Esportes

Futebol e Basquete

As duas primeiras modalidades esportivas coletivas da história da Sociedade Esportiva Palmeiras foram, pela ordem, o Futebol e o Basquete. Essa tradição secular do alviverde é um orgulho para todos os palmeirenses que vibraram com inúmeras glórias e ídolos dentro dos gramados e dos ginásios.

Uma expressão do passado cantada pelos palestrinos nas vitórias simboliza essa simbiose : “É com o pé, é com a mão, o Palestra é o Campeão!”.

Essa ligação entre as modalidades fica ainda mais viva quando notamos que consagrados atletas do futebol jogaram partidas oficiais de basquete pelo alviverde, bem como craques das cestas também atuaram pelo esporte bretão palestrino.

Listamos esses casos únicos na vida esportiva esmeraldina:

Oscar Paolillo

Em 1925 atuou pela equipe de futebol do Segundo Quadro do Palestra Italia. Há relatos que também atuava como goleiro, mas é na linha, jogando no meio campo, que aparece os registros de sua participação na equipe esmeraldina naquela temporada.

Craque do basquete, Oscar é o primeiro ídolo nacional desse esporte. Responsável por disseminar a modalidade pelo interior paulista, principalmente, organizando excursões e levando as regras do jogo para as pessoas e praticantes.

Defendeu o Palestra, a seleção paulista e brasileira, conquistando títulos por onde passou. Conciliava a função de jogador e técnico da equipe, cargo esse que ocupou por 24 anos, com pequenos intervalos, até 1949. Um dos seus tantos recordes!

Continuou a servir o clube como o primeiro gerente de futebol da história do futebol brasileiro, ainda nos anos 50. É o funcionário mais antigo até hoje que se tem registro no Palmeiras, com mais de 60 anos de serviços prestados, vindo a falecer nos anos 90.

Renato Paolillo

Assim como seu irmão Oscar, Renato também defendeu a equipe de futebol do Segundo Quadro do Palestra Italia em 1925, atuando no meio campo.

Mas, certamente, sua passagem pelo clube alviverde foi justamente dentro de quadra, vestindo a camisa do basquete palestrino. Enquanto Oscar se encarregava de encestar, Renato era o responsável por guardar a cesta palestrina e evitar os ataques dos adversários.

Se dedicou a vida associativa do clube alviverde, sendo representante oficial da instituição em Federações e Confederações.

Heitor

Figura conhecida nos círculos esportivos por causa de suas qualidades como grande centroavante nos primeiros tempos do futebol paulista, Heitor participou da partida inaugural do basquete alvivede na função de “guarda” em 1924. Sua tarefa era bloquear o ataque adversário, muitas vezes com o uso da força, já que a dinâmica do basquete naquela época era totalmente diferente dos tempos atuais. Seu porte físico e estatura privilegiada – há informações da própria família que sua altura era por volta de 1,90 m – fizeram de Heitor um exímio jogador de defesa militando como cestobolista do Palestra.

Em 1928 participou da campanha do título paulista de basquete do alviverde. Esta equipe foi  batizada carinhosamente pela crônica esportiva como “Os Invencíveis”. Heitor, junto com os irmãos Paolillo – Renato e Oscar – foram os grandes ícones palestrinos que contribuíram para o basquete se tornar o segundo esporte mais popular do Estado de São Paulo e do país, naquela década.

Suas virtudes futebolísticas, são desnecessárias apresentações. Trata-se do maior artilheiro da história palestrina, clube que defendeu de 1916 a 1931, com títulos e glórias.

Nascimento

Um dos maiores goleiros do futebol brasileiro nos anos 20 e 30, Oscar Francisco Nascimento, também deixou sua marca no basquete alviverde. Incorporado a equipe em 1929, foi peça fundamental, ao lado de Heitor, Oscar e Renato para a conquista do bi-campeonato paulista de basquete, sendo pivô do quinteto esmeraldino até o ano de 1932.

Nesse mesmo período, atuando pelo futebol do Verdão conquistou três títulos paulistas e um Torneio Rio-São Paulo com a nossa camisa, mantendo a tradição de grandes goleiros de nossa história.

