Esportes

Maior chororô da história

Mimimi e chororô são alguns termos que passaram a ser utilizados recentemente no vocábulo do futebol. Geralmente utilizados para desqualificar a reivindicação de um rival que por ventura se sentiu lesado pelas circunstâncias de um jogo fatídico, de um gol irregular, de um erro de arbitragem, de uma injustiça ou de uma interferência externa que pode decidir a sorte de um título.

Nos confrontos entre Palmeiras e Corinthians, dado o passionalismo predominante nas duas agremiações, o ganhador vai ao céu. O derrotado ao inferno. Um revés no Derby sempre deixa sequelas profundas no lado perdedor. Um resultado negativo num dos jogos de maior rivalidade do futebol mundial já derrubou técnicos, jogadores, árbitros e causou turbulências, confusões e cicatrizes das mais diversas ordens, que ficam marcadas pela eternidade.

Rivelino, ídolo alvinegro, em 1974, após a derrota na final do Campeonato Paulista para o Palmeiras foi escurraçado do Parque São Jorge e considerado o grande vilão pela perda do caneco e do jejum de mais de 20 anos sem conquistas do seu clube, até então.

Edilson, outro ídolo dos corintianos, em 2000, após mais uma eliminação para o Palmeiras na Taça Libertadores da América, foi enxotado pelos torcedores e citado como um dos culpados por mais uma derrota para o seu maior rival.

Exemplos não faltam. Mas uma derrota em especial se destaca como o maior chororô da história dos confrontos entre Sociedade Esportiva Palmeiras e Sport Club Corinthians Paulista nos mais de 100 anos dessa rivalidade. Foi a única derrota que se tem registro no clássico que derrubou do presidente ao porteiro do clube perdedor!

Em 5 de novembro de 1933, em partida válida pelo segundo turno do Campeonato Paulista e Torneio Rio-São Paulo, o Verdão recebeu os alvinegros no estádio Palestra Itália.

Após a partida preliminar, vencida por goleada pelo segundo quadro palestrino pelo placar de 4 a 0, os dois times subiram ao campo com as seguintes formações. O Palestra com Nascimento; Carnera, Junqueira; Tunga, Dula e Tuffy; Avelino, Gabardo, Romeu, Lara e Imparato. Técnico: Humberto Cabelli. O Corinthians atuou com: Onça, Rossi e Bazani; Jango, Brancácio e Carlos; Carlinhos, Baianinho, Zuza, Chola e Gallet, dirigidos por Pedro Mazzulo.

Logo aos sete minutos de jogo, Romeu Pelliciari abriu o placar, aproveitando cruzamento de Imparato. Aos 28 minutos, nova assistência de Imparato e gol de Romeu Pelliciari. Aos 40 minutos, Romeu recebe passe de Gabardo e marca o terceiro gol alviverde, encerrando a primeira etapa.

Na volta do intervalo, o Verdão manteve o mesmo ímpeto e logo no primeiro minuto, Gabardo fez linda jogada individual, driblando toda a defensiva alvinegra e entrando com bola e tudo nas redes adversárias.

Romeu se encarregou de marcar o quinto gol palestrino (seu quarto na partida), aos sete minutos, aproveitando um rebote do goleiro, após chute de Imparato. Dois minutos depois, foi a vez de Romeu servir a Imparato que marcou o sexto gol palestrino. Aos 35 minutos, Romeu Pelliciari chutou, o goleiro rival espalmou e Imparato aproveitou o rebote para mandar para as redes, anotando o sétimo gol. Aos 40 minutos, Imparato fechou o placar. Palestra 8 a 0 Corinthians!

Além do elevado número de gols, houve ainda um pênalti não marcado a favor do Palestra, por uma mão na bola do zagueiro alvinegro dentro da área ignorada pelo árbitro da partida Haroldo Dias Motta, uma bola na trave corintiana e um gol anulado por impedimento de Imparato.

Palestra 8 a 0! A maior goleada da história centenária do Derby! A maior derrota de toda a história centenária do Sport Club Corinthians Paulista!

“Era um clube de carroceiros e era campeão. Tornou-se um clube de doutores e não vale nada”, dizia a página esportiva da  Folha da Noite.

