Esportes

90 Anos de Travessuras

O Clube Atlético Juventus comemora no próximo dia 20 de abril seu 90º Aniversário de Fundação. Para toda coletividade grená, a minha singela homenagem para esse clube de tantas Glórias e Tradição!  PARABÉNS MOLEQUE TRAVESSO!

CONCURSO CULTURAL >>> Em comemoração ao aniversário do Juventus vamos dar um presente especial ao torcedor juventino. Deixe aqui nos comentários desse post quem foi para você o seu maior ídolo juventino, ou uma história ou momento referente ao Juventus junto com seu email até o dia 20 de abril. 

Farei a seleção dos comentários e apenas 1 dos concorrentes que postarem seu comentário receberá um brinde especial do autor desse blog. PARTICIPE!

juventus valente

HISTÓRIA GRENÁ

Os empregados do Cotoníficio Rodolfo Crespi desejavam fundar uma instituição esportiva única que representasse a empresa como um todo, onde pudessem praticar esportes e recreação. Incentivados pelos altos paredros da família Crespi este desejo, enfim, se realizou.

Em 4 de maio de 1924 ocorreu a fusão entre duas das principais equipes originárias do Cotoníficio: Extra São Paulo F.C. e Cavalheiro Crespi F.C dando origem ao Cotoníficio Rodolfo Crespi Futebol Clube.

Decidiu-se por manter as cores do Extra São Paulo – vermelho, preto e branco – como sendo as oficiais da nova agremiação, aproveitando deste clube a maioria dos jogadores que já gozavam de certo prestígio nos “campinhos do bairro”.

Em contrapartida, o Cavalheiro Crespi F.C. cedeu a sua sede social – localizada na Rua dos Trilhos, nº 42 (antigo) – e sua força organizativa na figura de Vicente Romano e Manoel Vieira de Souza, que provisoriamente, até que os estatutos fossem redigidos, exerceram a função de presidente e vice-presidente, respectivamente, preservando como data símbólica de fundação do clube o dia 20/04/1924.

Esta benéfica união entre os dois clubes, não apenas trouxe um progresso esportivo, mas revestiu-se de um importante acontecimento para o bairro da Mooca e seus moradores, que ganharam um clube progressista e pujante obstinado a elevar o nome deste tradicional bairro de São Paulo através das mais diversas atividades sociais e desportivas, enchendo de orgulho a sua gente.

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Cavalheiro Conde Rodolfo Crespi patrono da fundação

MOLEQUE TRAVESSO

O insuperável jornalista, escritor e historiador Tomas Mazzoni do jornal “A Gazeta Esportiva”, dentre as suas tantas contribuições para o engrandecimento do esporte, primava pela criação dos chamados títulos honoríficos, popularmente conhecido como apelidos.

Mazzoni criou – GLORIOSO , para o Paulistano – VETERANO para o Internacional – PERIQUITO para o Palestra Itália – MOSQUETEIRO para o Corinthians – BUGRE para Guarani de Campinas – NHÔ-QUIN para o XV de Piracicaba – MACACA para Ponte Preta – VOVÔ DA COLINA HISTÓRICA, para o Ipiranga e assim por diante.

O C.A. Juventus como sendo o mais novo integrante da divisão principal da APEA em 1930 e participante pela primeira vez do Campeonato Paulista, foi batizado por Mazzoni com o carinhoso título de – O GAROTO.

Uma tarde gloriosa, entretanto, marcou para todo sempre a iluminada trajetória do C.A. Juventus.

No dia 07/03/1937, em partida válida pelo Campeonato Paulista de 1936, no “Campinho da Rua Javari”, como assim era chamado, com suas dependências lotadas, o time da Mooca quebrou uma invencibilidade de 35 jogos sustentada pelo Corinthians ao vencê-lo por 4 x 2. Setalli, o goleiro juventino na ocasião, foi um herói defendendo uma penalidade máxima quando o C.A. Juventus vencia a partida por 1 a 0, inspirando os seus companheiros a tão brilhante vitória.

O onze juventino esteve como nunca se viu. Os jogadores foram leões. Os mais fanáticos comparavam aquela atuação às míticas partidas realizadas pela máquina juventina de 32.

Registros da época dão conta de que esta foi a maior atuação de toda história do C.A.Juventus, até então, em campos paulistas.

