Esportes

Mamma mia!

Uma história de respeito. Começa exatamente com essas palavras a matéria veiculada na tarde dessa segunda-feira (26) no programa Globo Esporte, que levou a Dona Maria Antonia, mãe do goleiro palmeirense Jailson, e demais membros da família, devidamente uniformizados e no meio da arquibancada do estádio de Itaquera, para torcer no clássico pelo….. MAIOR RIVAL!

A justificava do apresentador do programa é de que a matéria revela que o “Jailson sempre foi palmeirense desde criança e que a mãe nunca quis que ele torcesse para o Corinthians, mesmo ela sendo corintiana”.

Que bonitinho. Que exemplo moralizador. Que virtude nobre. Comovente. Como a Rede Globo zela pelos valores da família brasileira, vide as suas novelas e programação edificadora. Puxa vida! Ficamos todos arrepiados com a mensagem de amor patrocinada pela emissora!

Ironia à parte, não bastasse toda polêmica envolvendo Jailson no clássico, a qual exaustivamente acompanhamos, somos brindados com uma reportagem tão desnecessária quanto o bandeirão com o logotipo da Premiere/Sportv estendido no meio da torcida alvinegra, nas arquibancadas do estádio da Caixa Econômica Federal, localizado em Itaquera e empunhado com orgulho pelos corintianos.

“Agora você não tá no gol, Jailson. Eu vou gritar. Timão Êo!”, disse Antonia, sem nenhum pudor, quando do segundo pênalti anotado contra o Palmeiras e após seu filho não estar mais na meta palestrina devido a sua expulsão minutos antes. Vergonha alheia é pouco! Peroba, então, nem se fala!

Dona Antonia, talvez nem tenha a consciência que ela só está lá na telinha porque seu filho joga no ALVIVERDE, não pela sua paixão exemplar pelo time do Parque São Jorge.  O dinheiro que leva comida (e até mesmo a camisa alvinegra que ela ostenta) para a casa dela vem da SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS!

Vem de NÓS TORCEDORES PALESTRINOS, que pagamos religiosamente o plano de sócio-torcedor, mensalidade do clube social, e tudo mais que o valha que consumimos com a marca do clube, para que seu filho e os outros atletas no fim do mês possam receber em dia os seus justos salários.

Ao se expor publicamente com uma atitude irresponsável como essa, Dona Antonia, expõe seu filho por tabela e dá margem para todo tipo de crítica e opinião a seu respeito. Ninguém se importa se ela torce para o Íbis ou para o Corinthians. Dane-se o gosto e a paixão da Dona Antonia. Isso é um arbítrio puramente dela. Ninguém tem nada com isso.

Mas quando o foco passa a ser “a mãe do goleiro titular do Palmeiras”, as coisas mudam. E muito! A Dona Antonia no meio da torcida do maior rival, com tatuagem, penacho, fitinha, camisa, bumbo, e o cacete a quatro, em dia de clássico contra o PALMEIRAS, anonimamente, não tem problema nenhum.

“A mãe do goleiro titular do Palmeiras” em rede nacional é o fim da picada! Uma linha tênue que foi ultrapassada e faz toda a diferença.

O pai do meia Rivellino, ídolo alvinegro, sempre foi palmeirense, assim como ele. E nunca se expuseram a um ridículo desses. O pai do goleiro Marcos, corintiano assumido, nunca precisou vir a público para afirmar a sua paixão clubística às custas do filho. Exemplos são inúmeros. Poderia citar vários, mas não serei cansativo.

É óbvio ululante, como diria o genial Nelson Rodrigues, que nem todos os jogadores de cada clube e seus familiares são torcedores das respectivas agremiações que eles defendem. Pelo contrário. Mas nem por isso escancaram isso abertamente. Por um respeito tácito, ora jogado na lata do lixo pela Dona Antonia e pelo Globo Esporte.

Quais o motivos então levaram uma matéria como essa ir ao ar, nos questionamos: Talvez por ingenuidade da mãe de Jailson? Talvez por má fé da produção do programa? Talvez por uma péssima assessoria de imprensa ou a falta dela? Talvez por pura galhofa? Talvez por oportunismo? Talvez para menosprezar o torcedor do Palmeiras? Talvez para desestabilizar e expor ainda mais Jailson?

Talvez é o que não falta para tentar entender qual o objetivo. Tudo o que for dito não justifica uma matéria ridícula como a que foi apresentada e produzida. Faltou sensibilidade e bom senso para todos os envolvidos numa aberração dessas. Isso é a única coisa que de fato podemos afirmar.

