Esportes

Sair na frente

Muitas são as avaliações e opiniões para entender uma derrota em um clássico. São evocados todos os tipos de argumentos, dos mais racionais, aos mais passionais. Todos com suas motivações e que merecem reflexão, compreensão e respeito.

A tentativa da busca do diagnóstico correto para se curar uma incomôda ferida pode vir de diversas formas para que se encontre esse caminho, a fim de estancar a dor que nos consome a alma.

Parto do princípio que em clássicos, principalmente, quem sai na frente do placar tem a grande chance de ser o vencedor, ou pelo menos, não sai derrotado. E não importa se joga como visitante ou mandante, se tem elenco superior ou inferior, se está num bom ou mau momento, se o salário está em dia ou atrasado, se o treino foi aberto ou fechado, se a estrutura do Centro de Treinamento é ótima ou péssima.

Quando a bola rola, quem marca primeiro tem vantagem. Isso é um fato que se impõe acima de posse de bola, chutes a gol, números de passes, escalação certa ou errada, jogador “A” ou “B”, arbitragem, ou qualquer outro atributo que por ventura seja imputado o fator da derrota ou da vitória.

Nos últimos 20 Derbys, a equipe que fez o primeiro gol no confronto não perdeu. A última virada num clássico aconteceu em 24 de junho de 2012, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro, realizada no estádio do Pacaembu, pelo placar de 2 a 1. Na ocasião, o Palmeiras marcou um a zero no placar, aos três minutos da primeira etapa, gol marcado por Mazinho. Romarinho, aos 33 minutos do primeiro tempo e aos 10 minutos da etapa complementar, se encarregou de dar a vitória aos alvinegros.

Já a última virada palestrina no clássico contra os alvinegros ocorreu em 28 de agosto de 2011, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro, realizada no estádio Prudentão, em Presidente Prudente, também pelo placar de 2 a 1. Emerson Sheik abriu o marcador aos 18 minutos da primeira etapa. Aos 34 minutos Luan empatou para o Verdão. O atacante Fernandão, aos sete minutos do segundo tempo, determinou a vitória alviverde.

Tanto nos recentes confrontos em Itaquera ou no Palestra Itália, quem saiu na frente do marcador não perdeu. Uma lógica que talvez a psicologia possa explicar melhor e trazer mais subsídios para o porquê disso.

Podemos ampliar essa hipótese para além dos clássicos e tentar analisar um recorte maior, se essa perspectiva também se aplica em todos os jogos e com maior frequência em quais circunstâncias. Enfim, lançar uma luz para que possamos compreender o jogo, muito além de achismos e do fígado. Toda manifestação que se debruce com objetivo de evoluir em busca das vitórias é válida.

De todo modo, o torcedor é passional. Está chateado por ver seu time ter um desempenho abaixo da crítica contra o seu principal rival. Não sou diferente. Nada apaga a dor de uma derrota. Apenas a esperança de vencê-lo no próximo encontro. Já aguardamos ansiosamente por isso. Pelo Brasileirão, o jogo do segundo turno, no Palestra Itália, ainda não tem data definida. Talvez podemos nos enfrentar pela Copa do Brasil ou Libertadores ainda.  Teremos muitos embates pela frente.

Perder o controle e criar terra arrasada não é o rumo mais inteligente para enfrentar os nossos problemas (os quais temos vários, dentro e fora de campo). Haver cobranças, detectar as falhas, trabalhar para que elas mudem devem ser circunstâncias naturais na vida de um grande clube como a Sociedade Esportiva Palmeiras.

Lembro um fato histórico, sem a pretensão alguma de qualquer tipo de comparação além dos resultados em si. Elencos e épocas completamente diferentes. Mas que vale a reflexão. A Academia de Futebol do Palmeiras entre 1971 a 1974 ficou 15 jogos consecutivos sem vencer o São Paulo Futebol Clube e de 1970  a 1973  ficou 10 partidas consecutivas sem vencer o Corinthians. Ao final, conquistamos títulos em cima de todos eles e essa geração ficou imortalizada na vida palestrina como uma das principais referências para todos nós alviverdes.

Ademir da Guia esteve presente em todas essas partidas (ou na maioria). Não foi taxado de pipoqueiro ou sem alma por causa disso, por exemplo. Pelo contrário. É reverenciado com toda a justiça e méritos como um ícone palestrino. Talvez o maior de todos.

Repito, para deixar bem claro e não haver distorções, longe de qualquer comparação. Tempos infinitamente distintos. Mas o radicalismo e intolerância não nos levarão a solucionar os nossos problemas, muito menos diminuir os obstáculos que ainda temos pela frente. E não são poucos!

As vitórias virão! Vamos com fé, palestrinos!

simbolo-original

FORZA VERDÃO!!!

Anúncios
Padrão
Esportes

Números do Derby

O Torneio Início foi uma competição criada puramente pelos brasileiros. O primeiro registro desse modelo de torneio de tiro curto, congregando diversas agremiações em um mesmo dia e local, com caráter beneficente, aconteceu justamente nos primeiros anos do século passado.

Pode se dizer que o Rio de Janeiro foi o berço do Torneio Início, já que a competição foi criada em 1916 pela Associação de Cronistas Desportivos do Rio de Janeiro (entidade atualmente denominada Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro – ACERJ). A primeira edição do Torneio Início do Rio de Janeiro, cuja final fora disputada entre Fluminense e América e que teve o Tricolor Carioca como o grande vencedor, jogando em casa, contou com cerca de cinco mil espectadores e teve a renda destinada em benefício da instituição denominada Patronato de Menores.

Três anos mais tarde, em 1919, a Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo (ACEESP), junto com a Associação Atlética das Palmeiras, extinto clube da capital paulista, introduziram a competição no calendário esportivo bandeirante.

Sua fórmula popular foi reproduzida nas principais praças esportivas do Brasil: os estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, por exemplo, já haviam aderido à competição a partir de 1917, enquanto, no Paraná, o Torneio Início foi implantado em 1918. Já em Pernambuco e na Bahia, a competição começou a ser disputada em 1919 – assim como em São Paulo. E no Ceará, no Rio Grande do Sul e em Alagoas, o certame fora disputado pela primeira vez, respectivamente, em 1920, 1921 e 1927.

