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Derby Centenário

Entrevista concedida a TV Bandeirantes – Programa Donos da Bola 19/01/2017

Centenário do Derby Paulista

Clique no link abaixo para assistir:

http://esporte.band.uol.com.br/osdonosdabola/videos/2016/01/19/16118992/palmeiras-e-corinthians-completam-cem-anos-de-rivalidade.html

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Técnicos no Juventus

Dono de uma das maiores rivalidades do futebol mundial, os atuais treinadores de Palmeiras e Corinthians possuem história no Clube Atlético Juventus.

Eduardo Baptista e Fábio Carille vestiram a camisa grená em suas carreiras como jogadores de futebol. Ambos atuaram na posição de zagueiro em suas passagens pela rua Javari.

O novo comandante do alviverde chegou à final da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 1990 defedendo o time da Mooca. Na ocasião, o Juventus cumpriu uma excelente campanha, sendo superado apenas na final da competição pelo Flamengo-RJ por 1 a 0 no estádio do Pacaembu.

“Comecei na Ponte Preta até os 18 anos e fui para o Juventus, onde fiquei dois anos. Participei do grupo da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1990, em que perdemos para o Flamengo de Djalminha, Junior Baiano, Marcelinho Carioca e Paulo Nunes. O nosso time tinha Anderson Lima e Fernando Diniz, e demos um trabalho danado para eles, perdemos por apenas 1 a 0. Eles suaram sangue para vencer a gente. Eu era reserva do Sangaletti”, declarou Eduardo Baptista em entrevista concedida ao site da ESPN.com.br para os jornalistas Antônio Strini e Vladimir Bianchini, no dia 15 de março de 2015.

Já o treinador alvinegro jogou pelo Moleque Travesso de 2002 a 2004. Nesse período, ele defendeu a equipe profissional em 26 jogos e marcou um gol, justamente na vitória grená diante do Mogi Mirim por 2 a 1, no estádio Wilson de Barros, em Mogi Mirim, no dia 31 de janeiro de 2002, pelo Campeonato Paulista Série A-1.

Carille atuava com o seu primeiro nome: Fábio Luiz. Sua estreia aconteceu no dia 20 de janeiro de 2002, no empate em 2 a 2 com o Ituano, no estádio da rua Javari.

No Paulistão de 2002, que não contou com a participação das equipes do Corinthians, Guarani, Palmeiras, Paulista de Jundiaí, Ponte Preta, Portuguesa, Santos, São Caetano e São Paulo, o Juventus terminou na 4º colocação, sendo uma das melhores posições alcançadas no estadual de sua história.

Na foto, Fábio Carille é o terceiro atleta em pé, da direita para a esquerda.

Foto: Acervo Pessoal/Reproduçãofabio-carille-2002

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Tripleta clássica

O gol marcado pelo zagueiro colombiano Yerri Mina contra o Sport Club Corinthians Paulista, pelo Campeonato Brasileiro, na Arena Itaquera, no domingo (17), além de garantir a vitória palmeirense pelo placar de 2 a 0 e a liderança do torneio, fez com que o jogador entrasse para a história alviverde ao marcar gols em três clássicos consecutivos.

Mina já havia balançado as redes nas partidas contra o Santos e o São Paulo nessa temporada. O fato não é uma novidade na vida palmeirense. Outros atletas já haviam realizado o feito alcançado pelo colombiano.

O último atleta palmeirense a ter marcado gols em três clássicos consecutivamente foi o atacante Henrique em 2014. Nesse mesmo ano, Alan Kardec também marcou gols em três clássicos seguidos.

No século XXI, os atacantes Edmundo (em 2007) e Vagner Love (em 2004) também registraram essa marca, anotando seguidamente contra Corinthians, São Paulo e Santos.

Euller (em 2000) e Arce (em 2002) marcaram gols diante dos três principais rivais estaduais do alviverde numa mesma temporada, mas não em jogos consecutivos.