Quem tem uma mãe como essas, não precisa de “anti”. O respeito ao filho e ao seu trabalho, passou longe. Em nenhum momento ela pensou no que poderia acarretar como consequência para o Jailson e a continuidade de sua profissão? De que maneira isso poderia prejudicá-lo?

Afinal, quem terá que se justificar é ele perante o torcedor do Palmeiras e não a Dona Antonia, com um pedido de desculpas em nome dela, ou validando a atitude de sua mãe. Uma sinuca de bico, tão constrangedora quanto um pênalti marcado quarenta segundos após o fato consumado, com interferência externa e a expulsão de campo pelo árbitro da partida.

Mas o mais importante mesmo nessa história toda, no fundo da alma, para a Dona Antonia e para a emissora era mostrar para o mundo, que acima de tudo, “Vai Cúrintia!”, assim como estava escrito no bandeirão com as marcas globais estendidos entre os “fiéis”.

Para o “grand finale” ficar completo faltou ela beijar o escudo e bradar o novo grito de guerra entoado a plenos pulmões pelos nossos rivais: “É o Time da Globo! É o coringão!”. Mas isso seria forçar demais. Quem sabe os geniais roteristas da emissora não acrescentem isso para o próximo Derby?

Tudo a ver! A gente se vê por aqui! Plim Plim!

Mamma mia!

kiko

FORZA VERDÃO!!!

 

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Não é o fim, Palestra!

Dois de maio de 1993. Domingo. Derby. Campeonato Paulista. Segundo turno da fase de classificação. A capa do caderno de esportes do jornal Folha de São Paulo do dia seguinte dessa partida estampa sem dó: “Corinthians destroça supertime”.

Na ocasião, o Palmeiras ainda tinha um peso de 16 anos (toneladas) nas costas. Era um “supertime” para a imprensa. Não era dentro de campo. Nem para nós torcedores. Não tinha ganhado nada ainda. Todos os nossos fantasmas rondavam sossegados e faceiros as alamedas do Palestra Itália como de costume faziam por mais de uma década, para a nossa angústia.

Derrota categórica num clássico gigante fez com que a esperança do torcedor fosse subjulgada. Os traumas e feridas voltaram à tona. Não tinha jeito. Era a nossa sina.

Sérgio, Mazinho, Antônio Carlos, Edinho Baiano e Roberto Carlos; César Sampaio, Daniel Frasson (Maurílio) e Jean Carlo; Edmundo, Edílson e Zinho. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Foi esse o time do Verdão naquela fatídica tarde de domingo. Após o jogo, ninguém mais prestava! Luxemburgo era burro. Edmundo pipoqueiro. Sampaio amarelão. Mazinho piada. E assim por diante, cada um foi pichado como o time mais incapaz da vida palmeirense. O “supertime” não era nada disso. Todas as dúvidas do mundo pairavam sobre nós.

As primeiras linhas da matéria do jornal que retrataram aquele clássico vão além e nos machuca tanto quanto o título garrafal da chamada, dizendo: “Contra a técnica, marcação. Contra o esnobismo, garra. Assim o Corinthians goleou o Palmeiras…”

Eu estava lá no Morumbi com meu saudoso pai naquela tarde. Saímos com a certeza de que na hora “H” o Palmeiras iria fazer o que se acostumou a fazer durante todo os anos 80. Ou seja, cair na reta final.

Mas para a nossa sorte, eu, meu pai e milhões de palmeirenses nos enganamos. Um pouco mais de um mês depois, no dia 12 de junho, Palmeiras e Corinthians voltaram a se encontrar na final do estadual. No mesmo palco. Praticamente com as mesmas formações. E o final da história todos sabemos como terminou. Verdão campeão, com goleada, fim do tabu e formamos uma dinastia de uma década, basicamente com a espinha dorsal daquele time.

O jogo em que o Corinthians atropelou o Palmeiras em 1993 na fase de classificação não saiu da minha cabeça, enquanto acompanhava o Derby desse sábado (24) em Itaquera. O time alvinegro usou do mesmo expediente do passado: marcação contra técnica, garra contra esnobismo.

Como em 93, o decantado “supertime” não foi capaz de vencer o seu maior rival. A descrença surge novamente entre os palmeirenses. Será que esse ano será uma repetição de 2017? Pipocamos de novo? O time não presta? Não temos alma? O técnico errou? São algumas das inúmeras indagações entre os palestrinos, após a primeira derrota na temporada e a quarta consecutiva para o maior rival, algo que não acontecia há 33 anos.

Não vou me aprofundar nos erros da arbitragem tendenciosa de Raphael Claus e seus comparsas, a interferência externa na marcação do primeiro pênalti a favor do time do Parque São Jorge e a consequente expulsão do goleiro Jailson, a bandeira da Sportv/Premiere levantada no meio dos alvinegros antes do início de cada tempo com a escrita de “Vai Corinthians”, sem o menor pudor e constrangimento de ambas as partes. Isso será abordado a exaustão pela grande mídia.

