Esportes, Italianidade

Pioneiro na Itália

Achille Gama Malcher foi o primeiro brasileiro a ingressar no futebol italiano em 1909.

Paraense da cidade do Belém, seu impacto na vida esportiva italiana foi imediato. Além de fazer parte da fundação da Internazionale de Milão, Gama, atuando como atacante, no dia 10 de  janeiro de 1909, marcou o primeiro da história da Internazionale em Campeonatos Italianos, justamente no Derby de Milão, onde o Milan venceu a Inter por 3 a 2.

Como atleta neroazzurri, participou de 46 jogos, marcando 19 gols, entre 1909 e 1914.

Gama participou da primeira comissão técnica que organizou a seleção italiana de futebol, ao lado de Umberto Meazza, Agostino Recalcati, Alberto Criveli, Giovanni Camperio.

Esse quinteto teve a responsabilidade de convocar pela primeira vez a Squadra Azzurra para o seu amistoso inaugural contra os franceses. A estreia, no dia 15 de Maio de 1910, no Arena di Milano, foi a mais feliz possível. A Itália goleou a França pelo placar de 6 a 2, gols marcados por Lana (3), Fosatti, Rizzi, Debernardi.

A primeira formação da Azzurra foi assim constituída: Mario De Simoni, Francesco Cali, Franco Varisco, Domenico Capello, Virgilio Fossati, Attilio Trerè, Enrico Debernardi, Giuseppe Rizzi, Aldo Cevenini, Pietro Lana, Arturo Boiocchi.

Gama, junto com os demais membros da comissão técnica, comandou a seleção da Itália em mais duas partidas. Em 27 de maio de 1910 na derrota para a Hungria por 6 a 1 e na revanche contra a mesma equipe húngara em 6 de janeiro de 1911, com nova derrota italiana por 1 a 0.

Ao fim da sua carreira de jogador, atuou como árbitro. Seu grande momento foi nas Olimpiadas de 1928, em Amsterdã, na Holanda. Filiado como representante da Federação Italiana, Gama foi o bandeirinha da primeira partida da final da competição entre Uruguai e Argentina, em 10 de junho, que terminou empatada em  1 a 1.

A medalha de ouro foi decidida três dias depois em nova partida. Os uruguaios venceram por 2 a 1 e conquistaram o bi-campeonato olímpico.

Gama interrompeu sua carreira de árbitro e por um curto período assumiu o comando técnico do Bologna, na temporada de 1932-33. Ele substitiuiu o treinador húngaro József Nagy, que assumia a gestão da nova Escola de Treinadores da Federação Italiana de Futebol, faltando 11 rodadas para o fim do campeonato. Teve um bom desempenho e levou o Bologna à terceira colocação do torneio.

Achille Gama Malcher era irmão do famoso maestro brasileiro José da Gama Malcher , que era chefe do partido Liberal do Belém do Pará, grande personalidade da sociedade paraense, e regia em São Paulo a Companhia Lyrica Italiana no final do Século XX, entre outras atividades.

Legado

Seu sobrinho, Alberto Monard da Gama Malcher Filho, seguiu a carreira do tio como desportista praticando remo e futebol pelo Clube do Remo, time de coração da família.

Atuando como zagueiro, teve destaque nas categorias de base do Flamengo e Botafogo, sendo campeão carioca juvenil em 1936 pelo rubro-negro e vice-campeão juvenil pelo alvinegro em 1937. Uma lesão no joelho o fez abandonar o futebol

Começou a atuar como árbitro e teve grande projeção. Inscreveu-se no quadro de juízes da Federação Metropolitana de Futebol e começou a dirigir jogos do campeonato carioca, entrando, também para os quadros da CBD (hoje, CBF).

Gama Malcher foi um dos árbitros escalados pela Fifa para a Copa do Mundo de 1950, o primeiro no Brasil e  também foi o primeiro árbitro a apitar um jogo oficial no estádio do  Maracanã, num amistoso envolvendo as seleções do Rio de Janeiro e São Paulo.

