Esportes

Fax(z) me rir

Analfabetismo funcional é a incapacidade que uma pessoa demonstra ao não compreender textos simples. Definição mais simples ainda acessível a qualquer um que digitar essa expressão no buscador da internet e que agora foi engedrada no vocabulário futebolístico.

Se você é um analfabeto funcional, por gentileza, aconselho encerrar aqui a leitura. Afinal, da última quarta-feira, dia 15 de novembro, para cá, quem não compra gambá por lebre, se tornou um ignorante.

Sim! Somos todos ignorantes ao rejeitar a condição de maior campeão nacional do Sport Club Corinthians Paulista goela abaixo, como se o futebol brasileiro se resumisse aos seus feitos e suas vontades, de acordo com segmentos da mídia e o próprio clube através das suas mídias sociais.

O complexo de inferioridade que o atual campeão da Série A assumiu oficialmente é algo patético. Que me desculpem meus queridos amigos alvinegros (tenho inúmeros que carrego no coração), mas usar suas conquistas para diminuir ou desqualificar as glórias alheias é no minímo indelicado.

Maior Campeão do Povo. Maior Campeão Estadual. Maior Campeão da Copa São Paulo de Juniores. Maior Campeão do Samba. Maior Campeão de uma edição da Libertadores. Bi-Campeão Mundial.

Olha quanta coisa bonita e verdadeira a ser exaltada por vocês! Com justiça! Com mérito! Com reconhecimento dos rivais!

Mas a geração “Faz me rir”, aquela que expulsou Rivelino do Parque São Jorge após a derrota de mais um título para o Palmeiras em 74 e que não ganhava do Santos de Pelé, resolveu bradar a plenos pulmões que “títulos são festejados em campo e não nos gabinetes”.

Então vejamos:

Taça Brasil. Idealizada em 1959 para apontar o campeão nacional pela Confederação Brasileira de Desportos (atual Confederação Brasileira de Futebol, entidade máxima do futebol em nossa terra), com todos os Estados da nação representados, de forma justa, democrática e igualitária, criando uma integração jamais vista até então.

Dia 28 de dezembro de 1960. O estádio do Pacaembu tinha um carpete verde lindo, mas que em nada lembrava um gabinete. Palmeiras 8 a 2 Fortaleza. Finalíssima. Título alviverde. Para disputar essa competição era necessário ser campeão estadual. O que de fato aconteceu em 1959. Na bola, revaldo, gramado e cancha, deu Palestra. Com direito a goleada por 3 a 0 no Corinthians, 2 a 0 no São Paulo e vitória sobre o Santos de Pelé por 2 a 1, entre outros. Dos Paulistas, só Palmeiras e Santos Futebol Clube tiveram tal privilégio de disputar e ganhar esse torneio, pela qualidade e competência em campo.

No caso alviverde, isso se repetiu em 1967 (por duas vezes, na Taça Brasil e no Robertão, versão estendida e ampliada do torneio nacional a partir dessa data) e em 1969. Curiosamente, num período em que o maior rival palestrino tinha mais alegrias nas competições de piscina, bocha, basquete, pedestrianismo, do que no esporte bretão. Mais curioso ainda é que em duas ocasiões Palmeiras e Corinthians estiveram diretamente envolvidos na luta pelo título. No campo, deu Palestra, como de costume!

Em 1967 e 1969, o time alvinegro liderou de ponta a ponta a competição. Mas no quadrangular final de ambas as disputas fracassou e entregou o título para o Palmeiras. A dor da derrota de 69 para o rival fez surgir até mesmo a formação da maior organizada alvinegra. Mas isso não vem ao caso. É outra história. O fax ainda não existia.

Seria exaustivo falar aqui das formas semânticas adotadas para definir um campeão brasileiro de futebol de 1902 para cá. Desde a Taça Ioduran (um analfabeto funcional não entenderia do que se trata) até hoje, são inúmeras as discussões a respeito. Torneio Rio-São Paulo de Clubes já foi parâmetro para apontar um campeão brasileiro nos anos 30, pelo seu prestígio e pioneirismo.

