Esportes

Palmeiras x Santos

No próximo domingo (4), às 17h, o alviverde faz o seu primeiro clássico na atual temporada diante do Santos Futebol Clube, no estádio Palestra Itália, pelo Campeonato Paulista. Além da rivalidade recente entre as equipes, que  disputaram diversas partidas decisivas nos últimos anos, o encontro marca o primeiro jogo do meia Lucas Lima contra o seu ex-clube.

Se por um lado será a primeira vez de Lima usando a camisa alviverde perante o Peixe, do lado santista David Braz, que foi formado na  categoria de base do Palmeiras, novamente veste a camisa alvinegra contra o Verdão. Por essa particularidade, esse será o jogo dos “exs”.

Garotos x Experiência

Ao longo da história do clássico entre Palmeiras e Santos os dois clubes sempre apresentaram um jogo franco e vistoso quando se encontraram, com muitos gols e plasticidade. O time praiano invariavelmente aposta em jovens garotos de talento e pratica um futebol ofensivo, jogando e deixando  jogar, sempre privilegiando o ataque.

Já o Palmeiras normalmente aposta em jogadores mais experientes, renomados, e possui uma longa tradição de praticar um jogo mais cadenciado e técnico, com vocação de propor o jogo a todo instante e impor a sua classe para dominar os seus adversários e alcançar as vitórias.

Fazendo uma análise rápida de ambos elencos, as duas escolas de futebol nesse ano estão em consonância com suas tradições históricas.

O Peixe aposta na velocidade dos seus garotos de frente (Copete, Arthur Gomes, Rodrygo, Gabriel) para buscar o resultado positivo. Já o Palestra deverá buscar o caminho da vitória contando com a habilidade de Lucas Lima, Dudu, Moisés, Willian e Gustavo Scarpa.

Craques

Grandes craques vestiram a camisa dos dois clubes ao longo do tempo. O primeiro caso ocorreu nos anos 30, com o atacante Feitiço. Um dos maiores artilheiros do time da Vila Belmiro, encerrou a sua carreira atuando pelo Palestra Itália.

Nos anos 40, Claudio Cristovão Pinho, revelado no time santista se transferiu para o Palmeiras e foi o autor do primeiro gol da história do alviverde, após adotar o seu novo nome em 1942. Ainda nesse período, o atacante argentino Echevarrieta, que é o estrangeiro com maior número de gols da história palmeirense, se transferiu para o time praiano. Em 1943, o goleiro Ciro Portieri atuou pelo Palmeiras em duas partidas. Ele marcou época defendendo a meta santista na conquista do primeiro título estadual do Santos em 1935.

Nos anos 50, o goleiro Laercio e o meia Jair da Rosa Pinto, que defenderam o Palmeiras, foram para o Santos. Em contrapartida, o zagueiro Formiga, o meia Vasconcelos e o atacante Odair Titica, ídolos santistas, trocaram o alvinegro pelo Verdão.

O zagueiro Djalma Dias, que brilhou na Academia Palmeirense nos anos 60, também teve grande passagem com a camisa santista. Alfredo Mostarda outro grande zagueiro palmeirense que fez parte da Academia Alviverde dos anos 70, defendeu o Santos no fim de sua carreira.

Zetti, goleiro formado no Palmeiras nos anos 80 e com passagens pela seleção brasileira, defendeu as duas camisas.

Nos anos 90, Cleber (zagueiro), Cesar Sampaio (meio campo) e Velloso (goleiro), marcaram as suas trajetórias com as duas camisas. Nos anos 2000, o meia Pedrinho e o volante Arouca também mostraram seu valor nos dois clubes, conquistando títulos.

Casos únicos

Poucos sabem, mas dois dos maiores ídolos santistas tiveram passagens relâmpago pela Sociedade Esportiva Palmeiras.

O meia Antoninho Fernandes foi contratado pelo Palmeiras junto ao time praiano em janeiro de 1951. Chegou a fazer dois jogos pelo alviverde e marcou um gol. Mas a saudades da Vila Belmiro e a relutância dos cartolas praianos em ceder o passe do craque santista fez com que o negócio fosse desfeito e ele retornasse ao Peixe, onde continuou a sua jornada de grande craque.

O outro caso trata-se do atacante Pagão. Em 1955 o jogador pertencia a Portuguesa Santista e foi oferecido ao Palmeiras em sigilo para disputar uma partida amistosa no Rio de Janeiro, onde seria a sua prova de fogo para firmar um contrato com o time palestrino, em caso de ser aprovado.

Os lusos santistas nutriam uma forte rivalidade com o time alvinegro e estavam dispostos a cedê-lo ao Verdão, ao invés do seu vizinho praiano, que já cobiçava o atleta.