Vivaldo

Uma lenda do basquete esmeraldino nas décadas de 30 e 40, Vivaldo Biagioni estreou nas quadras e nos gramados no ano de 1935. No futebol palestrino, participou da equipe de Segundo Quadros que ficou com o título de Vice-Campeão Paulista em 35.

Nas quadras, entretanto, teve ainda mais sucesso, defendendo o basquete alviverde por 20 anos! Depois de encerrada a carreira de jogador, foi diretor das categorias de base do basquete do Palmeiras e conselheiro. Em 1949 Vivaldo Biagioni foi eleito o melhor esportista do ano pelo DEFE e recebeu título de benemerência da Federação Paulista de Basquete.

Foi Campeão Paulista e Campeão Estadual em 1935, entre outros torneios.

Índio

O goleiro Índio, reserva do lendário Oberdan Cattani na década de 40, também dividia seu tempo entre o campo e as quadras. Atuando como pivô, ele participou da equipe palestrina de basquete entre 1943 e 1946.

Ulysses de Almeida Pupo, seu verdadeiro nome, participou da campanha do título alviverde do Torneio de Preparação da FPB em 1943, derrotando o quinteto do São Paulo F.C. na final pelo placar de 41 a 34.

Eurides Gianinni, Vendrame e Arnaldo, entre outros craques, foram seus companheiros de equipe nas quadras.

Como goleiro do Verdão, fez seis partidas oficiais pela equipe principal em 1946, sendo o titular na campanha do título do Torneio Início do Campeonato Paulista daquela temporada. Pela equipe aspirantes, foi vice-campeão paulista em 1943.

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Equipe palestrina anos 20. Da esquerda para a direita: Heitor Marcelino Domingues (segundo jogador), Oscar Paolillo (terceiro jogador) e Renato Paolillo (quinto jogador)

FORZA VERDÃO!!!

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Tem Porco aí? Tem sim, a Mancha!

Nem melhor nem pior, apenas diferente. Esse lema da Torcida Mancha Verde, maior organizada da Sociedade Esportiva Palmeiras, sempre me chamou a atenção desde sempre. Garoto, lia e ouvia isso nas arquibancadas e não tinha a total compreensão da profundidade do que representava essa expressão em sua essência. Fui entendendo com o passar do tempo.

Nos anos 80, tínhamos poucos ou nenhum ídolo dentro de campo representando nossas amadas cores. Nessa década, amargamos um jejum de títulos e a qualidade técnica dos nossos times era risível, salvo algumas exceções. Éramos motivos de gozações e piadas dos rivais.

Cresci como torcedor nesse ambiente. Tinha a noção histórica do gigantismo palestrino e palmeirense fruto da amizade com grandes alviverdes que conviviam com minha família e meus próprios familiares que transmitiam esse sentimento para mim. Mas, na prática, o que víamos durante aquele período era um time perdedor. Com baixa estima. Com vergonha. Com um peso e um estigma sombrio. A história que me contavam do Grande Palestra não se conectava com aquela realidade.

Nesse contexto, ser palmeirense naquele período era para os fortes. Foi nesse cenário de “vacas-magras” e a partir dessa geração de torcedores que surgiu na arquibancada um movimento que resgatou o sentimento dos palmeirenses em ANDAR com suas camisas pelas ruas e pelos estádios. Nascia a Mancha Verde.

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Moleque apaixonado pelo Palmeiras, me fascinava ver aquela “mancha branca” no meio dos verdes na arquibancada central do Palestra Italia ou do Pacaembu. Era uma rapaziada que entrava no estádio com uma energia diferente. Seja num Derby, ou num jogo contra o Xv de Jaú. Pouco importava. Vibravam pela camisa que estava em campo, do primeiro ao último momento: “Sou, da Mancha Verde eu sou. Vou dar porrada, eu vou. E ninguém vai me segurar!”, esse é o grito que me vem à mente quando fecho os olhos e volto ao passado.

A entrada do Porco dentro de campo no pré-jogo. As fumaças coloridas. Os rostos pintados. Os plásticos verdes. E o bandeirão em 1992? Que loucura foi aquilo na final do Paulistão contra o São Paulo em 1992, no estádio deles. Foi a primeira vez que vi a torcida rival ficar em completo silêncio e das arquibancadas deles espocar flashes das máquinas fotográficas em direção a nossa torcida. E nós, boquiabertos com algo totalmente fora do comum. Magnífico. Tudo na Mancha sempre foi diferente!

