Esportes

Atire a primeira pedra

Nos anos 10 abrimos nosso clube para servir de abrigo aos enfermos da gripe espanhola. E nem por isso nos vangloriamos por cumprir uma função social que era de responsabilidade do Estado.

Nos anos 20 já tínhamos em nossas fileiras atletas negros no futebol e no atletismo. E nem por isso não nos pouparam o rótulo de racistas.

Nos anos 30, recebemos Getúlio Vargas, o filho de Benito Mussolini e os membros da aeronáutica de elite do Duce dentro de nossa sede social. E nem por isso mudamos nossos princípios democráticos.

Nos anos 40 o então presidente da República Getúlio Vargas esteve presente num jogo do Palestra Itália, no jogo inaugural do estádio municipal do Pacaembu, bem como em nossa sede social. E nem por isso deixamos de sofrer toda a perseguição imposta pelo seu regime totalitário e xenófobo, devido as nossas raízes imigrantes e italianas.

Nos anos 50 o então presidente da República Juscelino Kubitschek esteve presente num jogo do Palmeiras. E nem por isso nos alinhamos aos seus pensamentos.

Nos anos 60 fomos aclamados pela UNESCO com todas as suas honrarias por termos auxiliado milhares de entidades beneficentes. E nem por isso nos colocamos em posição de soberba.

Nos anos 80 e 90 recebemos ministros, prefeitos, governadores e tantas outras autoridades das mais diversas correntes políticas em nossos jogos e sede social, com amplo registro público. E isso não nos fez menos ou mais tolerantes ou intolerantes. Mais direita, centro ou esquerda.

Nos anos 2000, Lulinha, filho do então presidente da República naquela ocasião, Luís Inácio Lula da Silva, foi contratado pelo Palmeiras para trabalhar no departamento de futebol do clube. E isso não nos fez adotarmos uma posição ideológica compatível com o chefe de Estado.

Durante toda a nossa história revertemos inúmeras rendas para a municipalidade edificar os seus projetos, acima de matizes políticas.

A vinda do atual presidente da república Jair Bolsonaro para a última partida do Campeonato Brasileiro e entrega do troféu e medalhas aos campeões está em linha com a tradição Palestrina em receber importantes estadistas e autoridades. Nada além disso. Qualquer outra ilação é fruto de teorias conspiratórias ou paixões pessoais.

Nosso relacionamento com qualquer autoridade e órgão de poder sempre foi (é e será) institucional. Nunca ideológico!

Isso é premissa de fé lavrada em nossa Carta Magna, o estatuto social da Sociedade Esportiva Palmeiras, no artigo 32, parágrafo V.

“Respeitar as autoridades dos poderes e órgãos administrativos, sendo-lhe defeso, dentro da SEP, qualquer manifestação de caráter político, religioso ou de discriminação.”.

Essa regra está acima dos homens e de conveniências personalistas. E é por ela que a instituição se norteia, respeitando as autoridades de nossa nação (e de qualquer outra) que por ventura se sintam inclinadas com os nossos valores e história, não o contrário.

O Palmeiras é um sentimento de todos. Nada nem ninguém irá macular ou diminuir nossas Glórias e Conquistas, que por mais de 100 anos é fruto da luta e união de milhões de abnegados de todos os credos, raças e etnias.

Tudo isso no mesmo palco, o gramado do imortal estádio Palestra Itália, que meses atrás recebia o músico Roger Waters com a sua mensagem de #EleNão. Tudo de modo pacífico, democrático, tolerante e laico. Nem oito, nem oitenta.

“Quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra”.

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FORZA VERDÃO!!!
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22 comentários sobre “Atire a primeira pedra

  1. Marcelo Nacle disse:

    Salve Galuppo, enumerou fatos e contra eles não há argumentos. Porém, não podemos isentar a direção da SEP na questão do pós jogo, onde deveria informar as autoridades competentes a aglomeração paraba celebração e com isso evitar a barbárie que quase aconteceu. Somos um time das massas e de seus representantes.

  2. Luis Marcelo cirino disse:

    Como sempre, Fernando Razzo Galluppo nos lembra ,com seus amplos conhecimentos sobre o Palmeiras , que somos mais que um clube. Somos a Sociedade Esportiva Palmeiras! Texto lúcido e ,tomara , que seja entendido definitivamente por falsos palmeirenses , mais preocupados com seus currículos do que com o clube, o que significa essa sociedade e como ela se comporta desde sempre. Parabéns, Fernando! Parabéns, presidente Maurício!

  3. Vitor Forcellini disse:

    Respeito sua opinião, mas deixar que o presidente eleito participasse da festa, desse volta olímpica e erguesse a taça como se fosse um atleta, passou dos limites. No mais, faz parte do processo democrático receber críticas por atitudes e a diretoria do Palmeiras está recebendo as dela. No atual momento do país, de ferrenha divisão politica, era claro que a presença do Bolsonaro causaria atrito entre os torcedores, poderia ser evitado. Porém, a impressão que passa é que a diretoria e a patrocinadora gostaram da aproximação mais do que deveriam.

    Agora, a presença de Major Olímpio, pra mim, é injustificável. Receber autoridade é uma coisa, receber alguém que se declara inimigo das torcidas, é outra.

  4. Marcel Gonçalves disse:

    Tá bom Fernando! Seu excelente texto me deu fortes argumentos sobre essa discussão. Mas ainda assim deixo uma reflexão. Onde estava o senhor presidente depois da surra que levamos pro Mirassol? Onde estava o senhor presidente depois daquela derrota dolorida pro Água Santa? Onde estava o senhor presidente no dia do nosso acesso naquele distante jogo de Sobral, no Ceará contra o Sport? Eu estive em todos os jogos no Allianz esse ano. Foram 15 jogos fora. E nem por isso tive o direito de estar em campo levantando um troféu. E nem queria porque meu lugar é na bancada. Infelizmente tá feito amigo. Se você me convenceu que não foi um erro, não sei se me convecerá que não tenha sido minimamente uma injustiça.

  5. ROBERTO PINTO disse:

    Galuppo, de quem tenho muito respeito e admiração, não poderia esperar de ti algo mais sublime que estas palavras bem escritas, revelando assim nossa alma e coração Palestrino, meu saudoso abraço ao grande Palmeirense que tu és.

  6. Marcelo Bello disse:

    Parabéns Gallupo… a história sempre vai mostrar, que nós somos e passamos pelo clube, tanto os políticos, jogadores, como nós torcedores… mas o Palmeiras não está… ele é e sempre será. E o presidente eleito foi só mais um de nós, apenas isso, sem alterar em nada como a instituição Palmeiras conduz sua vida.

  7. Marcelo Augusto Sapuppo disse:

    Infelizmente o artigo peca na defesa de algo indefensavel. Ser convidado e estar no camarote ok. Utilizar a S.E.Palmeiras como palanque político de quem quer que seja e, ao mesmo tempo servir de trampolim entre políticos e a corrupta cbf é lamentável. O Palmeiras é gigante para tal propósito e o 3VV não precisa utilizar o seu espaço em defesa do presidente Galliotte. Bola fora da atual gestão, do respeitavel historiador do clube e do 3VV. Toda vez que se mistura política partidária com esporte/futebol este último sai perdendo.

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