Confira os atletas palmeirenses que marcaram gols contra os três rivais estaduais num mesmo ano, de 2000 para cá:

2016 – Mina
2014 – Henrique e Alan Kardec
2007 – Edmundo
2004 – Vagner Love
2002 – Arce
2000 – Euller

Mais recordes

O Derby vencido pelo Palmeiras também registrou outros dois momentos históricos.

O primeiro deles é o fato do Verdão quebrar uma invencibilidade do rival do Parque São Jorge que não perdia em seu estádio havia 34 jogos.

O segundo momento aponta que desde 2007 o Palmeiras não ficava três partidas seguidas sem sofrer gols do seu mais tradicional rival. Em apenas três períodos da história desse confronto esse feito se repetiu: em 1965, de 1988 a 1989 e de 2007 a 2008.

Estrangeiros

Yerri Mina é o décimo segundo atleta estrangeiro do Palmeiras a marcar em um Derby.

Carazzo, Echevarrieta, Villadoniga, Gonzalez, Bovio, Ponce de Leon, Artime, Rincon,  Arce, Munoz e Valdivia foram os estrangeiros alviverdes que escreveram seus nomes na história do Derby ao marcar gols no tradicional confronto.

Palmeiras x Santos

YERRI MINA MARCOU GOL EM TODOS OS CLÁSSICOS EM 2016

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Derby da liderança

Pela primeira vez na era dos pontos corridos do Campeonato Brasileiro (2003 em diante) Palmeiras e Corinthians fazem um clássico onde o confronto direto pode representar a liderança da competição, nesse domingo (12), no estádio Palestra Itália.

O time do Parque São Jorge está na ponta. Um empate ou uma vitória mantém o alvinegro nessa condição. Para o time palestrino, só a vitória interessa para que ele alcance a primeira colocação. Ambos torcem por tropeços dos gaúchos Internacional e Grêmio, que também podem assumir a dianteira.

Além de toda a mística e tensão natural que envolvem essas duas camisas, esse grande clássico fica ainda mais potencializado devido a data da partida. Ela remete a um dos Derbys mais marcantes da vida palmeirense: 12 de junho de 1993.

Mais que a celebração dos namorados, foi nesse dia mágico que os alviverdes renovaram a paixão pelo seu amor maior. A conquista histórica do Campeonato Paulista naquele ano pelo placar de 4 a 0 em cima do maior rival fez toda uma geração de palmeirenses soltar o grito de campeão da garganta pela primeira vez. Momento eterno. Momento inesquecível. Momento insuperável.

O fato de jogar em casa, onde conquistou 100% dos pontos disputados nesse Brasileirão até aqui, e a lembrança de um dos feitos mais marcantes de sua história, fazem com que o palestrino esteja otimista para o grande confronto.

Além disso, para os alviverdes o Derby tem outros aspectos especiais. A última vitória palestrina em seu estádio diante do rival aconteceu em 4 de abril de 1970, partida válida pela Taça São Paulo, pelo placar de 3 a 1, com três gols de César Maluco para o Palmeiras.

De lá para cá, houve mais cinco jogos no local, com uma vitória alvinegra e quatro empates. Desde a reforma do Palestra Itália e sua reabertura em 2014 foram duas partidas sem que o Verdão alcançasse a vitória perante o seu torcedor.

Se por um lado o Verdão tem a chance de quebrar esse incômodo tabu, ele também luta para manter o jejum de quatro jogos sem perder para o time do Parque São Jorge. Desde 19 de abril de 2015, semifinal do Campeonato Paulista, onde o Verdão eliminou o alvinegro em pleno Itaquerão, o Palmeiras permanece invicto contra o Timão. Foram quatro jogos, com duas vitórias palmeirenses e dois empates.

Por tudo isso, e por si só, o clássico do final de semana terá tudo para ser mais um grande jogo na vida de uma das maiores rivalidades do futebol mundial.

