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Série Negativa

A sequência de quatro derrotas seguidas do Palmeiras na atual temporada é uma das piores marcas do clube. A pior sequência de derrotas do Verdão em sua história foram seis jogos consecutivos em duas ocasiões em 1960 e 2001.

Se Cuca não vencer a sua próxima partida quinta-feira (31) contra o Rio Claro no estádio do Pacaembu, pelo Campeonato Paulista, ele iguala o pior desempenho de um técnico num início de trabalho. Márcio Araujo em 2001 teve 5 derrotas seguidas nos seus primeiros cinco jogos.

Confira as piores sequências de derrotas do Palmeiras e seus respectivos técnicos ao longo dos mais de 100 anos:

4 derrotas seguidas – Amilcar Barbuy – 1924
4 derrotas seguidas – Ventura Cambon – 1947
4 derrotas seguidas – Ventura Cambon e Claudio Cardoso – 1949
4 derrotas seguidas – Aymoré Moreira – 1956
4 derrotas seguidas – Aymoré Moreira – 1957
4 derrotas seguidas – Mario Vianna – 1957
4 derrotas seguidas – Mario Travaglini, Vicente Arenari, Chinesinho – 1985
4 derrotas seguidas – Telê Santana, Dudu – 1990
4 derrotas seguidas – Nelsinho Batista – 1992
4 derrotas seguidas – Márcio Araujo – 1997
4 derrotas seguidas – Levir Culpi – 2002
4 derrotas seguidas – Paulo Bonamigo – 2005
4 derrotas seguidas – Tite – 2006
4 derrotas seguidas – Marcelo Villar, Jair Pirceni – 2006
4 derrotas seguidas – Luiz Felipe Scolari – 2010
4 derrotas seguidas – Luiz Felipe Scolari – 2011
4 derrotas seguidas – Luiz Felipe Scolari – 2012
4 derrotas seguidas – Cuca – 2016

5 derrotas seguidas – Fedato e Mario Travaglini – 1985
5 derrotas seguidas – Otacilio Goncalves – 1992
5 derrotas seguidas – Dorival Junior – 2014
5 derrotas seguidas – Ventura Cambon e Arturo Fabbi – 1936

6 derrotas seguidas – Oswaldo Brandão – 1960
6 derrotas seguidas – Celso Roth e Márcio Araujo – 2001

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Amadores e Profissionais

O que se viu no gramado de Presidente Prudente entre Palmeiras e Água Santa, pelo Campeonato Paulista, na tarde desse domingo de Páscoa (27)  é um paradoxo do futebol atual.

O time de Diadema, semi-profissional, oriundo da várzea, com sérias limitações estruturais, com um elenco formado a toque de caixa, sem planejamento, dirigido por amadores massacrou o time “moderno” do Palmeiras, cantado em verso e prosa como  “o melhor elenco do Brasil”, o mais rico, modelo de gestão, com “profissionais  de ponta” , com estrutura européia e uma arrogância infinita.

Ficou provado e patente que quando a bola rola, seja num campinho de várzea, ou numa colossal e ultramoderna arena, o que conta é a qualidade, é a disposição, é a mobilização, é a busca incessante pela vitória.

O Água Santa, como um Davi, nocauteou o Golias Palmeiras. Deu um baile. Deu um show. Atropelou.

Mostrou que o que vale é bola na rede. E sem dó nem piedade enfileirou um saco delas com enorme tranqüilidade na meta de um atordoado alviverde. O “pobre” time de Diadema provou que capacidade e competência não se mede com a conta bancária ou com bravatas e discursos inócuos.

O Palmeiras atual se veste de uma soberba inimaginável. Reflexo dos seus condutores, que nada sabem do mundo da bola. Que se vangloriam em contar moedas. Arrotam as suas verdades como sendo absolutas e intolerantes. Ignoram o sentimento e a tradição da instituição que representam. Assumem posturas individuais, acima dos interesses de uma coletividade. Demonstram toda a sua empáfia quando verbalizam. E acima de tudo, são uns completos ignorantes em matéria de futebol.

