Italianidade

Paulistinha, sim senhor!

O palmeirense tem sido tachado por alguns setores da crônica esportiva e também por dirigentes do futebol paulista como um clube “chorão”, justamente pelo fato dos esmeraldinos lutarem por aquilo que julgam ser o caminho mais correto. Um comportamento, no mínimo, infantilizado de quem tenta diminuir os reclames palestrinos e não aceita ser contestado, adotando um discurso subserviente.

De 2018 para cá, a má vontade (quero ainda não acreditar em má fé) e os sucessivos erros contra a Sociedade Esportiva Palmeiras protagonizados pela FPF são notórios, gerando um estado de espírito litigioso entre as partes.

Na história centenária Palestrina, o clube alviverde já protagonizou duas grandes cisões com a entidade máxima do futebol paulista, afastando-se das competições estaduais, por não concordar com a forma desrespeitosa que fora tratado.

A primeira delas aconteceu em 1918. Tendo início o Campeonato Paulista, o Palestra, com pouco mais de três anos de vida, já era apontado como uma potência do futebol paulista, dono de uma popularidade enorme e candidato a conquista do título.

Apesar de alguns tropeços diante da A.A. das Palmeiras e da A.A. São Bento, a equipe brigava pelas primeiras colocações. Foi quando no dia 30 de junho, no jogo entre Palestra Italia e Clube Atlético Paulistano, devido aos inúmeros erros cometidos pelo juiz da partida em favor do Paulistano, entre outras provocações feitas por dirigentes deste clube dias antes da partida nos veículos de imprensa, jogadores e torcedores alviverdes envolveram-se na maior briga já vista, até então, no esporte paulista.

As arquibancadas do estádio do Jardim América, sede do Paulistano, clube aristocrata onde se concentrava a burguesia da cidade, foram completamente destruídas pelos palestrinos. O árbitro apanhou feito gente grande. A guarda montada precisou intervir. Foi um verdadeiro caos!

Era o orgulho do Palestra que tinha sido ferido. Segmentos da imprensa e o próprio Paulistano haviam tocado na essência italiana daqueles imigrantes que viam no Palestra um elo que os uniam a sua terra natal, a Itália.

Provocações de todos os tipos contra os torcedores e jogadores palestrinos, a fim de desestabilizá-los foi o motivo maior que gerou um estado pleno de revolta, culminando com o mau resultado no campo de jogo, tornando uma simples partida, numa questão de vida ou morte para a coletividade palestrina.

Assim sendo, no dia 3 de julho de 1918, a gente palestrina, após uma histórica assembleia geral, que reuniu mais de 800 associados, decidiu o desligamento do Palestra Italia da APSA (Associação Paulista de Sports Atléticos), por unanimidade de votos, e automaticamente a criação de uma nova liga.

Surgia a Federação Olímpica Paulista – F.O.P. Formava-se, assim, a mais nova cisão no futebol paulista, composta pelas seguintes equipes: Palestra Italia, América-SP, Americano-SP, Campos Elyseos, Touring Club Paulistano e Luzitano.

Eis a transcrição da decisão palestrina veiculada nos jornais da época no dia 4 de julho de 1918, sob o título, “O Palestra desliga-se da APSA”:

“De acordo com a assembléia geral realizada no dia 03/07/1918, a Societa Sportiva Palestra Italia, por unanimidade de votos – o que representou mais de 800 votos – decidiu o desligamento dessa sociedade da APSA.

Os motivos dessa resolução são bastante conhecidos em São Paulo e devem-se aos deploráveis incidentes ocorridos no Jardim América em 30/06/1918.

Na mesma reunião foi aventada a idéia de construir um campo próprio, sendo aberta então uma subscrição entre os sócios presentes que imediatamente logrou o saldo de 60 contos de réis”.

Imaginava-se, aquela altura, um enfraquecimento do Palestra com a sua saída da APSA, entretanto, ocorreu justamente o contrário. O Palestra continuou forte, vencedor, deu início ao projeto de compra de sua praça esportiva, enquanto a APSA perdia um dos seus mais rentáveis integrantes.

A volta para a competição estadual veio no ano seguinte, após inúmeras reuniões conciliatórias, bem como a intervenção do presidente da Associação do Chronistas Sporitvos do Estado de São Paulo, Sr. Olival Costa.

Nova cisão em 1924

Uma vez mais, como em 1918, o Palestra Italia sacrificou-se tecnicamente, tomando a decisão de abandonar o campeonato oficial da APSA, a fim de que prevalecesse o respeito que lhe era devido, bem como a honra e dignidade da família palestrina.

A entidade maior do futebol passava por uma reforma nas suas leis esportivas e disciplinares a pedido do Paulistano e apoiado pela maioria dos clubes filiados, inclusive pelo próprio clube de Parque Antártica.

Logo após a primeira partida da equipe no certame local contra o Paulistano, no dia 21 de abril de 1924, Nigro e Cassarini, atletas alvi-esmeraldinos, foram os primeiros alvos de tais reformas, sendo ambos acusados de praticarem jogo violento e de modo arbitrário suspensos por três jogos pela comissão de sindicância da Associação. O clube alviverde, a contragosto, recorreu a decisão, mas de nada adiantou.