Prefiro olhar para frente e projetar o que podemos ser. Algumas boas lições precisamos tirar do Derby de Itaquera. Perceber que não existe um “supertime”, como tentam nos induzir a todo instante, é o primeiro passo. Um “supertime” não se constrói com folha salarial, propaganda e saliva. Mas com suor, equilíbrio e resultados.

Não desprezar os bastidores é outra lição que fica. Fatores ocultos, novamente, interferiram no resultado do jogo.

Temos ainda falhas na organização da equipe. Não somos um time pronto, ainda. Principalmente, no inseguro miolo de zaga, que não inspira confiança em ninguém e pode colocar tudo a perder.

Ser mais contundentes nos jogos grandes e ter a dimensão do que eles representam para a torcida e para a história do clube são elementos que também devem ser incorporados para o fortalecimento espiritual desse elenco. Diminuir a distância entre time e torcida em momentos chaves, pois de uns tempos para cá se criou um abismo entre o sentimento do torcedor e a postura dos jogadores em campo.

Temos todas as chances de fazer um ano glorioso. A temporada só está no início. Perder faz parte do esporte. É um dos três resultados possíveis no futebol. Não há que se criar um ambiente de terra arrasada, após um dissabor dolorido frente ao rival que mais detestamos. Nosso caminho é árduo. Vamos ter outras tantas provações pela frente. É lamber as feridas, levantar a cabeça e seguir em frente.

Não é o fim, Palestra!

torcida

FORZA VERDÃO!!!

 

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Senhor Derby

É da natureza palestrina gostar de não gostar do time alvinegro do Parque São Jorge e das coisas que se relacionam ao nosso maior rival. Trata-se de um legado que herdamos e nos dá prazer. Procuramos cultivar por entre gerações, de modo intenso e verdadeiro.

Ninguém na cúpula diretiva palestrina personificou tanto esse sentimento em atitudes como o saudoso e memorável diretor, conselheiro e benemérito José Gimenez Lopes. Ele era enfático ao afirmar: “Se é bom para ELES é ruim para NÓS”, referindo-se ao Sport Club Corinthians Paulista.

Folclórico. Radical. Passional. Sincero. O Espanhol, como era conhecido, se transformava quando o embate era contra o time da Fazendinha. Não engolia “eles” de jeito nenhum.

A italianada palmeirense sabia desse pormenor e sempre cutucava Gimenez com todo tipo de galhofa: “Um espanhol no Palestra, deve ser corintiano camuflado”, provocavam. Pronto. O pau quebrava. O fio desencapava. O sangue fervia. O palestrinismo vinha à tona.

Gimenão, delegado e investigador de polícia, era morador do bairro de Santana, na Zona Norte de São Paulo. Franco, autêntico, sem meias palavras, não fugia da polêmica quando o assunto era a sua maior paixão, a Sociedade Esportiva Palmeiras.

Ocupou o cargo de diretor de futebol profissional do Palmeiras em três ocasiões. Sua primeira passagem na função  nos anos 60 foi a mais marcante. Em 1968, iniciou um processo de renovação no elenco alviverde, dispensando ídolos como: Tupãzinho, Maidana, Perez, Valdir Joaquim de Moraes, Ferrari, Servílio, Gildo, Rinaldo, Djalma Santos, Zequinha, entre outros.

Em contrapartida, trouxe outros grandes craques como Artime, Cesar Maluco (em definitivo), Leão, Eurico, Luis Pereira, Zeca. Mantendo os geniais Dudu e Ademir da Guia. Basicamente, construindo a espinhal dorsal da Segunda Academia.

Sua estratégia deu certo. Sagrou-se Campeão Brasileiro em 1969 e deixou edificado os pilares sólidos que fariam do Palmeiras um dos maiores e mais consagrados times de futebol da década de 70.

Porco

Em 1969, os jogadores corintianos Lidu e Eduardo morreram em um trágico acidente de carro na Marginal Tietê. As inscrições para o Campeonato Paulista já estavam encerradas.

Em caráter excepcional, o dirigentes dos clubes se reuniram na Federação Paulista de Futebol, a fim de permitir que os corintianos pudessem inscrever dois novos atletas, em função do acontecido. Para que isso ocorresse, haveria de ter unaminidade entre todos os filiados.

José Gimenez Lopes, representante da Sociedade Esportiva Palmeiras, entendia que o regulamento deveria ser respeitado, e foi a única voz contrária aos interesses alvinegros, entre todos os presentes.

