Artes

Vila Buarque em livro

LANÇAMENTO DO LIVRO: “Vila Buarque, o caldo da regressão”

28/Nov/2017, à partir das 19h (Terça-Feira)

Local: TAPERA TAPERÁ (Galeria Metrópole, av. São Luís, 187, 2o piso)

 

“Vila Buarque, o caldo da regressão”, do jornalista  Marcos Gama, conta sobre o processo em que o Brasil, desde os anos 50, vinha num razoável crescimento cultural e político. O golpe de 64, com toda a perseguição doentia ao pensamento livre, e violência física aos opositores, não conseguiu estancar de imediato estes avanços. O homem com sabedoria, acuado, cresceu na sua produção, e até 68, esta criatividade incomodou os militares no poder.

Subservientes a inteligência norte-americana, os golpistas recusaram as energias positivas que elevavam o debate do país. Optaram servir aos donos de velhos e desonestos privilégios, e exercer um poder macabro, que só fomentou a violência. Criaram cartilhas e mecanismos repressivos a tudo que não servisse a essas perversas e carcomidas elites nacionais. Conivente, uma imprensa escrita, censurada, estranhamente demorou a acordar. Diferente da oligarca televisão, que se auto-censurava. Assim, gestaram o AI-5 e o decreto-lei 477, guilhotinas em cabeças essenciais a formação honesta da nação. Um estancamento histórico que só alimentou a bolha da safadeza e do cinismo nacional.

E quando a Casa Grande divisou que a bolha ia explodir, rolou-a para a senzala, aproveitando que ela se articulava pela primeira vez no poder. Assim, os pecadilhos dos desafortunados foram baralhados aos dos grandes arquitetos do nosso universo aristocrático, de ruralistas a banqueiros. As “ações” entre irmãos cresceram no combate a perigosa inclusão social, e os novos bispos-magnatas, para “salvar” os incautos, e aumentar o livre trânsito em favelas e cadeias, vão ignorando os fornecedores de drogas às carcomidas elites. Perversidades e contra-sensos desprezados nesse espetáculo hipócrita das delações seletivas, e na massacrante manipulação midiática.

Sobreviventes dessa repressão, velhos amigos, fortuita e inusitadamente se encontram no centro de São Paulo e resolvem voltar a Vila Buarque, região marcante entre 64/68. Sentem a decadência dolosa da cidade, e provam o que foi o caldo da regressão.

MARCOS GAMA é jornalista e delegado de polícia. Foi morador da Vila Buarque nos anos 1960 e tem longa militância política, tendo sido, diversas vezes, diretor da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo. Foi professor de Relações Humanas da Acadepol. É autor do livro de crônicas Nação Inversa (Mania de Livros). Vila Buarque é seu primeiro romance.

 

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(Capa de Gilberto Maringoni)
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