Esportes

À moda antiga

Dois meias cerebrais articulando o setor de criação de meio campo era algo comum no passado. Esses atletas vestiam geralmente as camisas 8 e 10 da equipe. Era fácil de reconhecer. Com o tempo, o futebol força ganhou cada vez mais espaço ceifando a figura dos criadores e privilegiando os brucutus.

Com o anúncio de Gustavo Scarpa na tarde dessa segunda-feira (15), e a presença de Lucas Lima no elenco, o Palmeiras 2018 terá uma linha ofensiva que taticamente resgata o passado do nosso futebol e que tantas glórias nos trouxe.

Dois pontas abertos (Dudu e Keno), dois meias de criação (Scarpa e Lima) e um atacante de área (Willian). Esse quinteto ofensivo deve ser o responsável pelas chances de gols que o torcedor esmeraldino tanto almeja. Na contenção, um volante centralizado com mobilidade e saída de jogo (Moisés) e uma linha de quatro defensores (Marcos Rocha, Luan, Dracena e Diogo Barbosa), com os laterais mais plantados. Possivelmente seja esse o pensamento de Roger Machado e sua comissão técnica para o Verdão nessa temporada.

Essa formação popularmente conhecida como WM, pelo fato da disposição nos setores do campo formarem linhas que sugerem o desenho dessas letras nos dois lados do gramado, pode ser uma solução do passado para os nossos desafios do presente.

Claro que no futebol atual não nos limitaremos apenas a esse conceito de jogo. Ainda mais com as peças individuais que o alviverde possui no plantel e que podem oferecer boas opções para cada circunstância específica e de acordo com o adversário que terá pela frente.

Entretanto, a tradição de um eixo central sólido e de qualidade técnica acima da média sempre foi uma das marcas em comum dos melhores times que já envergaram o manto esmeraldino.

A chegada de Scarpa está em sintonia com a história de sucesso do futebol do Verdão e uma solução viável para dispor individualmente as melhores peças numa harmonia tática ideal deve ser o velho e pragmático WM.

Há quem possa questionar o fato de dois meias canhotos atuando juntos ao mesmo tempo não ser possível. Para esses, vale lembrar que a seleção brasileira de 70 tinha três canhotos no time titular: Gerson, Rivellino e Tostão. O resto é história.

Veremos na prática todas as possibilidades que esse elenco pode oferecer para atingir os resultados que o torcedor e toda coletividade esmeraldina aguarda.

As esperanças se renovam no coração e na alma palestrina, que necessita ter paciência para ver esse bom time na teoria se transformar numa nova Academia na prática.

No meio do processo, teremos que conviver com a maledicência de setores da imprensa, com as artimanhas dos rivais, com os jogos ocultos dos bastidores e, acima de tudo, com a nossa euforia desmedida. Esses sempre foram fatores preponderantes para o nosso sucesso ou derrocada.

O ano começa com uma boa perspectiva para nós palmeirenses. Vemos nas discussões entre torcedores que cada um já possui o seu onze que mais lhe agrada. Para não fugir dessa prerrogativa, desenho o meu Verdão titular (contando com o fato de que todos os atletas estejam saudáveis e em condições de jogo), no sistema já mencionado:

Fernando Prass, Marcos Rocha, Luan, Edu Dracena, Diogo Barbosa, Moisés, Keno, Lucas Lima, Gustavo Scarpa, Willian e Dudu.

Essa formação se assemelha muito ao Palmeiras do segundo semestre de 1994, que tinha dois meias criativos (Rivaldo e Flávio Conceição), dois pontas abertos (Zinho e Edmundo), um atacante de área (Evair), um volante centralizado de grande qualidade técnica (César Sampaio) e uma linha de quatro defensores (Cláudio, Antônio Carlos, Cléber e Roberto Carlos).

Um time imbatível, comandado pelo estrategista Wanderley Luxemburgo, e considerado por muitos como o melhor entre todos os grandes esquadrões do alviverde nos anos 90, dado o seu equilíbrio técnico e tático.

Esperamos que essa semelhança não fique apenas no papel e se traduza em vitórias e conquistas dentro das quatro linhas, com plasticidade e eficiência. Nas arquibancadas estaremos, como sempre, vibrando numa fé inabalável para que o nosso Verdão nos faça emocionar com um futebol à moda antiga.

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Elenco alviverde

Chegada a reta final da temporada, cabe uma breve análise do elenco de futebol profissional da Sociedade Esportiva Palmeiras, decantado no início desse ano como “o melhor do Brasil”, mas que na prática demonstrou desequilíbrio nos momentos decisivos e frustrou as expectativas da apaixonada torcida esmeraldina, sem ao menos sequer chegar a uma decisão e figurar como protagonista nas competições que participou.