Lembro de um final de semana de sol no estádio Palestra Itália. Jogo com arquibancadas vazias. A Mancha e a TUP presentes na faixa central. E atrás do gol se situava a Mancha Verde Mirim e a Ira Verde. Eu, garoto, assisti ao jogo entre os “manchas mirins”, porque nas outras torcidas estavam os “grandões” e não tinha espaço para um pirralho entre eles. Fiquei o tempo todo ostentando e agitando uma bandeira com o logo da Mancha. Ao fim da partida, não me lembro nada do jogo em si, se ganhamos ou se perdemos, mas provavelmente foi uma derrota, porque o clima era de um profundo silêncio na saída, diferente de outras ocasiões em que havia mais festa.

Recordo apenas que era a hora de entregar a bandeira que agitei durante toda a partida. Quem a veio buscar das minhas mãos era o Moacir Bianchi. Não sabia quem era, soube depois. Trocou algumas palavras comigo sobre o Palmeiras e me deu um chaveiro da torcida (que guardo até hoje). Falou que seu eu gostava da torcida que era para eu ir até a sede na Rua Padre Antônio Thomaz me filiar.

Tempos depois, segui o seu conselho. Tenho até hoje a camisa regata e o juramento de manchista que veio junto com ela. A carteirinha ficaria pronta depois. Li de cabo a rabo os valores da torcida, que versava sobre o amor à camisa e a honra de vesti-la, entre outros. Pensei comigo mesmo: é isso aí!

Moacir e outros gigantes da torcida eram as referências de Palmeiras para mim. Era comum ver a sua cabeleira nas páginas dos jornais, principalmente quando o pau quebrava nas arquibancadas. Era ele ali na linha de frente. Lutando pela Mancha. Lutando pelo Palmeiras. Colocando em prática o que estava escrito no juramento manchista. Era um ídolo. Com o tempo, passou a ser um amigo, como tantos outros manchistas que convivi e convivo. Saudades dele, que nos deixou tão cedo.

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Faço esse longo e memorialista relato para dizer que hoje a Mancha Verde, assim como o Palmeiras, são exemplos nesse momento tão triste da humanidade. Nem melhor nem pior, apenas diferentes.

Estamos vivendo a terrível Pandemia que já ceifou milhares de vidas. O Brasil bloqueado por mais de dois meses (e sabe se lá quanto tempo mais). A Mancha Verde, como sempre fez desde a sua fundação, orgulha a torcida da Sociedade Esportiva Palmeiras com a sua postura e, acima de tudo, atitude. Aqui listamos algumas das suas ações, até então:

– Mais de 70 toneladas de alimentos arrecadados;
– Ação direta na Cracolândia (Centro de SP) para moradores de rua e em vulnerabilidade;
– Ação direta nas regiões carentes da periferia de São Paulo e  Grande São Paulo;
– Ação direta nas sub-sedes regionais, estaduais e internacionais;
– Live Social para arrecadações no Combate ao Covid-19.

Tem Porco aí? Tem sim, a Mancha! Essa frase célebre mudou a forma dos rivais enxergarem a torcida do Palmeiras e a partir dela todo o resgate do orgulho dos palmeirenses da minha geração ao vestir as cores alviverdes.

Hoje, ela é tão atual e importante quanto foi nos anos 80. Quando perguntam: Tem Porco aí? A resposta é um sonoro sim, de solidariedade e justiça social na prática, sem bravatas e politicagem barata. Ela traz esperança onde há o abandono. Ela traz fé em dias melhores onde as estatísticas não se aprofundam ou ignoram. Ela traz calor humano onde os gestores da nossa nação enxergam um problema.

A Mancha Verde leva o Palmeiras onde, por vezes, ele é incapaz de chegar e se fazer presente. Sempre pensei isso.

Tem Porco aí? Tem sim, e é a Mancha Verde da Sociedade Esportiva Palmeiras!

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FORZA VERDÃO!!!

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Dona Luzia, luz alviverde

Luzia Ancelotti faleceu no início do mês de maio, na capital paulista. Dona Luzia, como todos a chamavam, junto com João Gaveta (Giovanni Capalbo), era a torcedora símbolo da Sociedade Esportiva Palmeiras. Entre as suas atribuições, ela era a guardiã de Nossa Senhora Aparecida que existia no antigo Salão de Troféus do Palestra Italia. Era comum vê-la atravessar as alamedas do clube da Pompeia com um ramalhete de flores, as mais bonitas, para saudar a nossa padroeira.