Confira os números gerais do Derby ao longo dos tempos:

Jogos: 359
Vitórias Palmeiras: 127
Empates: 110
Vitórias Corinthians: 122
*** Inclui os jogos do Torneio Início do Campeonato Paulista

Maior Goleada a favor do Palmeiras: 05/11/1933 Palestra 8 x 0 Corinthians – Campeonato Paulista / Rio São Paulo

Maior Goleada a favor do Corinthians: 01/08/1982 Palmeiras 1 x 5 Corinthians – Campeonato Paulista e Taça Derby; 27/08/1952 Palmeiras 1 x 5 Corinthians – Taça Cidade de São Paulo

Quem mais jogou o Derby: Ademir da Guia – 57 jogos

Quem mais marcou gols pelo Palmeiras no clássico: Heitor – 15 gols marcados

Derbys no estádio Palestra Itália: 43 jogos
Vitórias Palmeiras: 22
Empates: 9
Vitórias Corinthians: 12

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FORZA VERDÃO!!!

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Nada é por acaso

Será que venceremos?  Esta foi a primeira pergunta que ela fez na manhã de domingo ao acordar nos braços do seu namorado, após uma noite mágica de amor.

O namorado com um olhar cúmplice responde com um sorriso sereno e uma leve afirmativa.

Era dia de Derby. Palmeiras e Corinthians. O pensamento desde o início da semana era só esse. O Verde em crise e desacreditado. O Preto navegando em rio sereno.

Ela nada otimista. Racional. Ele só positivismo. Passional. Ela com o ingresso comprado há dias. Ele nem ingresso tinha há poucas horas da partida. Um ansioso. Outro relaxado.

O diálogo fluia durante o café da manhã. Ela dizia: “Não ganhamos deles lá no Pacaembu há 21 anos. Eles tem o Tite e está dando tudo certo. Como acreditar numa vitória hoje?”.

Ele respondia: “A mística, meu amor. Chegou a hora do Palestra! Hoje mudaremos a história. Hoje faremos a história! O jogo vai ser duro até os 30 do segundo tempo. Depois, o Palestra vencerá. Confie em mim!”.

Durante o papo, ela confessa. “Preciso lhe dizer que já fui em alguns Derbys. Mas nunca vi uma vitória do nosso Palmeiras. Isso não lhe preocupa?”. Sem responder, ele a abraça e lhe dá um beijo.

Ela veste a camisa palestrina. Das inúmeras que tem, a escolhida para a grande ocasião é a número 7 que Edmundo vestiu em 1994 e cansou de vencer o maior rival alviverde.

Distantes na arquibancada do Pacaembu, mas unidos em sentimento, ambos acompanharam apreensivos o desenrolar de mais um clássico. Lances perdidos. Ansiedade. Erros. Acertos. Um persistente 0 a 0 que se arrastava até os 30 do segundo tempo.

Pênalti para o Corinthians. Ela pensou e vociferou com o universo. “Meu Deus, de novo não! Será que a culpa é minha? Será que é uma maldição eu não ver o Palmeiras vencer o Derby? Que castigo é esse? O que fiz para merecer?”.

Ele fechou os olhos. Cerrou os punhos e pediu a Deus. “Meu Senhor, abençoe o Fernando Prass nessa hora. Faça com que ele defenda essa penalidade. Eu já cansei de ver o Palmeiras vencê-los. Mas a minha amada nunca. Por tudo quanto é mais sagrado, dê essa Glória para ela!”

A arquibancada explode. Um barulho ensurdecedor. Prass pega o pênalti de Lucca com maestria. Entre abraços e lágrimas, ele abre os olhos. Mantém a sua crença de nunca ver as penalidades. Seu pedido foi atendido. Gratidão.

Ela não acredita no que vê. Reage com raiva. Xinga e extravassa. Anda pelas arquibancadas para aliviar a tensão. Canta e vibra. É pura pilha de nervos.

Num hiato de menos de dois minutos, o baixinho Dudu, que veste a camisa 7, a mesma que ela estava vestindo, ganha no alto do gigante Cássio. De cabeça, ele desvia a bola para as redes do alvinegro. Delírio verde!