A má formação do elenco (inchado e sem qualidade), trocas constantes de técnicos, ruptura com parceiros, litígio com torcedores, departamentos estrategicos em constante questionamento, isolamento, instabilidade emocional. Toda essa intranqüilidade emanada pela alta cúpula palestrina se reflete dentro do campo de jogo.

Temos um time covarde. Fragilizado. Assustado. Sem organização. Com deficiências técnicas absurdas. Pobres de espírito. Que não assumem papel de liderança positiva. Que não se afirmam em nada que fazem. Que vivem nas sombras. Que temem a tudo.

O profissionalismo alviverde hoje foi derrotado pelos amadores de Diadema.

O profissionalismo alviverde tem sido uma falácia onerosa à instituição.

O profissionalismo alviverde é uma ilusão revestida num embrulho de papel laminado.

O profissionalismo alviverde atende ao ego de um deslumbrado sem idealismo e paixão.

O profissionalismo alviverde é um balcão de negócios, onde quem paga a conta é o torcedor!

O profissionalismo alviverde é uma tragédia de incapazes.

O amadorismo venceu! O amadorismo goleou! O amadorismo ensinou que futebol vai além de bravatas! O amadorismo humilhou os arrogantes que vestem grife e se apropriam da alma vitoriosa de um dos clubes mais gloriosos do futebol mundial com conceitos personalistas.

Que o profissionalismo alviverde tenha vergonha na cara e peça demissão por incapacidade!

Que o profissionalismo alviverde tenha coragem de vir a público e dizer que errou!

Que o profissionalismo alviverde não nos arremesse na lama da mediocridade onde eles estão atolados!

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Palestra Italia em livro

Berço da primeira partida do futebol oficial no Brasil em 1902, a obra “Parque dos Sonhos” retrata os feitos históricos, evoluções arquitetônicas, jogos, marcas, recordes, estatísticas, fotos inéditas e curiosidades do Estádio Palestra Italia, ao longo dos tempos.

O lançamento e a noite de autógrafos acontece no dia 29 de março (terça-feira), a partir das 19h, no saguão principal da Biblioteca Municipal Mário de Andrade, localizado na Rua da Consolação, 94, no centro de São Paulo, a 100 metros da estação de metrô Anhangabaú, com entrada franca.

Organizado por  Fernando Razzo Galuppo e José Ezequiel de Oliveira Filho em parceria com a editora In House, o livro conta com riqueza de detalhes, fruto do exaustivo e metódico trabalho de pesquisa dos autores.

“O Palestra Italia precisava ter um registro para a posteridade de suas fases e momentos.  O local trata-se de um dos únicos espaços esportivos do século XIX que se mantém ativo e atualizado na grande metropole paulista, que a cada segundo despreza as suas referencias históricas”, diz Fernando Galuppo.

O livro surgiu de um bate-papo informal entre os autores. “Como pesquisadores da história do futebol, em especial, das coisas do Palmeiras, sentiamos a falta de um trabalho organizado que pudesse contar a história da casa palmeirense. Quem era o maior artilheiro? Quais foram os grandes momentos e mudanças? Qual foto mais marcante? Quantos títulos foram conquistados? Eram algumas questões que tinhamos e como resultado surgiu esse lindo trabalho”, comenta José Ezequiel de Oliveira.

Localizado no bairro da Água Branca, o Parque Antartica ocupava uma área de cerca de 20 alqueires e foi fundado em 1891 pela Companhia Antarctica Paulista, fundada naquele mesmo ano, que havia adquirido o terreno para a instalação da sua fábrica de cerveja. O local se transformou numa referencia de recreação e divertimento, sendo palco, entre outros das primeiras partidas de futebol da pauliceia.