A mística do “Campinho” foi posta a prova e o imbatível alvi-negro caiu diante do time grená.

Fruto deste inesquecível episódio, o “Garoto” transformou-se no “MOLEQUE TRAVESSO” como assim passou a ser conhecido o C.A. Juventus, batizado novamente pelo jornalista Tomas Mazzoni em sua coluna esportiva, devido a esta travessura aplicada pelos grenás sobre os alvi-negros.

A partir de então, como nas histórias do mítico personagem inglês Robin Hood, o Moleque Travesso sempre manteve uma escrita: ganhar dos “grandes” e perder para os “pequenos”, fazendo valer o seu novo apelido, que perpetua-se carinhosamente entre os seus torcedores, até os dias atuais.

A equipe avinhada, nesta célebre partida frente ao time do Parque São Jorge, jogou com a seguinte formação: Setalli (G), Bororó, Tito, Joãozinho, Dudu, Paulo, Sabratti, Nico, Raphael, Joffre, Zalli. Técnico: Raphael Liguori. Os gols juventinos foram marcados por Joffre, Sabratti, Raphael, Nico.

O Corinthians jogou e perdeu com: José (G), Jahú, Carlos, Brito, Brandão, Munhoz, Lopes, Carlito, Teleco, Ratto, Griffo. Os gols corinthianos foram marcados por Carlito (2).

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Juventus não dá moleza para ninguém! Esse Moleque é força mesmo!

RUA JAVARI

“Há longo tempo os empregados do Cotoníficio Crespi desejavam fundar uma instituição esportiva onde pudessem praticar esportes e este desejo se realizou. Fundou-se há pouco tempo o Cotoníficio Rodolfo Crespi Futebol Clube. A partir deste ano essa agremiação entrará em uma fase de progresso, pois o senhor Rodolfo Crespi cedeu-lhes um bom terreno que com benfeitorias que nele estão sendo feitas, em breve se tornará uma bela praça de esportes.

O campo de futebol acha-se devidamente marcado e cercado, havendo a possibilidade da construção de uma pequena tribuna.”

Eis que assim, a partir de 1925, o clube da Mooca edificou a sua praça esportiva. Orgulho de todos! Palco de emoções, craques, lances mágicos, alegrias e celebração. O estádio Conde Rodolfo Crespi. Ou simples Rua Javari. O fortim Grená! Um templo onde o futebol resiste.

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 Aspecto do estádio juventino que mantém arquitetura dos anos 40

TÍTULOS

Internacionais

Torneio do Japão – 1974
(Juventus 2 x 0 Seleção do Japão)

Nacionais

Campeonato Brasileiro (Série B) – 1983
(04/05/83 – Juventus 1 x 0 CSA-AL)

**** Nota: Vice-Campeão Brasileiro (Série C) – 1997

Interestaduais

Torneio do Paraná – 1950
(2/07/50 Juventus 7 x 0 Operário de Apucarana-PR)

Torneio Jânio Quadros – 1953
(12/04/53 – Juventus 1 x 0 Portuguesa Santista-SP)

Torneio de Joinville – 1955
(16/05/55 – Juventus 0 x 0 Caxias de Joinville-SC)

Torneio Triangular Mineiro – 1955
(29/05/55 – Juventus 2 x 1 Uberlândia-MG)

Estaduais

Campeonato Paulista (2º Divisão) – 1929
(26/01/30 – Cotonifício Crespi 1 x 0 A.A. República)

Campeonato Paulista (2º Divisão – 2º Quadro) – 1927, 1928
(29/10/27 – Cotonifício Crespi 3 x 1 Voluntários da Pátria) e (21/10/28 – Cotonifício Crespi 3 x 0 A.A. Barra Funda)

Campeonato Paulista Amador – 1934 (invicto)
(02/09/34 – C.A. Fiorentino 5 x 3 Ponte Preta-SP)

Campeonato Estadual Amador – 1934 (invicto)
(28/10/34 – C.A. Fiorentino 3 x 1 Ferroviário de  Pindamonhangaba-SP)

Torneio de Inauguração do Pacaembu – 1940
(05/05/40 – Juventus 3 x 0 Portuguesa-SP)

Torneio Eliminatório Paulista (1ºDivisão) – 1961 (invicto)
(10/02/61 – Juventus 3 x 0 América de São José do Rio Preto-SP)

