Esportes

Liturgia que se renova

Minha primeira recordação de uma eleição presidencial no Palmeiras data dezembro de 1988. Naquela ocasião, concorriam ao cargo máximo Vicente Raiola Neto, pela situação, contra Carlos Bernardo Facchina Nunes, pela oposição.

Raiola era do grupo de Nelson Duque, que havia tido uma gestão muito ruim no departamento de futebol, com o time lutando apenas na parte intermediária da tabela. Facchina, concorria pela terceira vez ao posto presidencial. Havia perdido para Paschoal Giuliano e para o próprio Nelson Duque por margem miníma de votos, anos atrás. Sua plataforma era a construção da Academia de Futebol e montar um time em condições de lutar por títulos, algo que há 12 anos o clube não vencia, basicamente.

Na noite do dia 19 de dezembro, cerca de 280 conselheiros compareceram as urnas e elegeram Facchina como novo presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Seu primeiro ato, após eleito, foi abrir os portões do clube para que os torcedores presentes do lado de fora da Rua Turiassu festejassem a sua vitória, convidando-os para um abraço de congraçamento e uma caneca de chopp!

Passados pouco mais de duas décadas, em 2014 podemos celebrar no dia 29 de novembro a primeira eleição direta da história centenária do Palmeiras, onde o associado elegeu de forma direta o seu presidente.

Paulo de Almeida Nobre, com 2.421 votos superou o seu antogonista Waldemir Pescarmona que recebeu 1.611 votos.

Nobre foi o primeiro presidente aclamado pela maioria dos associados. Antes mesmo de finalizada a apuração, o novo mandatário alviverde se retirou da sede social palestrina cercado por inúmeros seguranças particulares, pela porta dos fundos, à francesa, sem ao menos dar um aperto de mão em seu antagonista.

No portão principal da entrada da Rua Turiassu 1840, Nobre mandou colocar um tapume de madeira para que o torcedor que passasse na calçada não tivesse nenhum contato visual com os acontecimentos históricos intramuros.

Como gran-finale de sua conduta cavalheira e cordial colocou 50 homens do Batalhão de Choque da valorosa Polícia Militar devidamente posicionados em postura de confronto, com os cacetetes em punho, na porta do clube para saudar o torcedor palmeirense e compartilhar toda a sua alegria pela vitória nas urnas.

Muda a liturgia. Mudam os homens. Muda o Palmeiras!

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Foto da entrada principal da Sociedade Esportiva Palmeiras coberta por um tapume de madeira, batizado de “Muro de Berlim” ou “Muro da Vergonha” pelos associados alviverdes

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Eleições S.E.Palmeiras

Caro amigo associado palmeirense,

Sábado (29/11) será um dia importante na história palestrina. Escolheremos pela primeira vez em nossa história quem irá governar os destinos da nossa querida Sociedade Esprotiva Palmeiras pelos próximos dois anos.

De um lado, a esperança por dias melhores.

Do outro, a certeza de que nada irá mudar.

Um tem o compromisso com um projeto esportivo em sintonia com a grandeza histórica do nosso querido Palmeiras.

Outro tem o compromisso apenas com o seu padrinho político e aliados.

Um governará para todos.

Outro governará para poucos.

Um quer servir ao Palmeiras.

Outro se sente refém.

Um sonha com Academia.

Outro sonha com Sangue na veia.

Por tudo o que já foi exposto nas mídias sociais, imprensa, malas diretas, entrevistas e bate-papos as propostas dos dois candidatos são claras. Cabe a nós a escolha.

Eu já fiz a minha.

VOTO CHAPA 200! VOTO WLADEMIR PESCARMONA! VOTO POR UM NOVO PALMEIRAS!

FORZA PALESTRA

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Trio de Ferro ou trio de lata?

Nos últimos 5 anos, o São Paulo Futebol Clube é o clube paulista que acumulou o maior número de eliminações como mandante e o ÚNICO a ser eliminado três vezes seguidas num mesmo ano dentro de seus domínios:

São Paulo

2014 – Atlético Nacional – Copa Sul-Americana
2014 – Bragantino – Copa do Brasil
2014 – Penapolense – Campeonato Paulista

2013 – Corinthians – Campeonato Paulista

2012 – Santos – Campeonato Paulista

2011 – Santos – Campeonato Paulista

2010 – Internacional-RS – Copa Libertadores da América

2009 – Cruzeiro-MG – Copa Libertadores da América

 

Palmeiras

2014 – Ituano – Campeonato Paulista

2013 – Tijuana-MEX – Copa Libertadores da América

2011 – Vasco da Gama-RJ – Copa Sul-Americana

2010 – Goiás-GO – Copa Sul-Americana

2009 – Santos – Campeonato Paulista

 

Corinthians

2013 – Boca Juniors – Copa Libertadores da América

2012 – Ponte Preta – Campeonato Paulista

2010 – Flamengo-RJ – Copa Libertadores da América
O ano de 2014 é o primeiro da história da Federação Paulista de Futebol desde 1941 em que nenhum dos grandes clubes de São Paulo se sagrou campeão de uma competição nacional ou estadual.

Clássico Palmeiras X Corinthians

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O maior dos meus casos…

Tenho o hábito de caminhar longas horas de forma errante pelas ruas do centro da cidade, pensativo e refletindo sobre as coisas da vida. Criando castelos. Imaginando soluções para os obstáculos naturais da existência. Conversando com os meus sonhos. Embriagado no meu mundo particular. Eu, meus fantasmas e o além!