O então presidente corintiano, Wadih Helu, se irritou com a posição do Palmeiras e declarou à imprensa que os palmeirenses tinham “Espírito de Porco”.

Na partida seguinte entre os rivais, no dia 11 de maio, a torcida alvinegra soltou um porquinho no gramado do Morumbi, antes da partida começar, relembrando as palavras de seu mandatário. Resultado: vitória palestrina por 2 a 0, gols de Artime. Gimenez sorria nos vestiários, junto aos jogadores e toda coletividade esmeraldina. E o animal fora adotado como mascote alviverde, anos mais tarde!

Bom de Briga

Gimenez não afinava. Se o diálogo não resolvia, ele ia mesmo para a briga. São inúmeras as situações em que ele se engalfinhou com alguém por causa do Verdão.  Em 1970, depois de um jogo, ele agrediu com um soco o árbitro José de Assis Aragão, por julgar que ele havia prejudicado o Palmeiras.

Nesse mesmo período, chamou o jornalista Zé Italiano, que participava do programa Mesa Redonda da TV Gazeta liderado por Milton Peruzzi, para sair no braço no meio do debate. Levantou-se e mandou Zé Italiano ir para rua, dizendo que iria quebrar a cara dele, por não concordar com suas posições, ao qual julgou ofensivas aos palmeirenses.

Nos anos 80, já com 70 anos, contestou Eduardo José Farah, então presidente da Federação Paulista de Futebol, que havia nomeado para o departamento de arbitragem da entidade o ex-diretor de futebol do Corinthians e na ocasião deputado, Adilson Monteiro Alves.

Em entrevista aos jornalistas da época, Gimenez declarou: “O Farah colocou um político no Departamento de Árbitros. Por quê? Só porque ele tem imunidade para não levar uns cascudos, uns tapas? Olha, eu sou um cara bravo, por isso a hora que eu achar que o Departamento de Árbitros prejudicou meu time vou lá na FPF para conversar. Comigo não tem esse negócio de não aceitar reclamação. Acho o Adilson lá um erro imperdoável. Até porque ele foi diretor do Corinthians e isso pesa, não adianta dizer o contrário”.

Paulista 1968

Um dos piores anos do Palmeiras em campeonatos estaduais aconteceu em 1968. Naquele ano, o clube priorizou a Taça Libertadores da América, onde foi finalista e terminou como vice-campeão, e realizou um desempenho pífio no Paulistão.

Na parte debaixo da tabela, o Verdão lutou contra o rebaixamento até as últimas rodadas e conseguiu escapar da degola no campo, apesar de algumas vozes contrárias afirmarem que o Palmeiras havia “comprado jogadores” e “induzindo” o Guarani a escalar irregularmente alguns atletas para que o clube palestrino ganhasse os pontos da partida contra os campineiros no tapetão.

Na ocasião, apenas o último colocado seria rebaixado. Nessa condição estavam empatados com o mesmo número de pontos: Palmeiras, América de São José do Rio Preto, Comercial de Ribeirão Preto e Juventus da Mooca.

Entretanto uma situação extra-campo, de fato, interferiu na questão do descenso. E não partiu do Palmeiras e seus mentores.

O Comercial de Ribeirão Preto entrou na justiça (e conseguiu) a anulação da partida contra a Portuguesa de Desportos do dia 2 de junho, realizado em Ribeirão Preto. Teve de tudo nesse jogo. Gols anulados. Quebra pau. Invasão de torcedores. Pedradas. Ataque aos veículos de imprensa. O resultado da partida ficou desconhecido e o relatório da arbitragem sob análise da FPF para definir o que fazer. No campo, a Lusa venceu por 1 a 0. Mas a  situação ficou pendente e os comercialinos conseguiram seu intento de refazer a partida, a fim de virar a mesa e se manter na elite.

No novo jogo, marcado para o dia 20 de agosto, com portões fechados, no estádio Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas, a Lusa venceu novamente o Comercial pelo placar de 1 a 0, gol de Leivinha (que depois se tornaria ídolo palmeirense).

O resultado deixou o time ribeirão pretano na laterninha isolada e livrou todas as possibilidades de descenso de Palmeiras, América de São José do Rio Preto e Juventus da Mooca.

Mas no final das contas a FPF, por decisão única e exclusiva da entidade máxima do futebol bandeirante na figura de seu presidente, definiu que não haveria rebaixamento na competição.

Foi nesse contexto que Gimenez Lopes se tornou o homem forte do futebol palestrino e transformou um time desacreditado na Academia de Futebol.