Torneio Paulistinha (Troféu Paulo Machado de Carvalho) – 1971
(12/12/1971 – Juventus 3 x 1 Noroeste-SP)

Torneio Início do Campeonato Paulista – 1986
(16/02/86 – Juventus (4) 0 x 0 (3) Santo André-SP  *** nos escanteios)

Campeonato Paulista (2º Divisão) – 2005
(26/06/2005 – Juventus 2 x 1 Noroeste-SP)

Copa Federação Paulista de Futebol – 2007
(25/11/2007 – Juventus 2 x 3 Linense-SP)

**** Nota:  A melhor posição do Juventus no Campeonato Paulista (1º Divisão) foi a terceira posição em 1932.

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Conquistas e Glórias Esportivas. Isso é o Juventus da Mooca Querida, bello!

PS: Essas e outras histórias estão contidas no livro “Glórias de um Moleque Travesso”, de autoria de Angelo Eduardo Agarelli, Vicente Romano Neto e Fernando Razzo Galuppo.

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12 comentários sobre “90 Anos de Travessuras

  1. Mauro Sanzoni disse:

    Excelente matéria!!! Parabéns por tentar manter essa linda agremiação que hoje infelizmente esta na UTI em evidência.
    Sou morador da Mooca a 48 anos e vivo e respiro a Javari desde a minha infância. Meu avó quando veio da Itália morou próximo do estádio, ele era Palmeirense enquanto meu Pai Corintiano, eles sempre me levavam na Javari. Meu Pai temia que eu me tornasse Palmeirense enquanto meu avó temia que eu me tornasse Corintiano, como já não bastava as brigas entre meu avó e meu pai por não torcerem pelo mesmo time eu também não queria fazer parte destas discussões italianas acaloradas como sempre.
    Então para não magoar nenhum dos dois, decide torcer pelo Juventus pois era ali naquele templo que a união da família era contemplada e sofríamos e nos alegrávamos juntos!
    Hoje, infelizmente tenho que ir sozinho ao estádio, procuro ficar sempre no mesmo lugar onde sentávamos.. fecho os olhos e consigo sentir a presença deles.

  2. André dos Santos Sousa disse:

    Nasci em 1976 na Moóca, morei na rua Padre Raposo e cresci nesta rua. Mesmo hoje não morando mais no bairro não consigo me desvencilhar deste lugar.
    Bem a minha maior lembrança de criança foi nas arquibancadas da Javari, nos ombros do meu pai vivenciando tudo que aquele lugar poderia me oferecer. Nos ombros do meu pai assistia ao Juve contra os grandes, os pequenos contra tudo e contra todos naquele sofrimento tipico deste clube onde cada jogo é uma final.
    Em uma tarde de domingo assisti ao Juventus x S.E Palmeiras, naquela tarde o Palmeira venceu era o meu primeiro jogo grande, não sei precisar o ano mais deveria ser 1981 ou 1982, mas muita coisa ficou marcada dentro da minha mente e coração. Daquele jogo em diante o meu pequeno coração foi dividido, uma metade grená e a outra alviverde e assim se faz até hoje.
    As quartas-feiras a tarde e os domingos nunca mais foram os mesmos sempre ali na beira do campo no alambrado sempre atras do goleiro xingando a cada defesa do adversário e gritando feito um louco a cada gol do Juventus da Moóca querida.
    Quem é Juventino, quem já foi a Javari sabe do sentimento que é vivido ali. Algo magico acontece ali, o tempo para, o coração acelera, a sua voz não é só mais uma no meio de muitos, não, na Javari a sua voz é a diferença a sua voz é o óleo desta engrenagem grená e isso é no minimo um motivo de orgulho!
    Orgulho de ser da Moóca e de torcer para o clube do seu bairro! E que outro bairro de São Paulo tem um time?
    Um clube que representa o orgulho dos trabalhadores operários e que representa um orgulho dos paulistanos o bairro da Moóca.
    Obrigado Juve pela sua existência, se não fosse por você eu não seria eu.

    André dos Santos Sousa

  3. Joao Paulo disse:

    Jogo para nunca esquecer… JUVA 4 X 3 Taboão da serra .

    Jogo começou chato e sem criatividade de nossa parte (enfim vamos pular essa parte)…bom de repente 3 a 1 para os visitantes. Olhos incrédulos e desesperados na bancadas do templo.