Em abril de 1920, o Parque Antartica foi comprado pelo Palestra Italia, naquilo que ficou conhecido como a loucura do século. “Foi uma ousadia que causou um grande espanto nos meios esportivos e fora dele. Guardadas as devidas proporções, para se ter noção do empreendimento, nos dias de hoje era como se um grupo de jovens que recém fundaram um clube planejassem comprar o Parque do Ibirapuera para construir e edificar a sua sede esportiva. Esse sonho virou realidade e vive intensamente por quase um século”, explica Galuppo.

De lá para cá, a praça esportiva teve diversas melhorias e mudanças em sua estrutura física. “A primeira grande construção podemos verificar nos anos 30, quando o estádio passou a ter arquibancadas de concreto armado, a primeira do genero em São Paulo. Depois, a construção do Jardim Suspenso, nos anos 60. E mais recentemente uma arena Multiuso. Isso demonstra o pensamento de vanguarda que norteia os palestrinos, ao longo dos tempos”, lembra Ezequiel.

Com 178 páginas, rico em fotos, colorido e papel nobre, a montagem e diagramação do livro ficou por conta de Márcio Martelli. “Foi um trabalho apaixonante. Envolvi-me nessa linda história e não há como não se emocionar por cada momento”, fala.

O trabalho conta ainda com prefácio do ministro Aldo Rebelo e texos dos jornalistas Adriano Pessini e Rodrigo Barneschi, entre outros. Tudo em dois idiomas:  inglês e português. “Era imprescindivel a obra ser bilingue, pois essa historia ultrapassa os limites de um clube ou de espaço. É o registro de um local que guarda memorias e sentimentos, que merecem ser preservados pelas futuras gerações, em todo canto do mundo”, finaliza Ezequiel.

Serviços:

O que: Livro Parque dos Sonhos
Onde: Biblioteca Municipal Mário de Andrade
Rua da Consolação, 94, ao lado da estação de metrô Anhangabaú
Horário: a partir das 19h
Quando: 29 de março (terça-feira)
Entrada Franca
http://inhousestore.com.br/parque-dos-sonhos.html

CONVITE PARQUE DOS SONHOS

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Pintando o Sete

O choque-rei na manhã desse domingo (13) vencido pelo Palmeiras pelo placar de 2 a 0 pelo Campeonato Paulista, no estádio do Pacaembu, entrou para a história do Verdão como a sua maior sequência de jogos sem perder para o Tricolor Paulista em jogos válidos pelo Estadual.

Desde 2010 o time palmeirense acumula sete partidas invictas contra o time do Morumbi, sendo 4 vitórias e 3 empates.

O recorde atual também registra o maior período (em anos) sem perder para os são paulinos na competição. São seis anos consecutivos que o Palmeiras se mantém invicto contra o seu tradicional rival, fato inédito na vida palestrina em Estaduais.

Anteriormente, o recorde de jogos sem perder para o São Paulo Futebol Clube no Paulistão havia sido seis partidas seguidas por duas ocasiões, justamente nos períodos da Primeira e Segunda Academia, nos anos 60 e 70, respectivamente.

A primeira fase invicta aconteceu de 8/8/1965 a 3/12/1967 (com 4 vitórias do Palmeiras e 2 empates). A segunda fase aconteceu de 21/5/1972 a 10/11/1974 (com 1 vitória e 5 empates).

A vitória desse domingo também pôs fim a um incomodo tabu. O Verdão não ganhava um choque-rei como visitante há 14 anos.

Contando todos os confrontos entre as equipes, o Palmeiras não perde para os são-paulinos desde novembro de 2014 (4 partidas, com 3 vitórias alviverdes e 1 empate).

Confira a maior sequência invicta do Palmeiras contra o São Paulo pelo Paulistão:

21/2/2010 Palmeiras 2×0 São Paulo – Robert (2)
27/2/2011 Palmeiras 1×1 São Paulo – Adriano
26/2/2012 Palmeiras 3×3 São Paulo – Daniel Carvalho, Barcos (2)
10/3/2013 Palmeiras 0x0 São Paulo
02/2/2014 Palmeiras 2×1 São Paulo – Alan Kardec, Valdivia
25/3/2015 Palmeiras 3×0 São Paulo – Robinho, Rafael Marques (2)
13/3/2016 Palmeiras 2×0 São Paulo – Dudu, Robinho

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FORZA VERDÃO!!!