A partir dos anos 50, por conta de questões financeiras e do aumento dos clubes nas divisões principais, a competição perdeu a sua importância, sendo descontinuada, tendo algumas edições esporádicas e esparsas, mas sem o mesmo prestígio.

O livro oficial da Federação Paulista de Futebol, escrito pelo jornalista Rubens Ribeiro, denominado “O Caminho da Bola”, que remonta a trajetória de mais de cem anos de futebol em São Paulo, retrata todas as edições da competição, com detalhes e resultados dos jogos.

PALMEIRAS NO TORNEIO INÍCIO

De 1919 a 1996, a Sociedade Esportiva Palmeiras disputou 87 partidas válidas pelo Torneio Início do Campeonato Paulista em toda a história da competição, contra as mais diversas agremiações, sagrando-se campeão nas seguintes edições: 1927, 1930, 1935, 1939, 1942, 1946 e 1969.

Independente do adversário, todas essas partidas são consideradas válidas pelo clube devido os seguintes critérios:

(1) Competição oficial organizada e chancelada pela entidade máxima do futebol estadual;

(2) Competição com regulamento definido;

(3) Competição com premiação estabelecida (troféu e bonificação em dinheiro aos participantes);

(4) Competição com arbitragem oficial;

(5) Competição com ampla difusão da mídia;

(6) Competição com bilheteria, renda e público;

(7) Competição com tradição e continuidade por cerca de quatro décadas consecutivas;

(8) Competição congregando todos os filiados da Divisão Principal;

(9) Competição em que as equipes utilizam seus uniformes oficiais;

(10) Competição em que os atletas deveriam estar devidamente filiados e registrados de acordo com as normas vigentes;

(11) Competição com súmula oficial.

Posto isso, a Sociedade Esportiva Palmeiras entende que há mais elementos que fazem a competição ter um pertencimento histórico relevante em vez de simplesmente eliminá-la de sua vida esportiva, como algo que nunca existiu, por puro anacronismo.

QUEM TAMBÉM CONSIDERA

O Clube de Regatas do Flamengo, por exemplo, que congrega um grupo de reconhecidos historiadores do clube na difusão e resgate histórico da agremiação carioca, por meio do site Fla-Estatísticas, tem o seguinte entendimento sobre a validação do Torneio Início como jogo oficial, o qual transcrevemos:

“JOGOS OFICIAIS: Consideramos na estatística oficial de jogos, aqueles em que o time do Flamengo entrou em campo obedecendo os critérios da FIFA. Mesmo quando há uma das restrições citadas abaixo, consideramos como jogo oficial do clube.

1ª Restrição: Jogos disputados em torneios que tinham jogos com duração menor que 90 minutos. Como exemplo, temos o Torneio Início e alguns torneios disputados na Europa e América do Sul. Mesmo não seguindo as determinações oficiais da FIFA, consideramos estes jogos oficiais, pois faziam parte de torneios realizados por Federações, Confederações e Entidades locais oficiais e quando o C. R. Flamengo se sagrava campeão, o título era considerado na lista oficial de títulos do clube.”

Veja mais aqui: www.flaestatistica.com/criterios

DIVERGÊNCIAS

Há divergências nos números dos confrontos entre Palmeiras e Corinthians justamente por conta dos critérios utilizados pelos clubes no tratamento de sua história: o Alviverde considera as partidas válidas por Torneios Inícios para fins de estatísticas, enquanto o Alvinegro suprime estes resultados quando contabilizam seu retrospecto.

Desde a implementação estatutária do Departamento de Acervo Histórico da Sociedade Esportiva Palmeiras, em 2005, o grupo de trabalho alviverde segue a mesma metodologia e princípios, e sempre considerando as partidas válidas pelo Torneio Início, a exemplo do que fez o Almanaque do Palmeiras, de autoria de Celso Dario Unzelte e Mário Sergio Venditti, publicado em 2004 pela Editora Abril, que contempla jogos de Torneio Início e outras competições similares contra todas as equipes do futebol paulista, sem distinção e revisionismo.

O Sport Club Corinthians Paulista, conforme a sua posição oficial e pública, utiliza como números oficiais os dados fornecidos pelo jornalista Celso Dario Unzelte.

De 2000 até os dias atuais, Unzelte já apresentou as seguintes posições nos mais diversos trabalhos por ele elaborado:

Almanaque do Timão – Volume 1 – (autor: Celso Dario Unzelte) publicado em 2000 pela Editora Abril.

Todo o almanaque considera as dezenas de jogos do Corinthians pelo Torneio Início de 1919 a 1996, além do Torneio Henrique Mündel, o qual a agremiação corintiana jogou com o time titular.

Esse mesmo Almanaque foi reeditado em 2005, porém, desta vez, sem os jogos do Torneio Início e do Torneio Henrique Mündel.

Corinthians x Palmeiras – Uma história de Rivalidade (autor: Antônio Carlos Napoleão), publicado em 2001 pela editora Mauad, com colaboração de Celso Dario Unzelte.

O trabalho distingue o Torneio Início separadamente, mas traz como jogo válido o Torneio Henrique Mündel.

Revista Placar – Os Grandes Clássicos (maio de 2005). Com colaboração de Celso Dario Unzelte

A edição não considera os Torneios Inícios, mas traz como jogo válido o Torneio Henrique Mündel.

Site – Meu Timão

Um dos portais mais importantes de difusão de conteúdo sobre o Sport Club Corinthians Paulista, o Meu Timão apresentou matéria especial sobre a conquista do Torneio Início, em 17 de novembro de 2017, às 16h43, assinada por Celso Dario Unzelte.

Site Oficial – SCCP

O site oficial do Sport Club Corinthians Paulista também faz referências à competição, tanto em algumas matérias do site quanto na sua relação de conquistas e cronologia histórica.

Revista O Mundo do Futebol publicada em 2003 pela Editora On Line, com colaboração e consultoria de Celso Dario Unzelte.

A obra traz os jogos do Torneio Início e do Torneio Henrique Mündel na contagem geral dos números do confronto.

CONCLUSÃO

O trabalho elaborado pela Sociedade Esportiva Palmeiras engloba todos os confrontos oficiais entre as equipes principais dos dois tradicionais clubes na história, sem distinção, respeitando e preservando a história puramente factual, de forma fria, sem análises, interpretações personalistas, critérios próprios ou julgamentos.