Caía o rival do Parque São Jorge. Caía o tabu de 21 anos sem vitórias palestrinas no Pacaembu. Caía todos os medos e fantasmas.

É a primeira vitória dela no Derby visto numa arquibancada. Festa Palmeirense! Alívio!

Ao fim do jogo quando ambos se encontram na Praça Charles Muller, o abraço e o beijo apaixonado selam um final de semana perfeito.

A mesma praça que cruzou o destino dessas duas almas pela primeira vez. O mesmo Palmeiras que os une desde a eternidade!

Nada é por acaso!

dudu

VIVA O PALESTRA!!!
FORZA VERDÃO!!!

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Livro Palmeiras x Corinthians

Historiador e professor Alfredo Oscar Salun acaba de lançar um livro sobre a história de Palmeiras e Corinthians em seus primórdios.

Denominado “Corinthians e Palestra Itália: Futebol em Terras Bandeirantes”, a obra retrata com riqueza de detalhes o início dessas duas agremiações e a sua trajetória na consolidação de sua popularidade.

Um trabalho de profunda pesquisa e metodológico, como é a marca dos trabalhos realizados pelo competentíssimo Salun. Confira a entrevista exclusiva concedida pelo autor:

Como surgiu a ideia de fazer uma obra sobre o Palestra Itália e o Corinthians? Por quê?

RESP: Inicialmente o objetivo era apenas abordar a historia da mudança de nome da Sociedade Esportiva Palmeiras, antigo Palestra Itália. No mestrado, havia estudado a Força Expedicionária Brasileira e sua atuação na Itália, utilizando documentos, jornais e história oral.  Quando pensei em um tema para o doutorado, resolvi continuar no mesmo tempo histórico (governo Vargas e a Segunda Guerra Mundial), então como palmeirense e amante do futebol, optei por unir o útil com o agradável. Por essa razão, achei que pesquisar sobre o processo de nacionalização do Palestra Itália, seria uma ótima solução, aproveitaria meu conhecimento sobre o período e ampliaria para aspectos esportivos.  Uma parte da pesquisa foi nos arquivos do DEOPS disponíveis no Arquivo do Estado, procurava informações sobre a nacionalização dos clubes paulistanos, e me deparei com o prontuário do Corinthians. Ele era maior que o do Palestra e do Germânia, fato que me chamou a atenção. Assim, tomei conhecimento sobre o afastamento do presidente espanhol Correcher em 1940/1941. Dessa forma, percebi que seria interessante em todos os sentidos, entrelaçar a história desses dois clubes, que tinham muito em comum, até aquele período.

A obra retrata a São Paulo do início do século XIX com um olhar romântico e riqueza de detalhes, muito além da esfera esportiva? Qual a contribuição desse ambiente efervescente influenciou na grandeza de Palestra e Corinthians?

RESP: A cidade de São Paulo até a metade do século XIX era muito provinciana. A expansão cafeeira no Estado, o processo de imigração e industrialização, colaboraram para uma profunda alteração do perfil da capital paulista. Em poucas décadas, teve um crescimento populacional enorme e passou por um procedimento de urbanização muito rápido. Em 1920, já era, junto com o Rio de janeiro, a metrópole mais dinâmica do Brasil. Entre 1910-1920, cerca de metade da população paulistana era formada por imigrantes ou seus descendentes, assim, italianos, espanhóis, portugueses, árabes, alemães, britânicos e outros grupos, conviviam com brasileiros natos, fossem brancos, negros, indígenas ou mestiços. Isso proporcionava um caldo cultural muito instigante, que acredito ter sido responsável pela formação de um tipo particular de futebolista, que agregava diversas influências. Como pude notar em pesquisas nos jornais de época (1910-1918) é possível perceber como a vida esportiva era um fenômeno mundial, e que atingia a capital paulista. Diversos trabalhos acadêmicos tem se debruçado sobre essa temática. O futebol, em tal contexto, se tornou por diversos motivos, um esporte altamente receptivo para os jovens, fosse ele oriundo da elite, classe média ou grupos populares. Incialmente os clubes paulistanos estavam ligados aos jovens de famílias tradicionais e de classe média (e imigrantes), entretanto, rapidamente surgiram clubes entre os operários e pequenos comerciários, difícil hoje apontar que motivos levaram a dissolução de uns e o sucesso de outros, com certeza, Palestra e Corinthians se tornaram clubes importantes nesse período, graças ás conquistas esportivas que atraiam simpatizantes/torcedores. Podemos dizer que era um circulo, quanto mais vitorioso era, aumentava o numero de torcedores e isso impulsionava seus dirigentes, a buscarem atletas competitivos e formarem esquadrões que pudessem obter grandes triunfos. Finalmente a constituição de uma praça de esportes, estádios e espaço para lazer, serviam para atrair associados, que enriqueciam ainda mais os clubes.