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Quer ser campeão no Palmeiras?

Foi assim com essa frase que Alexandre Mattos, atual diretor de futebol do Palmeiras, cativou os  atletas contratados no início da temporada. Uma ambição justa e válida. Afinal, quem veste essa camisa alviverde tem sempre que ter em mente títulos, vitórias e conquistas.

Entretanto a pergunta se esvazia na medida que o departamento de futebol profissional demonstra fragilidades conceituais para que a resposta seja materializada na prática.

Tudo o que foi plantado em janeiro se destruiu em março. Pré-temporada perdida. Resultados abaixo do esperado. Time sem padrão de jogo. Preparação física questionavel. Contratações equivocadas. Departamento médico lotado. Insegurança da torcida. Demissão de técnico.

Ao meu ver, a falta de um conceito claro na condução do futebol alviverde é a causa principal para que o ambiente seja sempre instável e propício para tais oscilações. Todo o resto é consequência. Recomeçar com o bonde andando parece ser uma tendência do Palmeiras nos últimos anos.

A história mostra que os times campeões e de sucesso são aqueles mais estáveis em todos os setores. E nesse sentido não temos acompanhado o que ela nos ensina como legado. Pelo contrário.

Entendo que a escolha de um nome para comandar o time no restante da temporada é secundária. O que de fato merece atenção é o perfil de comando que precisamos para alcançar nossos objetivos.

Que tipo de elenco temos em mãos? Qual o perfil desses atletas? Eles podem nos dar o que esperamos nas competições que disputaremos? Que estilo de futebol adotaremos? Quais necessidades precisamos ainda suprir para termos uma equipe mais coesa?

São algumas das questões que me tocam, antes mesmo de pensar num nome ideal para ser o novo técnico palestrino.

Pegando as últimas duas trocas de comando, temos, em síntese, o seguinte cenário:

Oswaldo Oliveira era um treinador adepto ao toque de bola. Gostava da cadencia e da posse de bola. Montou um elenco com esse perfil. Foi questionado por isso. Perdeu o Paulistão e foi demitido.

Marcelo Oliveira chegou. Sempre foi um treinador adepto ao jogo de transição e contra-ataque. O oposto de Oswaldo. Sempre teve dificuldades em propor o jogo nos times que comandou. Pegou um elenco com perfil mais cadenciado montado pelo seu antecessor.  Foi questionado por não conseguir ter um time com toque de bola. Venceu a Copa do Brasil. E três meses depois foi demitido por não conseguir “evoluir” com jogadores aos quais ele mesmo entendia serem adequados para o sucesso do seu estilo de jogo.

Vejam, em menos de um ano, o futebol do Palmeiras mudou duas vezes de conceito e proposta de jogo. Oswaldo foi questionado porque seu time cadenciava o jogo. Marcelo foi questionado porque seu time não cadenciava o jogo. Um antagonismo. Uma confusão. Uma bagunça. Uma falta de identidade.

Afinal, o que a instituição Palmeiras quer do seu departamento de futebol? Até quando vamos viver de personalismo? Quando teremos uma proposta de jogo realmente clara, a qual represente nossas tradições esportivas? Quando teremos uma regularidade?

Quer ser campeão no Palmeiras? Sim. Óbvio. É o que mais queremos! Essa deve ser a resposta do novo técnico quando Mattos ligar para ele oferecendo o cargo com a dita indagação.

Mas para responder essa simples pergunta com a assertiva que desejamos, espero que o novo comandante responda a tantas outras questões que passam ao largo até mesmo da reflexão das nossas atuais lideranças!

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FORZA VERDÃO!!!