É pioneira entre as mulheres palestrinas de arquibancada, acompanhando os jogos do clube, dentro e fora da capital paulista, desde o final dos anos 50.

Foi uma honra conviver e aprender com ela. Sempre com um sorriso no rosto, uma palavra amiga e carinhosa, ajudando os torcedores mais humildes nas portas dos estádios, oferecendo um lanche, um sorvete, uma marmita, ou qualquer outro tipo de auxílio. A todos sempre que pode deu um conselho contra a violência nos estádios.

Era figura muito querida por todas as diretorias do Verdão. Tinha trânsito livre entre os jogadores e comissões técnicas, que a tratavam como mais uma integrante. Sua paixão não era apenas pelo futebol do Palmeiras, mas pela a instituição em si. Acompanhava em caravanas o futsal e o basquete do alviverde em seus jogos no interior e participava ativamente dos eventos sociais.

Por algumas vezes, após os jogos do nosso amor maior, o Palmeiras, a levei para o seu apartamento localizado ao lado do metrô Marechal Deodoro, no centro da cidade. Sempre com muitas histórias e muitos papos, claro, sobre o nosso Verdão querido!

Parte da história alviverde vai embora.

Nossos sentimentos aos amigos e familiares.

Obrigado por tudo querida amiga de Alma Verde. Até o reencontro, luz alviverde!

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FORZA VERDÃO!!!

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Bandeira Alviverde

Minha primeira imagem de um estádio de futebol é justamente essa da foto que ilustra essas linhas. Quando a recebi do querido amigo palmeirense Marcelo, presidente da Torcida Uniformizada do Palmeiras (TUP), na tarde desse domingo dia 10 de maio, uma lágrima desceu pelo meu rosto e muitas recordações surgiram.

Carregado pela mão do meu querido e saudoso pai Francisco Galuppo, entrei pela primeira vez num jogo de futebol da Sociedade Esportiva Palmeiras nos anos 80. Partida no estádio municipal do Pacaembu. O Verdão encarava a Ponte Preta naquela tarde, pelo Campeonato Paulista. O prélio em si valia a consolidação da vaga ao alviverde para as semifinais do torneio e para os campineiros a manutenção na elite do estadual. A vitória do Palmeiras por 1 a 0, gol do atacante Marcelino, foi o bastante para marcar a minha vitoriosa estreia no cimento armado.

Mas o que mais me lembro e me marcou para toda minha vida nesse dia mágico não foi o placar da partida. Irrelevante até, eu diria. Mas sim o momento exato quando atravessei as catracas do portão principal do estádio municipal. A minha frente numa roda de samba verde a batucada da TUP agitava o pré-jogo. O som da pancada do surdo que ecoava para todos os cantos explodiu no meu coração como uma bomba atômica. Aquilo foi um choque inesquecível. O chocalho e a mistura dos sons dos demais instrumentos davam ainda mais beleza àquela festa alviverde. Olhava admirado tudo aquilo. Novidade para um garoto que fazia o seu debut na vida esportiva.

Quando já estava fascinado e hipnotizado por todo aquele ritual sagrado e agitação que aconteciam tradicionalmente antes das partidas, desviei o meu olhar por alguns segundos para atrás de mim e fiquei paralisado. Eu, um pirralho de um metro e meio, via admirado aquelas bandeiras de 2 a 3 metros adentrarem no estádio. Uma a uma chegavam, eram sacudidas no ritmo dos tambores e com uma leveza incrível repousavam no alambrado, esperando a grande hora de tomarem seus postos. Todas enfileiradas, organizadamente. Enfeitadas na ponta. Umas com fitilhos laminados. Outras verdes. Algumas com bexigas infláveis. Que coisa mais linda!

Senti, pela primeira vez, que estava no lugar certo e que não queria jamais sair de perto daquilo tudo. Ali, com aquelas bandeiras, ao som do batuque e no meio da torcida, era o meu lugar!