É uma forma de meditação em meio ao caos. Faz entender até onde cheguei e o que ainda posso alcançar nessa minha jornada efêmera. Fortalece a minha alma. Acalma o meu coração. Imagens surgem em minha mente. Lembranças de amigos, parentes, situações, lugares, sabores, gestos, sorrisos, olhares, músicas. Um turbilhão de sentimentos que me faz encontrar sentido nesse mundo concreto.

É exatamente nesses momentos em que estou mais conectado eu comigo mesmo que o AMOR pela  SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS se fortalece, fica cada vez mais vivo, latente e intenso!

Hoje foi mais um dia desses!

E quando me pego assim, ouço essa música do Roberto Carlos, para traduzir o que sinto:

https://www.youtube.com/watch?v=IgVDO8joC_4

FORZA PALESTRA! ONTEM, HOJE E SEMPRE! MUITO OBRIGADO POR EXISTIR EM MINHA VIDA!

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Arenazzo

Quando Ananias balançou as redes pela primeira vez na nova casa Palestrina, fechei os olhos, os ouvidos e me transportei no tempo por um segundo. Como num passe de mágica, fui arremessado para o cimento frio do estádio do Maracanã em 1950. Longe do Palmeiras atual ter a força daquela seleção brasileira, tão pouco o Sport Recife ter um futebol digno da Celeste Olímpica. Entretanto, o que pairava no ar e no meu coração era o mesmo sentimento daquela tragédia esportiva vivida há 64 anos atrás. O clima de festa do povo apaixonado pelo seu alviverde deu lugar as lágrimas, frustações e desilusões de todos as naturezas. Foi doloroso. Foi terrível.

Ananias e Patric foram nossos Gighias, na noite do dia 19 de novembro de 2014. No lado verde, tivemos em campo 14 Barbosas! Todos fantoches anímicos comandados por um general atemorizado e perdido.

Em todas as nossas estreias no Palestra Itália jamais havíamos sofrido um gol sequer. Em 1920, quando pisamos no Palestra pela primeira vez como donos de nossa nova casa, vencemos por 7 a 0 o Mackenzie College, pelo Campeonato Paulista, com uma seleção em campo honrando a nossa camisa: Primo (G), Bianco (capitão), Pedretti, Arturo Fabbi, Picagli, Bertolini, Caetano, Ministro, Heitor,  Ernesto Imparato, Imparato II.

Em 1933, quando reestreamos em nossa casa pela segunda vez, depois de construirmos as modernas arquibancadas de cimento para a época, goleamos impiedosamente o Bangu por 6 a 0, pelo Torneio Rio-São Paulo, com um time de craques: Nascimento (G), Carnera, Junqueira, Tunga, Dula (Zico), Tuffy, Avelino, Gabardo, Romeu Pelliciari, Lara, Armandinho.

Na terceira reestreia, em 1964, quando nossa casa se tornou Jardim Suspenso, vencemos a Esportiva de Guaratinguetá por 2 a 0, pelo Campeonato Paulista, com a base do time que foi aclamado no ano posterior como a Primeira Academia de Futebol, pelo seu jogo clássico e vencedor, formado por Valdir de Moraes (G), Rubens Caetano, Djalma Dias, Ferrari, Dudu, Valdemar Carabina, Gildo, Ademar, Picolé, Tupãzinho, Rinaldo.

Hoje, iniciamos na nova Arena da mesma forma que nos despedimos do velho Palestra em 2010. Com uma derrota! O mesmo placar de 2 a 0. A mesma falta de personalidade. A mesma falta de qualidade técnica. A mesma inércia diretiva. A mesma formação pífia!

Nosso time, diante do Sport Recife foi isso aqui: Fernando Prass; João Pedro, Nathan, Tobio e Juninho (Mouche); Victor Luis, Marcelo Oliveira, Wesley (Mazinho) e Felipe Menezes (Allione); Diogo e Henrique. Técnico: Dorival Júnior.

Guardem bem, palestrinos de todas as gerações, esse exemplo que hoje vivemos na carne da maneira mais dolorida possível. Guardem bem essas escalações. Analisem com frieza o que difere umas das outras. O que difere campeões de perdedores. O que difere o nosso glorioso passado com os tempos atuais.

Numa primeira análise, vos digo a diferença abissal que nos afasta das nossas tradições e nos açoita com o fel da derrota a cada nova contenda: Faltam os craques! Falta ambição dos homens que nos comandam! Falta visão! Falta PALESTRINIDADE!

Tudo isso reflexo das políticas desastrosas que relegam o sentimento do torcedor ao último plano e que não assumem nenhum compromisso de grandeza e competência esportiva, ano após ano.

Talvez os grandes mentores dos nossos destinos, mais uma vez, escolham o caminho mais simplista e repitam o roteiro praticado no Maracanã em 1950, quando queimaram as traves da vergonha. Ou então, joguem a culpa pelo revés  no sapo enterrado embaixo do gramado. Ou em alguma feitiçaria qualquer.

O Arenazzo palestrino do dia 19 de novembro de 2014, ano de nosso centenário, é o reflexo da falta de competência dos nossos gestores e de jogadores dignos de representarem a paixão de milhões alviverdes.

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