O trabalho elaborado pelo Sport Club Corinthians Paulista apresenta os números, alegando que os Torneios Inícios e a Taça Henrique Mündel não eram competições jogadas em 90 minutos, apesar de a competição ser oficial organizada pela entidade máxima do futebol bandeirante, ter súmula, juiz, valer taça, ter público, bilheteria e registros nas federações e imprensa.

Vale lembrar que, nem sempre na história do futebol, as partidas eram jogadas em 90 minutos. No início dos tempos, por exemplo, as partidas eram divididas em dois tempos de 40.

Indo além, as partidas disputadas em 1918 e no começo de 1919 foram limitadas em seu tempo de jogo ainda mais, baixando as partidas do Campeonato Paulista para dois tempos de 35 minutos, devido à epidemia da Gripe Espanhola, por exemplo.

Segundo a ótica alvinegra, como ficam os jogos que houveram prorrogação? Afinal, segundo eles, o critério para estabelecer o que é ou não jogo válido são apenas os 90 minutos. Partindo disso, a semifinal do campeonato paulista de 1986 e as finais do paulista de 1993 e 1995 deverão ser riscadas da história do Derby?

Partindo da análise dos corintianos, teriam então que ser deconsiderados inúmeros jogos da história do Derby, pois a regra utilizada por eles para formatação de seus conceitos históricos não atende aos parâmetros de análise por eles mesmos criados e entendidos como ponto de fé e verdade absoluta, aos quais apontamos acima.

O trabalho do Palmeiras tem como a regra número 1 o seguinte parâmetro: não se mede o passado com a régua do presente e vice-versa. Deve-se respeitar os fatos de acordo com o seu tempo e o seu espírito.

No entanto, cabe a cada um julgar por si só os metódos adotados pelas duas instituições na preservação da história de um dos maiores confrontos do futebol mundial e utilizar a métrica que melhor lhe convém. A Sociedade Esportiva Palmeiras trabalha com fatos. E, aos fatos, respondemos.

Se o Corinthians entende que os jogos do Torneio Início contra o Palmeiras devam ser descartados e não valem nada, entendemos que eles prestam um desserviço à memória de seu próprio clube. Afinal, o time alvinegro possui oito títulos da competição, sendo o maior campeão do torneio, e por conta de não reconhecê-lo, segundo o que foi exposto no trabalho alvinegro, tem por si só essas conquistas descartadas de sua rica galeria de campeões. Já nós, do Palmeiras, damos muito valor a tudo aquilo que conquistamos, com suor e fibra, no gramado em que a luta sempre nos aguarda. Principalmente a todas as vitórias sobre o nosso maior rival.

NÚMEROS DO DERBY

Jogos: 367
Vitórias Palmeiras: 130
Empates: 110
Vitórias Corinthians: 127
Gols marcados Palmeiras: 521
Gols marcados Corinthians: 481

Subscrevemos:

» Fernando Razzo Galuppo
Jornalista e Pesquisador

» Fábio Marcello
Colaborador de Acervo Histórico e Memória da S. E. Palmeiras

» José Ezequiel Filho
Conselheiro da S. E. Palmeiras e Pesquisador

» José Mariano Barrella
Conselheiro, Pesquisador e ex-Diretor de Acervo Histórico e Memória da S. E. Palmeiras

» Jota Christianini
Conselheiro, Pesquisador e ex-Diretor de Acervo Histórico e Memória da S. E. Palmeiras

» Júlio César Ragazzi
Pesquisador, ex-Diretor de Acervo Histórico e Memória da S. E. Palmeiras e Jornalista

» Luciano Pasqualini
Pesquisador, ex-Diretor de Acervo Histórico e Memória da S. E. Palmeiras

» Ricardo Bacconi
Pesquisador

» Academia da Memória Palestra Palmeiras

BAIXE AQUI O PDF >>>  0 – DOC Torneio Início

Clássico Palmeiras X Corinthians

FORZA VERDÃO!!!

Padrão
Esportes

Maior chororô da história

Mimimi e chororô são alguns termos que passaram a ser utilizados recentemente no vocábulo do futebol. Geralmente utilizados para desqualificar a reivindicação de um rival que por ventura se sentiu lesado pelas circunstâncias de um jogo fatídico, de um gol irregular, de um erro de arbitragem, de uma injustiça ou de uma interferência externa que pode decidir a sorte de um título.

Nos confrontos entre Palmeiras e Corinthians, dado o passionalismo predominante nas duas agremiações, o ganhador vai ao céu. O derrotado ao inferno. Um revés no Derby sempre deixa sequelas profundas no lado perdedor. Um resultado negativo num dos jogos de maior rivalidade do futebol mundial já derrubou técnicos, jogadores, árbitros e causou turbulências, confusões e cicatrizes das mais diversas ordens, que ficam marcadas pela eternidade.

Rivelino, ídolo alvinegro, em 1974, após a derrota na final do Campeonato Paulista para o Palmeiras foi escurraçado do Parque São Jorge e considerado o grande vilão pela perda do caneco e do jejum de mais de 20 anos sem conquistas do seu clube, até então.

Edilson, outro ídolo dos corintianos, em 2000, após mais uma eliminação para o Palmeiras na Taça Libertadores da América, foi enxotado pelos torcedores e citado como um dos culpados por mais uma derrota para o seu maior rival.

Exemplos não faltam. Mas uma derrota em especial se destaca como o maior chororô da história dos confrontos entre Sociedade Esportiva Palmeiras e Sport Club Corinthians Paulista nos mais de 100 anos dessa rivalidade. Foi a única derrota que se tem registro no clássico que derrubou do presidente ao porteiro do clube perdedor!

Em 5 de novembro de 1933, em partida válida pelo segundo turno do Campeonato Paulista e Torneio Rio-São Paulo, o Verdão recebeu os alvinegros no estádio Palestra Itália.

Após a partida preliminar, vencida por goleada pelo segundo quadro palestrino pelo placar de 4 a 0, os dois times subiram ao campo com as seguintes formações. O Palestra com Nascimento; Carnera, Junqueira; Tunga, Dula e Tuffy; Avelino, Gabardo, Romeu, Lara e Imparato. Técnico: Humberto Cabelli. O Corinthians atuou com: Onça, Rossi e Bazani; Jango, Brancácio e Carlos; Carlinhos, Baianinho, Zuza, Chola e Gallet, dirigidos por Pedro Mazzulo.

