Esportes

A festa da minoria

Cresci ouvindo dos palestrinos mais velhos muitas histórias da final do Campeonato Paulista de 1974. O Palmeiras tinha a Academia e um time acostumado com decisões. O rival amargava uma longa fila de títulos.

O clima criado para aquela decisão era a favor do time alvinegro. A torcida corintiana lotou o Morumbi com 100 mil torcedores. Mas foram os poucos palmeirenses presentes no estádio quem comandaram a festa, após o gol de Ronaldo, dando mais um título ao Verdão e deixando os corintianos por mais um ano sem conquistas.

Guardada as devidas proporções, o jogo válido pela semifinal do Campeonato Paulista entre Palmeiras e Corinthians na Arena Itaquera nesse domingo (19) trouxe aspectos bem similares aos vividos em 74.

Lá como cá, a torcida alvinegra lotou o estádio. E novamente quem festejou foram os bravos palestrinos em minoria no palco do jogo. Não era uma decisão de título. Nem o Palmeiras é um time como aquela Academia. Tão pouco o Corinthians vive um jejum de troféus. Mas a história, com seus vilões e heróis, estava lá. Pairando no ar e permeando o inconsciente coletivo.

Atualmente, o Verdão precisava de um jogo decisivo para a sua afirmação dentro e fora de campo. O torcedor da nova geração palestrina não tinha vivido na pele uma partida como a de hoje para reafirmar o que a história palestrina é pródiga em nos ensinar.

O dia 19 de abril de 2015 será para uma geração de palestrinos o que foi 12 de junho de 1993 para a minha geração e o que o dia 22 de dezembro de 1974 foi para os alviverdes mais antigos.

Particularmente, vivi todos esses momentos de forma diferente e intensa. O jogo de 1974 esteve presente no meu imaginário durante anos na infância e juventude. O jogo de 1993 eu senti na pele e carrego essa marca profunda dentro de mim pela eternidade. O jogo de hoje representa o passar de um bastão para os mais jovens palestrinos.

A vitória palestrina nas penalidades diante do seu maior rival, na casa do adversário, que detém uma longa invencibilidade, para mim se resume numa cena:

O pai dizendo para o filho entre lágrimas e abraços: “Tá vendo, meu filho, isso é o Palmeiras. Obrigado por confiar em mim. Essa vitória é para você”. O filho, emocionado, responde nos braços do pai: “Obrigado meu pai por ter me tornado palmeirense. Valeu cada segundo, de alegria e tristeza, ter confiado em você .”

Eu vivi isso com meu pai em 93. Ele viveu com seu pai em outros momentos. Outros filhos e pais viveram isso em outras oportunidades. Outros tantos ainda viverão esse sentimento.

O futebol em sua essência é um pouco disso também. Uma prova de amor e uma renovação constante da fé e da esperança nas cores do nosso querido clube.

VIVA A SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS!

javari_2015

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4 comentários sobre “A festa da minoria

  1. Pouco me lembro da Decisão de 74. Tinha modestos 3 anos. Mas vivi intensamente a Final de 1993. Aliás, eu vivi intensamente o Campeonato Paulista de 93. Presente em quase todos os jogos, nas finais não poderia ser diferente. Vi o Viola imitar o porco naquele golzinho suado e de sorte. Mas vi também o Zinho, o Evair, Edmundo, Sampaio, Mazinho e tantos outros.
    No jogo de hoje, apesar de não ser uma final, ganhamos um título. Se formos Campeões daqui a 15 dias, será um outro título. Eliminar o Corínthians, contra tudo e contra todos, não tem preço.
    Diriam meus saudosos pai e avô, que me fizeram palmeirense, “Perca pra todo mundo, mas não empata com o Corinthians”. Hoje empatou. Ou não.
    Agora vamos buscar o título. E começa domingo, em casa. Que o senhor Paulo Nobre não invente de fazer dois jogos no Pacaembu. Se tivermos que jogar na Vila Belmiro, jogaremos. O Santos que mande o jogo decisivo onde quiser. Na Vila, no Pacaembu, no Morumbi, no Municipal de Itaquera. Mas tirar o 1º jogo do Allianz Parque é burrice, para não utilizar um termo mais forte.
    Grande abraço, Galuppo.

  2. Roberta disse:

    Vc definiu tudo meu Querido Amigo Fernando !
    Eu senti na pele 1993 e meia dois filhos sentiram na pele em 2015 !!!
    Nós Palestrinos precisávamos e muito dessa vitória, assim como precisamos desse título !

    FORZA VERDÃO !!!

    Nos vemos nas arquibancadas durante a final !
    Saudades de vc !
    Beijos

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