Qual a importância de Palestra e Corinthians na formação da identidade do paulistano?

RESP: Tem uma importância muito grande, não á toa, o livro “Brás, Bexiga e Barra Funda” de Antônio Alcântara Machado cita inúmeras vezes esses dois clubes e seus torcedores. Os jornais e revistas também exploravam a imagem deles para atrair leitores. Por ser um clube ligado aos italianos e seus descendentes, no caso do Palestra, e de espanhóis, portugueses, italianos e brasileiros natos em relação ao Corinthians, na grande maioria classe média e operários, foi natural que representassem um ideário paulistano. Isto é, os imigrantes eram parte essencial da formação de uma identidade paulistana, alguns bairros se tornariam com o tempo, locais celebrados e identificados como “cartões postais” da cidade. Lembremos que São Paulo era considerado uma cidade italiana e que esse grupo deixou fortes marcas: língua, costumes, culinária, festas religiosas, etc. Então vamos somar outros imigrantes ligados ao Corinthians, que também foram de suma importância no desenvolvimento da cidade, assim, aliados as questões de classe social, além do enriquecimento de alguns representantes de tais comunidades, era difícil que a popularidade deles, não se convertesse em parte do ethos.

Como você analisa essa paixão e rivalidade latente entre palestrinos e corintianos, desde os primórdios?

RESP: O futebol já estava despertando grandes paixões, podemos perceber isso nos inúmeros entreveros entre os clubes tradicionais, como Paulistano, Atlética Palmeiras, Americano, Mackenzie e o São Paulo AC. Os conflitos entre atletas e dirigentes, que incluía reclamações as arbitragens e contra os dirigentes da Liga paulista de Futebol, causavam grandes confusões. Em meu livro demonstro, por exemplo, que o rompimento da LPF e a criação da APSA estiveram muito mais relacionados com as disputas de poder e interesses financeiros dos dirigentes dos clubes tradicionais, do que o preconceito contra a introdução de operários nos jogos da liga. Portanto, a rivalidade entre Palestra e Corinthians, é parte dessa situação. É notório que foram os dois clubes populares que mais obtiveram sucesso na capital, mas não eram os únicos. Entretanto, o primeiro jogo entre eles, ocorreu somente quando tivemos a fusão da APSA com a LPF. O Corinthians já era um clube vitorioso em 1918, mas o Palestra, conseguiu ocupar com muita rapidez, um lugar de destaque. Tanto que o trio de ferro era o Paulistano, Palestra e Corinthians, que venceram a maioria dos campeonatos regionais. A rivalidade entre Palestra e Corinthians, era muito grande, entretanto, o Paulistano (e depois o São Paulo FC), era usualmente o rival de ambos, já que representava o “paulistano tradicional” e aqueles os “imigrantes”. É possível perceber que apesar das divergências, nos anos 1920 e 1930, usualmente os dois clubes estavam aliados nas disputas políticas.

Qual a maior dificuldade e também a maior curiosidade que você se deparou ao produzir a obra?