Logo aos sete minutos de jogo, Romeu Pelliciari abriu o placar, aproveitando cruzamento de Imparato. Aos 28 minutos, nova assistência de Imparato e gol de Romeu Pelliciari. Aos 40 minutos, Romeu recebe passe de Gabardo e marca o terceiro gol alviverde, encerrando a primeira etapa.

Na volta do intervalo, o Verdão manteve o mesmo ímpeto e logo no primeiro minuto, Gabardo fez linda jogada individual, driblando toda a defensiva alvinegra e entrando com bola e tudo nas redes adversárias.

Romeu se encarregou de marcar o quinto gol palestrino (seu quarto na partida), aos sete minutos, aproveitando um rebote do goleiro, após chute de Imparato. Dois minutos depois, foi a vez de Romeu servir a Imparato que marcou o sexto gol palestrino. Aos 35 minutos, Romeu Pelliciari chutou, o goleiro rival espalmou e Imparato aproveitou o rebote para mandar para as redes, anotando o sétimo gol. Aos 40 minutos, Imparato fechou o placar. Palestra 8 a 0 Corinthians!

Além do elevado número de gols, houve ainda um pênalti não marcado a favor do Palestra, por uma mão na bola do zagueiro alvinegro dentro da área ignorada pelo árbitro da partida Haroldo Dias Motta, uma bola na trave corintiana e um gol anulado por impedimento de Imparato.

Palestra 8 a 0! A maior goleada da história centenária do Derby! A maior derrota de toda a história centenária do Sport Club Corinthians Paulista!

“Era um clube de carroceiros e era campeão. Tornou-se um clube de doutores e não vale nada”, dizia a página esportiva da  Folha da Noite.

Entrevistado pela mesma Folha da Noite, Amilcar Barbuy, ex-jogador do Palestra e do Corinthians, sócio do clube de Parque São Jorge e que acompanhou o jogo das arquibancadas, foi enfático. “Os corintianos já entraram cabisbaixos para enfrentar um grande time. A derrota era eminente.”, falou.

A Folha da Manhã no dia 7 de novembro trouxe a seguinte manchete: “Demitiu-se coletivamente a diretoria do Sport Club Corinthians”.

O corpo da matéria trazia ainda o seguinte sub-título:  “Os diretores foram levados a agir dessa forma, em virtude da manifestação de desagrado realizada pelos torcedores após o encontro contra o Palestra. Houve tentativa de empastelamento da sede do alvinegro”.

Um manifesto foi redigido pelos descontentes alvinegros:

“Corintianos!
Reunamos hoje, às 21 horas, na sede social, para exigir, por incompetência, a demissão coletiva da diretoria que está ‘dirigindo’ atualmente nosso clube e entregue todos os poderes ao seguinte ‘Comitê dos  Cinco’: Neco, Amilcar, Grané, Apparicio, Ciasca.
Todos nossos consagrados campeões do passado que deram o melhor de sua mocidade em prol das nossas cores, e que esse Comitê nomeie uma diretoria provisória que dirija os destinos do nosso glorioso branco e preto, sob seus controle, até a próxima assembléia geral.
São Paulo, 6 de novembro de 1933.
Corintianos! Só uma vassourada nos salvará!”

Com essa missiva, cerca de 500 torcedores se organizaram e tentaram invadir a sede do clube que foi fechada para evitar depredações. Toda diretoria corintiana pediu demissão. Chororô e vassourada, sem precedentes, que ainda ecoa no seio alvinegro, cerca de mais de 80 anos depois, como uma cicatriz incurável, sendo lembrada para sempre como o dia em que o Palestra Itália derrubou todo comando alvinegro, impondo-lhe a maior das derrotas dentro e fora de campo!

palestra-italia-1914

FORZA VERDÃO!!!

 

Padrão
Esportes

Acabou como começou

Parabéns ao campeão. Ponto. Nada o que for dito mudará o que aconteceu ontem no estádio Palestra Itália na decisão do Campeonato Estadual. A vida é para frente. É condição humana. Com a Sociedade Esportiva Palmeiras não deve ser diferente. Sigamos o nosso rumo e o nosso caminho, defendendo nossos princípios e valores que sempre nos nortearam.

Somos uma instituição que sempre adotou atitudes de vanguarda. Assumimos uma postura de enfrentar o sistema. Diga-se por “sistema”, todo o obscurantismo que permeia os bastidores do futebol, que passa desde interesses comerciais de grandes redes, ao jogo sujo do poder e corrupção de toda ordem.

O futebol é um simulacro da vida pública. Nas vésperas da grande final, por exemplo, o mundo presenciou um ex-presidente do Brasil sendo preso, por conta de inúmeras conjecturas e tramas, as quais estão vindo à luz. Outros seguirão esse caminho, caso as autoridades consigam manter os seus trabalhos. Algo inimaginável, num passado recente.

No futebol, parece que esse momento ainda está longe de acontecer. Mas acontecerá. Nesse dia, nós palmeirenses, vamos olhar tudo isso como exaltamos os passos justos e leais dos nossos antepassados há mais de cem anos. Diferente dos nossos rivais.

Acima das vitórias e derrotas, construímos a nossa instituição com mãos limpas. Um orgulho para poucos. Não nos apoiamos em ajudas estatais para afirmar a nossa grandeza. Ainda cremos em tudo aquilo que foi idealizado no abençoado dia 26 de agosto de 1914.

Esse deve ser o maior valor de nossa gente. O que temos, de fato, é fruto do nosso suor. Nunca escolhemos o caminho mais fácil. Mas o mais digno. E que assim seja a conduta por todos aqueles que terão a iluminada missão de comandar os nossos destinos.

Os “acidentes” contrários aos interesses alviverdes nessa temporada foram inúmeros. Alertamos exaustivamente sobre isso desde o início. Sabíamos que eles seriam determinantes para o nosso sucesso ou insucesso. Outros tantos ainda virão. O pacote de maldades contra o Palmeiras não deve acabar tão cedo. Pelo contrário.