Na ocasião, dois árbitros foram escalados para o jogo: Gama Malcher e Mário Gonçalves Vianna. Gama Malcher apitou o primeiro tempo e Vianna a segunda etapa.

Ele também foi designado pela FIFA, a pedido de Ottorino Barassi, para ser o representante do Brasil no quadro de árbitros do Mundial de Clubes – Copa Rio – de 1951.

Sabendo que a Confederação impedia a convocação de dois juízes do mesmo país por onerar os cofres, em respeito a carreira e amizade que nutria com Mario Vianna, ele abriu mão de receber as suas cotas de arbitragem, para que ambos pudessem participar do grandioso evento, vencido pela Sociedade Esportiva Palmeiras diante da Juventus de Turim.

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Achille Gama Malcher foi o primeiro brasileiro a jogar no Calcio Italiano

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Esportes, Italianidade

Tradição italiana

O Palmeiras é um dos clubes brasileiros que mais possui em sua história jogadores que atuaram por clubes italianos.

Para a temporada 2016, o zagueiro Roger Carvalho, recém-contratado, engrossa a longa lista de atletas palmeirenses que jogaram no calcio italiano.

Alberto Valentim, membro da comissão técnica atual do Palmeiras, teve passagem pelo futebol italiano quando ainda era jogador, atuando por Udinese e Siena.

Arioni III, foi o primeiro jogador a ter atuado num time italiano e defender o Palestra Italia, em 1917. Ele havia jogado no Torino, nos anos de 1913 e 1914.

Albertoni, que defendeu o Palestra Italia em 1921, também foi um dos pioneiros. Antes de vir da Italia para o Verdão, ele atuou pelas equipes do Pro Victoria, Vigor Milano, Cremonese, Modena e Brescia, entre 1912 e 1921.

Mas a consolidação desse intercâmbio, de fato, aconteceu a partir dos anos 30, quando o fluxo de atletas entre os dois países passou a ser intenso.

Na Lazio dos anos 30, estiveram por lá: Pepe, Serafini, Amilcar Barbuy, Niginho e Filó (que se sagrou campeão do mundo com a seleção italiana). Na Juventus, Ministrinho, ou Sernagiotto como era conhecido pelos peninsulares, foi o primeiro palmeirense a vencer o scudetto, nas temporadas 1932/33 e 1933/34. Gabardo e Arnoni eram os representantes alviverdes no Milan, enquanto Gogliardo vestiu a camisa do Napoli e do Padova.

José João Altafini, o popular Mazzola, é o palmeirense que mais vezes conquistou o campeonato italiano em quatro edições: (1958/59), (1961/62), (1972/73) e (1974/75). Ele também é o brasileiro com o maior número de jogos e de gols na história da Série A italiana, com 459 jogos e 216 gols marcados.

Mazzola também é o único palmeirense e ter sido artilheiro da Série A italiana. O atacante fez 22 gols na temporada 1961/62.

Humberto Tozzi, em 1958, foi o primeiro palmeirense a vencer a Copa Italia atuando pela Lazio. Com 11 gols marcados, ele foi o artilheiro da competição, sendo o primeiro brasileiro a alcançar tal façanha.

Luciano, começou sua carreira no futebol utilizando documento e nome falsos de Eriberto, é o primeiro palmeirense a ter vencido a Série B italiana, atuando pelo Chievo Verona, em 2007/08

Antoninho, em 1960, foi o primeiro jogador do Verdão a ganhar uma competição euopeia por um clube italiana. Defendendo a Fiorentina, o atacante sagrou-se campeão da extinta Recopa Europeia (também chamada de Taça das Taças), que reunia os vencedores de Copas Nacionais e deixou de ser disputado em 1999.

Dino Sani e Mazzola, ambos atuando pelo Milan, foram o primeiros palmeirenses a vencerem a Liga dos Campeões da UEFA, em 1962/63. Com 14 gols marcados, Mazzola foi o primeiro brasileiro a ser artilheiro da maior competição europeia.

Cafu, em 2007, defendendo as cores do Milan, foi o primeiro ex-palmeirense a ser campeão mundial interclubes por uma equipe italiana.