RESP: A maior dificuldade foi em relação a documentação, já que infelizmente o Brasil é um pais que tem muitos problemas com a preservação da memória. Claro, que nos últimos vinte anos isso mudou, mas nenhuma entidade esportiva em São Paulo tem um acervo digno de nota. Em relação ao Palmeiras parece existir arquivo um pouco mais consistente, mas com muita dificuldade para ser pesquisado. Dessa forma, contei com acervos familiares, isso é, filhos de antigos dirigentes que guardavam cópias de atas e outros documentos. Os jornais de época, também foram essenciais, muitas vezes para confrontar diversas versões, por isso, utilizar diferentes periódicos, também permitiu perceber como um assunto era retratado. Assim, o pesquisador ao selecionar um jornal, corre o risco de não perceber que esta selecionando também apenas uma única versão. Nesse ponto, podemos dizer como foi curioso analisar vários jornais, foram mais de vinte periódicos diferentes e como percebemos a parcialidade de alguns. Entretanto, talvez o fato mais instigante, foi acompanhar a “amizade” entre os dirigentes e torcedores do Corinthians e Palestra até por volta de 1943, quando o alviverde, era denominado de o clube mais popular do Brasil e apontado pela imprensa como o mais rico também. Claro, que havia rivalidades, mas no jogo em 1942 entre Palmeiras e São Paulo que definiu o campeão daquele ano, os torcedores italianos e espanhóis corintianos foram muito mais simpáticos a vitória do alviverde. Os dois acabaram sofrendo um processo de nacionalização em outubro de 1942 quando alguns associados foram obrigados a se licenciarem, por serem descendentes dos “súditos do Eixo”. Essa situação especifica, é pouco explorada na história dos clubes, já que mais de trezentos indivíduos foram impedidos em função da legislação nacionalista do Estado Novo, de continuarem como associados.

Conte um pouco do seu trabalho sobre memória esportiva?

RESP: Acho que o trabalho tem duas qualidades nesse contexto. A primeira consiste na utilização da história oral, pois entrevistei uma série de colaboradores como jornalistas, atletas, dirigentes (familiares) e outras personagens ligadas ao futebol. A íntegra das entrevistas está disponível na tese que pode ser encontrada digitalmente. A segunda questão são os jornais de época que contribuem para a ampliação do acervo referente a memoria esportiva.

Quem é Alfredo Oscar Salun?

RESP: Sou Doutor em História Social pela USP e Mestre pela PUC-SP. Professor do curso de História da Uninove e pesquisador do NEHO\USP e GEINT. Autor de diversos livros e artigos sobre História, Educação e Esportes.

Para quem deseja adquirir a obra acesse o site:

todasasmusas@gmail.com

ou  através do email: todasasmusas.org

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Capa do livro publicado por Alfredo Oscar Salun

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Torneio Sul-Americano

O Palmeiras disputa a final da Copa Antel contra o Nacional-URU, no estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai, às 23h15, nesse sábado, 23 de janeiro. A partida terá transmissão ao vivo pelos canais de Tv a Cabo Sportv e Espn Brasil.

A equipe alviverde vai em busca de sua primeira taça na atual temporada e também do seu sexto título em torneios preparatórios sul-americanos, em nove disputados ao longo de sua centenária trajetória.

Justamente no palco da final, em 1947, o Palmeiras disputou o seu primeiro torneio sul-americano. Com Boca Juniors-ARG, River Plate-ARG, Nacional-URU e Peñarol-URU, o Verdão participou do Torneio do Atlântico, em Montevidéu, no Uruguai. O time palmeirense terminou em quinto lugar.

Em 1956, Palmeiras, Corinthians, Santos, São Paulo, Nacional-URU, Boca Juniors-ARG e Newell`s Old Boys-ARG participaram da Taça Roberto Gomes Pedrosa, realizada em São Paulo. O Verdão ficou em quarto lugar.

Em 1962, o Palmeiras participou de dois torneios e teve 100% de aproveitamento. O primeiro aconteceu em Manizales, na Colombia, contra o Once Caldas-COL e o Milionarios-COL. O time palmeirense venceu os dois rivais colombianos e faturou o caneco.

