Esportes

Deixa chover

O assunto principal no noticiário do Palmeiras nos últimos dias tem como alvo a torcida do Palmeiras. Menos por nossa festa e paixão, pelo contrário. E isso diz respeito a mim. Diz respeito a todos nós de Alma Palestrina.

De repente, a nossa torcida através do novo estádio palestrino elitizou o futebol, viramos nutella, capuccino, segregadores, coveiros do jogo raiz e outros tantos adjetivos jocosos. Apresentaram até comparativos, com valores e números, que provam isso. Um estudo “profundo” sobre o que fazemos nas bilheterias pós-Arena.

Somos o ponto fora curva contra o status quo futebolístico, recentemente. Isso parece incomodar alguns setores da imprensa e os rivais. A partir de então, tentam diminuir o sentimento do Palmeirense de todas as formas e como puderem com rótulos caricatos.

Prestem atenção nisso, Palmeirenses. Sempre há uma pequena ironia contra o nosso clube, contra nossos parceiros, contra nossos apoiadores, nossas conquistas e nossa torcida.

Há uma má vontade em aceitar que hoje estamos num patamar acima dos demais. Ponto Final. Sem arrogância. Sem prepotência. Fato. São os ciclos da bola. Já purgamos por muito tempo no inferno. Mas agora estamos mais próximos de uma trilha que nos leve ao céu que tanto sonhamos.

Com nossas próprias forças construímos o melhor e mais eficiente programa de sócio torcedor. Com nossa própria mobilização temos a melhor média de público dos últimos anos. Com nosso próprio esforço oferecemos ao clube as maiores rendas do futebol sul-americano. Com nosso próprio dinheiro temos a melhor arena de futebol desse continente. Com nossas receitas temos um time competitivo e que nos orgulha.

Caminhamos com as nossas pernas. Mérito nosso. De todos nós! Da gente palmeirense que não mede esforços para ver seu clube de coração sempre no lugar mais alto.

Não somos melhores que os demais. Muitos clubes tem uma história de lutas e superação tão belas quanto a nossa. A eles batemos palmas e sabemos reconhecer quando estão acima e nos servem como parâmetros. A recíproca, entretanto, não é verdadeira. Inventam esquemas, fair plays, negociações, bastidores, picuinhas e misérias de toda ordem. Uma pobreza de espírito de dar pena!

Mas isso não cola mais. É artifício ultrapassado. Não cabe no mundo em que vivemos, onde cada vez mais selecionamos aquilo que serve e o que não presta para nós. Um arbítrio saudável e eficaz.

Provocamos inveja e dor de cotovelo em muita gente. Isso acontece desde 1914. Não é novo. Talvez agora seja mais evidente pela massificação e acesso aos meios de comunicação. Em outros tempos, fomos tachados de quinta coluna, carcamano, italianinho e tantos outros termos pejorativos. Mudam as expressões, mas a praxe é a mesma, de lá pra cá.

Mas aqui estamos cada vez mais fortes e gloriosos, porque é dever de cada geração de palestrinos lutar e defender esse sonho verde e branco contra toda maledicência, afinal o melhor do Palmeiras é o seu torcedor.

Continuamos sendo fanáticos, cornetas e amendoins. Não mudamos nossa maneira de ser e de torcer. De cantar e vibrar. O palmeirense continua sendo palestrino, em qualquer tempo, lugar e situação. Mesmo com todas as limitações e transformações que a cada dia agentes internos e externos criam para frear nossa emoção.

Hoje, chegamos a um grau de que até mesmo um torcedor (consumidor) pode acionar o clube se a chuva o incomodar, por exemplo. Essa é a evolução não só do futebol. Mas de todos os setores da vida, onde o cidadão a cada dia tem mais voz e direitos. Essa é a verdadeira forma democrática de se expressar, concordando ou não.

Feliz é a instituição que pode acolher com o mesmo respeito os satisfeitos e os insatisfeitos. Os prós e os contras. Os aliados e os antis. E dentre esses buscar um equilíbrio na forma da lei e do bom senso. Isso chama-se civismo.

Mais feliz ainda é a instituição que pode bater no peito e dizer de cara limpa que aquilo que possui é fruto do suor, trabalho e capacidade de seu povo, sem usufruir do bem alheio de modo espúrio, como uns e outros clubes por aí, que gozam de prestígio e simpatia, mas não pagam o que devem aos cofres públicos (e como devem).

Sou do tempo do cimentão da arquibancada. Quantas chuvas tomamos no antigo Palestra Itália e em outros estádios que acompanhamos nosso querido Verdão. Quando ela caía, a torcida explodia como um chamamento entoando: “Deixa chover, deixa molhar. É no molhado que o Verdão vai golear!!!”.

Foi debaixo de um dilúvio que assisti dois jogos épicos que guardo na memória, em particular. Palmeiras 1×0 Corinthians, pela segunda fase do Campeonato Paulista, no estádio do Morumbi, no dia 8 de novembro de 1992, com 80 mil pessoas. Evair, em cobrança de falta, no fim do segundo tempo, marcou um golaço que nos deu a vitória. Festa molhada!

Veja o vídeo dessa partida:
https://www.youtube.com/watch?v=nUd_RanlQ8s

Outro momento inesquecível, foi também em 1992. Uma semana antes, no estádio Palestra Itália lotado, no dia 29 de outubro, pelo Paulistão, Cuca de cabeça marcou o gol da classificação para a fase final do Estadual, na vitória contra o Bragantino pelo placar de 1 a 0, em meio a uma tempestade, nos acréscimos.

Veja o vídeo dessa partida:
https://www.youtube.com/watch?v=f8gS-UEtS-I

Que muita chuva caía sobre nós palestrinos. De gols, de títulos, de papel picado, de emoções! Que no palco moderno, cantemos o coro da tradição, abençoando nossa casa, nosso pavilhão e nossa gente!!!

palestra1

FORZA VERDÃO!!!

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2 comentários sobre “Deixa chover

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