Pagão estraçalhou com a camisa alviverde. Fez três gols no amistoso contra a Seleção de Barra Mansa e praticamente selou a sua ida em definitivo para o alviverde. Para não chamar a atenção, os dirigentes alviverdes ao invés de divulgar na súmula da partida o nome de Pagão, colocaram o nome de “Fernando” para o camisa 9.

Mas a notícia inesperadamente vazou na cidade Santos. Os cartolas santistas se mobilizaram e rapidamente endossaram um cheque para o tio de Pagão num valor acima do dobro do que o Palmeiras oferecia para a compra do passe do seu sobrinho junto a Lusa Santista.

Na volta para a cidade praiana, Pagão que dava como certo o seu destino traçado para o Parque Antártica, mal sabia que sua vida esportiva já estava acertada pelo seu tio com o clube da Vila Belmiro, onde se transformou num dos maiores craques do clube e do futebol brasileiro.

Santistas Palmeirenses

Três ídolos santistas já declararam publicamente a sua paixão juvenil pelo Palmeiras, ao longo da história.

O primeiro deles foi José Ely de Miranda, o eterno capitão santista Zito. Em matéria publicada no jornal A Gazeta Esportiva do dia 24 de novembro de 2011, o jogador contou que quando menino torcia para o Palmeiras e seu ídolo era o goleiro Oberdan Cattani.

Em sua biografia escrita pelo jornalista Wladimir Miranda, intitulada “O artilheiro indomável”, o atacante Serginho Chulapa também declarou sua torcida pelo Palmeiras.  Na página 25, há a seguinte afirmação: “… na infância, passada nos campos de terra batida no bairro da Casa Verde, torcia mesmo para o Palmeiras.”

Chulapa conclue dizendo que adorava ver jogar o irreverente e inquieto Cesar Maluco, com a camisa palestrina.

Mais recentemente, o atacante Neymar Jr., também afirmou publicamente em diversas oportunidades a sua torcida pelo Palmeiras quando criança, em entrevistas e nas redes sociais.

No entanto, todos eles nunca jogaram no Palmeiras e brilharam com a camisa santista.

Divino na Vila

Ademir da Guia treinou na equipe juvenil do Santos quando garoto.  Foi aprovado e tinha proposta para ficar na Vila Belmiro. Seu pai Domingos da Guia seria o treinador do time infantil do Peixe.

Domingos iria pedir como salário aos diretores do Santos 9 mil reais para os dois acertarem sua vida com o Peixe. Eles ganhavam 3 mil reais no Bangu. Mas na negociação, o pai de Da Guia aumentou sua pedida para 13 mil reais. O diretor das categorias de base santista disse que somente o responsável por todo o departamente de futebol poderia autorizar aquele salário, mas que no momento ele acompanhava o time principal do Peixe em um compromisso e só chegaria alguns dias depois.

Ademir pediu para o seu pai para voltarem para Bangu. Era semana de carnaval e pretendiam retornar ao litoral paulista após os festejos de Momo. Brincaram o carnaval no Rio de Janeiro e nunca mais voltaram. O destino de Ademir da Guia seria o Palmeiras, para a nossa felicidade!

Chuva de Gols

Nenhum outro clássico paulista teve tantos gols numa única partida como o jogo entre Palmeiras 6×7 Santos, em 6 de março de 1958, válido pelo Torneio Rio-São Paulo, realizado no estádio municipal do Pacaembu.

Dizem que torcedores morreram de emoção dado os revezes do placar, ora com o Palmeiras na frente ora com o Peixe.

Números no Palestra

Essa será a partida de número 78 entre as equipes no estádio Palestra Itália. Até aqui foram 77 jogos, com 40 vitórias alviverdes, 22 empates, 15 vitórias santistas, 144 gols marcados pelos palmeirenses, contra 79 sofridos. Nenhum outro clube fez tantos gols no Palmeiras em seus domínios como o Santos.

O clássico de domingo tornará o Santos Futebol Clube o time que mais vezes atuou diante do Palmeiras em sua casa.

A última vitória do Palmeiras contra os santistas no Palestra Itália foi justamente na decisão da Copa do Brasil no dia 2 de dezembro de 2015, pelo placar de 2 a 1, gols palestrinos marcados por Dudu (2). Na ocasião, o alviverde conquistou o título da competição na disputa por pênaltis.

De lá para cá houveram mais três confrontos, com dois empates e uma vitória do time praiano.

*** Em caso de reprodução dos dados acima, é obrigatório dar os créditos das informações ao autor Fernando Razzo Galuppo e seu respectivo blog pessoal ***

Palmeiras-Lucas-Lima-1-1

FORZA VERDÃO!!!

 

 

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3 comentários sobre “Palmeiras x Santos

  1. Sempre sai jogos bons contra os sardinhas. Acredito que este não será diferente.
    Eles são nossos fregueses antigos como você mesmo lembrou em seu texto e creio que o jogo de domingo servirá para consolidar o nosso grupo e fortalecer ainda mais o Verde rumo ao título.

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