Gustavo Scarpa. SJTD. Promotor. Federação. “Esquema Crefisa”. “Já Ganhou”. Mãe do Goleiro. Árbitro de vídeo. Influência Externa. Pênalti  e expulsão contra o Palmeiras marcado pelo vídeo. Pênalti a favor voltado atrás pelo “quinto” árbitro. Enfim…

Em pouco mais de três meses, um processo de desestabilização constante. Sempre uma mensagem negativa. Sempre um sarcasmo. Sempre uma polêmica. Sempre uma ironia. Tudo a fim de diminuir, ferir, machucar e provocar uma turbulência, numa campanha odiosa de dar nojo.

Esse é o preço que iremos pagar por optar por uma conduta fora do “status quo”. Por nos tornarmos uma instituição mais perto de nossas tradições, longe de todas as mediocridades e armações que permeiam a natureza humana.

Temos erros, sim. Inúmeros. Dentro e fora do campo. Temos essa autocrítica. E vamos corrigi-los em busca do nosso mundo ideal. Essa é a missão de todos que vestem verde. Que sangram e lutam pelo nosso querido pavilhão esmeraldino.

Ainda entendemos o jogo como um fator de lealdade. Como brada os versos do nosso hino. Somos a Sociedade Esportiva Palmeiras.

A dor da derrota para o nosso maior rival, em nossa casa, numa decisão de campeonato, será absorvida. Tudo vai passar. Vamos nos fortalecer ainda mais para tantas lutas que teremos pela frente. E não serão poucas.

“Tudo o que começa errado, termina errado”, já diz o provérbio.  O Campeonato Paulista de 2018 reforçou essa afirmação.

Essa sensação amarga e vazio passarão. O Palmeiras ressurgirá!

simbolo-original

FORZA VERDÃO!!!

 

 

Padrão
Esportes

Palestra na frente

Nos oito Derbys realizados em toda a história da Arena de Itaquera, quem saiu na frente nunca perdeu. Essa lógica foi mantida na tarde de sábado (31), quando o Palmeiras venceu o Corinthians pelo placar de 1 a 0, gol marcado pelo atacante colombiano Borja, no jogo de ida da final do Campeonato Paulista.

O jogo de volta acontece no estádio Palestra Itália, no próximo domingo (8), às 16h, apenas com torcida palmeirense. Para essa partida, o volante Felipe Melo, expulso de campo, cumpre suspensão automática e é desfalque garantido na equipe de Roger Machado.

Os alvinegros precisam vencer por dois gols ou mais de diferença para ficar com a taça. Uma vitória deles por um gol de diferença leva a decisão para a cobrança de penalidades máximas. Ao alviverde, um empate ou vitória por qualquer placar garante a taça.

Nessa temporada, o Corinthians perdeu todas as primeiras partidas nos jogos eliminatórios do Campeonato Paulista, contra Bragantino e São Paulo, e reverteu no jogo de volta.

Já o Palmeiras ganhou todas as primeiras partidas nos jogos eliminatórios do Campeonato Paulista, contra Novorizontino e Santos, e garantiu a vantagem sobre os seus rivais no jogo de volta.

A vitória palestrina põe fim a um incômodo tabu. O time palmeirense não ganhava um Derby há quatro partidas, desde 17 de setembro de 2016, quando bateu os alvinegros pelo placar de 2 a 0, pelo Campeonato Brasileiro, na própria Arena de Itaquera. De lá para cá, foram quatro confrontos, com quatro vitórias seguidas dos corintianos, registrando a maior sequência positiva da história do clube de Parque São Jorge contra o seu maior rival.

Essa é a primera decisão entre as equipe na Era da Arenas. É também a primeira final entre ambos no século XXI. A última decisão entre os rivais aconteceu há 19 anos atrás, em 1999, pelo Campeonato Paulista, com vitória alvinegra.

No total, os times já decidiram cinco estaduais, com três vitórias palmeirenses (1936, 1974 e 1993) e duas dos alvinegros (1995 e 1999).

Estrangeiro goleador

O atacante colombiano Miguel Borja é o décimo terceiro estrangeiro a marcar gol em Derbys atuando pela Sociedade Esportiva Palmeiras. Yerri Mina, Carazzo, Echevarrieta, Villadoniga, Gonzalez, Bovio, Ponce de Leon, Artime, Rincon,  Arce, Munoz e Valdivia foram os outros estrangeiros alviverdes que escreveram seus nomes na história ao marcarem gols no tradicional confronto entre palestrinos e corintianos.

Borja também deixou sua marca em todos os clássicos nessa temporada (Santos, São Paulo e Corinthians). O último atleta palmeirense a marcar um gol em cada clássico no mesmo ano foi o zagueiro Yerri Mina, em 2016.

Com 7 gols marcados no Campeonato Paulista, Borja é o atual artilheiro da competição. Se ele mantiver a ponta dos goleadores até o fim do campeonato, o colombiano pode entrar para história do futebol paulista ao se tornar o primeiro jogador estrangeiro da era profissional a ser artilheiro do campeonato estadual mais importante do país.

Exceto pelos primeiros tempos do futebol paulista na década de 10, onde atletas de origem inglesa e alemã acabaram na artilharia geral da competição, nunca um jogador de origem sul-americana terminou como artilheiro do Paulistão.

Herbert Boyes (inglês do São Paulo Atlhetic foi artilheiro em 1903, 1904 e 1910), Hermann Friese (alemão do Germânia foi artilheiro em 1905), Fuller (alemão do Germânia foi artilheiro em 1906), Whatley (britânico do Mackenzie College foi artilheiro em em 1913).

Desde então, nenhum outro estrangeiro terminou na artilharia máxima do torneio.

Decisão fora de campo

Mal acabou uma decisão dentro de campo, o Verdão já terá outra importante batalha nos tribunais. O Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-SP) confirmou para a próxima segunda, dia 2 de abril, o novo julgamento do goleiro palmeirense Jailson, no Pleno.

Punido no primeiro julgamento com três partidas de gancho, pela expulsão e por declaração dada após o clássico contra o Corinthians, na primeira fase da competição estadual, Jailson ainda tinha um jogo a cumprir, mas foi liberado na fase semifinal graças a efeito suspensivo.

Títulos no Palestra

Ao longo de mais de cem anos, tanto Palmeiras quanto Corinthians já conquistaram inúmeros títulos estaduais no estádio Palestra Itália, palco da partida decisiva que definirá o Campeão Paulista de 2018.