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Palestra Cinquentão

Quando o Palmeiras entrar em campo na quarta-feira (9) contra o Nacional-URU pela terceira rodada da primeira fase da Copa Libertadores da América, no estádio Palestra Itália, o time alviverde fará a sua partida de número 50 em sua casa pelo torneio continental.

Até aqui foram 49 jogos, 34 vitórias, 11 empates, 4 derrotas, 120 gols pró e 41 gols contra.

O número de jogos é relativamente baixo para um clube que participa da competição desde 1961. Isso se explica pelo fato do Palmeiras usar em seus mandos de campo o estádio municipal do Pacaembu em suas duas primeiras participações em 1961 e 1968.

A primeira partida do Verdão no estádio Palestra Italia aconteceu em 3 de março de 1971 contra o Deportivo Galicia da Venezuela, apenas em sua terceira participação no torneio. O time palmeirense venceu pelo placar de 3 a 0. O atacante Cesar Maluco foi autor do primeiro gol alviverde em sua casa pela competição continental. Completaram o placar Fedato e Hector Silva.

A maior goleada do Palmeiras na competição em sua casa foi no dia 4 de abril de 1995.   Palmeiras 7×0 El Nacional do Equador. Paulo Isidoro, Edmundo (2), Rivaldo (2) e Valber (2) foram os autores dos gols palestrinos.

Outra goleada marcante para o torcedor palmeirense foi diante do Boca Juniors-ARG pelo placar de 6 a 1, em 9 de março de 1994. Foi uma aula de futebol dos palmeirenses sobre os argentinos!

A conquista da Copa Libertadores da América em 1999 teve como palco a casa palmeirense. Diante do Deportivo Cali-COL, o Verdão venceu os colombianos no tempo normal por 2 a 1 e também nas penalidades máximas pelo placar de 4 a 3.

Colo Colo-CHI, São Paulo-SP (duas vezes), Cerro Porteño-PAR foram as únicas equipes a conquistarem vitórias sobre o Verdão em seus domínios pela Copa Libertadores.

O goleiro Marcos é o recordista de jogos com a camisa do Palmeiras no Palestra Italia, com 26 jogos na meta do Verdão pela Copa Libertadores da América, em seis edições do torneio. O meia-atacante Lopes é o maior artilheiro do Palmeiras no Palestra Itália, com oito gols marcados.

Principais artilheiros do Palmeiras no Palestra Italia pela Libertadores:

Lopes – 8
Edmundo – 7
Rivaldo – 5
Alex – 5

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FORZA VERDÃO!!!

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Mulher em Primeiro Lugar

A Sociedade Esportiva Palmeiras foi o primeiro clube do futebol brasileiro a oferecer gratuidade em jogos como mandante para as mulheres em 1982.

Um pioneirismo contestado pelas feministas à época.

Hoje, vemos uma presença cada vez mais marcante da mulher em todos os setores do mundo e principalmente no futebol.

Cabe dizer que quem deu o pontapé inicial para que isso fosse possível foi o Verdão há mais de 30 anos atrás, mantendo a sua tradição de clube de vanguarda, plural, sem preconceitos e pioneiro.

Os jornais assim registraram esse momento histórico, o qual reproduzimos na íntegra:

Gazeta Esportiva de 12 de agosto de 1982
(matéria assinada pelo jornalista Wanderley Nogueira)
Título: A Força da Mulher

“A partir de hoje mulher pode entrar sem pagar nada nos jogos mandados pelo Palmeiras. Não é uma iniciativa genial, hipercriativa, mas não deixa de ser oportuna. O futebol passa por um momento em que todas as ideias devem ser estudadas, analisadas e se possivel colocadas em pratica.

É dessa maneira que o futebol pode ficar mais forte, mais procurado, mais interessante.