Entrevistado pela mesma Folha da Noite, Amilcar Barbuy, ex-jogador do Palestra e do Corinthians, sócio do clube de Parque São Jorge e que acompanhou o jogo das arquibancadas, foi enfático. “Os corintianos já entraram cabisbaixos para enfrentar um grande time. A derrota era eminente.”, falou.

A Folha da Manhã no dia 7 de novembro trouxe a seguinte manchete: “Demitiu-se coletivamente a diretoria do Sport Club Corinthians”.

O corpo da matéria trazia ainda o seguinte sub-título:  “Os diretores foram levados a agir dessa forma, em virtude da manifestação de desagrado realizada pelos torcedores após o encontro contra o Palestra. Houve tentativa de empastelamento da sede do alvinegro”.

Um manifesto foi redigido pelos descontentes alvinegros:

“Corintianos!
Reunamos hoje, às 21 horas, na sede social, para exigir, por incompetência, a demissão coletiva da diretoria que está ‘dirigindo’ atualmente nosso clube e entregue todos os poderes ao seguinte ‘Comitê dos  Cinco’: Neco, Amilcar, Grané, Apparicio, Ciasca.
Todos nossos consagrados campeões do passado que deram o melhor de sua mocidade em prol das nossas cores, e que esse Comitê nomeie uma diretoria provisória que dirija os destinos do nosso glorioso branco e preto, sob seus controle, até a próxima assembléia geral.
São Paulo, 6 de novembro de 1933.
Corintianos! Só uma vassourada nos salvará!”

Com essa missiva, cerca de 500 torcedores se organizaram e tentaram invadir a sede do clube que foi fechada para evitar depredações. Toda diretoria corintiana pediu demissão. Chororô e vassourada, sem precedentes, que ainda ecoa no seio alvinegro, cerca de mais de 80 anos depois, como uma cicatriz incurável, sendo lembrada para sempre como o dia em que o Palestra Itália derrubou todo comando alvinegro, impondo-lhe a maior das derrotas dentro e fora de campo!

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FORZA VERDÃO!!!

 

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Mágico Novembro

Derby é sempre um momento catalisador de emoções, paixões e acima de tudo memórias. A cidade literalmente se divide há mais de 100 anos em torno desses dois tradicionais pavilhões. Dessa vez, o Brasil estará dividido também. Todas as atenções e olhares estarão para a luta que será travada no fim de semana na Zona Leste de São Paulo.

Calções negros de um lado. Manto esmeraldino do outro. No palco de Itaquera o sonho ou a desilusão de mais um título nacional na vida esportiva dessas duas agremiações estará em jogo.

Um revés pode ser um duro golpe para as pretensões dos verdes ou dos alvinegros. Tudo ou nada. Céu ou inferno. Alegria ou tristeza. Herói ou vilão. O Derby é assim! E sempre será!

Fé, crendice, mística, superstição, apego e tudo mais que o valha juntam-se aos 22 elementos dentro de campo na hora que a bola rolar. Milhões de almas e corações vibram e anseiam pela hora do gol fantástico que romperá a alegria transbordante ou a depressão profunda.

Um fator a mais nessa linda história é que o ano de 2017 marca o centenário desse confronto. Até aqui, na atual temporada, foram dois embates, ambos com vitórias a favor do time de Parque São Jorge (1 a 0 pelo Paulista e 2 a 0 pelo Brasileiro). Um espinho na garganta palestrina, que sequer teve o gostinho de celebrar um mísero gol diante do rival nos dois jogos realizados, algo que não acontecia desde 2011.

A vendetta alviverde tem muitos ingredientes motivacionais: primeira vitória no ano do centenário do Derby, estabelecer vantagem de vitórias na casa inimiga (em 5 jogos lá disputados são duas vitórias para cada lado e um empate), devolver a derrota sofrida em seus domínios no primeiro turno e diminuir a vantagem a favor do rival na tabela de classificação do Brasileiro para, de fato, buscar o tão sonhado troféu.

No domingo, o time mosqueteiro terá a totalidade da torcida presente no estádio e a liderança do torneio a seu favor.

Já os palestrinos, subirão ao gramado sob a égide dos heróis do eterno dia 5 de novembro de 1933, data em que o Palestra Itália impôs a maior goleada da história do Derby, ao superar o rival por inatingíveis 8 a 0!

periquito

FORZA VERDÃO!!!

 

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