Esportes

Arquibancada ou Camarote

Você prefere os camarotes ou as arquibancadas? Foi a pergunta da educada e atenciosa guia de uma belíssima arena multiuso ultra moderna padrão FIFA aos visitantes, ao fim de sua apresentação.

Espontaneamente, um garoto de cerca de 12 anos, é afirmativo: ARQUIBANCADAS! O grupo formado por 30 pessoas começa a rir. Uns por incompreensão. Outros por concordância. Afinal, o que um menino de pouca idade pode saber o que é melhor?

Estrangeirismos. Bussiness. Gourmets. Números grande eloquentes. Tecnologia. Vanguarda. Facilidades. Conforto. Gigantismo. Nada disso atraiu a atenção do garoto. Ficou entendiado. Murcho. Sem reagir.

Ao chegar no andar mais alto da nova arena, ele observa tudo com atenção e questiona:  Onde fica a torcida com as bandeiras?

A guia aponta o local. O olhar fica fixo. Se perde no tempo. Buscando algo no vazio das arquibancadas com cadeiras demarcadas. Cadê a festa?

Segue a visitação. Anfiteatros. Salas de reuniões. Recursos recicláveis. Espaços privativos.
Eis que surge a taça de uma conquista histórica do clube. O sorriso do garoto se abre. Olha para o seu pai com encanto. É o primeiro vínculo que o conecta a sua paixão clubística. A mágica não dura muito. Para ter uma foto com o troféu há um custo. A mesada já tinha sido utilizada na compra do ingresso da partida do seu clube de coração. Uma frustração. Tempos modernos. Grana curta. Preços proibitivos.

Mas isso não era motivo para desaminar ou diminuir o seu sentimento. Pelo contrário. O grupo desce em direção aos vestiários dos jogadores. O garoto é o primeiro a rolar no gramado sintético que reveste o piso do local. Num giro de 360 graus ele vê estampado nas paredes os trechos marcantes da história do seu clube passar diante de si. Craques. Momentos. Frases. Referências. Alma.

Tira fotos ao lado do armário de seus ídolos atuais. Começa um vídeo dos grandes feitos do clube. Observa com total atenção. Ele vibra. Não viveu in loco quase nenhum deles. Mas chora. Se emociona. Beija o escudo. Comemora o gol do videotape com a mesma intensidade de um feito inédito. Como se estivesse lá.

Completamente em êxtase, chega o grande momento da visita. Ele sobe ao gramado, imitando o gesto de seus heróis. Faz o sinal da cruz. Coloca o pé direito em primeiro lugar para dar sorte. Repete o mesmo ritual que ele assiste nos jogos. Vê de perto o gigantismo do campo. Se ajoelha. Grita um gol solitário. Todos riem. O garoto está feliz.

Vestido com o manto sagrado do seu clube (não o orginal, mas um genérico bem acabado), ele mantém viva a chama e a poesia do jogo, com sua pureza e ingenuidade juvenis.
arenapalestra

FORZA VERDÃO!!!

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Uma tarde em 1933

Poderia ser mais um sábado qualquer, onde familiares se reúnem num churrasco para celebrar uma data festiva. Mas ali havia uma magia. Um certo espírito fraternal. Laços inquebráveis que unem almas e corações.

As diferenças que sempre existem, se tornavam pequenas ao brindar dos copos. A música era alegre. Até o dia cinza ganhava um colorido diferente. O ar era leve.

Assim a tarde fluiu. Gerações trocando suas experiências e emoções. Em dado momento, o nonno e sua esposa são apresentados ao novato da casa, o namorado de uma de suas tantas netas.

– Ele é descendente de italiano e palmeirense.

Um sorriso fácil de satisfação brotou do rosto do patriarca, que logo falou:

– Meu pai veio de Milão para cá. São todos buonna gente! E sendo palmeirense, então, melhor ainda. Seja bem vindo.

O namorado retribiu com um gesto de carinho e tentou arriscar umas palavras em língua italiana. O nonno, na sua sabedoria, respondeu dizendo que entendia tudo, mas que não se lembrava mais da bela língua de Dante.

O papo seguiu. A lucidez sobre fatos e momentos vividos ao longo de sua existência era plena. A vida em Jundiaí, a mudança para o ABC, o trabalho na fábrica em Utinga, a criação dos filhos, o gosto por mexer na terra, e acima de tudo de seus ídolos palmeirenses.

– Lima, o garoto de ouro, não enxergava bem de uma vista, mas com a bola nos pés era um craque.

– Oberdan Cattani agarrava a bola com uma mão!

– Og Moreira, Echevarrieta, Villadoniga eram um espetáculo.

– Uma vez papamos cinco títulos seguidos. Ficamos conhecidos como o campeão das Cinco Coroas.

– Dudu e Ademir da Guia eram fantásticos.

Na sua ingenuidade, o novato questiona qual o seu maior ídolo. A resposta foi direta: Todos eram bons. Gosto do Palmeiras e quem veste essa camisa.