Os alvinegros foram campeões paulistas no estádio palestrino nos anos de 1914 (primeira conquista futebolística de sua história), 1916 e 1929. Além de celebrarem uma conquista de Torneio Início do Campeonato Paulista em 1936.

Já os palestrinos, comemoraram em sua casa os títulos paulistas de 1926, 1933, 1936, 1976, 1996 e 2008. Os palmeirenses também celebraram em seus domínios os troféus da Taça Libertadores de 1999, da Copa Sul-Americana Mercosul em 1998, do Torneio Rio-São Paulo em 1933, dos Campeonatos Paulistas Extras de 1926 e 1938, do Torneio Início do Campeonato Paulista de 1927, 1939 e 1969, da Copa do Brasil de 2015 e do Brasileiro de 2016.

Apenas por duas vezes em toda a história, palmeirenses e corintianos fizeram o jogo de volta de uma decisão de qualquer competição na casa alviverde.

O Campeonato Paulista de 1936 foi a primeira decisão entre palestrinos e corintianos em confrontos eliminatórios no estádio Palestra Itália. Na ocasião, o Verdão venceu por 2 a 1, gols marcados por Moacyr e Luzinho Mesquita, e ficou com a taça.

Em 1938 foi a segunda decisão entre os maiores rivais realizada na casa palestrina. Valendo pelo Campeonato Paulista Extra, novamente o alviverde venceu por 2 a 1, gols marcados por Barrilotti e Rolando, e conquistou mais uma competição sobre os alvinegros.

Números do Derby

Com o triunfo em Itaquera, o Palmeiras abriu uma margem de quatro vitórias sobre o seu maior rival em toda a história dos confrontos diretos entre as equipes. Em 366 jogos, são 130 vitórias palestrinas, 110 empates e 126 vitórias dos alvinegros.

Os números do trabalho apresentado pela Sociedade Esportiva Palmeiras englobam todas as competições disputadas entre as equipes, inclusive o Torneio Início do Campeonato Paulista, respeitando e preservando a história puramente factual, frio, sem análises, interpretações personalistas, critérios próprios ou julgamentos.

borja

FORZA VERDÃO!!!

 

Padrão
Esportes

Não é o fim, Palestra!

Dois de maio de 1993. Domingo. Derby. Campeonato Paulista. Segundo turno da fase de classificação. A capa do caderno de esportes do jornal Folha de São Paulo do dia seguinte dessa partida estampa sem dó: “Corinthians destroça supertime”.

Na ocasião, o Palmeiras ainda tinha um peso de 16 anos (toneladas) nas costas. Era um “supertime” para a imprensa. Não era dentro de campo. Nem para nós torcedores. Não tinha ganhado nada ainda. Todos os nossos fantasmas rondavam sossegados e faceiros as alamedas do Palestra Itália como de costume faziam por mais de uma década, para a nossa angústia.

Derrota categórica num clássico gigante fez com que a esperança do torcedor fosse subjulgada. Os traumas e feridas voltaram à tona. Não tinha jeito. Era a nossa sina.

Sérgio, Mazinho, Antônio Carlos, Edinho Baiano e Roberto Carlos; César Sampaio, Daniel Frasson (Maurílio) e Jean Carlo; Edmundo, Edílson e Zinho. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Foi esse o time do Verdão naquela fatídica tarde de domingo. Após o jogo, ninguém mais prestava! Luxemburgo era burro. Edmundo pipoqueiro. Sampaio amarelão. Mazinho piada. E assim por diante, cada um foi pichado como o time mais incapaz da vida palmeirense. O “supertime” não era nada disso. Todas as dúvidas do mundo pairavam sobre nós.

As primeiras linhas da matéria do jornal que retrataram aquele clássico vão além e nos machuca tanto quanto o título garrafal da chamada, dizendo: “Contra a técnica, marcação. Contra o esnobismo, garra. Assim o Corinthians goleou o Palmeiras…”

Eu estava lá no Morumbi com meu saudoso pai naquela tarde. Saímos com a certeza de que na hora “H” o Palmeiras iria fazer o que se acostumou a fazer durante todo os anos 80. Ou seja, cair na reta final.

Mas para a nossa sorte, eu, meu pai e milhões de palmeirenses nos enganamos. Um pouco mais de um mês depois, no dia 12 de junho, Palmeiras e Corinthians voltaram a se encontrar na final do estadual. No mesmo palco. Praticamente com as mesmas formações. E o final da história todos sabemos como terminou. Verdão campeão, com goleada, fim do tabu e formamos uma dinastia de uma década, basicamente com a espinha dorsal daquele time.

O jogo em que o Corinthians atropelou o Palmeiras em 1993 na fase de classificação não saiu da minha cabeça, enquanto acompanhava o Derby desse sábado (24) em Itaquera. O time alvinegro usou do mesmo expediente do passado: marcação contra técnica, garra contra esnobismo.

Como em 93, o decantado “supertime” não foi capaz de vencer o seu maior rival. A descrença surge novamente entre os palmeirenses. Será que esse ano será uma repetição de 2017? Pipocamos de novo? O time não presta? Não temos alma? O técnico errou? São algumas das inúmeras indagações entre os palestrinos, após a primeira derrota na temporada e a quarta consecutiva para o maior rival, algo que não acontecia há 33 anos.

Não vou me aprofundar nos erros da arbitragem tendenciosa de Raphael Claus e seus comparsas, a interferência externa na marcação do primeiro pênalti a favor do time do Parque São Jorge e a consequente expulsão do goleiro Jailson, a bandeira da Sportv/Premiere levantada no meio dos alvinegros antes do início de cada tempo com a escrita de “Vai Corinthians”, sem o menor pudor e constrangimento de ambas as partes. Isso será abordado a exaustão pela grande mídia.

Prefiro olhar para frente e projetar o que podemos ser. Algumas boas lições precisamos tirar do Derby de Itaquera. Perceber que não existe um “supertime”, como tentam nos induzir a todo instante, é o primeiro passo. Um “supertime” não se constrói com folha salarial, propaganda e saliva. Mas com suor, equilíbrio e resultados.

Não desprezar os bastidores é outra lição que fica. Fatores ocultos, novamente, interferiram no resultado do jogo.

