte dela) tenta induzir o torcedor mais desatento que o Palmeiras faz um futebol medíocre ou de resultadismo. Picham o clube alviverde com termos pejorativos como “Cucabol” e outras maledicências. Contam números de passes, como se isso fosse o único recurso válido e eficiente. Limitam suas análises para avaliar a qualidade de um time por quantos chuveirinhos eles realizaram nas partidas. Tentam diminuir nossos feitos. Tentam criar um estado de espírito adverso, de modo canalha e cafajeste.

Pouco ou nada importa para a coletividade palestrina. Soa caricato e inócuo. Essas artimanhas são truques antigos que convivemos desde a nossa existência. Já fomos italianinhos, carcamanos, quinta colunas e tudo mais que o valha. Seguimos cada vez mais fortes.

Queremos o Deca! Jogando bonito, jogando na retranca, jogando no ataque, com troca de passses, com bolas longas. Do jeito que for. Nada nem ninguém desviará nosso foco. Cada jogo será uma batalha e estamos fechados com nosso comandante Luiz Felipe Scolari e o atual elenco de jogadores. Todos unidos e com fé inabaláveis rumo à esse grande e tão sonhado objetivo.

felipao-palmeiras

FORZA VERDÃO!!!

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Torneio Sul-Americano

O Palmeiras disputa a final da Copa Antel contra o Nacional-URU, no estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai, às 23h15, nesse sábado, 23 de janeiro. A partida terá transmissão ao vivo pelos canais de Tv a Cabo Sportv e Espn Brasil.

A equipe alviverde vai em busca de sua primeira taça na atual temporada e também do seu sexto título em torneios preparatórios sul-americanos, em nove disputados ao longo de sua centenária trajetória.

Justamente no palco da final, em 1947, o Palmeiras disputou o seu primeiro torneio sul-americano. Com Boca Juniors-ARG, River Plate-ARG, Nacional-URU e Peñarol-URU, o Verdão participou do Torneio do Atlântico, em Montevidéu, no Uruguai. O time palmeirense terminou em quinto lugar.

Em 1956, Palmeiras, Corinthians, Santos, São Paulo, Nacional-URU, Boca Juniors-ARG e Newell`s Old Boys-ARG participaram da Taça Roberto Gomes Pedrosa, realizada em São Paulo. O Verdão ficou em quarto lugar.

Em 1962, o Palmeiras participou de dois torneios e teve 100% de aproveitamento. O primeiro aconteceu em Manizales, na Colombia, contra o Once Caldas-COL e o Milionarios-COL. O time palmeirense venceu os dois rivais colombianos e faturou o caneco.

A segunda conquista em 1962 foi em Lima, no Peru. Palmeiras, Botafogo-RJ, Sporting Cristal-PER e Universitario-PER disputaram o Torneio Quadrangular de Lima. O alviverde venceu seus três adversários e ficou com a taça.

Em 1964, o Verdão foi ao Chile disputar o Torneio Quadrangular de Santiago, com Independiente-ARG, Universidad Católica-CHI e Universidad do Chile-CHI. Com uma vitória, um empate e uma derrota, o Verdão ficou com o vice-campeonato, por obter menor número de pontos em relação aos argentinos.

Em 1965, o Verdão foi convidado para Torneio IV Centenário do Rio de Janeiro, junto com Fluminense-RJ, Peñarol-URU e Seleção do Paraguai.

Na primeira partida o alviverde goleou a Seleção do Paraguai por 5 a 2 e superou na final o Peñarol-URU na decisão por pênaltis, ao vencer por 1 a 0, após empate em 0 a 0, no tempo normal, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

Em 1970, o Palmeiras foi convidado para participar do Torneio de Cochabamba, na Bolívia, junto com Portuguesa de Desportos, Litoral-BOL e  Jorge Wilstermann-BOL. Os dois times brasileiros terminaram em primeiro lugar na disputa, com o mesmo número de pontos.

Por terem outros compromissos já agendados e um calendário apertado, os dirigentes de Lusa e Palmeiras decidiram dividir o título de campeão, sem que houvesse a partida final.

O último torneio Sul-Americano que o Palmeiras disputou foi o  Torneio de Mar del Plata, em 1972, ao lado de San Lorenzo-ARG, Boca Juniors-ARG e Peñarol-URU. O Verdão sagrou-se campeão invicto, por acumular o maior número de pontos.

Confira os jogos decisivos dos torneios sul-americanos disputados pelo Palmeiras ao longo da história:

1947 – Palmeiras 1×3 River Plate-ARG – Torneio do Atlântico – Palmeiras 5 Lugar

1956 – Palmeiras 2×0 São Paulo – Torneio Roberto Gomes Pedrosa – Palmeiras 4 Lugar

1962 – Palmeiras 4×0 Milionarios- COL – Torneio de Manizales – Palmeiras Campeão

1962 – Palmeiras 1×0 Botafogo-RJ – Torneio Cidade de Lima – Palmeiras Campeão

1964 – Palmeiras 0x0 Universidad do Chile – Torneio Quadrangular do Chile – Palmeiras Vice-Campeão

1965 – Palmeiras 0x0 Peñarol-URU – Torneio IV Centenário do Rio de Janeiro – Palmeiras Campeão

1970 – Palmeiras 4×0 Jorge Wilstermann-BOL – Torneio de Cochabamba – Palmeiras Campeão

1972 – Palmeiras 1×1 San Lorenzo-ARG – Torneio de Mar del Plata – Palmeiras Campeão

Veja a relação de torneios Sul-Americanos conquistados pelo Palmeiras em sua história:

Torneio de Manizales-Colômbia (1962)
Torneio Cidade de Lima-Peru (1962)
Torneio IV Centenário do Rio de Janeiro (1965)
Torneio de Cochabamba (1970)
Torneio de Mar del Plata-Argentina (1972)

Relembre a última conquista em torneios sul-americanos de cada um dos grandes clubes paulistas:

Santos Futebol Clube

1983 – Campeão do Torneio Triangular Vencedores de América (no Uruguai – final contra o Peñarol-URU)
Clubes Participantes: Santos, Peñarol-URU, Nacional-URU

São Paulo Futebol Clube

1993 – Campeão do Torneio de Santiago (no Chile –  final contra o Universidad Católica-CHI)
Clubes Participantes: São Paulo, Universidad do Chile-CHI, Universidad Católica-CHI

Sport Club Corinthians Paulista

1975 – Campeão da Copa São Paulo Futebol Clube (em São Paulo – final contra o São Paulo)
Clubes Participantes: San Lorenzo-ARG, Peñarol-URU, São Paulo, Corinthians

periquito

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