Goleiros

Fernando Prass (55 jogos, 59 gols sofridos, 17 jogos sem sofrer gols). Aos 39 anos, viveu uma temporada irregular.

Jailson (9 jogos, 8 gols sofridos, 3 jogos sem sofrer gols). Aos 36 anos, sofreu uma grave lesão.

Vinicius Silvestre (23 anos) e Daniel Fuzato (20 anos) não tiveram oportunidades de atuar nessa temporada.

Zagueiros

Antonio Carlos (8 jogos). Aos 24 anos, nas chances que teve se mostrou inseguro e abaixo da média.

Edu Dracena (44 jogos). Aos 36 anos, assumiu a condição de titular durante a temporada.

Juninho (21 jogos). Aos 22 anos, marcou um gol contra a favor do Cruzeiro que lhe custou a retirada da equipe titular.

Luan (17 jogos, 1 expulsão). Aos 24 anos, não demonstrou ainda o bom futebol que apresentava no Vasco da Gama e Seleção Brasileira.

Mina (31 jogos, 5 gols marcados). Aos 23 anos, lesões e seleção colombiana fizeram com que ele não tivesse uma maior sequência na temporada.

Laterais

Egidio (35 jogos, 1 gol marcado). Aos 31 anos, chegou a ser barrado pelo técnico Cuca, após perda do pênalti decisivo na Copa Libertadores. Demonstra uma grande fragilidade defensiva e técnica.

Fabiano (19 jogos, 1 gol marcado). Aos 25 anos, nunca se firmou e manteve uma regularidade.

Mayke (23 jogos, 1 gol marcado). Aos 24 anos, por falta de opção assumiu a titularidade.

Zé Roberto (33 jogos, 1 gol marcado). Aos 43 anos, foi um reserva de luxo.

Meio-campistas

Jean (38 jogos, 4 gols marcados). Aos 31 anos, não se fixou nem na lateral e nem no meio campo.

Guerra (35 jogos, 7 gols marcados). Aos 32 anos, utilizado com pouco frequência e na maior parte vindo do banco de reservas, sofreu com lesões.

Arouca (2 jogos). Aos 31 anos, praticamente não atuou nessa temporada devido grave lesão.

Bruno Henrique (16 jogos, 2 gols marcados). Aos 28 anos, assumiu a titularidade logo que foi contratado.

Felipe Melo (29 jogos, 2 gols marcados). Aos 34 anos, é mais ativo nas redes sociais e em confusões, que dentro do campo. Muito ego. Pouca bola.

Hyoran (5 jogos, 1 gol marcado). Aos 24 anos, teve poucas chances de atuar. Na maioria vindo do banco de reservas.

Michel Bastos (34 jogos, 2 gols marcados). Aos 34 anos, pouco produziu na lateral ou no meio campo.

Moisés (16 jogos, 4 gols marcados). Aos 29 anos, perdeu grande parte do ano por uma grave lesão. É o termômetro do meio campo alviverde.

Raphael Veiga (22 jogos, 2 gols marcados). Aos 22 anos, sempre utilizado como opção vinda do banco de reservas.

Tchê Tchê (49 jogos, 2 gols marcados, 1 expulsão). Aos 25 anos, caiu de produção drasticamente, se comparado ao ano anterior.

Thiago Santos (39 jogos, 1 gol marcado). Aos 28 anos, apesar de ser opção no banco de reservas, sempre que esteve em campo deu conta do recado com seu forte poder de marcação.

Atacantes

Borja (41 jogos, 10 gols marcados). Aos 24 anos, teve problemas de adaptação para se firmar como o homem-gol que a torcida sonha.

Deyverson (16 jogos, 3 gols marcados, 1 expulsão). Aos 26 anos, veio no meio do ano para ser uma opção no setor. Não se firmou.

Dudu (47 jogos, 13 gols marcados, 1 expulsão). Aos 25 anos, é o titular e o capitão da equipe. Por vezes questionado para assumir um maior protagonismo nos momentos decisivos.

Erik (15 jogos). Aos 23 anos, surgiu como promessa mas perdeu espaço e não demonstra reação para reconquistá-lo.

Keno (48 jogos, 8 gols marcados). Aos 28 anos, ganhou a titularidade na reta final da temporada.

Roger Guedes (50 jogos, 8 gols marcados, 1 expulsão). Aos 21 anos, começou o ano como titular e agora é apenas uma opção.

Willian (49 jogos, 17 gols marcados, 1 expulsão). Aos 30 anos, chegou para ser uma opção no setor e se tornou o principal atacante da equipe.