A presença da mulher faz bem aos olhos, ao espirito, ao ambiente. Já surgiram algumas manifestações de lideres feministas, contestando aquilo que elas chamam de “favor especial”. Repelem, discordam, simplesmente não aceitam o “desaforo”…

O que elas não entenderam é que o Palmeiras não está fazendo apenas um apelo promocional, inteiramente válido. A diretoria agiu movida pelo desejo de aumentar o número dee torcedores do Palmeiras. Imaginou que o marido levará a mulher, mais facilmente, se ela não pagar nada… O mesmo, imaginou a direção do Palmeiras, com relação aos namorados, aos noivos, aos amigos. Não houve nenhum intuito discriminatório na atitude do Palmeiras. Hoje, o Pacaembu poderá ficar muito mais bonito.

O circulo do futebol vai sendo invadido – felizmente – pelas mulheres. Há times femininos lutando pela legalização – algo defendido por todos.

E agora com a posição do Palmeiras, o número daquilo que os carentes de sensibilidade chamam de “sexo frágil”, aumentará bastante. Não pode ser frágil a mulher que sustenta a família, que trabalha para ajudá-la, que cuida dos filhos, que serve de termometro dentro de casa. É incorreto tachar de frágil alguém que enfrenta dificuldades com dignidade, que atua como companheira indispensavel, que sabe escolher suas cores, que dirige paises, empresas, escolas, que alimenta crianças e adultos. As “rebeldes” feministas deveriam encarar a atitude do Palmeiras, como um reconhecimento tardio da importancia de presença feminina nos estádios de futebol. O Palmeiras está tentando atrair novos clientes e consumidores.

As empresas comerciais comumente agem dessa maneira: dão brindes, descontos, apresentam gratuitamente seus produtos. Depois de algum tempo acreditam que poderão recuperar o lucro perdido, pois o consumidor ficará fascinado pelo produto e mesmo tendo que pagar não irá se afastar dele.

Resta apenas que o Palmeiras e seu time cuidem para não assustar os novos clientes. O espetaculo que será mostrado deverá ser agradavel e atraente.

O último campeonato mundial serviu para mostrar mais uma vez que o futebol não é uma paixão apenas dos homens. O País inteiro foi envolvido por um sentimento de emoção. Mulheres e meninas discutiam lances, chutes fracos ou fortes, faltas violentas ou providenciais. Xingaram árbitros e adversários.

Elas confeccionaram bandeiras, faixas, carregaram bandeiras. Claro que era o futebol do Brasil que estava em jogo em alguns poderiam classificar este engajamento como ocasional. Mas fundamentalmente não é verdade.

É um esporte como outro qualquer. Mulheres frequentam o Joquei, assistem aos jogos de basquete, futebol de salão, tênis, competições de natação, volei, etc.

O passo dado pelo Palmeiras poderá atuar como um empurrão que faltava para levar as mulheres aos estádios. Muitas irão pela primeira vez e é possivel que se tornem amantes do mais importante esporte deste país.

Será uma torcida diferente, graciosa, gentil. Há algum tempo atrás, a torcida do São Paulo resolveu oferecer rosas às torcedoras, mas sem nenhum apoio financeiro resolveu interromper a recepção…

Vamos ver pelas arquibancadas a meiguice das meninas, a beleza das moças e dezenas de olhares maternos e compreensivos. Os jogadores do Palmeiras aplaudiram a ideia, como Luis Pereira, por exemplo:

“Acho que são atitudes assim que atraem os torcedores. Será muito bom ver familias inteiras nos jogos de futebol. O marido, a mulher, a filha… e não adianta tentar esconder o sol com a peneira: muitas vezes o homem não as leve a um estádio porque a despesa fica muito alta.

Com a presença das mulheres acho que haverá uma especie de censura natural. Acredito mesmo que os palavrões vão diminuir”.

O carioca Rocha é um dos mais entusiasmados com a iniciativa:

“No Rio de Janeiro é comum as mulheres formarem torcidas femininas e agitarem as arquibancadas. São sensiveis, gritam, protestam, ficam felizes nas vitorias e muito tristes nas derrotas. As mulheres formam uma enorme força que o futebol não pode desprezar. E até uma obrigação encontrar-se uma maneira de atrai-las para os estadios”.