Automobolismo

José Gimenez Lopes foi piloto e dono de escuderia, chegando em segundo lugar por duas vezes na tradicional Mil Milhas de Interlagos, formando dupla com nomes históricos como Chico Landi e Camilo Christófaro.

Sofreu acidentes que quase o levaram a morte. Num deles, teve a perna dilacerada e viu o seu amigo Victor Losacco falecer no volante. Outra vez sofreu um capotamento e foi salvo por uma valeta de água.

Dono da bola

O Espanhol comandou o futebol alviverde nos seguintes períodos:

10/7/1968 – Empossado pela primeira vez como diretor de futebol profissional pelo presidente Delfino Faccchina. Permaneceu até 3/7/1970.

6/3/1977 – Empossado pelo presidente Jordão Bruno Saccomani como diretor de futebol profissional. Permaneceu até 19/8/1977

15/2/1988 – Empossado pelo presidente Nelson Tadini Duque como diretor de futebol profissional. Permaneceu até 19/12/1988.

Desempenho nos Derbys

Confira o retrospecto de José Gimenez Lopes nos Derbys em que esteve a frente como diretor de futebol profissional do Palmeiras:

1968 a 1970 – 11 jogos, 6 vitórias do Palmeiras, 3 empates, 2 derrotas, 17 gols pró, 9 gols contra

1977 – 3 jogos, 1 vitória do Palmeiras, 1 empate, 1 derrota, 4 gols pró, 4 gols contra

1988 – 4 jogos, 1 vitórias do Palmeiras, 3 empates, 0 derrotas, 3 gols pró, 1 gol contra

Total:  18 jogos, 8 vitórias do Palmeiras, 7 empates, 3 derrotas, 24 gols pró, 14 gols contra

Frases

Listamos aqui algumas das inúmeras frases de José Gimenez Lopes sobre os mais diversos assuntos. Confira:

“A última vez que a Portuguesa precisou reforçar algum time em campo, ela comprou oito sacos de cimento”, ironizando a premiação prometida pelos diretores da Lusa para os jogadores do América de São José do Rio Preto vencerem o Palmeiras em 5 de junho de 1988.

“Eles não tem time e não ganham mesmo, nem aqui, nem no Maracanã, nem no inferno”, após vitória sobre o Vasco da Gama, na fase decisiva do Campeonato Brasileiro de 1968.

“A maioria dos caras que dirigem futebol é amador. Eles são ricos geralmente frustrados na vida particular e querem aparecer”, em entrevista em 1988 sobre os cartolas do futebol.

“O futebol é o melhor trampolim político que existe no mundo. Veja o caso do Adilson Monteiro Alves. Ele tirou proveito do futebol, ou alguém acha que ele se elegeria deputado se não tivesse passado pelo Corinthians”, em entrevista em 1988 sobre a relação política e futebol.

“Eu não tenho medo de nada. Nem de morrer, pois tenho um túmulo lindo no Araçá”, falando sobre os cinco acidentes que sofreu em corridas automobilísticas.

“Passionalismo ou não, o que acontece é que eu não posso aceitar pacificamente que meu clube seja prejudicado por quem quer que seja. Não posso ficar parado se todo mundo mete a mão no Palmeiras. Repito: se roubarem o Palmeiras, vão me ver bravo!”, questionado sobre o seu temperamento explosivo e passional.

“O Maradona joga no meu time com dois brincos, colar e sarongue”, perguntado sobre o modo de se vestir e o estilo dos jogadores nos anos 80.

“Não aceito beque meu amaciar. Uma vez o Luis Pereira ajudou um adversário caído a se levantar. Vi aquilo e avisei: Luisão, na hora do jogo, adversário é inimigo, e como inimigo deve ser tratado. Depois do jogo tudo bem beber uma cervejinha. Mas no campo é guerra. Não se dá a mão a ninguém. Pelo contrário, se puder cutucar o crânio dele, melhor”, sobre o Fair Play no futebol.

“Um, dois, três, o Corinthians é freguês!”, mensagem vinda do plano espiritual endereçada a todos os Palestrinos.

gimenez

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Catarrada no Capetinha

Na noite de sexta-feira (16), durante o programa esportivo Fox Sports Rádio, da emissora de canal Fox Sports, o ex-jogador Edilson manifestou todo o seu mau-caratismo ao comentar sobre o goleiro Jailson, da Sociedade Esportiva Palmeiras.

O “Capetinha” se referiu ao atleta do Verdão que por ele ser negro não inspirava confiança, usando o seguinte termo:  “Goleiro negão sempre toma um gol”, disse.

Somente essa manifestação odiosa bastava para o telespectador mais atento desligar o seu aparelho de televisão, mudar de canal ou mandar uma mensagem ao ombudsman do canal repudiando tal pensamento.