Atletas que voltam de empréstimo:

Goleiro

Vagner (Guarani)

Laterais

João Pedro (Chapecoense)
Lucas (Fluminense)
Taylor (Paysandu)
Mateus Muller (Vila Nova-GO)
Victor Luis (Botafogo)

Zagueiros

Leandro Almeida (Figueirense)
Thiago Martins (Bahia)
*** Tobio (Rosario-ARG) e Nathan (Servette-SUI) emprestados até junho/2018

Volantes

Matheus Sales (Bahia)
Bruninho (Juventude)
Daniel (Bragantino)
Renato (Paysandu)

Meias

Allione (Bahia)
Juninho (Guarani)
Patrick Vieira (Londrina)

*** Vitinho (Barcelona-ESP) emprestado até junho/2018

Atacantes

Leandro (Kashima Antlers-JAP)
Artur (Londrina)
Gabriel Leite (Guarani)
Kaue (Oeste)
Mouche (Olimpia-PAR)
Rodolfo (Portuguesa)

*** Gabriel Barbosa (SPAL-ITA) emprestado até junho/2018

Atletas que terminam contrato com o Palmeiras após o empréstimo:

Bruno Oliveira (Bragantino), Léo Cunha (Potiguar), Gabriel Dias (Paraná Clube), Luiz Gustavo (Oeste), Amaral (Chapecoense), Robinho (Cruzeiro), Alecsandro (Coritiba), Luan (América-MG), Vinícius (Adanaspor-Turquia)

Esse é o cenário que teremos para o próximo ano no departamento de futebol profissional da Sociedade Esportiva Palmeiras. Além dos atletas do atual elenco e os que voltam de empréstimo, ainda teremos as possíveis contratações e alguns atletas da categoria de base que deverão ser incorporados para as disputas da Libertadores, Brasileiro, Copa do Brasil, Paulista e alguns prováveis torneios amistosos.

Apenas por suposição, não levando em conta questões contratuais, creio que essas seriam as mudanças a serem efetuadas para 2018:

Reintegração dos Emprestados (3)
Thiago Martins, Victor Luis, João Pedro

Promoções (2)
Pedro (zagueiro sub-20) e Fernando (atacante sub-20)

Negociáveis (11)
Mina (possivelmente irá para o Barcelona), Antonio Carlos, Egidio, Fabiano, Mayke, Zé Roberto (irá se aposentar), Jean, Arouca, Michel Bastos, Felipe Melo, Deyverson e Erik.

Contratações (5)
Dois laterais (um para cada lado), dois jogadores de meio campo (um de criação e outro com característica defensiva) e um atacante.

*** Números de jogos e gols atualizados até o dia 07/11/2017

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Lambendo as feridas

Mês de Abril. Eduardo Baptista no comando do Palmeiras. Jogo de ida contra a Ponte Preta válido pela semifinal do Campeonato Paulista em Campinas. Em 30 minutos, Palmeiras sofre três gols e vê a vaga para a final do estadual distante.

Mês de Junho. Cuca no comando do Palmeiras. Jogo de ida válido pelas quartas de final da Copa do Brasil no estádio Palestra Itália. Em 30 minutos, Palmeiras sofre três gols e, apesar da reação, é eliminado pelos gols sofridos em casa.

Mês de Novembro. Alberto Valentim no comando do Palmeiras. Jogo decisivo diante do maior rival pelo Campeonato Brasileiro na casa do adversário. Em 30 minutos, Palmeiras sofre três gols e dá adeus a disputa do título nacional.

Nada é por acaso. Jogamos sem qualquer proteção defensiva durante todo o ano. Todo aberto. Com um meio campo pobre, sem capacidade de criação e marcação. Laterais inexistentes. Erros capitais nos momentos decisivos, na defesa e no ataque. Individualidades abaixo da média e não representando o fator decisivo que assumiam outrora.

Soma-se a isso as diversas mudanças de comando. Um bastidor confuso e contratações equivocadas, que tornaram nosso elenco inchado e desequilibrado.

Sintomático é que em todos os momentos em que dependemos apenas das nossas forças, esse atual elenco deixou muito a desejar e nos frustrou. Não conseguimos fazer um grande jogo sequer nessa temporada.

Nos clássicos, um desempenho apático. Três derrotas contra o maior rival. Duas vitórias e uma derrota contra um cambaleante São Paulo. Uma vitória e duas derrotas contra o Santos. Nesses nove jogos, 13 gols sofridos e 11 gols marcados. Um saldo pífio.

Eliminações prematuras no Paulista, Copa do Brasil, Libertadores e Brasileiro. Um ano em que foi prometido o céu aos torcedores, com ostentação milionária, acaba de forma melancólica e amarga!

Que os egos não ceguem as cabeças pensantes da Sociedade Esportiva Palmeiras e que tenham luz para tomarem as decisões necessárias e reformular um elenco mofado, sem brilho e que está aquém das nossas expectativas.

A hora é de ter lucidez, analisar os erros cometidos (que foram além do limite em todas as esferas), lamber as feridas e recuperar o espaço perdido, projetando um 2018 de acordo com as tradições palestrinas!

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