A gota d’agua, no entanto, estava reservada para o dia 3 de maio de 1924. No tumultuado jogo contra o Braz Atlhetico, o Palestra, já desfalcado destes importantes jogadores, além de Picagli que fora suspenso pela APSA no final da temporada anterior, participou de uma grande confusão dentro de campo. Primo, goleiro alviverde, brigou com atletas da equipe adversária, Heitor sofreu uma grave contusão, devido à violência dos adversários, o juiz da partida abandonou o campo tendo que ser substituído, enfim houve de tudo, menos futebol.

No dia seguinte a partida, a decisão da APSA foi ágil e severa contra o Palestra, suspendendo Primo e Heitor, imediatamente. A diretoria palestrina reuniu-se e decidiu, por unanimidade, abandonar a competição citadina, deixando clara a sua posição de descontentamento com os modos como o clube vinha sendo tratado pela entidade que controlava o futebol paulista.

O clube ficou disputando amistosos durante todo o ano de 1924, retornando para as disputas oficiais no ano seguinte, após disputa de um jogo eliminatório contra o campeão da segunda divisão do Campeonato Paulista.

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FORZA VERDÃO!!!

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Esportes

Inveja mascarada de ódio

Inicia-se mais uma semana decisiva na vida da Sociedade Esportiva Palmeiras. E com ela a inveja mascarada de ódio contra o alviverde e toda sua coletividade emergiu com força total de todos os lados.

Primeiro o anúncio de que o Verdão foi processado, mais uma vez, por causa da contratação do meio campista Wesley, em 2012. Carlos Alberto Duarte Moreira Filho, da empresa Toksai, entrou com uma ação no Tribunal de Justiça de São Paulo contra o clube alviverde pedindo R$ 7,9 milhões, referente à restituição do valor investido na negociação.

Depois, a polêmica reunião do Conselho Arbitral para a definição das datas e locais para a disputa das quartas de final do Campeonato Paulista, onde os interesses da Rede Globo de Televisão e da Federação Paulista de Futebol se mostraram contrários ao que pleiteava o Verdão.

Na sequência, o procurador Vinicius Marchetti, do TJD (Tribunal de Justiça Desportiva) de São Paulo denunciou o goleiro Jailson, o volante Felipe Melo e o atacante Dudu no artigo 258 do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), por atitude contrária à ética ou disciplina, que prevê pena de suspensão de uma a seis partidas. Jailson também foi enquadrado no artigo 254 (praticar jogada violenta), com pena semelhante.

Agora, o meia Gustavo Scarpa foi retirado do Boletim Informativo Diário (BID) da CBF como atleta do Palmeiras. A entidade foi notificada pelo Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro, que cassou a liminar que desvinculava Scarpa do Fluminense.

Tudo isso em uma semana. Num momento de decisão. NADA É POR ACASO!

Era mais que sábido que as forças ocultas que regem os bastidores do futebol agiriam  (e ainda agirão) contra o Palmeiras, a fim de desestabilizá-lo de todas as formas. Isso é histórico na vida palestrina. Uma velha e asquerosa artimanha que usam desde os primórdios para frear a vontade incontrolável pelas Glórias dos palestrinos.

Em 1918, o alviverde já era apontado como uma potência do futebol paulista, dono de uma popularidade enorme e candidato a conquista do título. A equipe brigava pelas primeiras colocações contra o Club Atlético Paulistano. Time da elite e da aristocracia paulistana, que era apoiado pela família Mesquita, que entre outros negócios, controlava o principal veículo de imprensa da cidade, o Jornal Estado de São Paulo.

Temendo um sucesso palestrino diante do seu rival que até aquele momento dominava as conquistas futebolísticas, iniciou-se uma campanha de provocação no jornal contra os decentes de italianos e os palestrinos. No jogo entre ambos, após uma arbitragem tendenciosa a favor do Paulistano, os palestrinos abandonaram a competição, após reunião e deliberação de todos os seus associados e diretores, devido aos desrespeitos sofridos.

Em 1924 novo abandonado do campeonato. O Palestra Itália se sentiu desrespeitado, mais uma vez, após as punições severas aos seus atletas, tendo cinco jogadores da equipe titular sendo alijados da disputa do torneio pelo Tribunal de Justiça, logo nas primeiras rodadas.

Em 1930, um gol legítimo do Palestra Itália mal anulado pelo juiz Francisco Santana no jogo diante do Corinthians no Parque São Jorge no dia 4 de maio impediu que o Verdão conquistasse mais um título paulista em sua gloriosa história. O Palestra dominava o seu arqui-rival e já o vencia por 1 a 0. Os jogadores, comissão técnica e torcida perderam a calma com o juiz da partida. Houve muita confusão dentro e fora do campo. Mesmo com a vitória parcial, o Palestra negou-se a prosseguir no jogo e retirou-se do gramado, entregando o título para o rival.