Mas a coisa foi além. Não parou por aí. O diálogo que se seguiu na bancada sobre o assunto dá nojo. Os demais comentaristas, até certo ponto constrangidos, tentavam amenizar. Mas Edilson vomitava toda a sua ignorância, com argumentos cada vez mais podres e preconceituosos contra Jailson e os negros.

Poderia dizer que o negro Jailson é um dos poucos goleiros (se não o único) a ser campeão brasileiro sem derrotas na meta. Poderia dizer que o negro Jailson é um dos poucos goleiros (se não o único) a ficar mais de 500 dias sem uma derrota. Poderia dizer que o negro Jailson é um dos poucos goleiros (se não o único) a realizar um sonho de infância e defender as cores do seu clube de coração e ser idolatrado pela sua torcida.

Não. Nada disso. O que importava no pensamento de Edilson era evidenciar que o negro Jailson não tem valor. Ou qualquer outro negro, como ele próprio fez questão de generalizar com exemplos. A condição técnica do jogador ficou em segundo plano na opinião. A deficiência do arqueiro alviverde para Edilson era a cor de sua pele. Preferiu atacar o homem. A honra. A moral. Feri-lo na sua integridade, demonstrando toda a sua pequenez de alma publicamente (mais uma vez), o que tem sido praxe na sua vida dentro e fora dos gramados.

Edilson vestiu importantes camisas no futebol brasileiro e internacional, inclusive a do Palmeiras de Jailson. Chegou a seleção nacional. Cada vez menos lembramos dele por esses feitos, conquistas e dribles desconcertantes nos adversários. Pelo contrário. Está mais em evidência por suas condutas reprováveis.

Com uma folha corrida de mais de 30 processos nas costas, o rei das embaixadinhas, como ficou conhecido pela torcida corintiana após a final do Campeonato Paulista de 1999 entre Palmeiras e Corinthians, responde na justiça desde fraude em loterias a pensão alimentícia. Talvez agora acumule mais um B.O. em sua longa capivara criminal.

Não vi ao programa na íntegra. Mas quando tomei conhecimento e assisti ao que ele disse do nosso querido Jailsão da Massa, logo lembrei de Luiz Felipe Scolari. No ano 2000, o Palmeiras havia perdido para o Corinthians o primeiro jogo da semifinal da Taça Libertadores da América por 4 a 3. Scolari queria vingança. Principalmente de Edilson, então atleta do rival alvinegro.

O treinador palmeirense reuniu seus atletas no vestiário da Academia de Futebol e fez vazar para os microfones e gravadores da imprensa ali presentes a preleção pré-jogo para a segunda partida da eliminatória da competição continental entre os maiores rivais.

Na ocasião, Felipão foi categórico: “Quem é que no começo do jogo vai dar uma catarrada na cara do Edilson? Dar um cascudo! Enfiar o dedo nele, porque é um cara malandro, mas é cuzão, covarde, cafajeste!”, disse.

Faço minhas as palavras do mestre, ídolo, amigo e visionário Felipão. Antecipou com brilhantismo há 18 anos atrás, o que pensamos sobre Edilson e suas opniões.

jailson

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Forza Juve

O Juventus vive uma crise profunda dentro e fora de campo. Nos bastidores, o presidente Domingos Sanches é acusado de tentar burlar acordos contratuais com o objetivo de mascarar prejuízos ao órgão de fiscalização regido pelo Conselho Deliberativo, segundo matéria publicada pelo portal Gazeta Esportiva, no dia 7 de fevereiro. O mandatário pode sofrer um inédito impeachment na história do clube grená, por conta desse ato.

No futebol, o ambiente turbulento da política grená se reflete no desempenho risível que o time apresenta no Campeonato Paulista da Série A-2. Até o momento, o Moleque Travesso perdeu todos os seis jogos que disputou em campo (sendo quatro deles na Rua Javari), possui três pontos ganhos devido a um W.O. a seu favor contra o Rio Claro e ocupa a zona de rebaixamento do torneio.

A última vez que o clube sofreu quatro derrotas seguidas na Rua Javari foi entre setembro de 2012 e janeiro de 2013. Na ocasião, o time da Mooca perdeu para Palmeiras B e Grêmio Audax (Copa Paulista 2012), São Caetano (Amistoso) e Noroeste (Paulista A-2 2013).

Foi também nesse período que o Juventus obteve seis derrotas seguidas, igualando a marca negativa atual. Quatro pela Copa Paulista de 2012 (Palmeiras-B, São Bernardo, Grêmio Audax e Atlético Sorocaba), uma em jogo amistoso (São Caetano) e uma pelo Campeonato Paulista da Série A-2 (Noroeste).