O que, até então, era fantástico para mim, ficou ainda mais marcante. Faltando poucos minutos para iniciar a partida, eu tomando meu guaraná num como de papelão ao lado do meu pai, nas cadeiras verdes, junto com meu tio Victor e irmão Fábio, logo acima dos portões principais do Pacaembu, percebo uma mobilização.

As bandeiras e a batucada começam a rumar para o centro das arquibancadas. Um desfile verde e branco começa. Lindo! Meu coração acelerava ainda mais. Meus olhos brilhavam. Uma bandeira mais bonita que a outra me atraíram mais que o jogo. A que mais me chamava atenção era de um “boina verde”, onde nela continha um traço de um rosto de um homem com bigode grande, lenço no pescoço com a inscrição TUP e uma boina verde típica do exército.

Isso, sem dúvida alguma, me forjou em minha trajetória como torcedor e tenho certeza que a partir dessa experiência é que dediquei (e dedico) minha vida por essa paixão. Aquilo me marcou tanto que de maneira recorrente essas lembranças e imagens me veem a mente constantemente.

De 87 a 95 tive o privilégio de em cada jogo que eu fui do Palmeiras sacudir uma bandeira no estádio. Depois, elas foram proibidas aqui no Estado de São Paulo. Inúmeras vezes viajei para outras praças esportivas em que essa estúpida proibição não existe, menos para assistir ao jogo e apenas para me reencontrar com essa paixão juvenil.

Tenho o meu bambu guardado até hoje. Tenho as bandeiras que minha avó costurou a mão até hoje. Tenho uma sacola de fitilhos laminados que simbolizam cada bandeira que sacudi nos estádios como troféus até hoje. Tenho uma carta escrita à mão pelo meu querido e saudoso pai contando sobre a primeira vez que me levou ao estádio de futebol, a qual no último parágrafo ele escreve o seguinte:

“Não dá para precisar o que se passava pela sua cabeça, e não entendia, de como nós palmeirenses, estávamos passando um terrível jejum sem títulos. Porém, o tempo o preservou, e quando entendeu, hoje é, um dos ferrenhos torcedores, com paixão e defensor das cores alvi-verdes. Assinado: Seu pai”.

Não tive a oportunidade em vida de falar para o senhor o que se passava pela minha cabeça naquele dia, pai. Uma pena. Me desculpe. Ao ler sua carta, ver essa foto e estar próximo do nosso querido Palmeiras, tenho certeza que é uma forma de viver para sempre aquele e tantos outros momentos que passamos juntos e que hoje é apenas uma saudade particular e eterna na minha alma.

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FORZA VERDÃO!!!

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Sempre Capitano!

Hoje vou beber uma garrafa de Cinzano, sempre acompanhada de uma Soda Zero, no primeiro botequim que encontrar por ai. Farei isso por todos que passar. Vou cantar Retalhos de Cetim pela madrugada da Santa Cecília esperando o raiar do sol. Não me importo se alguém incomodar com o meu desafino. Um espetinho no Biroska também me fará companhia nessa minha solitária caminhada. O caldinho de mocotó na casa nordestina, um pedaço de pizza no Folhão e quem sabe tomar um porre de “Crentão”. Ninguém é de ferro!

Vou andar a pé pela cidade rumo a Caraíbas 44, na amada e querida Vila Pompéia. Berço de tanta gente boa. Chegando lá, vou bater na porta. Subir as escadas. Encontrar os amigos de alma verde. Comer, beber e cornetar! Entre um gole e outro, uma lágrima escorre no meu rosto. Vejo no espelho que o tempo passou rápido demais. Estamos todos de barbas e cabelos brancos, como num piscar de olhos.

Hoje não tem fechamento no jornal. Hoje não tem bronca pela crase mal colocada. Hoje não tem Palestra. Hoje não tem Dissidenti. Hoje não tem abraços. Hoje não tem celebração entre amigos. Hoje tudo está tão vazio e sombrio que nem parece real.

Agora, todos estamos reclusos em nossas memórias e saudades. Mãos unidas numa corrente de fé e oração. A esperança veste o verde que amamos contra todas as incertezas diante de nós. E nela depositamos a sorte dos nossos destinos, dentro e fora de campo. Cada um com sua missão e você, como nosso mais bravo guerreiro, nos ensinou a seguir em frente.

