Esportes, Italianidade

Italiano campeão

A comunidade italiana de São Paulo está em festa. Nesse domingo (4), o tenista italiano Fabio Fognini venceu o chileno Nicolas Jarry por 1-6; 6-1; 6-4, tornando-se o primeiro atleta peninsular a se sagrar campeão do Brasil Open (ATP de São Paulo), realizado no ginásio do Ibirapuera, na capital paulista.

Além do feito inédito, Fognini consegue quebrar um jejum de 15 anos sem conquistas de atletas italianos em eventos esportivos de relevo internacional realizados na cidade de São Paulo, a maior cidade italiana fora da Itália e que congrega uma legião de ítalo-descendentes.

A última vitória de um italiano na paulicéia aconteceu em 2003, quando o piloto de Formula Um, Giancarlo Fisichella, da equipe Jordan-Ford, conquistou o Grande Prêmio Brasil, em Interlagos.

De lá para cá, inúmeros atletas italianos competiram na cidade, nas mais diversas modalidades e em eventos de grande projeção, mas sempre bateram na trave para alcançar o lugar mais alto do pódio.

Antes do título de Fabio Fognini no ATP de São Paulo, os tenistas italianos haviam chegado a decisão do torneio de simples em três ocaisões. Em 2012, Filippo Volandri ficou com o vice-campeonato ao ser derrotado pelo espanhol Nicolas Almagro. Em 2014, Paolo Lorenzi foi superado pelo argentino Federico Delbonis. Em 2015, Luca Vanni ficou na segunda colocação ao perder para o uruguaio Pablo Cuevas. Nesse mesmo ano de 2015, na disputa do título de duplas, o italiano Paolo Lorenzi junto com o argentino Diego Schwartzman ficaram com a medalha de prata ao serem superados pela dupla colombiana Juan Sebastian Cabal e Robert Farah.

Feitos importantes

Ao longo do tempo, os esportistas italianos proporcionaram bons momentos aos ítalos-descendentes de São Paulo e marcaram seus nomes na história dos principais eventos esportivos promovidos na cidade, aos quais listamos aqui alguns desses feitos:

Em 1993, no ginásio do Ibirapuera, a seleção masculina de voleibol conquistou a medalha de bronze da Liga Mundial de Voleibol, ao vencer a seleção de Cuba por 3 sets a 0.

Em 1983, novamente tendo o ginásio do Ibirapuera como palco, a seleção de basquete adulto masculino da Itália ficou com a medalha de bronze da Copa dos Campeões Mundiais, ao vencer a Argentina.

Em 1978, o pedestrianista Luigi Zarcone foi o campeão da Corrida Internacional do Ibirapuera, realizada na pista de atletismo do Conjunto Constâncio Vaz Guimarães.

Em 1959, o ciclista Luigi Cussigh sagrou-se o campeão da Prova Ciclística 9 de Julho, principal e mais tradicional competição da modalidade no Brasil, realizada nas ruas de São Paulo. Ele foi o único italiano a conquistar tal feito, até hoje.

Em 1935, o pugilista italiano Primo Carnera enfrentou o norte-americando Sean Harris no ringue improvisado no extinto estádio da Chacará da Floresta, em São Paulo, a céu aberto, com mais de seis mil pessoas presentes para acompanhar o combate. Carnera venceu Harris, num dos maiores combates de pugilismo já registrados na capital paulista, até então.

O único atleta italiano a ganhar a tradicional Corrida de São Silvestre foi o pedestrianista Ettore Blasi, bicampeão da prova em 1927 e 1929. A primeira como atleta do Clube Espéria e a segunda defendendo o Palestra Itália (atual Sociedade Esportiva Palmeiras), ambas entidades esportivas da cidade fundadas pela comunidade italiana aqui presente.

O primeiro grande nome do esporte que agitou a comunidade italiana aqui de São Paulo foi o remador Marcellino Marcello, que praticou a modalidade entre 1904 a 1911, no rio Tietê. Sua paixão pelo esporte servia de inspiração a todos os italo-descendentes dos primeiros tempos da imigração. Chegou a ser presidente do Clube Espéria, antes de retornar para a Itália no início dos anos 20.

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FORZA AZZURRI!!!

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Esportes

Corrida de São Silvestre

Todos reconhecem a tradição e o prestígio da Sociedade Esportiva Palmeiras quando o assunto é futebol. Mas o que poucos sabem é que o Verdão foi o primeiro entre os grandes e populares clubes paulista a conquistar a Corrida de São Silvestre individual e coletivamente.

Por equipes, o título do Palmeiras, então Palestra Italia, aconteceu em 1927. Na ocasião, o corredor alviverde José Ferreira ficou com  o 3º lugar, conquistando a medalha de bronze e subindo ao podio, na classificação individual.

Claudio Mandari (4º lugar), Vitaliano Mandari (5º lugar), Julio Mattos (6º lugar), Antonio Coelho Filho (8º lugar) e José do Nascimento (13º lugar) foram os outros corredores do Palmeiras que deram o título inédito ao Verdão.

Coletivamente, o Palmeiras ainda conquistou a São Silvestre por mais sete vezes:  1929, 1930, 1932, 1936, 1940, 1941 e 1942.

O alviverde dominou a prova em sua era amadora, participando com destaque em todas as edições. A partir de 1945, a corrida assumiu caráter internacional com a presença de atletas de todo o mundo. A equipe de corrida palmeirense manteve-se amadora, não mais obtendo um bom desempenho entre os grandes campeões da prova.

O principal momento palmeirense, por sua vez, aconteceu na quinta edição da Corrida de São Silvestre em 1929. O italiano Heitor Blasi, que já havia vencido a prova em 1927 defendendo o Clube Espéria, ingressou na equipe de atletismo do Palmeiras. Com sua vitalidade e experiência, Blasi superou os 8,8 quilometros em 28 minutos e 39 segundos, colocando o Palmeiras pela primeira e única vez no lugar mais alto do pódio.

Heitor Blasi veio da Itália para o Brasil  no início da década de 20. Além da São Silvestre se destacou na Volta de São Paulo, onde a venceu por cinco vezes. Anos depois, Blasi abandonou o atletismo para  se  dedicar ao automobilismo como mecânico, em parceria com o corredor Nuno Crespi. Numa prova automobilistica, eles sofreram  um grave acidente  que custou a vida de Crespi. Blasi perdeu um dos  pés que teve que ser amputado.

No 50º aniversário de “A Gazeta Esportiva”, o jornal criador da Corrida de São Silvestre prestou-lhe uma homenagem significativa, tendo ele recebido um troféu do jornalista e editor do periódico Olimpio da Silva e Sá.

Blasi registrou um feito inédito e jamais repetido por outro atleta com a camisa alviverde, em 100 anos de existência do clube palmeirense.

A Sociedade Esportiva Palmeiras foi um dos clubes fundadores da Federação Paulista de Atletismo em 30 de janeiro de 1924.

 

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FORZA VERDÃO

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