Temos ainda falhas na organização da equipe. Não somos um time pronto, ainda. Principalmente, no inseguro miolo de zaga, que não inspira confiança em ninguém e pode colocar tudo a perder.

Ser mais contundentes nos jogos grandes e ter a dimensão do que eles representam para a torcida e para a história do clube são elementos que também devem ser incorporados para o fortalecimento espiritual desse elenco. Diminuir a distância entre time e torcida em momentos chaves, pois de uns tempos para cá se criou um abismo entre o sentimento do torcedor e a postura dos jogadores em campo.

Temos todas as chances de fazer um ano glorioso. A temporada só está no início. Perder faz parte do esporte. É um dos três resultados possíveis no futebol. Não há que se criar um ambiente de terra arrasada, após um dissabor dolorido frente ao rival que mais detestamos. Nosso caminho é árduo. Vamos ter outras tantas provações pela frente. É lamber as feridas, levantar a cabeça e seguir em frente.

Não é o fim, Palestra!

torcida

FORZA VERDÃO!!!

 

Padrão
Esportes

Senhor Derby

É da natureza palestrina gostar de não gostar do time alvinegro do Parque São Jorge e das coisas que se relacionam ao nosso maior rival. Trata-se de um legado que herdamos e nos dá prazer. Procuramos cultivar por entre gerações, de modo intenso e verdadeiro.

Ninguém na cúpula diretiva palestrina personificou tanto esse sentimento em atitudes como o saudoso e memorável diretor, conselheiro e benemérito José Gimenez Lopes. Ele era enfático ao afirmar: “Se é bom para ELES é ruim para NÓS”, referindo-se ao Sport Club Corinthians Paulista.

Folclórico. Radical. Passional. Sincero. O Espanhol, como era conhecido, se transformava quando o embate era contra o time da Fazendinha. Não engolia “eles” de jeito nenhum.

A italianada palmeirense sabia desse pormenor e sempre cutucava Gimenez com todo tipo de galhofa: “Um espanhol no Palestra, deve ser corintiano camuflado”, provocavam. Pronto. O pau quebrava. O fio desencapava. O sangue fervia. O palestrinismo vinha à tona.

Gimenão, delegado e investigador de polícia, era morador do bairro de Santana, na Zona Norte de São Paulo. Franco, autêntico, sem meias palavras, não fugia da polêmica quando o assunto era a sua maior paixão, a Sociedade Esportiva Palmeiras.

Ocupou o cargo de diretor de futebol profissional do Palmeiras em três ocasiões. Sua primeira passagem na função  nos anos 60 foi a mais marcante. Em 1968, iniciou um processo de renovação no elenco alviverde, dispensando ídolos como: Tupãzinho, Maidana, Perez, Valdir Joaquim de Moraes, Ferrari, Servílio, Gildo, Rinaldo, Djalma Santos, Zequinha, entre outros.

Em contrapartida, trouxe outros grandes craques como Artime, Cesar Maluco (em definitivo), Leão, Eurico, Luis Pereira, Zeca. Mantendo os geniais Dudu e Ademir da Guia. Basicamente, construindo a espinhal dorsal da Segunda Academia.

Sua estratégia deu certo. Sagrou-se Campeão Brasileiro em 1969 e deixou edificado os pilares sólidos que fariam do Palmeiras um dos maiores e mais consagrados times de futebol da década de 70.

Porco

Em 1969, os jogadores corintianos Lidu e Eduardo morreram em um trágico acidente de carro na Marginal Tietê. As inscrições para o Campeonato Paulista já estavam encerradas.

Em caráter excepcional, o dirigentes dos clubes se reuniram na Federação Paulista de Futebol, a fim de permitir que os corintianos pudessem inscrever dois novos atletas, em função do acontecido. Para que isso ocorresse, haveria de ter unaminidade entre todos os filiados.

José Gimenez Lopes, representante da Sociedade Esportiva Palmeiras, entendia que o regulamento deveria ser respeitado, e foi a única voz contrária aos interesses alvinegros, entre todos os presentes.

O então presidente corintiano, Wadih Helu, se irritou com a posição do Palmeiras e declarou à imprensa que os palmeirenses tinham “Espírito de Porco”.

Na partida seguinte entre os rivais, no dia 11 de maio, a torcida alvinegra soltou um porquinho no gramado do Morumbi, antes da partida começar, relembrando as palavras de seu mandatário. Resultado: vitória palestrina por 2 a 0, gols de Artime. Gimenez sorria nos vestiários, junto aos jogadores e toda coletividade esmeraldina. E o animal fora adotado como mascote alviverde, anos mais tarde!

Bom de Briga

Gimenez não afinava. Se o diálogo não resolvia, ele ia mesmo para a briga. São inúmeras as situações em que ele se engalfinhou com alguém por causa do Verdão.  Em 1970, depois de um jogo, ele agrediu com um soco o árbitro José de Assis Aragão, por julgar que ele havia prejudicado o Palmeiras.

Nesse mesmo período, chamou o jornalista Zé Italiano, que participava do programa Mesa Redonda da TV Gazeta liderado por Milton Peruzzi, para sair no braço no meio do debate. Levantou-se e mandou Zé Italiano ir para rua, dizendo que iria quebrar a cara dele, por não concordar com suas posições, ao qual julgou ofensivas aos palmeirenses.

Nos anos 80, já com 70 anos, contestou Eduardo José Farah, então presidente da Federação Paulista de Futebol, que havia nomeado para o departamento de arbitragem da entidade o ex-diretor de futebol do Corinthians e na ocasião deputado, Adilson Monteiro Alves.

Em entrevista aos jornalistas da época, Gimenez declarou: “O Farah colocou um político no Departamento de Árbitros. Por quê? Só porque ele tem imunidade para não levar uns cascudos, uns tapas? Olha, eu sou um cara bravo, por isso a hora que eu achar que o Departamento de Árbitros prejudicou meu time vou lá na FPF para conversar. Comigo não tem esse negócio de não aceitar reclamação. Acho o Adilson lá um erro imperdoável. Até porque ele foi diretor do Corinthians e isso pesa, não adianta dizer o contrário”.

Paulista 1968

Um dos piores anos do Palmeiras em campeonatos estaduais aconteceu em 1968. Naquele ano, o clube priorizou a Taça Libertadores da América, onde foi finalista e terminou como vice-campeão, e realizou um desempenho pífio no Paulistão.