A vida é a arte da despedida, já ouvi de um grande mestre. Mas a quem e o que amamos, vive pela eternidade com suas lições e marcas. Logo nos reencontraremos. Isso é certo. Porque o que é construído em verdade jamais se interrompe pela fugacidade cruel do tempo.

Sempre teremos o seu exemplo para nos guiar, nosso eterno capitão! Te amamos, Adriano Pessini!

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Travessuras do Moleque

No dia do aniversário de 96 anos do querido Clube Atlético Juventus, listamos 15 momentos históricos do Moleque Travesso da Mooca em vídeos disponíveis no Youtube, dos anos 80 para cá.

Essa é a nossa pequena homenagem ao clube grená e seus apaixonados torcedores, nessa data tão especial. Confira:

03.05.1983 Juventus 1×0 CSA-AL – Campeonato Brasileiro Série B – Juventus Campeão Brasileiro B! – Gol de Paulo Martins (minuto 6’30” do vídeo).

https://www.youtube.com/watch?v=Dq2Xg0aPjvw

16.02.1986 Juventus (4) 0x0 (3) Santo André-SP – Torneio Início do Campeonato Paulista – Juventus Campeão – Decisão por pênaltis (minuto 1´58” do vídeo).

https://www.youtube.com/watch?v=VKnrxBUO4bc

01.07.1986 Juventus 3×1 Santos-SP – Campeonato Paulista – Gols de Raudinei (2) e Betinho – Vitória de Virada e Confusão no fim de jogo em plena Vila Belmiro.

https://www.youtube.com/watch?v=UvB6-jhf9mI

06.06.1987 Juventus 2×0 São Paulo-SP – Campeonato Paulista – Gols de Raudinei e Betinho – Os menudos do Tricolor sentiram o peso de jogar na rua Javari lotada.

https://www.youtube.com/watch?v=iGEGiSsCCdQ

14.05.1989 Juventus 1×1 Corinthians-SP – Campeonato Paulista – Gol de Silva – O gol mais bonito da história do Moleque Travesso.

https://www.youtube.com/watch?v=BY2tCW1c8ts

31.10.1992 Juventus 2×1 Corinthians-SP – Campeonato Paulista – Gols de Ricardo Eugênio e Sergio Soares – Vitória na última rodada com direito a golaço de Ricardo Eugênio, dando chapéu na defesa alvinegra.

https://www.youtube.com/watch?v=f3zS5VzKrCU

21.03.1993 Juventus 2×1 Palmeiras-SP – Campeonato Paulista – Gols de Márcio Griggio e Elcio – O Moleque Travesso breca o supertime do Palmeiras.

https://www.youtube.com/watch?v=DMXWQ8oIVd4

08.06.1995 Juventus 1×0 Palmeiras-SP – Campeonato Paulista – Gol de Luisão – O Juventus precisava vencer seus três últimos jogos para se manter na elite. E conseguiu a façanha de vencer seguidamente, Guarani, Palmeiras e Ponte Preta, permanecendo na Série A-1.

https://www.youtube.com/watch?v=EqfWg0yVaTU

09.04.1997 Juventus 2×2 Corinthians-SP – Campeonato Paulista – Gols de Carlinhos e Jajá – O técnico do Juventus era o ídolo corintiano Basilio. Dessa vez, ele que deu tantas alegrias aos alvinegros, foi o carrasco dos corintianos.

https://www.youtube.com/watch?v=gwGepXR4_18

09.08.1998 Juventus 1×0 Fluminense-RJ – Campeonato Brasileiro Série B – Gol de Ramos – O ex-goleiro corintiano Ronaldo Giovanelli engole um peru do meio da rua para alegria dos Juventinos.

https://www.youtube.com/watch?v=4Bm2NZWSEY0

25.01.2006 Juventus 1×0 São Paulo-SP – Campeonato Paulista – Gol de Sergio Lobo – O Moleque Travesso carimba a faixa de campeão mundial do Tricolor em pleno Morumbi.

https://www.youtube.com/watch?v=ZtD1R93AK-c

25.11.2007 Juventus 2×3 Linense-SP – Copa Paulista de Futebol – Gols de Elias e João Paulo – Juventus Campeão com gol marcado nos descontos pelo lateral-esquerdo João Paulo de forma dramática

https://www.youtube.com/watch?v=jGogjJz31Wk

15.03.2008 Juventus 2×2 Corinthians-SP – Campeonato Paulista – Gols de Lima e Marcus Vinicius – O Timão usou o Paulista para se preparar para a disputa da Série B do Brasileiro em 2008, após o rebaixamento no ano anterior. Mano Menezes, técnico alvinegro, não conseguiu superar a retranca grená.