Revisionistas se arrepiam só de pensar numa discussão a respeito, afinal iriam reduzir o debate a um gabinete, ou a um fax. Ou então evocar anacronismo. Afinal, os arautos da opinião pública e da cátedra decretaram que o futebol  começou em 1971 e não conseguem medir com a régua da sua miopia o que lhes é estranho as suas paixões.

Dizer que quando convém evocam a FIFA para diminuir o Mundial de 1951 do Palmeiras é desnecessário. Mas para validar o que acreditam como verdade ignoram normativas da CBF, que com suas deficiências e qualidades, é o órgão que regula e determina os rumos e destinos do esporte das massas.

Dois pesos. Duas medidas. Dizer por aí que não há clubismo, que há isenção, é analfabetismo funcional dos mais agudos!

Parafraseando as linhas que li por aí, no mais eu teria vergonha de estar ao lado desses “vitoriosos”….

Que usurparam o dinheiro público para adquirir seu patrimônio na era da Lava Jato.
Que ostenta o maior jejum da história sem títulos entre os grandes clubes com 23 anos.
Que jamais repetiu os 8 a 0 sofridos pelo maior rival.
Que viu o seu maior rival sair da fila justamente com uma goleada por 4 a 0 num Derby.
Que não conseguiu ser Campeão do Século XX.
Que se vangloria de um título brasileiro no escândalo da máfia do apito em 2005.

No mais, o maior campeão do Brasil,  SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS, parabeniza o atual campeão nacional de 2017 pela sua conquista maiúscula e indiscutível, nos vencendo legitimamente em todos os confrontos diretos, dentro do campo!

Quem sabe um dia vocês chegam lá e nos superam nessa condição de líder. Tudo é plenamente possível e ninguém é imbatível. Mas até lá, continuaremos eternamente sendo o osso duro arremessado na janela de vocês!

luis pereira consola rivelino 1974

FORZA PALESTRA!!!

Anúncios
Padrão

9 comentários sobre “Fax(z) me rir

  1. Marcelo Cirino disse:

    Você é o grande historiador da sociedade que já teve Gino Restelli, Vicente Ragognetti, Walter Pelegrini, dentre outros, e eternamente tera que reexplicar que ressentimentos são distintos de sentimentos momentaneos. Obrigado, amigo.

  2. idelson tadeu telles disse:

    não entendo o motivo de tanta vontade de desqualificar aqueles que no passado ajudaram a estarmos nesse presente de glórias ,como se futebol tivera sido inventado nos anos 90 após o primeiro titulo do Corinthians como se antes disso tudo aquilo que aqueles grandes jogadores que em sua maioria eram marginalizados em sua época e hoje continuem sendo desrespeitados por um bando de esportistas sem memória sem passado ,hoje temos que aceitar que era outro nome em disputa porque eram oque tinham naquela época mas o significado era o mesmo ,já pararam pra pensar nas famílias daqueles jogadores como se sentem ao ouvir este tipo de desrespeito para com eles

  3. Diego Rodrigo Jambas Bertola disse:

    Belíssimo texto, amico! Fernando, outro ponto em que se contradizem é desqualificando nossos títulos brasileiros e ostentando serem os maiores campeões estaduais (que indiscutivelmente de fato são). Mas se esquecem ou apenas desconhecem que o campeonato paulista de fato começou a ser organizado pela FPF em 1941 e que antes disso, pelo menos 3 ligas diferentes organizaram o campeonato em formatos diferentes do que se chegou no que é hoje. Se contássemos de 1940 para cá, talvez nem seriam os maiores (e nem perderei meu tempo contando, rs). Enfim, como você mesmo disse: Dois pesos, duas medidas.

    um abração!

  4. Moura disse:

    Os títulos brasileiros já estão oficializados, não há mais nada que eles possam fazer para tirar isso de nós como os milicos fizeram no final de 74 quando criaram a Copa Brasil.

    A torcida do Palmeiras precisa parar de se importar com o passado e se importar com o presente. O Palmeiras precisa ganhar a Libertadores nos próximos anos. Precisa voltar a conquistar grandes títulos e parar de se apoiar no passado glorioso.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s