E há mulheres que marcam no futebol pelo seu amor: Filhinha, do São Paulo; Elisa, do Corinthians; Eva, do Palmeiras; Conceição, da Ponte Preta… Ninguém torce mais que elas!”

12/8/1982 Palmeiras 3×1 Xv de Jaú-SP – Campeonato Paulista
Estádio Pacaembu
Gols: Celio, Jorginho Putinatti (2) (PAL); Osni (XV)
Palmeiras: João Marcos (G), Benazzi, Luis Pereira, Polozzi, Vargas, Rocha, Jorginho Putinatti, Celio (Carlos), Barbosa, Reginaldo (Carlos Alberto Borges), Baroninho. Técnico: Moraci Santana (interino)
Xv de Jaú: Carlos Pracidelli (G), Paulo, Tobias, Luis Carlos, Cidinho, Edvaldo, Cesar, Nivio, Osni, Silvio, Betinho. Técnico: João Carlos Moya

Gazeta Esportiva do dia 2 de novembro de 1982
(matéria assinada pelo jornalista Wanderley Nogueira)
Título: Mulher nos Estádios: Ideia que deu certo

“Quando a diretoria do Palmeiras teve a ideia de permitir o ingresso das mulheres nos estadios, sem cobrar nada, algumas lideres feministas protestaram. Afinal, diziam elas, “nós não precisamos de nenhum favor… não queremos esse tipo de gentileza… temos condições de escolher onde ir…”

O vice-presidente do Palmeiras, Nelson Duque,  jamais elevando o tom da voz, explicou: “O nosso clube não quis ferir ninguém, muito menos colocar a mulher numa posição inferior. Sabemos perfeitamente a importância que ela tem na nossa sociedade. Hoje, a mulher está com presença marcante em todos os setores da nossa vida, é executiva, é policial, é médica, é dentista, é industrial, é comerciante…”

Temos hoje, dirigindo o Ministério da Educação e Cultura, uma mulher extraordinaria. Sabemos que a mulher não precisa de um ato generoso para ir ao estádio. Entretanto, a ideia baseou-se em inumeras pesquisas que mostraram uma grande carga de irritação entre milhares de mulheres pelo fato do marido, noivo ou filho, correr para os estádios, deixando-as em casa, sob as mais variadas alegações. Alguns diziam que as mulheres não entendiam nada de futebol, outros alegavam que estádio não é um lugar para mulheres e vários acenavam com dificuldades financeiras.

A Copa do Mundo provou o grande interesse que as mulheres tem pelo futebol. Ficaram atentas diante dos aparelhos de televisão, torcendo pela vitoria do nosso selecionado.

O futebol feminino está lutando com todas as forças para conquistar a sua legalização e já provou, nas inumeras apresentações nos mais diversos estádios, que é algo muito interessante e viavel.

A torcida do Brasil, na Espanha, tinha 40% de mulheres. Ora, o volei agrada às mulheres, o basquete também, idem a natação, e é claro que também o futebol.

Então, a diretoria do Palmeiras resolveu atrair a mulher aos estadios, vendo-as como novas consumidoras. Num futuro, é possivel que paguem seus ingressos normalmente, mas primeiro temos, e digo pelo Palmeiras, a intenção de mostrar espetáculos agradáveis e emocionantes. Será otimo quando a propria mulher, antecipar-se ao homem e convida-lo para o jogo do proximo domingo ou mesmo numa quarta-feira à noite.

É uma ideia de marketing, atendendo o caminho promocional que deverá envolver o futebol. Não há nenhuma discriminação. Queremos novos consumidores e nada melhor do que mostrar o futebol gratuitamente e provocar uma grande atração. A mulher vai ao jogo, critica, aplaude, gosta, ou não gosta e depois decide se deve ou não continuar indo aos estadios.