https://www.youtube.com/watch?v=fsacu63dIU8

17.05.2015 Juventus 4×1 Grêmio Osasco-SP – Campeonato Paulista A3 – Gols de Leonardo e Daniel Costa (3) – Juventus goleia e conquista o acesso para a série A-2.

https://www.youtube.com/watch?v=108ZdVR5LfI

10.02.2019 Juventus 4×1 Portuguesa-SP – Campeonato Paulista – Gols de Medina, Cesinha e Adilson (2) – No clássico dos Imigrantes, o Moleque Travesso fez a festa de goleada!

https://www.youtube.com/watch?v=N_cEAfZyDaE

 

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FORZA JUVE!!!

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Verde que Cura

Nas ciências da saúde, a cor verde foi introduzida pela primeira vez em 1914, em hospital na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, pelo cirurgião Harry Sherman, que indicava ser ela a cor ideal para o ambiente cirúrgico tendo em vista ser o extremo oposto do vermelho, cor do sangue humano, segundo artigo da revista Physical Sciences and Medicine, do Canada Science and Technology Museum, em Ottawa (Ontario), no Canada, denominado “The colour of medicine” e pulicado em setembro de 2009. No Brasil o anel de médico é representado por uma pedra verde-esmeralda.

Como os profissionais da medicina, também ostentamos o manto alviverde há mais de um século. Por ele alentamos e nutrimos uma paixão incondicional. Derramamos nosso suor e transpiração no gramado em que a luta nos aguarda. Fora das quatro linhas, o nosso verde é sinônimo de honra, glórias e orgulho. Quem o veste transforma a lealdade em padrão e como num passe de mágica se torna membro indivisível de uma família infinita, que se renova a cada geração dando continuidade a essa tradição ancestral.

O Verde que amamos carrega em si a esperança de novos tempos. O Verde que nos cobre a cada batalha é a espada e o escudo de gladiadores anônimos que buscam incansavelmente a cura das aflições mundanas que nos assola e amedronta.

Nesse jogo da vida, jornadas complexas e incertas se apresentam durante mais de 90 minutos para aqueles que vestem verde e decidem os destinos de milhares de vidas humanas. O adversário parece ser invencível, até então. Possui um esquema tático indecifrável. Parece ser indestrutível e incapaz de ser derrotado. Possui um ataque rápido e sufocante.

Talvez a retranca de nossas casas e o contragolpe com higiene total seja a estratégia mais eficaz a ser adotada. Jogadores mascarados tem lugar nesse time. Não são essas as únicas soluções, mas um caminho assertivo para superar um temível adversário que se alastra pelo mundo.

Alguns sucumbem durante essa jornada inglória e devastadora. Mas a mística que o nosso Verde carrega nunca nos abandona. E isso sabemos bem como funciona. A torcida unida se redobra de força e fé. Os ventos começam a mudar. O gol da vitória começa a nascer, até explodir diante de nossas retinas. Um eco ensurdecedor irrompe o silêncio. Todos se abraçam. Festa. Alegria. Vencemos novamente. Assim será, mais uma vez!

Nosso verde não está em isolamento. Nosso verde não está com atividades parcialmente interrompidas. Nosso verde não se curva, não teme o que vem pela frente e não retrocede jamais. O Verde que cremos e unge nossas almas é a mesma cor que cobre o juramento daqueles que serão capazes de curar o mundo.

Que Jesus Cristo renasça em nossos corações e guie, com sua infinita bondade e sabedoria, nossos médicos na luta contra todos os males.

Feliz e abençoada Páscoa!

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FORZA VERDÃO!!!

*** Texto dedicado a todos os profissionais da saúde, em especial na figura do meu querido amigo e irmão palestrino, Dr. Luis Marcelo Inaco Cirino.
*** Agradeço a colaboração de Erinalva Batista, bibliotecária da Faculdade de Medicina da USP, que gentilmente nos atendeu e colaborou com informações.

 

 

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