Esportes

Não somos otários!

Em 1969 a cidade de São Paulo iniciou um processo de expansão irreversível. A província paulistana começava a ganhar feições de metrópole em todas as suas esferas. Nesse ambiente, foi criada a Secretaria Municipal de Esportes, dando início pela primeira vez a uma política pública de inclusão social através da promoção da prática esportiva entre a juventude, encabeçada pela municipalidade.

Novos equipamentos públicos e competições de todas as modalidades foram criados, entre eles a Copa São Paulo de Futebol Juniores. Em pouco tempo popularizou e tornou-se um dos maiores e mais democráticos torneios desportivos, alcançando projeção internacional. A organização ao passar do tempo saiu das mãos da Secretaria Municipal, ficando para a Federação Paulista de Futebol essa atribuição.

Nessa semana a FPF, que é detentora dos mandos de campo da Copinha, decidiu que a partida entre Palmeiras x Portuguesa de Desportos, válida pelas quartas de final, que acontece nessa sexta-feira  (19), no estádio do Pacaembu, deveria haver cobrança de ingressos, com valores entre R$30 a R$50, “por questões de segurança”.

Não é novidade. Em outras épocas, a entidade usou desse mesmo expediente. No ano de 2016, São Paulo e Flamengo tiveram cobrança de ingressos. Em 2017, Corinthians e Flamengo também tiveram bilheteria. Nessa ocasião, os valores foram de R$20 a R$40. Na final desse mesmo ano, entre Corinthians e Batatais, também foi cobrado ingresso, já com um reajuste no valor de R$30 a R$50. E a justificativa da cobrança pela FPF em todos os casos foi devido à segurança, conforme disposto no próprio regulamento do torneio.

Essa mesma segurança que não foi evocada em 2013, quando Palmeiras e Santos se enfrentaram na semifinal da competição e não houve cobrança de ingressos para a partida, por exemplo. Ou em 2010, quando palmeirenses e santistas se cruzaram novamente na penúltima fase do torneio e os torcedores tiveram que doar um quilo de alimento não perecível para ver o jogo.

A cobrança de ingressos na Copa São Paulo é praxe somente na final na última década. Das últimas edições, apenas em 2008 e 2011 não houve venda de ingressos na decisão. E geralmente um preço simbólico.

No Artigo 38 do Regulamento Geral das Competições (publicado no site oficial da entidade) está explícito:

“A venda de ingressos, bem como a arrecadação das partidas, será de responsabilidade do Clube mandante em todos os seus itens, incluindo aqueles previstos na Lei nº 10.671/2003, em especial no seu Capitulo V.”

No Artigo 33 do Regulamento Específico da Copa São Paulo de Futebol Juniores (também publicado no site da entidade), diz o seguinte:

“Somente poderão ser cobrados ingressos por motivos de segurança e desde que expressamente autorizado pela FPF.”

No final do ano passado, Palmeiras e Corinthians, um dos clássicos de maior rivalidade do futebol mundial, decidiram uma FINAL de Copa do Brasil sub-17, no mesmo estádio do Pacaembu, COM ENTRADA GRATUITA!

Posto isso, questionamos:

O que justifica o valor do ingresso de 30 reais para essa partida? Como se chegou a esse valor?

Como uma competição “AMADORA”, pode ter um preço de ingresso maior que aquele aplicado, por exemplo, numa competição profissional organizada pela própria entidade como o Campeonato Paulista da Série A-2 que teve início nessa semana, tendo o ingresso mais barato  na partida de estréia da própria Portuguesa de Desportos contra o Batatais no estádio Canindé sendo praticado no valor de R$20 as arquibancadas, por exemplo?

Vale lembrar que o estatuto do torcedor versa apenas em seu capítulo V sobre a cobrança de ingressos para competições profissionais. Sendo a Copinha uma competição “AMADORA”, como fica essa questão? O torcedor que se sentir lesado pode acionar a Justiça?

Para onde vai a renda dessa partida (e das demais que já foram cobradas ao longo da história)? Quem é o mandante? Como fica o artigo 38?

Os clubes ficarão com qual percentual da renda do duelo desta sexta?

Daqui para frente, todos os demais jogos serão cobrados por motivo de segurança?

Qual o risco para a segurança implica uma partida entre Palmeiras x Portuguesa? Qual o critério para evocar esse dispositivo?

Essas e outras questões surgem ao torcedor mais atento. A maior torcida organizada do Palmeiras, Mancha Verde, divulgou uma nota e se posicionou sobre essa questão, convocando os associados e toda coletividade palmeirense para um protesto no dia e horário do jogo, contra essa determinação da FPF, na Praça Charles Miller – portão principal, entre outras observações pertinentes.

Antes um fator de inclusão. Hoje um estímulo reverso. A Copinha se tornou a barriga de aluguel de oportunistas da bola. Balcão de empresários usando o sonho e a paixão de garotos (e torcedores) como se fossem mercadorias, afastando-se de sua missão original quando de sua criação há quase cinqüenta anos atrás.

torcidapalmeiras

FORZA VERDÃO!!!

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2 comentários sobre “Não somos otários!

  1. Eles tentam de todas as formas minar a nossa força, nossa torcida.
    Não podemos nos reunir em nossa casa e agora nos impõe esse absurdo.
    Mas muito disso vem da ideia elitista de nossa diretoria que assiste calada a tudo isso.

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