Na parte debaixo da tabela, o Verdão lutou contra o rebaixamento até as últimas rodadas e conseguiu escapar da degola no campo, apesar de algumas vozes contrárias afirmarem que o Palmeiras havia “comprado jogadores” e “induzindo” o Guarani a escalar irregularmente alguns atletas para que o clube palestrino ganhasse os pontos da partida contra os campineiros no tapetão.

Na ocasião, apenas o último colocado seria rebaixado. Nessa condição estavam empatados com o mesmo número de pontos: Palmeiras, América de São José do Rio Preto, Comercial de Ribeirão Preto e Juventus da Mooca.

Entretanto uma situação extra-campo, de fato, interferiu na questão do descenso. E não partiu do Palmeiras e seus mentores.

O Comercial de Ribeirão Preto entrou na justiça (e conseguiu) a anulação da partida contra a Portuguesa de Desportos do dia 2 de junho, realizado em Ribeirão Preto. Teve de tudo nesse jogo. Gols anulados. Quebra pau. Invasão de torcedores. Pedradas. Ataque aos veículos de imprensa. O resultado da partida ficou desconhecido e o relatório da arbitragem sob análise da FPF para definir o que fazer. No campo, a Lusa venceu por 1 a 0. Mas a  situação ficou pendente e os comercialinos conseguiram seu intento de refazer a partida, a fim de virar a mesa e se manter na elite.

No novo jogo, marcado para o dia 20 de agosto, com portões fechados, no estádio Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas, a Lusa venceu novamente o Comercial pelo placar de 1 a 0, gol de Leivinha (que depois se tornaria ídolo palmeirense).

O resultado deixou o time ribeirão pretano na laterninha isolada e livrou todas as possibilidades de descenso de Palmeiras, América de São José do Rio Preto e Juventus da Mooca.

Mas no final das contas a FPF, por decisão única e exclusiva da entidade máxima do futebol bandeirante na figura de seu presidente, definiu que não haveria rebaixamento na competição.

Foi nesse contexto que Gimenez Lopes se tornou o homem forte do futebol palestrino e transformou um time desacreditado na Academia de Futebol.

Automobolismo

José Gimenez Lopes foi piloto e dono de escuderia, chegando em segundo lugar por duas vezes na tradicional Mil Milhas de Interlagos, formando dupla com nomes históricos como Chico Landi e Camilo Christófaro.

Sofreu acidentes que quase o levaram a morte. Num deles, teve a perna dilacerada e viu o seu amigo Victor Losacco falecer no volante. Outra vez sofreu um capotamento e foi salvo por uma valeta de água.

Dono da bola

O Espanhol comandou o futebol alviverde nos seguintes períodos:

10/7/1968 – Empossado pela primeira vez como diretor de futebol profissional pelo presidente Delfino Faccchina. Permaneceu até 3/7/1970.

6/3/1977 – Empossado pelo presidente Jordão Bruno Saccomani como diretor de futebol profissional. Permaneceu até 19/8/1977

15/2/1988 – Empossado pelo presidente Nelson Tadini Duque como diretor de futebol profissional. Permaneceu até 19/12/1988.

Desempenho nos Derbys

Confira o retrospecto de José Gimenez Lopes nos Derbys em que esteve a frente como diretor de futebol profissional do Palmeiras:

1968 a 1970 – 11 jogos, 6 vitórias do Palmeiras, 3 empates, 2 derrotas, 17 gols pró, 9 gols contra

1977 – 3 jogos, 1 vitória do Palmeiras, 1 empate, 1 derrota, 4 gols pró, 4 gols contra

1988 – 4 jogos, 1 vitórias do Palmeiras, 3 empates, 0 derrotas, 3 gols pró, 1 gol contra

Total:  18 jogos, 8 vitórias do Palmeiras, 7 empates, 3 derrotas, 24 gols pró, 14 gols contra

Frases

Listamos aqui algumas das inúmeras frases de José Gimenez Lopes sobre os mais diversos assuntos. Confira:

“A última vez que a Portuguesa precisou reforçar algum time em campo, ela comprou oito sacos de cimento”, ironizando a premiação prometida pelos diretores da Lusa para os jogadores do América de São José do Rio Preto vencerem o Palmeiras em 5 de junho de 1988.

“Eles não tem time e não ganham mesmo, nem aqui, nem no Maracanã, nem no inferno”, após vitória sobre o Vasco da Gama, na fase decisiva do Campeonato Brasileiro de 1968.

“A maioria dos caras que dirigem futebol é amador. Eles são ricos geralmente frustrados na vida particular e querem aparecer”, em entrevista em 1988 sobre os cartolas do futebol.

“O futebol é o melhor trampolim político que existe no mundo. Veja o caso do Adilson Monteiro Alves. Ele tirou proveito do futebol, ou alguém acha que ele se elegeria deputado se não tivesse passado pelo Corinthians”, em entrevista em 1988 sobre a relação política e futebol.

“Eu não tenho medo de nada. Nem de morrer, pois tenho um túmulo lindo no Araçá”, falando sobre os cinco acidentes que sofreu em corridas automobilísticas.

“Passionalismo ou não, o que acontece é que eu não posso aceitar pacificamente que meu clube seja prejudicado por quem quer que seja. Não posso ficar parado se todo mundo mete a mão no Palmeiras. Repito: se roubarem o Palmeiras, vão me ver bravo!”, questionado sobre o seu temperamento explosivo e passional.

“O Maradona joga no meu time com dois brincos, colar e sarongue”, perguntado sobre o modo de se vestir e o estilo dos jogadores nos anos 80.

“Não aceito beque meu amaciar. Uma vez o Luis Pereira ajudou um adversário caído a se levantar. Vi aquilo e avisei: Luisão, na hora do jogo, adversário é inimigo, e como inimigo deve ser tratado. Depois do jogo tudo bem beber uma cervejinha. Mas no campo é guerra. Não se dá a mão a ninguém. Pelo contrário, se puder cutucar o crânio dele, melhor”, sobre o Fair Play no futebol.

“Um, dois, três, o Corinthians é freguês!”, mensagem vinda do plano espiritual endereçada a todos os Palestrinos.

gimenez

FORZA VERDÃO!!!

Padrão