A ideia da diretoria doo Palmeiras deu certo. A presençca feminina nos jogos do clube – quando ele é o mandante – tem aumentado sensivelmente e no último domingo milhares  estiveram no Morumbi. Familias inteiras, sentadas no concreto das arquibancadas.

Marlene Dias de Almeida, 37 anos, dentista, três filhos e pertencente a uma familia tradicionalmente palmeirense confessou que foi ao estádio pela primeira vez: “Não sei na verdade explicar porque nunca quis comparecer a um jogo de futebol, mas nos ultimos dias ouvi dizer que mulher não pagaria nada, fiquei a vontade. Não é pelo dinheiro, mas imaginei que encontraria muitas mulheres e foi realmente o que aconteceu. Assistir jogo de futebol aqui da arquibancada, acho que é muito mais emocionante do que numa fria numerada…”

Alaide de Souza, corinthiana, empregada doméstica, 34 anos, três filhos, afirmou que agora tem uma distração: “Sou corintiana, mas vou começar a frequentar com o meu marido e duas filhas os jogos do Palmeiras. A gente gasta pouco e pode divertir-se juntos. Meu marido pagou 400 cruzeiros e eu e minhas filhas pudemos entrar. Fiquei perto de tantas outras moças e achei muito gostoso torcer. Pena que o Corinthians não autorizou a entrada das mulheres sem nenhum pagamento. A vida não está fácil e uma economia não faz mal para ninguém.”

As pessoas são diferentes. Para uma, o dinheiro não é importante, para a outra ele é primordial. As duas buscaram uma opção de lazer e gostaram. O objetivo do Palmeiras foi alcançado. São novas pessoas simpáticas ao futebol, falarão com as amigas, discutirão lances, absorverão as regras.

Circos anunciam normalmente: “Leve seu filho ao circo. Ele não paga nada.”. E óbvio que são raros os garotos que vão ao circo sozinhos. Também um importante parque infantil paulista está afirmando que “garotos até 10 anos não pagam nada e podem brincar em todos os brinquedos…”. Mas o pai paga a entrada e mãe também.

No último domingo, fatos interessantes ocorreram e podem ser mostrados como o surgimento de um novo hábito na cidade. Eis o relato de Aparecida Martins, uma jovem de 25 anos, casada, uma filha:

“Meu marido costumava vir sozinho ao estádio. Agora com esta promoção, pode-se passar um domingo sem gastar muito e todos juntos. Trouxe uma sacola com sanduíches, sucos e frutas. Fizemos uma especie de pic-nic aqui nas arquibancadas. Vimos o jogo dos meninos (juniores) dos velhos (veteranos) e o grande clássico. E além de tudo, tomamos muito sol… Acho que foi um domingo muito legal. Pensei que ouviria muitos palavrões e até que não foram tantos…”

31/10/1982 Palmeiras 0x0 Corinthians – Campeonato Paulista
Estádio Morumbi
Palmeiras: Gilmar (G), Benazzi, Luis Pereira, Deda, Nene, Rocha, Eneas (Barbosa), Aragones (Esquerdinha), Jorginho Putinatti, Baltazar, Baroninho. Técnico: Rubens Minelli
Corinthians: Solito (G), Alfinete, Mauro, Daniel Gonzalez, Wladimir, Paulinho, Sócrates, Zenon, Ataliba, Casagrande, Biro-Biro. Técni: Mario Travaglini
Preliminar: Palmeiras (Juniores) 1×1 Corinthians (Juniores)
Preliminar: Palmeiras (Veteranos) 0x0 Seleção Paulista de Veteranos

PS: O mando de jogo no Derby pertencia ao Palmeiras. Ele propôs que as mulheres pudessem entrar gratuitamente nos dois setores (mandante e visitante). A direção corintiana não aceitou. Somente as mulheres palmeirenses tiveram o acesso franqueado.

mulher

Manchete de capa da Gazeta Esportiva em 1982

Às nossas mulheres, toda a gratidão, carinho e respeito!

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