Esportes

Chama o Alborghetti

No início dos anos 90, a TV Gazeta passou a apresentar um programa policial chamado Cadeia, sob o comando do jornalista Luiz Carlos Alborghetti. Com uma toalha dependurada no pescoço, os óculos por cair na ponta do nariz e um cacetete na mão, Alborghetti repercutia as notícias do país com toda a sua indignação, radicalismo e virulência.

Ele não media as palavras. Desafiava. Chamava na chincha tudo e todos. Quebrava o cenário. Dava porrada na mesa. Brigava pelo que entendia como certo. Ficava vermelho como um pimentão. Suava a careca. Fazia o diabo a quatro.

Ontem, após o empate em 1 a 1 entre Atlético-MG e Atlético-AC, válido pela primeira fase da Copa do Brasil, o técnico do Galo Mineiro, Oswaldo de Oliveira, conhecido pela sua maneira “zen” de levar a vida, perdeu a linha com o repórter esportivo Léo Gomide, da rádio Inconfidência, na coletiva de imprensa, e lembrou por alguns momentos o velho “Dalborga”, como o jornalista do Cadeia era carinhosamente conhecido.

O treinador atleticano escutou um susposto palavrão e partiu para cima do repórter, falando todo tipo de impropérios e protaganizando uma cena digna do Programa Cadeia.

O fato é apenas um pequeno retrato do nível de intolerância em que vivemos no ambiente esportivo (e na vida como um todo). Nem bem começou a temporada e o pau comeu nas eleições presidenciais do Sport Club Corinthians Paulista. Na Portuguesa de Desportos houve invasão na coletiva de imprensa. No Botafogo jogadores foram recebidos com pedradas após a eliminação na Copa do Brasil. Tudo em menos de dois meses.

Muito provável que outros tantos episódios dessa natureza ainda estão por vir, infelizmente.

O esporte como forma de propagar e refletir cultura demonstra o quanto ainda precisamos evoluir e estamos atrasados para atingir esse objetivo.

O episódio entre Oliveira e Gomide não é algo novo. Recordamos aqui alguns dos episódios mais radicais envolvendo técnicos de futebol e jornalistas que chegaram até às vias de fato:

1994 – O jornalista Gilvan Ribeiro foi agredido por Serginho Chulapa, então técnico do Santos Futebol Clube, após um clássico entre Corinthians e Peixe. O santista havia sido expulso da partida e se irritou com o jornalista, que observava sua entrevista a uma emissora de rádio; iniciou o “bate-boca” e o atingiu com uma cabeçada. Devido à atitude, Serginho foi demitido do clube.

1998 – O Palmeiras não vivia um bom momento quando, durante um treino do clube, o jornalista Gilvan Ribeiro abordou o técnico alviverde Luis Felipe Scolari. Depois de ouvir três negativas do técnico, ele continuou insistindo em uma pergunta, armou a discussão e chegou a trocar ofensas com Felipão, que finalizou lhe acertando um soco.

2000 – O técnico do São Caetano, Jair Picerni, num treino antes do jogo decisivo da Copa João Havelange contra o Vasco da Gama deu tapa, socos e uma cabeçada no repórter Nelson Cilo, free-lancer dos jornais “Diário do Grande ABC” e “A Gazeta Esportiva”.

2009 –  Como técnico interino do Santos, Serginho Chulapa se irritou com uma pergunta do repórter André Hernan, do Sportv, e empurrou o jornalista.

picerni

Jair Picerni acerta um cruzado de direita no jornalista Nelson Cilo

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