Se analisarmos apenas o desempenho no Campeonato Paulista da Série A-2, as últimas duas vezes que o Juventus teve uma sequência superior ou igual a cinco derrotas consecutivas, o clube não conseguiu evitar o rebaixamento para a Série A-3.

Em 2009, foram cinco derrotas seguidas na competição (São Bento de Sorocaba, Rio Branco de Americana, Flamengo de Guarulhos, Rio Claro e São Bernardo). O Moleque Travesso acabou na décima sétima colocação e foi relegado para a Série A-3.

Em 2013, foram seis derrotas consecutivas (Portuguesa, Grêmio Osasco, Capivariano, Audax, Catanduvense e São Carlos). A equipe grená terminou na vigésima colocação e pela segunda vez nesse novo século teve que disputar a terceira divisão.

O momento atual é delicadíssimo. O time não apresenta poder de reação com a bola nos pés e seus mandatários se vêem envolvidos num dos maiores escândalos da vida juventina. A iminência de mais um rebaixamento para o penúltimo escalão do futebol paulista é cada vez mais tangível.

No século XXI, o Moleque Travesso esteve na elite da divisão estadual em apenas seis ocasiões. A cada ano o clube se afunda ainda mais nas divisões inferiores. Já se passaram uma década de sua última participação entre os principais clubes do Estado.

Venda da Javari, times obscuros, gestões turbulentas, política efervescente, falta de renovação dos quadros dirigentes, má influência de empresários, fim do departamento de futebol profissional são assuntos recorrentes e que só empobrecem a cada dia a reputação e tradição histórica que os juventinos levaram décadas para construir com muito suor e trabalho.

Aos que amam a camisa avinhada, passou da hora de exigir o respeito e o tratamento devido que esse grande clube merece. A Mooca precisa se levantar e acordar desse sono profundo que tomou conta do nosso querido Clube Atlético Juventus.

É inaceitável vê-lo definhar a passos largos de braços cruzados. Não somos apenas um clube de canolli e de pão com mortadela. Nascemos e nos fizemos grandes pelas proezas e feitos no futebol. O jogo de bola é que possibilitou aos juventinos possuir e edificar um dos maiores clubes sociais da América Latina. Foram 11 camisas avinhadas e alguns abnegados que projetaram tudo aquilo que ainda nos resta e orgulhamos.

Basta de tanto desamor para com uma das nossas maiores paixões! Há inúmeros juventinos de bem, que hoje estão tristes e envergonhados pelo ponto em que chegamos.

Há tempo de reagir e dar a volta por cima! A história da comunidade italiana (predominantemente) que construiu o bairro da Mooca e sangrou nas suas indústrias é de luta! Ela não medirá esforços para reconduzir um de seus filhos mais pródigos para um caminho mais abençoado e glorioso.

juveFORZA JUVE!!!

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Cafetão da Fiel

Há duas semanas à frente do time do Parque São Jorge, a nova (velha) cúpula corintiana falou mais da Sociedade Esportiva Palmeiras que das coisas que dizem respeito a vida do seu clube e dos seus torcedores.

Já falaram que gostariam de ter a Crefisa, que adorariam ter o Dudu, opinaram sobre a folha salarial alviverde, e agora o nosso estádio.

Em entrevista ao programa Debate-Bola do canal Espn, na noite de segunda-feira (12), feriado de carnaval, o folião Luis Paulo Rosenberg, diretor de marketing e comunicação corintiano, resolveu cair na farra e sem mesmo estar travestido de pierrot, foi o brincalhão da vez ao bradar com ar professoral:  “Você olha a arena do Palmeiras e parece uma baleia em um aquário”.

O dirigente deve ter confundindo os clubes em sua metáfora. Afinal, baleia e aquário não são boas definições para se referir ao Palmeiras. Além disso, é aconselhável também um bom exame de vista ao cartola, pois é difícil não notar um espaço de 300 mil metros quadrados que ocupa todo o quadrilátero das principais vias que conecta a Zona Oeste com a região central de São Paulo. Ou ele não tem se deslocado para o local há algum tempo.

O dirigente até citou algumas qualidades óbvias da casa palestrina, mas preparou uma frase de efeito para desviar o foco do pepino que ele terá que resolver. Rosenberg é um dos pais do projeto Itaquerão, que causou um rombo de quase 2 bilhões aos cofres do seu clube (e do país), segundo a própria auditoria contratada pelo alvinegro.

Uma outra declaração que chama atenção na entrevista é quando o dirigente faz um comparativo no modelo de negócios do estádio palestrino com o alvinegro: “Continuo achando que a Arena do Corinthians é mais típica do nosso país”.