    Faltava 10 minutos para o termino da peleja e os atletas não tinham mais posição fixas, o zagueiro vai ao ataque é faz um golaço digno matador, logo depois nossa jogada pela ponta, driblando o zagueiro moderno(o adversário estava no chão fazendo cera), cruzamento 3 a 3 , quando a torcida já estava satisfeita, eis que depois do escanteio, a bola sobra para o JUVA, todos que estavam no templo chutamos aquela bola, sem chances. A virada chegou e 2 minutos depois fim de papo, a tempos que não tínhamos um prazer como esse. Todos ficamos mais um tempo curtindo aquele momento de euforia.

    FORZA JUVE.

  4. Fernando, ótimo texto!!! Talvez eu não tenha nenhuma história do queridíssimo Juventus, era do interior há pouco tempo então não acompanhava o time. Porém, a primeira vez que eu vi o Moleque Travesso em campo, foi num Palmeiras x Juventus, em 2006 no então antigo Palestra Itália. O jogo foi 4 x 3 para o Palmeiras, um grande jogo, sofrido, porém com a vitória do verde.
    Eu gosto muito da Juventus, principalmente por ser de um bairro italiano, por eu ter descendência italiana, está no sangue. Pena que a Juve não está na primeira divisão, torço muito para sua volta, pois São Paulo precisa de um gigante como este no Paulistão.
    Desde desse dia, da vitória do Palmeiras, comecei a ter uma admiração pelo time Grená, que diga-se de passagem, adora aprontar contra os grandes.
    Enfim, hoje consigo acompanhar um pouco mais as noticias do clube, assim como consigo também ir com mais facilidade até a Rua Javari.
    Essa é a minha história com a Juventus, querido Moleque Travesso, que hoje admiro e gosto tanto!!

  5. No começo do texto, esqueci de colocar na frase ”Talvez eu não tenha nenhuma história do queridíssimo Juventus”. A correção fica: ”Talvez eu não tenha nenhuma grande e longa história do queridíssimo Juventus”

  6. Renato Laragnoit disse:

    Caro Galuppo, parabéns pelo texto e pelo blog. Leio sempre que posso. Acerca do belo time da Mooca, é verdade que o nome e cores do time foi decidido no palitinho? Uns queriam Juventus, homenagem à Turim e outros Fiorentina, de Firenze. Uma coisa estava certa. Quem perdesse no nome, as cores do outro time estamparia a vestimenta do futuro clube. Deu Juventus e as cores da Fiorentina. Ė vero? Auguri.

  7. Felipe Genovesi disse:

    Para mim o Clube Atlético Juventus sempre foi muito especial, pois foi lá onde passei a maior parte da minha infância e adolescência, tive a honra de defender a camisa grená por 8 anos na equipe de natação, e diga-se de passagem: que Equipe! Colocávamos medo no Pinheiros, Corinthians, Internacional de Regatas, Saldanha e em tantas outas que nem me lembro mais, só me lembro que em todo pódio subia nossa bandeira, e que bela bandeira. Quantas lembranças boas, quanta saudade!

    O amor pelo Juventus começou desde pequeno, com um cara humilde, brincalhão e que sempre tinha um sorriso no rosto, esta é a recordação que tenho de Antoninho Minhoca. Esse cara, além de ser meu ídolo por tudo o que fez pelo Juve, era também um grande amigo, estava em todos os Torneios de Natação do clube torcendo por mim, me incentivando e me apoiando; mas além de tudo isso também me contava das travessuras que ele e os outros 10 moleques vestidos de grená aprontavam com a bola nos pés. Meu pai conta, com os olhos cheios de lágrima, que o Zé Maria deve estar procurando a bola até hoje depois daquele drible que ele levou do Minhoca antes de marcar o gol e da vitória de 1 a zero do Juventus sobre o Corinthians em 71. Como você faz falta, Minhoca!

  8. Caro Fernando, gostaria de parabenizá-lo pelo brilhante trabalho como historiador do Palestra. Minha pergunta, porém, é relacionada ao outro “italiano” de S.Paulo, o Juventus. Saberia me dizer onde/como consigo comprar o livro sobre o Moleque Travesso o qual você foi co-autor?
    Um forte abraço.
    D’Angelo.

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