Marco Osio, em 1996, foi o último atleta de origem italiana que atuou pelo Verdão. Julinho Botelho, Chinesinho, Rivaldo e Rodrigo Taddei são palmeirenses que se tornaram ídolos no futebol da Itália.

Evair, na Atalanta, e Edmundo, na Fiorentina e no Napoli, foram outros craques e ídolos do Verdão nos anos 90, que desfilaram seus talentos na península.

Mauricio, zagueiro da Lazio, Gabriel Silva lateral-esquerdo do Carpi, Ryder Mattos meia do Carpi, Danilo zagueiro da Udinese, entre outros, disputam a Série A na atual temporada.

Confira a relação completa dos atletas que jogaram no Palmeiras e no futebol italiano:

Jogador Clubes
Albertoni Pro Victoria, Vigor Milano, Cremonese, Modena, Brescia
Alex Parma
Amaral Parma, Fiorentina
Americo Murolo Lanerossi Vicenza
Amilcar Barbuy Lazio
Anselmo Genoa, Palermo
Antoninho Fiorentina
Antonio Carlos Roma
Arione Juventus, Torino
Asprilla Parma
Batista Lazio, Avelino
Cafu Roma, Milan
Careca Biacnhesi Atalanta
Chinesinho Juventus, Modena, Catania, Lanerossi Vicenza
Cristaldo Bologna
Danilo Udinese
Diego Cavallieri Cesena
Dino Sani Milan
Duilio Lazio
Edinho Lecce
Edmundo Fiorentina, Napoli
Edu Marangon Torino
Enéas Bologna
Eriberto (Luciano) Bologna, Chievo Verona, Internazionale, Mantova
Evair Atalanta
Fabiano Perugia, Arezzo, Reggina, Genoa, Vicenza
Fabio Junior Roma
Faustino Palermo
Fernando Palermo, Juventus, Bari
Filó Lazio
Gabardo Milan, Liguria, Genoa, Lazio, Gattinara
Gabriel Silva Udinese, Carpi
Gamarra Internazionale
Gaucho Lecce
Germano Milan, Genoa
Gerson Caçapa Lecce, Bari
Gogliardo Napoli, Padova, Lazio
Henrique Napoli
Humberto Tozzi Lazio
Jorignho Paulista Udinese
Julinho Botelho Fiorentina
Junior Parma, Siena
Leandro Amaral Fiorentina
Lúcio Internazionale, Juventus
Maicosuel Udinese
Marco Osio Torino, Parma, Empoli, Saronno, Pistoeise, Faenza, Alzano Virescit
Marcos Assunção Roma
Marquinho Roma, Verona, Udinese
Maurício Lazio
Mazinho Lecce, Fiorentina
Mazzolla Milan, Napoli, Juventus
Ministrinho Juventus
Mozart Livorno, Reggina
Muller Torino
Nardo Juventus
Niginho Lazio
Pablo Armero Udinese, Napoli, Milan
Pedrinho Vicençote Catania
Pepe Lazio
Reinaldo Verona
Rincon Napoli
Rivaldo Milan
Roberto Carlos Internazionale
Rodrigo Taddei Roma, Siena, Perugia
Roger Caravalho Bologna, Genoa
Roque Junior Milan, Siena
Ryder Mattos Carpi, Fiorentina
Serafini Lazio
Tedesco Lazio
Tuta Venezia
Vicente Arnoni Milan
Warley Udinese
Yeso Amalfi Torino
Zé Eduardo Genoa, Siena
Zé Maria Perugia, Parma, Internazionale
Zeola Napoli

Altafini (Mazzola)

https://www.youtube.com/watch?v=ZYzAJyuty2w

Julinho Botelho

https://www.youtube.com/watch?v=uAZ1X4sGqAI

Evair

Edmundo

https://www.youtube.com/watch?v=O84j3kd33dM

filo

Filó, Amphilóquio Guarisi, primeiro ítalo-brasileiro Campeão do Mundo pela Itália em 1934

ministrinho

Ministrinho, Pedro Sernagiotto, primeiro palestrino a ser campeão italiano

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