Talvez aí o inconsciente do cartola o tenha traído. Nela está contida a típica visão do “jeitinho brasileiro”. Enquanto o Palestra Itália foi projetado e idealizado com dinheiro privado, seguindo todas as regras vigentes (e outras tantas criadas no processo), o estádio de Itaquera seguiu o caminho inverso, até hoje nebuloso e inconclusivo.

Construído em terreno irregular (lembra dos dutos da Petrobrás?), de fato o palco rival impressiona. Tira um “oh”, dos mais desavisados. Menos pelo seu gigantismo. Mais pelo ocultismo de como surgiu ali na Zona Leste, uma das áreas mais carentes de serviços básicos da nossa cidade, um Elefante Branco, não por acaso a cor predominante da fachada externa do estádio.

Ao invés da provocação ao rival, seria interessante usar o seu espaço na mídia para explicar com mais clareza como andam os 12 milhões de reais em contrapartidas sociais para a região, exigidas pelos órgãos municipais até 2019, que não estão sendo cumpridas pelo clube, além das outras tantas divídas citadas.

Mas não é de hoje que o cartola tem como ponto forte de sua oratória as metafóras. Em janeiro de 2014, Rosenberg, em entrevista ao jornal norte-americano “New Yorker”, declarou que: “Dirigir o Corinthians deve ser comparado a dirigir uma casa de prostituição”. Na época, foi aberto um pedido de expulsão do dirigente do seio alvinegro, mas o processo foi arquivado.

Seguindo a sua própria lógica, o cartola volta com força total ao comando alvinegro como o Cafetão da Fiel!

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Bloco dos i(n)diotas

A alegoria mais  vistosa e deslumbrante que entrou na avenida no primeiro dia do Carnaval Paulista foi o “politicamente correto”. Pelo menos no que diz respeito ao desfile da Escola de Samba Mancha Verde, maior torcida organizada da Sociedade Esportiva Palmeiras, realizado na noite de sexta-feira (9), no Anhembi, em São Paulo.

Pra variar, a pauta não era a justa e linda homenagem a Moacyr Bianchi, fundador e ex-presidente da entidade, falecido recentemente, a festa maravilhosa nas arquibancadas que contagiou a todos ou o espetáculo de cores e organização na avenida que emocionou aqueles que entendem do balacobaco.

Como tema a Mancha Verde usou as músicas do Fundo de Quintal e os 40 anos do grupo para falar da relação entre samba e amizade. O carro abre-alas fez referência ao bloco Cacique de Ramos, que deu origem ao Fundo de Quintal, e a rainha Viviane Araújo, há 12 anos à frente da bateria, personificava uma índia.

Isso tudo ficou em segundo plano para alguns veículos de imprensa. O questionamento sobre Vivivane foi racismo indígena! A rainha da bateria da Mancha Verde foi perguntada se achava correto se “vestir” de índio. “Minha fantasia tem todo contexto, represento o Cacique. É uma linda homenagem”, afirmou Vivi, com tamanha elegância.

A pergunta e a polêmica são débeis e sem propósito algum. O carnaval por si só já é uma festa secular em nossa terra tupiniquim (e no mundo) de inversão geral das regras cotidianas. Nessa manifestação há um sentimento de mimetização, sarcasmo, ironia, caricatura, contestação e celebração.

De repente, o conceito yankee do “politicamente correto”, introjetado na cabeça de uma certa parcela do nosso povo por algumas correntes de pensamento, querem redefinir nossa livre expressão e ditar como devemos ou não nos “fantasiar” e “celebrar”!

Esse azedume que toma conta da alma desses “engajadões de plantão” tem serventia para o pós meio-dia da quarta-feira de cinzas. Antes, caíamos na folia nos quatro dias da festa pagã do jeito que quisermos e bem entendermos.

Porque se a moda pega, rei momo gordo será bullying, homem que se vestir de mulher será homofobia, Ala das Baianas será ofensa ao povo nordestino, Ala das Crianças será apologia a pedofilia, Velha Guarda será enquadrada como maltratado aos idosos, Apoios dos carros alegóricos serão desginados como trabalho forçado, Barulho da bateria será  punido pela lei do silêncio e os destaques seminus atentado ao pudor!

Mais uma vez tentam usar a fantasia de palhaço para aparecem às custas do Palmeiras e sua torcida!

Quanto riso, oh, quanta alegria!
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo amor da Colombina
No meio da multidão

Quanto riso, oh, quanta alegria!
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo amor da Colombina
No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele Pierrô
Que te abraçou e te beijou, meu amor

Na mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval

Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval

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Viviane Araújo rainha da bateria da Escola de Samba Mancha Verde

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