Em 1942 a mais severa das disputas palestrinas dentro e fora de campo, que por imposição governamental culminou com a mudança de nome do clube e todas as suas referências ancestrais. Manobras e artifícios de todos os genêros foram evocados por nossos inimigos para usurpar nosso estádio e aniquilar a existência e continuidade da instituição. No fim, patrimônio mantido e título conquistado pelos palestrinos.

Em 1944, Palmeiras e São Paulo disputavam o título Paulista. Subitamente, no meio da semana que antecedia o clássico decisivo entre ambos, o Tribunal de Penas Desportivas, recém-criado pela Federação Paulista de Futebol, decidiu suspender o médio volante argentino Dacunto, do Palmeiras. Mesmo sem o jogador, o Verdão sagrou-se campeão ao superar o seu rival.

Na final do Paulistão de 1971, entre Palmeiras e São Paulo, o atacante palmeirense Leivinha marcou gol legal de cabeça em Sérgio Valentim, mas o árbitro Armando Marques entendeu que o meia utilizou a mão para colocar a bola no fundo do gol são-paulino, anulando um gol legal. Dulcídio Wanderley Boschilia, bandeirinha da partida, correu para o centro do campo depois da cabeçada de Leivinha e, no fim do jogo, não hesitou em falar à imprensa que tinha tomado tal atitude pois o gol havia sido legal. O título acabou em posse dos tricolores.

Em 1972, o atacante palmeirense Cesar Maluco ofendeu moralmente o árbitro Renato de Oliveira Braga em uma partida contra o XV de Piracicaba. Foi suspenso do futebol por nove meses e praticamente teve sua carreira encerrada no Palmeiras, numa das mais severas punições a um atleta de futebol jamais vista, até então.

Em 1979, o então presidente do Corinthians, Vicente Matheus, paralisou as semifinais entre Palmeiras e o seu clube, manipulando a tabela de jogo em favor do time do Parque São Jorge,  sob alegação de que não participaria de rodadas duplas. Com conivência do então presidente da Federação Paulista de Futebol, Nabi Abi Chedid, sócio benemérito do time alvinegro, o campeonato ficou parado e Matheus quebrou o embalo palmeirense, que vivia melhor momento que seu maior rival. O Verdão foi eliminado e o alvinegro campeão.

Em 1997, o atacante Edmundo, que defendia o Vasco da Gama, na decisão do Campeonato Brasileiro, entre Palmeiras e os cariocas, recebeu o terceiro cartão amarelo no primeiro jogo da final, o que o suspenderia da última partida. Seguindo orientações da direção vascaína, comandada por Eurico Miranda, forçou sua expulsão nos minutos finais da partida para com um efeito suspensivo atuar no Maracanã no segundo jogo. A manobra deu resultado e os vascaínos foram campeões após um empate em 0 a 0.

Em 2008, na primeira semifinal do Campeonato Paulista, entre Palmeiras e São Paulo, o atacante são-paulino Adriano abriu o placar no Morumbi usando o braço direito para empurrar a bola para a rede. O trio de arbitragem validou o lance e o São Paulo venceu o Palmeiras por 2 a 1.

Litígios recentes com o Fluminense por jogadores também tem sido uma constante no caminho palmeirense. Em 2007, o Verdão assinou pré-contrato para ter o meia Thiago Neves, mas o jogador foi para as Laranjeiras. Em 2011, aconteceu o mesmo com o meia Martinuccio.

Outro caso emblemático foi em 2006, quando o lateral-direito Ilsinho deixou o Palmeiras para ir para o São Paulo sem custos. Alan Kardec em 2014 e Wesley em 2015 repetiram o gesto de Ilsinho e saíram de graça do alviverde para o tricolor paulista.

Listamos alguns dos tantos embates dentro e fora dos campos que os palestrinos de todas as épocas travaram. Não seria diferente desta vez. Em todos os casos, o espírito palestrino se manteve em unidade, lúcido e sereno, a fim de se fortalecer para os enfrentamentos que se punham como obstáculo em nossa caminhada.

Agora, podemos não ter na reta final do Paulista os atletas: Jailson, Dudu, Felipe Melo, Gustavo Scarpa e Borja (este último por uma provável convocação para a Copa do Mundo). Todos elementos chaves da equipe do técnico Roger Machado.

Jailson responde pela melhor defesa do campeonato. Felipe Melo responde pelo melhor desarme do campeonato. Borja responde pelo melhor ataque do campeonato. A espinha dorsal palestrina pode ser neutralizada por um adversário que não entra em campo para os olhos comuns justamente num momento de decisão.

Agora, é a hora de nos mantermos cada vez mais unidos, todos nós palmeirenses sob a mesma bandeira gloriosa do alviverde, para combater com ardor todo o ranço que nos depositam. Sem receios. Sem temor. Com esperança, energia e fé inabaláveis.

Seguindo a nossa tradição de lutas, como os velhos palestrinos nos ensinaram, vamos passar por tudo isso, transformando a lealdade em padrão, pois de fato nascemos para ser Campeão! O maior do Brasil. O maior do século no país do futebol. Contra tudo e contra todos!

periquito

FORZA VERDÃO!!!

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