A segunda conquista em 1962 foi em Lima, no Peru. Palmeiras, Botafogo-RJ, Sporting Cristal-PER e Universitario-PER disputaram o Torneio Quadrangular de Lima. O alviverde venceu seus três adversários e ficou com a taça.

Em 1964, o Verdão foi ao Chile disputar o Torneio Quadrangular de Santiago, com Independiente-ARG, Universidad Católica-CHI e Universidad do Chile-CHI. Com uma vitória, um empate e uma derrota, o Verdão ficou com o vice-campeonato, por obter menor número de pontos em relação aos argentinos.

Em 1965, o Verdão foi convidado para Torneio IV Centenário do Rio de Janeiro, junto com Fluminense-RJ, Peñarol-URU e Seleção do Paraguai.

Na primeira partida o alviverde goleou a Seleção do Paraguai por 5 a 2 e superou na final o Peñarol-URU na decisão por pênaltis, ao vencer por 1 a 0, após empate em 0 a 0, no tempo normal, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

Em 1970, o Palmeiras foi convidado para participar do Torneio de Cochabamba, na Bolívia, junto com Portuguesa de Desportos, Litoral-BOL e  Jorge Wilstermann-BOL. Os dois times brasileiros terminaram em primeiro lugar na disputa, com o mesmo número de pontos.

Por terem outros compromissos já agendados e um calendário apertado, os dirigentes de Lusa e Palmeiras decidiram dividir o título de campeão, sem que houvesse a partida final.

O último torneio Sul-Americano que o Palmeiras disputou foi o  Torneio de Mar del Plata, em 1972, ao lado de San Lorenzo-ARG, Boca Juniors-ARG e Peñarol-URU. O Verdão sagrou-se campeão invicto, por acumular o maior número de pontos.

Confira os jogos decisivos dos torneios sul-americanos disputados pelo Palmeiras ao longo da história:

1947 – Palmeiras 1×3 River Plate-ARG – Torneio do Atlântico – Palmeiras 5 Lugar

1956 – Palmeiras 2×0 São Paulo – Torneio Roberto Gomes Pedrosa – Palmeiras 4 Lugar

1962 – Palmeiras 4×0 Milionarios- COL – Torneio de Manizales – Palmeiras Campeão

1962 – Palmeiras 1×0 Botafogo-RJ – Torneio Cidade de Lima – Palmeiras Campeão

1964 – Palmeiras 0x0 Universidad do Chile – Torneio Quadrangular do Chile – Palmeiras Vice-Campeão

1965 – Palmeiras 0x0 Peñarol-URU – Torneio IV Centenário do Rio de Janeiro – Palmeiras Campeão

1970 – Palmeiras 4×0 Jorge Wilstermann-BOL – Torneio de Cochabamba – Palmeiras Campeão

1972 – Palmeiras 1×1 San Lorenzo-ARG – Torneio de Mar del Plata – Palmeiras Campeão

Veja a relação de torneios Sul-Americanos conquistados pelo Palmeiras em sua história:

Torneio de Manizales-Colômbia (1962)
Torneio Cidade de Lima-Peru (1962)
Torneio IV Centenário do Rio de Janeiro (1965)
Torneio de Cochabamba (1970)
Torneio de Mar del Plata-Argentina (1972)

Relembre a última conquista em torneios sul-americanos de cada um dos grandes clubes paulistas:

Santos Futebol Clube

1983 – Campeão do Torneio Triangular Vencedores de América (no Uruguai – final contra o Peñarol-URU)
Clubes Participantes: Santos, Peñarol-URU, Nacional-URU

São Paulo Futebol Clube

1993 – Campeão do Torneio de Santiago (no Chile –  final contra o Universidad Católica-CHI)
Clubes Participantes: São Paulo, Universidad do Chile-CHI, Universidad Católica-CHI

Sport Club Corinthians Paulista

1975 – Campeão da Copa São Paulo Futebol Clube (em São Paulo – final contra o São Paulo)
Clubes Participantes: San Lorenzo-ARG, Peñarol-URU, São Paulo, Corinthians

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