Um de seus jogos marcantes não foi nenhuma decisão ou uma grande goleada. Pelo contrário. Foi uma visita do Palmeiras para um simples amistoso contra o Corinthinha de Santo André. No lotado e modesto campo do Galo Preto da Vila Alzira no ABC, o Verdão apresentava o seu esquadrão comandado por Waldemar Fiume e outros craques. O time local jogava uma decisão de Copa do Mundo. Eram uns leões em campo. Abriram o placar e mantinham a vantagem de 1 a 0 com uma raça feroz. Fora de campo, as provocações dos torcedores adversários eram direcionadas a Fiume, o capitão alviverde.

– Cadê o Fiume? Hoje o Fiume ficou em casa? Quem disse que ele é craque? Essa aí não é de nada! Fiume é perna de pau.

O jogo se arrastava, quando o calado Fiume resolveu dar a resposta aos falastrões, assim descrito pelo nonno, fazendo um gesto com as mãos em zigue-zague.

– De repente ele pegou a bola lá de trás e veio vindo assim, fazendo fileira, e fez a jogada do gol de empate. Pouco depois, do mesmo jeito, ele foi lá e virou o jogo. O pessoal ficou mudo. O Fiume parecia que não estava nem aí. Eu me divertia. Lembro disso até hoje. Que jogador era o Waldemar Fiume!

Sobre a escolha de sua paixão, ele conta com orgulho e naturalidade. Todos os garotos em sua rua eram corintianos. Ele não ligava para futebol. Mas um dia houve um clássico entre Palestra Itália e Corinthians. E toda a criançada dizia que ele tinha que escolher um time e de preferência, o alvinegro. Com a pureza infantil, ele propôs aos colegas.

– O time que vencer será o meu time. Todos toparam.

No fim da tarde do dia 5 de novembro de 1933, ao pé do rádio ele e os amigos ouviam o anúncio do oitavo gol palestrino diante do seu maior rival Corinthians, num Derby improvável. Era mais uma vitória alviverde rumo ao título paulista daquele ano. Era a maior vitória da vida dessa rivalidade. Era a vitória sincera de um garoto que ainda se encanta por mais de 90 anos pelo seu Verdão.

Esse sentimento ultrapassa barreiras e é refletido até hoje em sua família, que mantém viva essa chama e tradição, que ele soube plantar e cultivar em cada um de seus membros.
Mas ela fica ainda mais latente, enquanto o sonho insiste em existir no imaginário esmeraldino do nonno.

– Fui no novo estádio do Palmeiras. Que beleza. Se trazer um bom camisa 10, eu acredito que o título do Campeonato Brasileiro será nosso!

A saborosa tarde de 1933 ainda vive. Aquela criança palestrina sempre será eterna!

nonno e eu

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Mulheres campeãs

Há 15 anos o estádio Ícaro de Castro Mello, popularmente conhecido como Ibirapuera, vibrava por uma conquista inédita na história esportiva da Sociedade Esportiva Palmeiras. A equipe de futebol feminino do Verdão sagrava-se campeã paulista adulto ao bater a Matonense pelo placar de 1 a 0, na final da competição.

As mulheres alviverdes fizeram uma campanha irrepreensível. Em 13 jogos, foram oito vitórias, três empates, duas derrotas, 27 gols pró e 12 gols sofridos.

A campanha vitoriosa da equipe palmeirense teve como ponto alto as goleadas por 4 a 0 diante do São Paulo, na primeira fase, e por 4 a 1 diante do Corinthians na semifinal, eliminando o maior rival.

Pernalonga, atacante do Verdão,  com 9 gols marcados foi a artilheira da equipe e vice-artilheira do torneio.

Na história, o futebol feminino no Palmeiras teve uma breve aparição nos anos 80, mas sem uma continuidade. A sua consolidação aconteceu no ano de 1997, quando as meninas do Verdão participaram pela primeira vez do Campeonato Paulista, comandadas pelo lendário treinador Filpo Nuñez.

Em 1999, o time palmeirense sagrou-se vice-Campeão Brasileiro. No ano seguinte, um novo vice-campeonato, dessa vez no Campeonato Paulista.

Entre 2002 e 2004 o time ficou inativo, retomando as suas atividades em 2005 onde disputou diversas competições ininterruptamente até 2012, quando novamente foi descontinuado até os dias atuais.

Confira a campanha vitoriosa das meninas palmeirenses em 2001:

Palmeiras 1 x 2 Corinthians
Palmeiras 2 x 2 Santos
Palmeiras 0 x 0 Ponte Preta
Palmeiras 0 x 0 Nacional
Palmeiras 4 x 2 Portuguesa
Palmeiras 4 x 0 Taubaté
Palmeiras 2 x 1 Juventus
Palmeiras 0 x 2 Matonense
Palmeiras 1 x 0 Guarani
Palmeiras 4 x 0 São Paulo
Palmeiras 4 x 2 São Bento (Sorocaba)
Palmeiras 4 x 1 Corinthians
Palmeiras 1 x 0 Matonense

Veja o golaço da capitã palmeirense Zangão que decretou o título estadual ao alviverde:

https://www.youtube.com/watch?v=Xa_6k21I39k

periquito

FORZA VERDÃO!!!

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