Esportes

Patinho Feio

A história é pródiga em repetir eventos semelhantes de formas diferentes. Ao revisitarmos certos períodos e momentos do passado, encontramos singularidades que se conectam com o tempo presente.

Parece que é uma força subconsciente que fica oculta e plasmada em torno de personagens, figuras proeminentes e instituições.

Na vida de um clube de futebol como a Sociedade Esportiva Palmeiras, então, esse fenômeno surge como uma constante.

Curiosamente, há uma pré-disposição dos adversários e da crônica em subjugar o alviverde nas vésperas de momentos decisivos na vida esportiva palmeirense. Tratam de diminuir a nossa auto-estima. Induzem a que todos pensem que somos risíveis. Criam um clima de temor, ansiedade e apreensão. Transformam qualquer disputa num jogo de “vida ou morte”. Dramatizam. Menosprezam.

Esse comportamento de agentes externos – e por vezes internos – parece acompanhar a trajetória dessa gloriosa institutição desde os seus primeiros tempos.

Torna-se perceptível uma inveja mascarada de ódio contra o clube esmeraldino.

Em 1920, o Palestra Italia tinha pela frente na decisão do Campeonato Paulista o Clube Atlético Paulistano. Antes da grande final, o rival palestrino foi cantado em verso e prosa por todos como o grande campeão. Era o atual tetracampeão. Imbatível. O Glorioso. O time do “rei” Arthur Friedenreich. O temível time dos aristocratas. O guardião das tradições esportivas. Um gigante insuperável.

O Palestra era só um bando de italianinhos “carcamanos”…

Deu Palestra!

Em 1942, o Palmeiras tinha pela frente na decisão do Campeonato Paulista o São Paulo Futebol Clube. Antes da grande final, o tricolor paulista era aclamado como o supertime. Era o time do “rei” Leônidas da Silva. O time dos aristocratas do Estado Novo. Da nova elite brasileira. Uma seleção de craques conduzida pelo Marechal da vitória Paulo Machado de Carvalho. Um esquadrão digno dos maiores times do futebol paulista.

O Palmeiras era apenas um time de italianinhos “quinta colunas”…

Deu Palmeiras!

Em 1959, o Palmeiras tinha pela frente na decisão do Campeonato Paulista o Santos Futebol Clube. Antes da grande final, o time da Vila Belmiro era visto como uma potencia que não tinha rivais. Era o time do “rei” Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Ninguém seria capaz de vencer o time de Pelé. Um time com Pelé em campo era insuperável. Era o maior time do mundo. Uma seleção jamais vista.

O Palmeiras era apenas um time de italianinhos que não vencia um título há 9 anos…

Deu Palmeiras!

Em 1974, o Palmeiras tinha pela frente na decisão do Campeonato Paulista o Sport Club Corinthians Paulista. Antes da grande final, o time de Parque São Jorge era aclamado pela mídia como o grande favorito. Apesar do jejum, era a vez do Timão. Era o time do “reizinho” Roberto Rivelino. O sofrimento da “Fiel” chegaria ao fim perante o maior rival como em 1954. Era a vez da multidão alvinegra voltar a sorrir. Ninguém seria capaz de parar o colosso alvinegro. Ninguém pode com a “Fiel”.

O Palmeiras era apenas um time de italianinhos que não se empenharia tanto para vencer…

Deu Palmeiras!

Poderia citar tantos outros exemplos de decisões esportivas, onde o Palmeiras foi tratado em segundo plano pelos rivais e pela crônica. Há muitos mais. Isso é recorrente. Vai ser sempre assim. Mas não quero ser cansativo. Ficarei nos acima citados, apenas.

Somos o “Patinho Feio” há 100 anos para os outros.

Nada mau que nos enxerguem sempre assim. Isso nos fortalece a alma!

Afinal, a miopia alheia pode não compreender a diferença entre um pato, que voa curto e baixo, e um periquito que nasceu predestinado a rasgar os céus infinitos envergando seu manto verde esmeralda!

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FORZA PALESTRA

Único time do futebol brasileiro a ter destronado os três “reis” da história do futebol brasileiro: Fried, Leônidas e Pelé

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